Por Bruno Leonel

Durante a tarde do último domingo (06) aconteceu em Londrina a última edição de 2016 do festival Quizomba: Samba e outros Batuques. Em meio a um domingo de sol – Mesmo dia aliás em que a cidade foi palco de protestos, de cunho um tanto quanto questionáveis, e que, inicialmente, se apresentaram como contra a corrupção – Assim como, mesmo dia da morte do escritor Ferreira Gullar. Algumas centenas de pessoas preferiram celebrar a diversidade, a cultura e a resistência através da música e da arte em evento ocorrido no Zerão em Londrina.

O evento teve início pouco após às 14h do domingo (04) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O evento teve início pouco após às 14h do domingo (04) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Por questões de logística, o evento, que mensalmente acontece na Vila Cultual Kinoarte, precisou ter seu local alterado, indo para o Zerão e ‘unindo forças’ com o evento de Dub que já estava agendado para ocorrer no local. O clima, no geral, era positivo, pelo fato do evento ter sido realizado mesmo com todas as dificuldades, no entanto, havia também um clima de incerteza geral a cerca das próximas edições.  “Foram duas situações: Uma é que a Kinoarte está passando por um processo de renovação do alvará, ainda estamos dependendo da avaliação do Corpo de Bombeiros e houve também reclamações de vizinhos (Em relação ao barulho e coisas do tipo) e acharam melhor não fazer esta última edição por lá… Ao mesmo tempo, não temos nenhum espaço público na cidade, que comporte um evento deste tamanho, não temos recuros, bancamos todos os eventos com bilheteria, não temos nenhum apoio privado… Todo mundo discute que os eventos precisam ser autossustentáveis, mas quando fazemos um, faltam espaços em Londrina”, contou à reportagem o professor Kennedy Piau Ferreira, do coletivo Quizomba.

Coletivo 'Pisada da Jurema' durante apresentação no Quizomba, no último domingo - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Coletivo ‘Pisada da Jurema’ durante apresentação no Quizomba, no último domingo – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Segundo a organização, a notícia da mudança de local do evento – Que estava agendado já há algumas semanas – foi anunciada há poucos dias de sua realização. Durante o evento, que seguiu até próximo das 22h, pessoas de várias idades, artistas e eventuais curiosos ocuparam o espaço próximo ao anfiteatro do ‘Zerão’ para prestigiar rítmos groveados e o som dos Djs Damião, DJ Gabriel e DJ Gobatto (Coletivo Árido Groove) a apresentação de Teatro A Comédia do Trabalho. Atrações voltadas ao público infantil, o Quizombinha 17h além dos shows da Pisada da Jurema, Caburé Canela, Abrakadan Sounds e Silva Roots.

Djs do coletivo Árido Groove iniciaram os trabalhos no último Quizomba de 2016 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Djs do coletivo Árido Groove iniciaram os trabalhos no último Quizomba de 2016 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Parte mais animada do público se aglomerou em frente à tenda do palco, montada de frente para o gramado. O clima despojado do ambiente, assim como o amplo espaço do local e clima agradável (Sem chuvas) favoreceram o evento. Questões como a segurança, devido ao grande número de pessoas, em um espaço aberto, foram dificultadas – Houve relato de transtornos no local e até de pessoas incomodando meninas e moças próximas ao anfiteatro.

Último Quizomba de 2016 é realizado no Zerão em Londrina
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

A baixa iluminação em ruas e pontos próximos ao gramado foi outro dos fatores que preocupou parte do público. “Utilizamos alguns recursos em caixa para viabilizar este último Quizomba do ano. Em 2017 veremos ainda como será ainda o projeto… De qualquer forma esperamos contar com o público, temos uma página no facebook com grande alcance e, esperamos poder construir uma solução coletiva, junto com os artistas para manter o projeto no ano que vem. Cada edição custa cerca de R$ 7 mil, não temos como bancar isso… Aguardamos por exemplo o resultado de projetos como o Quizomba itinerante (Inscrito no PROMIC)”, contou Piau à reportagem.

Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Segundo o articulador, há ainda questões burocráticas ligadas à viabilização do Quizomba, que em 2016, chegou aos 10 anos de atividade em Londrina, sempre dedicados à ritmos e culturas de matriz africana. “O tratamento juridicamente é desigual, já tivemos situações em que, dependendo de quem pede, o tratamento é desigual. E, contamos com algumas ajudas importantes como a Casa de Cultura (UEL) disponibilizando estrutura, Secretaria de Cultura, ainda assim falta um apoio para quem faz cultura independente na cidade, sem patrocínio de empresas, há dificuldades, infelizmente…O Quizomba nasceu com essa perspectiva de valorizar culturas de resistência, esperamos que haja um pouco de sensibilidade para que esses projetos possam ocorrer”, pontuou Kenedy.