Espetáculo OVO (Cia Agon) volta à Funcart nesta semana

Após duas sessões com casa cheia no SESC Cadeião, o espetáculo OVO, do Agon Teatro, volta ao cartaz no Circo Funcart neste fim de semana. As apresentações acontecem no sábado e domingo, dia 23 e 24 de julho, às 20 horas. Uma notícia trágica acaba por unir dois irmãos que permaneceram por três anos separados, assim, originam-se uma serie de conflitos, e resgate de memórias que desencadeiam a trama. É com esse mote que se inicia a história da peça. O grupo londrinense constrói uma arena circular e leva os espectadores para o palco, em cadeiras bem próximas dos atores.

Renato Forin.Jr. e Danieli Pereira dão vida aos irmãos da trama 'OVO' - Foto: Marika Sawaguti.
Renato Forin.Jr. e Danieli Pereira dão vida aos irmãos da trama ‘OVO’ – Foto: Marika Sawaguti.

A peça conta a história de dois irmãos, Édipo e Electra, que passaram a juventude na zona rural e se reencontram na cidade em um momento decisivo: a morte da mãe. Com texto poético de Renato Forin Jr., que também assina a direção e está em cena ao lado da atriz Danieli Pereira, o espetáculo é ambientado em um galinheiro, onde os irmãos trabalhavam e brincavam na infância. Para chegar neste espaço onírico, o Agon Teatro propõe uma série de transformações cenográficas, sonoras e de figurino, empreendendo uma viagem entre rural e urbano.

Reflexões sobre a vida e suas transitoriedades permeiam a história de ‘Ovo’, que ocorre toda em uma área rural, ainda arcaica que, em nenhum momento é nomeada ou apresentada com uma localização especifica; Dentro de três caixas, dois atores guardam as dores e os afetos silenciados de uma família. Progressivamente, os intérpretes dão vida a Édipo e Electra, personagens trágicos da mitologia grega que, na trama autoral, são apresentados como irmãos em conflito.

A peça capta o instante em que Electra chega na cidade para dar a notícia da morte da mãe. A encenação mostra desdobramentos imaginários desse reencontro tão marcante para a vida de ambos. Lembranças e pressentimentos se confundem, trazendo reflexões universais sobre temas como a sombra da morte e o desaparecimento das pessoas amadas no percurso da vida. “O espetáculo é muito influenciado, principalmente, pelo falecimento da minha avó (Minha primeira experiência de morte, na vida) de uma pessoa próxima, e isso me trouxe reflexões sobre a ‘passagem’ das pessoas, a sobrevivência das coisas… Como diz o Caio. F Abreu (a morte) é uma experiência que nos leva definitivamente para uma fase adulta. De um lado mais técnico tenho referências da tragédia grega (Dos mitos de Édipo e Electra) que não tem relação originalmente, mas, que no meu texto são colocados como irmãos. Nas minhas leituras, eu sempre identificava (Nas figuras paternais dois) semelhanças… Os pais de ambos (Laio e Agamemnon, na mitologia grega) se parecem também. Os dois tem relações parecidas com seus pais… A ideia foi juntar os dois como se essas figura paternais fossem os mesmos para os dois personagens trágicos. Ao mesmo tempo desloco esses personagens pra um cenário que é Brasileiro e rural…” contou o ator Renato Forin. Jr, que também assina a dramaturgia. Segundo ele, leituras da psicanálise (Como Freud) também foram referência para a obra.

O ator e dramaturgo está em cena ao lado da atriz Danieli Pereira. O grupo teve orientação cênica do diretor Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro. Na montagem, o grupo traz à tona elementos da tragédia clássica dentro de uma estrutura formal contemporânea.”O texto em si é difícil, existem momentos dos personagens, momento que não é o personagem, momentos de narração, momentos onde eu Danieli converso com o público… É difícil encontrar esses limites. Como atriz foi bem interessante contracenar com uma pessoa que conhece tão bem tudo o que acontece ali, inclusive, me ajudando a me guiar em momentos onde eu não me achava… A presença do Renato (Que dirigiu e escreveu) nessas funções foi muito interessante nesse sentido, além das adaptações que acontecem até hoje” (Risos), contou a atriz ao RubroSom. “Não me interessa um processo em que a gente conhece muito começo, meio e fim…Acho que no teatro é terrível, pode resultar em obras não muito interessantes. Me interessa mais ter um ponto de partida, sem saber onde vai chegar, e isso ocorreu muito nessa peça. São muitas influências, não só de nossas pesquisas, mas de outras pessoas”, conta o diretor que cita o encenador dinamarquês Eugênio Barba como uma figura importante no processo.

Em muitos momentos, os atores despem-se dos personagens, lançando ao público estilhaços de pensamento sobre o ofício teatral e as relações entre arte e vida. “A minha angústia é que a vida não se repete. Ela está sempre indo, indo, indo. Cada segundo é um nunca mais, você entende? Aqui no teatro é diferente”, diz, em certo momento, Danieli Pereira, que vive Electra. “A peça trás muito dessas relações que ficam no ar… Que relação você tem dessa filha com esse pai, com essa mãe, há questões que ficam no ar, e que não são esclarecidas, mas que são típicas do teatro contemporâneo. O espetáculo se passa muito mais na cabeça do espectador do que propriamente na cena”, enfatiza Forin.Jr.

Uma curiosidade da montagem é o espaço cênico. O público é disposto bem próximo dos atores, em torno de uma arena circular, onde acontecem transformações cenográficas e revelações de pequenas surpresas. Construído ao longo de dois anos, “OVO” contou, na última etapa, com um auxílio ilustre – a orientação cênica de Marcio Abreu, premiado diretor da Cia Brasileira de Teatro (Curitiba/Rio de Janeiro). “Marcio nos despertou para questões importantes e essenciais em ‘OVO’, como a criação de um convívio e de uma presença em constante fluxo relacional com a plateia, a escuta do próprio texto e o exercício de esquecimento, para que a cada apresentação a peça adquirisse um frescor”, destaca Forin. No ano passado, a montagem contou com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. Além da temporada na cidade, o espetáculo também participou da programação do Filo (Festival Internacional de Londrina), do Londrix (Festival Literário de Londrina) e circulou por Maringá e Arapongas.

Espetáculo OVO (Cia Agon) volta à Funcart nesta semana
Tragédia grega e até autores da psicanálise influenciaram a peça que fala sobre perda e a passagem do tempo – Foto: Victor Pedrassoni.

O grupo – Criado em Londrina há quatro anos como um grupo de pesquisa, o Agon Teatro investiga a encenação e a dramaturgia contemporânea. Sediado na Vila Usina Cultural, mantém uma rotina de escrita, ensaios e treinamentos baseados em linhas de força da tradição e em suas possíveis reconfigurações no atual contexto das artes. A partir dessa proposta, seus fundadores, Renato Forin Jr. (doutorando em letras com ênfase em dramaturgia na UEL, ator e jornalista) e Danieli Pereira (bacharel em artes cênicas pela UEL, atriz e produtora cultural), desenvolvem trabalhos autorais, chamando a colaboração de artistas convidados. “OVO” é o espetáculo de estreia do grupo.

SERVIÇO

Espetáculo Ovo – da Agon Cia de Teatro

A temporada 2016 de “OVO” em Londrina acontece nos dias 23 e 24 de julho, às 20 horas, no Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380), com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia ou antecipado).

Espetáculo OVO inicia temporada no Sesc em Londrina

Uma notícia trágica acaba por unir dois irmãos que permaneceram por três anos separados, assim, originam-se uma serie de conflitos, e resgate de memórias que desencadeiam a trama. É com esse mote que se inicia a história da peça de teatro ‘Ovo’ encenada pela Agon Companhia de Teatro, de Londrina. O espetáculo inicia neste sábado (02) uma temporada no Sesc Cadeião Cultural. É a segunda temporada da peça após uma celebrada estreia ocorrida no ano de 2015.

Renato Forin.Jr. e Danieli Pereira dão vida aos irmãos da trama 'OVO' - Foto: Marika Sawaguti.
Renato Forin.Jr. e Danieli Pereira dão vida aos irmãos da trama ‘OVO’ – Foto: Marika Sawaguti.

Reflexões sobre a vida e suas transitoriedades permeiam a história de ‘Ovo’, que ocorre toda em uma área rural, ainda arcaica que, em nenhum momento é nomeada ou apresentada com uma localização especifica; Dentro de três caixas, dois atores guardam as dores e os afetos silenciados de uma família. Progressivamente, os intérpretes dão vida a Édipo e Electra, personagens trágicos da mitologia grega que, na trama autoral, são apresentados como irmãos em conflito.

A peça capta o instante em que Electra chega na cidade para dar a notícia da morte da mãe. A encenação mostra desdobramentos imaginários desse reencontro tão marcante para a vida de ambos. Lembranças e pressentimentos se confundem, trazendo reflexões universais sobre temas como a sombra da morte e o desaparecimento das pessoas amadas no percurso da vida. “O espetáculo é muito influenciado, principalmente, pelo falecimento da minha avó (Minha primeira experiência de morte, na vida) de uma pessoa próxima, e isso me trouxe reflexões sobre a ‘passagem’ das pessoas, a sobrevivência das coisas… Como diz o Caio. F Abreu (a morte) é uma experiência que nos leva definitivamente para uma fase adulta. De um lado mais técnico tenho referências da tragédia grega (Dos mitos de Édipo e Electra) que não tem relação originalmente, mas, que no meu texto são colocados como irmãos. Nas minhas leituras, eu sempre identificava (Nas figuras paternais dois) semelhanças…  Os pais de ambos (Laio e Agamemnon, na mitologia grega) se parecem também. Os dois tem relações parecidas com seus pais…  A ideia foi juntar os dois como se essas figura paternais fossem os mesmos para os dois personagens trágicos. Ao mesmo tempo desloco esses personagens pra um cenário que é Brasileiro e rural…” contou o ator Renato Forin. Jr, que também assina a dramaturgia. Segundo ele, leituras da psicanálise (Como Freud) também foram referência para a obra.

O ator e dramaturgo está em cena ao lado da atriz Danieli Pereira. O grupo teve orientação cênica do diretor Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro. Na montagem, o grupo traz à tona elementos da tragédia clássica dentro de uma estrutura formal contemporânea.”O texto em si é difícil, existem momentos dos personagens, momento que não é o personagem, momentos de narração, momentos onde eu Danieli converso com o público… É difícil encontrar esses limites. Como atriz foi bem interessante contracenar com uma pessoa que conhece tão bem tudo o que acontece ali, inclusive, me ajudando a me guiar em momentos onde eu não me achava… A presença do Renato (Que dirigiu e escreveu) nessas funções foi muito interessante nesse sentido, além das adaptações que acontecem até hoje” (Risos), contou a atriz ao RubroSom. “Não me interessa um processo em que a gente conhece muito começo, meio e fim…Acho que no teatro é terrível, pode resultar em obras não muito interessantes. Me interessa mais ter um ponto de partida, sem saber onde vai chegar, e isso ocorreu muito nessa peça. São muitas influências, não só de nossas pesquisas, mas de outras pessoas”, conta o diretor que cita o encenador dinamarquês Eugênio Barba como uma figura importante no processo.

Em muitos momentos, os atores despem-se dos personagens, lançando ao público estilhaços de pensamento sobre o ofício teatral e as relações entre arte e vida. “A minha angústia é que a vida não se repete. Ela está sempre indo, indo, indo. Cada segundo é um nunca mais, você entende? Aqui no teatro é diferente”, diz, em certo momento, Danieli Pereira, que vive Electra. “A peça trás muito dessas relações que ficam no ar… Que relação você tem dessa filha com esse pai, com essa mãe, há questões que ficam no ar, e que não são esclarecidas, mas que são típicas do teatro contemporâneo. O espetáculo se passa muito mais na cabeça do espectador do que propriamente na cena”, enfatiza Forin.Jr.

Tragédia grega e até autores da psicanálise influenciaram a peça que fala sobre perda e a passagem do tempo - Foto: Marika Sawaguti
Tragédia grega e até autores da psicanálise influenciaram a peça que fala sobre perda e a passagem do tempo – Foto: Marika Sawaguti

Uma curiosidade da montagem é o espaço cênico. O público é disposto bem próximo dos atores, em torno de uma arena circular, onde acontecem transformações cenográficas e revelações de pequenas surpresas.  Construído ao longo de dois anos, “OVO” contou, na última etapa, com um auxílio ilustre – a orientação cênica de Marcio Abreu, premiado diretor da Cia Brasileira de Teatro (Curitiba/Rio de Janeiro). “Marcio nos despertou para questões importantes e essenciais em ‘OVO’, como a criação de um convívio e de uma presença em constante fluxo relacional com a plateia, a escuta do próprio texto e o exercício de esquecimento, para que a cada apresentação a peça adquirisse um frescor”, destaca Forin. No ano passado, a montagem contou com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. Além da temporada na cidade, o espetáculo também participou da programação do Filo (Festival Internacional de Londrina), do Londrix (Festival Literário de Londrina) e circulou por Maringá e Arapongas.

O grupo – Criado em Londrina há quatro anos como um grupo de pesquisa, o Agon Teatro investiga a encenação e a dramaturgia contemporânea. Sediado na Vila Usina Cultural, mantém uma rotina de escrita, ensaios e treinamentos baseados em linhas de força da tradição e em suas possíveis reconfigurações no atual contexto das artes. A partir dessa proposta, seus fundadores, Renato Forin Jr. (doutorando em letras com ênfase em dramaturgia na UEL, ator e jornalista) e Danieli Pereira (bacharel em artes cênicas pela UEL, atriz e produtora cultural), desenvolvem trabalhos autorais, chamando a colaboração de artistas convidados. “OVO” é o espetáculo de estreia do grupo.


SERVIÇO

Espetáculo Ovo – da Agon Cia de Teatro

A peça estará em cartaz no Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52) neste sábado, às 20 horas, e no domingo, às 19 horas, dentro do projeto “Londrina em Cena 2016”, com ingressos a R$ 10, R$ 5 (meia) e R$ 2 (comerciários). O projeto do Sesc conta ainda com um bate-papo com o Agon Teatro no domingo, 3 de julho, às 15 horas, com entrada gratuita. A temporada 2016 de “OVO” continua nos dias 23 e 24 de julho, às 20 horas, no Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380), com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia ou antecipado).