Lírica Aragão realiza mostra de fotos no Sesc Cadeião

Como resultado de uma parceria entre artistas e a comunidade criativa de Londrina, teve início nesta semana, no Sesc Cadeião uma exposição fotográfica, com imagens feitas pela Londrinense Lírica Aragão há alguns anos. A mostra inaugurada com um evento intitulado ‘ASEITA’, foram todas realizadas durante festas, com foco na música eletrônica e nas artes, produzidas pelos coletivos Glitch Generation e PUPPƩTϟ baseados aqui na cidade.

Lírica Aragão realiza mostra de fotos no Sesc Cadeião
Lírica Aragão: Fotos tiradas desde 2014 compõem a exposição – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Com um foco eclético, e que, valoriza muito temas como a liberdade de visual e a pluralidade de gênero, os eventos, realizados há anos na cidade, vem se estabelecendo como importante espaço de mostra e experimentação artística – Envolvendo conceitos como arte multimídia, performances, projeções e música eletrônica e também fotografia. Na mostra, os registros de Lírica são separados em duas linhas; “As fotos vem sendo feitas desde 2014, nos eventos organizados pelo pessoal da Glitch Generation… Há um lado só com retratos e, no outro, apenas acontecimentos da festa. Eu quis fazer a mostra para retratar a diversidade e o quanto ainda descriminam pessoas que passam por ali, muitas pessoas de grupos LGBT e toda essa galera. Nessas festas o pessoal se preocupa com o que vai vestir, e o pessoal pode ser o que realmente quer por lá, usam máscaras, capas de chuva e tudo mais… Através dos retratos, dá pra pegar características de cada pessoa que está na festa, tem de tudo ali”, contou Lírica à reportagem. A abertura foi acompanhada por intervenções artísticas e apresentação de diversos artistas que já participaram de outros eventos dos coletivos. “Eu gosto de me inspirar em pessoas que não são do mesmo segmento… Eu gosto muito do Lucas Alameda, de Curitiba, eu vejo tanta sensibilidade no trabalho dele que me inspira, gosto sempre de valorizar o trabalho de gente que está perto de mim… Cinema também. Recentemente participei de um curta, e trabalhei em parceria com a Celina Becker e o Anderson Craveiro. Ficou muito foda o resultado, por ter a figura de uma mulher ali lutando pelo cinema, os dois me inspiraram bastante, me senti muito parte de tudo aquilo”, contou a fotógrafa.

Sobre o atual momento político do país – Em que, diversas capitais e cidades elegeram candidatos e governantes de perfil, assumidamente conservador e, contrário à questões de diversidade de gênero – Lírica também falou sobre a importância desses momentos (Como a exposição) como uma forma de contraponto a esses cenários. “Eu tenho certeza que fazer parte desses grupos – Que sofrem preconceito – ja é uma resistência, não sou ninguém pra falar isso porque, sou branca, hetero… Mas, vejo isso em trabalhos com moda por exemplo, vejo o quanto é difícil ter essa temática inserida no trabalho, é um forma de mostrar para a sociedade que a diversidade precisa ser bem vinda sim, independente de gênero, etc… As fotos mesmo retratam todos os tipos de pessoa”, conclui a profissional.

'Grupo Nós de Teatro' realizou a apresentação intitulada 'Carnaval de Macacos' durante a abertura - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
‘Grupo Nós de Teatro’ realizou a apresentação intitulada ‘Carnaval de Macacos’ durante a abertura – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Com uma apresentação definida como um “manifesto artístico contra o a homofobia, racismo e todas as formas de preconceito” a mostra realizada no Sesc, chama a atenção para a reflexão acerca da identidade de gênero propondo uma experiência transdisciplinar, heterogênea e inclusiva. Todos os artistas, cada um a sua maneira, trouxeram para o espaço da galeria um pouco do trabalho que, em outras ocasiões, apresentaram nos eventos realizados pelo coletivo Glitch Generation.

Detalhe do painel feito pela artista Nani Vasques no Sesc Cadeião - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Detalhe do painel feito pela artista Nani Vasques no Sesc Cadeião – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Além de Lírica, também apresentaram trabalhos na mostra a artista Nani Vasques Art, Coletivo Cãosemplumas, Morôni Ferraz, Paulo Vitor Miranda, Willian Santiago, Andressa Matos, Leon Gregorio, Larissa Vicente, Higor Maciel e Ateliê Horizontal. “Essa ideia surgiu com o convite do sesc para fazer a mostra por aqui. É uma chance de fazer o caminho inverso do que já fazíamos nas festas, porque, achamos que é obrigação do artista levar a arte para onde ela deve ser vista… Com essa oportunidade do Sesc, estamos levando um pouco da cultura club para a galeria de arte… É uma chance de estarmos migrando e passando essa mensagem para mais pessoas. Há uns 15 anos atrás, quando eu comecei a sair, a situação não permitia que eu fosse quem eu era e então sempre na noite encontrei um espaço de escapismo, de liberdade, ela acolhe. Apesar do espaço que grupos LGBTT hoje em dia possuem, é quase uma douração de pílula, porque, ao mesmo tempo, nós vemos pessoas como (Vereador) Filipe Barros (PRB) – Candidato de perfil, assumidamente conservador – sendo eleitos na cidade, um retrocesso total… logo, ações como essas, de resistência, acabam se tornando necessárias. Esses momentos dão mais sustentabilidade para essa busca de uma aceitação de diversidade”, contou o artista Édy Savage, um dos idealizadores do coletivo Glitch Generation.


SERVIÇO
A exposição ficará aberta ao público até Janeiro de 2017 .
Local: Sesc Cadeião Cultural (Rua Sergipe, 52 – Centro)