Literatura Delas – Escritoras de Londrina se reúnem em bate-papo temático

A literatura produzida por mulheres, suas aspirações, a constante batalha por mais espaço (Em um meio historicamente preenchido por escritores homens) e seus trabalhos dedicados à outras mulheres (Ou não); Esses foram alguns dos temas trazidos à tona durante o ‘Café com Elas’, realizado dentro da programação do Londrix, realizado na última quinta-feira (16) no Museu Histórico de Londrina.

Durante a conversa escritoras comentaram sobre as principais inspirações, assim como, o espaço que a literatura feita por mulheres possui em gêneros como poesia e outros - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Durante a conversa escritoras comentaram sobre as principais inspirações, assim como, o espaço que a literatura feita por mulheres possui em gêneros como poesia e outros – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Em cerca de uma hora e meia de um ‘bate-papo’ bastante rico e plural, o grupo formado apenas por escritoras mulheres (Composto pelas escritoras Manuela Pérgola, Samantha Abreu, Vivian Campos, Beatriz Bajo, Flávia Verceze, Vi Karina, Camila Sousa, Lua Lobo e Christine Vianna) discutiu e trouxe a tona, cada uma falando um pouco de sua individualidade, alguns dos temas que permeiam o universo de sua produção, eventuais frustrações e também inspirações literárias. Um pouco muito comum a quase todas, foi a auto crítica e a insegurança de, no começo, querer mostrar seus textos e produções à mais pessoas… Quase sempre, essa ‘mostragem’acontece após um longo período de avaliação pessoal, e também de apoio de pessoas próximas, como várias das autoras citaram. Uma das mais jovens presentes, Vivian Campos (Confira entrevista completa com ela aqui), que publicou seu primeiro livro em 2016 falou sobre como uma fase pessoalmente difícil de sua vida, fez com que ela tivesse para escrever textos e ‘microcontos’. Outra das escritoras, Camila Sousa falou sobre inspirações, dentro de casa, como o próprio pai, que sempre à incentivou.

Questões sobre temas recorrentes em predominância de certos temas em poesias e romances de escritoras mulheres foram citadas em alguns momentos do debate “Desde o tempo de Florbela Espanca, Sylvia Plath, há temas que são pertinentes à mulher, você escreve sobre o que você trás no seu DNA, sua literatura representa o mundo em que você vive… E claro, a mulher começou tardiamente devido à várias questões sociais, em um mundo que é formado por homens, havia meios sem tanta representatividade… A literatura é uma forma de sair desse universo de imposições, a arte trás sempre essa coisa de fugir da própria ignorância, a coisa de não ver o outro…”, contou Christine Vianna que participou do ‘debate’.

Um varal de poesias com algumas das produções de cada autora foi montado em uma sala do Museu Histórico durante o 'Café com Elas' - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Um varal de poesias com algumas das produções de cada autora foi montado em uma sala do Museu Histórico durante o ‘Café com Elas’ – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Escritoras já veteranas como Samantha Abreu (Que recentemente lançou Mulheres sob descontrole, seu segundo trabalho) e Edra Moraes (Que publicou o terceiro livro em 2016) também falaram sobre a importância e as descobertas que a literatura trouxeram ao longo do tempo, inclusive surpresas como ser reconhecido por pessoas já ‘estabelecidas’ como escritores. “Essa coisa de ser elogiado ou ter uma crítica positiva de alguém que você não conhece, que te leu sem saber de quem se tratava é muito intenso também. Recentemente, tive um contato com o Ignácio Loyola, quando ele esteve em Londrina, e entreguei a ele meu livro ‘Para ler enquanto escolhe feijão’, ele foi muito atencioso e elogiou o meu trabalho, foi muito positivo isso, no meio literário você as vezes entrega um livro seu e, muitas vezes, nem tem um feedback, nem fica sabendo o que a pessoa achou do trabalho e é ótimo poder ter esse retorno’, contou Edra – O próprio Ignácio falou de Edra aliás em nossa entrevista com ele (Confira Aqui).

Como em uma 'olimpíada' cada uma das autoras recebeu um bastão que simbolizava a 'vez' de falar de cada pessoa presente - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Como em uma ‘olimpíada’ cada uma das autoras recebeu um bastão que simbolizava a ‘vez’ de falar de cada pessoa presente – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Para muitas delas, hoje vive-se um momento – Ligado á muitas discussões sobre a questão de gênero e a importância de lutas como o feminismo – que favorece a proliferação e o interesse pela literatura que, especificamente, é dedicada à questões da feminilidade. Sobretudo em Londrina, muitos concordaram que houve um aumento recente (Sobretudo em espaços especializados) de escritoras mulheres na cidade. “Acho que teve um ‘boom’ de escritoras na cidade sim, especialmente de escritoras jovens… Hoje mesmo no debate há escritoras de 23 anos já com livros lançados, é muito importante essa representatividade na literatura, a voz da mulher na poesia, vimos também o aumento do interesse do público, havia uma sala lotada de pessoas acompanhando escritoras jovens, não são pessoas já consagradas, como por exemplo Karen Debértolis, Celia Musili, mas sim que tem uma trajetória recente”, contou Christine Vianna (Da Atrito Arte) que também participou da conversa literária.

Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Sobre a recente ‘alta’ de escritoras na cidade, Manuela Pérgola também falou sobre o atual momento. “Acho que tem uma questão pessoal ligada a isso, não sei se as pessoas estão mais ‘abertas’, ou ainda, as coisas estão ficando tão difíceis que estão todos tendo que se voltar pra coisas que dão respiro como literatura, poesia, é algo que está ‘ampliando’ mais…”, contou Pérgola. A escritora comentou também sobre a atual onda de ‘livros de youtubers’ que, ironicamente ou não, colocaram livros assinados por mulheres entre alguns dos volumes mais vendidos (Entre o público jovem) em listas recentes de grandes livrarias. “Pessoalmente, como você citou (A Youtuber Joujout) eu gosto dela, mas não sei se é algo inspirador… No sentido de abrir pra algo mais ‘existencial’ mesmo, eu acho meio raso, talvez seja minha formação (Manuela é psicóloga), mas tem gente escrevendo muita coisa boa e que não está sendo vista, ela teve sorte e deu as caras… Foi um pouco de sorte, eu não tenho o livro dela mesmo (Risos) embora goste dos vídeos”, contou Manuela em entrevista ao Rubrosom. (A autora escreve para a Obvious e no Contosprosaepoesia).


Londrix
Festival Literário de Londrina
De 13 a 18 de Fevereiro – Programação completa

Teatro – A Santinha lá da Serra é apresentada hoje no Zaqueu

Acontece nesta quinta-feira (08) em Londrina a apresentação do musical ‘A Santinha lá da Serra’ no Teatro Zaqueu de Melo. Inspirados em canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, os alunos da turma de canto da Escola Primeiro Encontro criaram histórias que se entrelaçam e encantam através de música e poesia.

A Santinha lá da Serra é apresentada hoje no Zaqueu
Inspirados canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, os alunos da turma de canto criaram histórias que se entrelaçam e encantam através de música e poesia – Foto: Samara Garcia

Diz a lenda que no alto da Serra existe uma Santinha de barro. Basta levar um bocadinho de terra que ela benze e faz seu desejo acontecer. É com essa fé que o espetáculo brinda o público com muita delicadeza. O espetáculo tem concepção e roteiro elaborados de forma colaborativa (Veja o elenco) e direção de  Natália Lacueva Lepri e Paulo Vitor Poloni. O trabalho é resultado do curso de canto e técnica vocal da Escola Primeiro Encontro.

Segundo Paulo, o processo de criação do trabalho contou com contribuições de todo o elenco, em um ciclo iniciado no mês de fevereiro deste ano. “Esse espetáculo é resultado do curso de canto e técnica vocal aqui da escola primeiro encontro, durante o processo, cada ator traz um personagem e sugere o texto que irá falar na peça. Escolhemos inicialmente o compositor que trabalharemos (No caso o Vinícius de Moraes) e cada pessoa vem trazendo e sugerindo as composições que acha mais interessante… No fim vamos  de todas aas que selecionamentos a gente vai costurando os textos e vendo o que se adapta melhor”, conta o diretor Paulo Vitor que também é produtor da Escola de Arte Primeiro Encontro.


Ficha Técnica
A Santinha Lá da Serra

Direção: Paulo Vitor Poloni e Natália Lacueva Lepri
Músico Acompanhante: Guilherme Vilella
Figurino: Aline Silva, Astrid Koop, Loh Goulart, Vanessa Nakadomari, sob orientação de Alex Lima

Elenco: Anna Maria Gomes
Edson Bellusci
Otávio Pelisson
Camila Taari
Luisa Mono bi
Dodô Bertone
Nícolas Lopes
Mariane Suzze
Flávia Dornelles
Elaine Oliveira Souza
Caco Piacenti
Mariana Cavallaro
Juliana Dornelles


SERVIÇO
Quando:
Quinta-feira (08)
Onde: Teatro Zaqueu de Melo
Horário: 20h30
Entrada: 1 kg de alimento para o Movimento dos Artistas de rua de Londrina (MARL)

Entrevista – Trabalho de Carla Diacov é tema de sarau em Londrina

Acontece nesta sexta-feira (25) em Londrina o Sarau Carla Diacov dedicado à obra e trajetória da escritora nascida em São Bernardo do Campo, e com raízes em Londrina. Diacov é formada em teatro na primeira turma da Escola Municipal de Londrina, participou da montagem ‘Alice Através do Espelho’, no papel do Chapeleiro Maluco. Foi também uma das fundadoras do TOU (Teatro Obrigatório Universal) ao lado da atriz e produtora Camila Fontes. O evento terá início às 21h e tem entrada gratuita.

Com raízes artísticas em Londrina, Carla Diacov atualmente reside no litoral de SP - Foto: Divulgação
Com raízes artísticas em Londrina, Carla Diacov atualmente reside no litoral de SP – Foto: Divulgação

Carla dirigiu e atuou em montagens como o monólogo “A Valsa Número Seis’, de Nelson Rodrigues e ‘A Mais Forte’ de Johan A. Strindberg. Neste ano publicou dois livros de poesia: Ninguém vai poder dizer que eu não disse, pela editora Douda Correria (Portugal) e A metáfora mais gentil do mundo, pela Edições Macondo, de Juiz de Fora. Além desses, Carla prepara dois novos lançamento para 2017, também de poesia.

Possuidora de uma veia artística bastante rica e criativa – Que eventualmente flerta com o experimental e também com linguagens contemporâneas de arte – Carla hoje usa a literatura e as artes visuais como forma de expressão. A autora mantem um blog e uma página no Tumblr, a partir de onde, surgiram alguns dos trabalhos que resultaram na publicação de seus livros no Brasil e Portugal.
Trabalho de Carla Diacov é tema de sarau em Londrina

Por meio da internet, Carla foi convidada por Nuno Moura a publicar seu primeiro livro de poemas, Amanhã Alguém Morre no Samba, pela editora Douda Correria, de Lisboa, em 2015. Com a boa repercussão do primeiro livro, Carla acabou por publicar mais dois livros em 2016. O Sarau Carla Diacov, que é organizado pelo Gaia Coletivo de Londrina, será uma celebração à autora, e surgiu por volta de junho com a ideia de um curta-documentário sobre a obra da artista. O projeto envolveu um extenso período de pesquisa e levantamento de material, que por fim, deram origem ao sarau. Devido à questões de saúde da autora. Atualmente ela encontra-se afastada dos palcos, vivendo no litoral de SP.

A poeta não estará presente no evento de sexta, mas, por e-mail conversou com a reportagem do Rubrosom onde contou mais sobre seus trabalhos e um pouco de suas ideias artísticas. Confira:

(R)O Sarau desta sexta, além da exposição dos trabalhos, tem um conceito todo que dialoga muito com a coisa da feminilidade ligada à poesia e às artes… sempre foi intencional essa vertente nos seus trabalhos, ou foi algo que você ‘assumiu’ mais com o passar dos anos?
Carla: A feminilidade e temas feministas vieram com o corpo. então entender o que é e como funciona é uma alameda ora cruzada, ora paralela com as artes. tudo acontece de forma absolutamente orgânica, mas realmente, perceber e dar nome aos bois de dentro (minhas vacas?) é muito recente e ainda em andamento. ter por perto a voz de contemporâneas como Micheliny Verunschk, Julia Debasse, Angélica Freitas, Nina Rizzi, Érica Zíngano, Bruna Mitrano, Adelaide Ivánova, Ana Cristina Joaquim, Anelise Freitas, Maira Parula, Júlia De Carvalho Hansen, Giovanna Dealtry, Tatiana Faia, Susana Souto e tantas mais, ter contato com muitas delas, ler ali (facebook e etc) o imediato da postura dessas mulheres, suas peculiaridades, isso tanto é TAMBÉM manter em movimento a feminilidade e continuar a entender e me fazer entendida como uma mulher que escreve, é sustança para os dias que seguem ainda tão machos. e, claro, sempre voltar ao colo e aos tabefes de Hilda Hilst, Frida, Beauvoir, Pagú, Gertrude, Atwood, Rich, Malvina Reynolds, Gerda, Woolf, Maya Angelou, Elza, …

Sobre os trabalhos que serão trazidos para o Sarau, foram feitos em que período? Há textos e fotos de fases artísticas muito distintas?
O primeiro livro (amanhã alguém morre no samba – douda correria, 2015) apresenta um compilado de “idades”, digamos. nele há alguns poemas de 2010 e daí aos dias de 2015. o segundo livro pela douda (ninguém vai poder dizer que eu não disse I) é um apanhado de pequenos poemas proseados, desabafos e desaforos poéticos que eu espargia pelo meu antigo perfil do facebook. o livro com a Macondo (a metáfora mais gentil do mundo gentil) coloca o banheiro como coração e fígado da casa, nele me exponho em absoluto.

Não há muito tempo entre um livro e outro. comecei a escrever na transição do teatro e de uma vida que ainda não tinha rumo. meu primeiro blogue é de 2005. minha escrita é muito recente. afora o teatro (como atriz e diretora), não vejo fases. talvez sentidos e formatos distintos. ainda não tive tempo para fases na escrita e nas outras formas por onde me faço dialogar.

Você tem formação do teatro, mas seu trabalho dialoga bastante com outras artes – poesia, performance, visuais – desde sempre você teve interesse em unir referências diferentes nas suas produções? Tem algum artista que te influenciou pessoalmente a fazer esse cruzamento?
Começar pelo teatro fez esse caminho até aqui. sou uma leitora apaixonada por dramaturgia e ler teatro faz mover as engrenagens, vibra tudo, põe rodinhas no desejo. enquanto diretora e atriz fiz uso dos meus sonhos. sonhei cenários e figurinos, sonhei peças completas. isso me levou a conhecer melhor os sonhos, meus mecanismos de sonhar, fiz/faço experimentos com o sonho e que me trazem abundâncias no que cometo como poesia e em outros “canais”. Heiner Muller me inspira muito desde o teatro. Karl Valentin e alguns cineastas como Spike Jonze, Jim Jarmusch, Tarkovski (também o pai poeta), Sokurov, Béla Tarr, Agnes Hranitzky, Godard… me encantam as “costuras” de Rodrigo Garcia.

Pessoalmente tive a honra de conhecer e estar, por pouco tempo, mas estar íntima de Francelino França, jornalista da Folha de Londrina por anos. com ele tive conversas maravilhosas sobre diversas artes, sobre técnicas e experiências com o sonho, práticas de variadas fontes aplicadas ao teatro e à escrita. Francelino me ensina até hoje.

Seu nome Carla, está ligado à fundação do TOU em Londrina (Junto com Camila Fontes) ocorrida em uma época de muita produção cultural na cidade… Mesmo com todas as dificuldades daquela época, o que você acha que possibilitou o surgimento de tantos projetos na cidade? Havia talvez mais vontade e intensidade por parte dos artistas?

Havia e há. sou da primeira turma da Escola Municipal de Teatro, fruto da FUNCART que também mantém o Ballet de Londrina e promove eventos maravilhosos. morava aí quando nasceu o curso de artes cênicas da UEL, o FILO sempre foi um grande gancho a ser artista. O teatro do Mário Bortolotto (dramaturgia e montagens) me valeu/me vale a descomplicar para amplificar o que interessa. A Camila Fontes e a Thais D’Abronzo tocam o grupo TOU com excelência. Vejo coletivos (Casa Madá), bandas, grupos como o ÁS DE PAUS agitando a cultura aí. O MARL (Movimento dos Artistas de Rua de Londrina), que ocupou o antigo prédio da ULES, Alex Lima e Fábio José entre esses artistas. A própria Christine Vianna com o Londrix e as tantas produções que ela põe a marchar desde as primeiras montagens do Bortolotto. a Usina Cultural, os meninos e meninas do cinema (Rodrigo Grota, Roberta Takamatsu, Letícia Nascimento), o festival Kinoarte… me parece que a vontade e intensidade persistem… Daqui vejo só crescimento. talvez num direcionamento mais independente, mas aí está, vasta e vária, a constante produção cultural em Londrina.

Na época do teatro, chegou a escrever alguma peça? O trabalho chegou a ser encenado (Em londrina ou outro espaço).
Não exatamente. eu e Camila Fontes montamos e estreamos o Ooooooh!, que era uma colagem de exercícios nossos, ou seja, nossa dramaturgia e nascida ali, da partitura corporal das propostas. tenho “na gaveta” pequenas peças minhas. gosto desse exercício e dele tiro grande proveito. não pretendo montar essas peças. posso dizer que são para consumo próprio e que talvez haja uma publicação engatilhada.

Você lançou 1 livro em 2015 (Amanhã Alguém Morre no Samba) e mais 2 livros em 2016 – ‘Ninguém vai poder dizer que eu não disse’ e ‘A metáfora mais gentil do mundo’ – e planeja já (Dois trabalhos) para 2017, tem sido uma fase produtiva e tanto… Como é seu processo de escrita? Costuma seguir uma rotina ou segue um processo menos ‘disciplinado’? O que te inspira a escrever hoje?
Pois então… esses três primeiros livros surgiram de convites. os dois para 2017 são propostas minhas para duas editoras. estão prontos, prefaciados e tudo o mais. Sigo um fluxo íntimo. tenho dias de branco e aprendi a contornar isso ou a não sofrer tanto com. Minha rotina é estar para o dia… Mencionei bastante o facebook aqui.  leio muito do que é produzido ao instantâneo dos dias. A internet é minha fonte primeira. aqui faço meus estudos, exercícios, invenções, laboratórios…

Sou indisciplinada por escolha dentro de uma disciplina maleável. tenho meus rituais diagnosticados (TOC) e outros que posso inventar para agora ou para amanhã. costumo usar a repetição (de toda forma) como ponto de partida para começar um livro ou um poema apenas. trabalho melhor com temas sugeridos; está para sair em Portugal o mais novo número de um periódico muito bacana chamado FlanZine. participo da revista pela terceira vez e o João Pedro Azul (editor da revista) produz esses números sempre com um tema fixo.

O cotidiano que produzo costuma fazer os temas não sugeridos. explico: não saio de casa há mais de dois anos. faço tratamento para fobias, S. do Pânico, depressão e TOC. quando digo “o cotidiano que produzo” quero dizer que, como não saio de casa, tive de redecorar a vida. o claustro é o que eu tenho, então isso aqui tem de ser minimamente respirável, minimamente divertido, minimamente aterrorizante, minimamente dadaísta, … a vida acontece em modos e módulos que eu construo conforme o meu humor.

Seu livro de 2015 foi publicado antes em Portugal (Pela editora Douda Correria), como teve esse contato com a editora? Você tem contato (Ou acompanha o trabalho) de outros autores de poesia de lá?
O Nuno Moura é o editor da Douda Correria e da Mia Soave (editora e selo musical) e foi ele quem me convidou a fazer os livros com a Douda. Nuno é escritor, editor, produtor e movimentador compulsivo da cultura portuguesa (ADORÁVEL DOUDO!).

através do primeiro livro conheci escritores(as) maravilhosos… Raquel Nobre Guerra, Rosalina Marshall, Cláudia R. Sampaio, Ana Tecedeiro, Paola D’agostinho entre outrxs que já conhecia por acompanhar blogues portugueses, revistas on-line… a produção portuguesa é extremamente interessante, vasta e linda. Sou constantemente encantada pela poética de António Cabrita, de Hugo Milhanas Machado e de Inês Dias.

Hoje em dia, você tem o costume de acompanhar coisas atuais de arte e literatura? Das novas gerações tem algum artista ou escritor que te chamou a atenção? Tem algo que te influencia que, talvez, as pessoas jamais imaginariam?
Acompanho tudo que posso. há uma geração que me influencia diretamente e não só na escrita… muitos artistas das levas de 80 e 90 (nascidos entre e nesses anos) me fazem repensar atitudes, acalmar o ânimo, olhar outros pontos… a pareidolia e a sinestesia (minha e dos outros) me influenciam, mas acho que isso não é segredo.

A nomeação do Bob Dylan para o Nobel da Literatura, neste ano, foi um dos temas desse meio, talvez, que mais repercutiu fora da academia e dos espaços literários… Você acha positivo uma figura como ele (Que não é exclusivamente das letras) ter ganhado essa projeção em um nicho tão específico?
Acho que o nobel nunca foi tão feliz e certeiro. Bob Dylan, Björk, Leonard Cohen, Tom Waits e tantos outros devem ser lidos. quem discursa contra, quem grita que essa produção EXTRAORDINÁRIA não é literatura fica no prejuízo e quanto a isso não há o que fazer. podemos rir. não é sarcasmo. é preferência. prefiro a risada. lamentar não move.

Você se considera uma pessoa nostálgica Carla? Do tipo que revê trabalhos antigos, velhas fases artísticas, ou pensa sempre mais nos próximos projetos?
Eu olho para trás! e gosto. talvez nostalgia não seja o sentimento. tenho carinho e procuro conservar meus pilares. de tempos em tempos faço outros novos…  sigo pulando e também de tempos em tempos volto aos pilares onde deixei de ver algum matinho ou musgo que nasceu ali e irá ambientar outros mais. vivo revisitando o passado, encontrando novos encaixes com o agora.


SERVIÇO
Londrix Apresenta Sarau Carla Diacov
Leituras de poemas, exposição de fotos e obras da artista, além de discotecagem com as DJs Analua Ito, Silvia de Luca e Empório da Keiko
Onde: Cemitério de Automóveis – Rua João Pessoa, 103
Horário: 21h
(Entrada Franca)

Patrocínio do Festival Literário de Londrina – Londrix: PROMIC/MINISTÉRIO DA CULTURA/BIBLIOTECA NACIONAL
Apoio: GOVERNO DO ESTADO DO PARANÁ/SETI, UEL/PROEX, FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA Parceria: CULTURAL, RPC TV

Última sessão do ano – Peça em homenagem à Jardelina da Silva é apresentada nesta quarta

A atriz londrinense Camila Fontes, do grupo TOU Teatro, realiza nesta quarta (14) a última apresentação do ano do espetáculo solo “Sobre letras e gritos para salvar mundo – uma homenagem à Jardelina da Silva”, na Divisão de Artes Cênicas da Casa de Cultura da Universidade Estadual de Londrina.

O espetáculo trata-se de um encontro com as vozes e imagens de Jardelina da Silva, sergipana, brasileira, conselheira, poeta, "gritona". Figura muito conhecida nas ruas de Bela Vista do Paraíso, cidade do interior do Paraná - Foto: Marina Wang
O espetáculo trata-se de um encontro com as vozes e imagens de Jardelina da Silva, sergipana, brasileira, conselheira, muito conhecida nas ruas de Bela Vista do Paraíso, cidade do interior do Paraná – Foto: Marina Wang

O espetáculo se trata de um encontro com as vozes e imagens de Jardelina da Silva, conselheira, poeta, “gritona”. Figura muito conhecida nas ruas de Bela Vista do Paraíso, no Paraná, Jardelina tinha o dom das vozes proféticas, o dom de vesti-las. Passava da escuta das vozes à costura, da costura ao discurso gritado pelas ruas e, por fim, concluía seu ato com a fotografia. “Sobre letras e gritos para salvar mundo – uma homenagem à Jardelina da Silva” é uma homenagem que busca vestir alguns dos retratos, objetos e palavras de Jarda, como era carinhosamente conhecida.

A pesquisa e criação da peça é de Camila Fontes que contou ainda com a assessoria artística das atrizes e diretoras Raquel Scotti Hirson (LUME teatro – Unicamp/ Campinas-SP) e Thaís D'Abronzo (TOU e Curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina), a qual também foi responsável pelo desenho de luz - Foto: Marina Wang
A pesquisa e criação da peça é de Camila Fontes que contou ainda com a assessoria artística das atrizes e diretoras Raquel Scotti Hirson (LUME teatro – Unicamp/ Campinas-SP) e Thaís D’Abronzo (TOU e Curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina), a qual também foi responsável pelo desenho de luz – Foto: Marina Wang

A pesquisa e criação da peça é de Camila Fontes que contou ainda com a assessoria artística das atrizes e diretoras Raquel Scotti Hirson (LUME teatro – Unicamp/ Campinas-SP) e Thaís D’Abronzo (TOU e Curso de Artes Cênicas da Universidade Estadual de Londrina), a qual também foi responsável pelo desenho de luz.

O grupo TOU atua na cidade de Londrina desde o ano de 1999. No ano passado, o grupo fechou sua sede, mas continua realizando produções através parcerias estabelecidas ao longo de 17 anos de trabalho. Atualmente o TOU tem apoio e realiza produções com a Divisão de Artes Cênicas (DAC) da Universidade Estadual de Londrina, e com o Lume Teatro, da Unicamp, em Campinas, que cedeu seu espaço para o desenvolvimento de uma das etapas do processo de criação do espetáculo no mês de julho. “Eu fui lá nas artes, não sabe? Eu sou vidente. Eu fui nas artes invisível. Tá tudo escrito lá. Essas letras tudo. Eu entro no retrato e assino o mundo. Tá saindo tudo as letra tudo os meu grito que eu falo. Agora não sei se é rei Messias, num sei se é governo, não sei quem é. Mas tudo que eu falo é o planeta.”- Jardelina da Silva.


Ficha técnica:

Pesquisa, criação e atuação: Camila Fontes
Assessoria Artística: Thais D’Abronzo (Tou Teatro) e Raquel Scotti Hirson (Lume Teatro)
Ilustração: Thaís Arcângelo
Desenho de Luz: Camila Fontes e Thais D’Abronzo
Equipe técnica: Rogério Francisco Costa, Thais D’Abronzo, Matheus Gasparini
Foto: Marina Wang
Produção: TOU Teatro
Realização: DAC – Divisão de Artes Cênicas/UEL e TOU Teatro
Apoio: Prosa – Cursos e Consultoria, Criattiva Turismo e Palito


Serviço:
Quando: 14 de Dezembro, às 20h
Onde: Divisão de Artes Cênicas – Casa de Cultura UEL
Entrada: Gratuita
Atenção: Retirada de convite uma hora antes se não tiver agendado a data antecipadamente com a produção.
Classificação indicativa: maiores de 16 anos.

Entrevista – Felipe Pauluk lança Tórax de São Sebastião

Com um título que poderia fazer alusão à temas como a espiritualidade e fé – Mas que na verdade, não carrega esse significado (Veja a seguir) – Será lançado nesta sexta (09) o livro ‘Tórax de São Sebastião’ do escritor Felipe Pauluk, atualmente baseado em Londrina. O trabalho é composto por diversos poemas escritos desde o ano de 2013 (Muitos deles ainda inéditos. O lançamento ocorre durante a quinta edição do Carnasarau – Edição Clarice, no Bar Brasil (Rua Hugo cabral, 757) no centro da cidade.

Escritor lança seu quinto livro nesta sexta (09) - Foto: Carlos Fofaun Fortes.
Escritor lança seu quinto livro nesta sexta (09) – Foto: Carlos Fofaun Fortes.

Como foi realizado em outras edições, além do lançamento do livro, o evento contará com um varal de ilustrações e poesia, venda de livros e um concurso de declamações de poesias – Com o tema dedicado à obra da escritora Clarice Lispector. “As outras edições caíram em datas e, agora ficamos mais livres de algum rótulo, nada melhor do que a liberdade literária da Clarice pra representar isto. Adoramos ela e sabemos como o povo gosta. É tiro certo!”, contou o autor por e-mail. O evento acontece bimestralmente no Bar Brasil, além dos lançamentos conta também com  varal de poemas, poesias, ilustrações e fotografia. Haverá também palco aberto para declamações onde poderão ser declamados poemas e/ou trechos da CLARICE. O Carnasarau tem organização de Manuela Pérgola, Felipe Pauluk, Rafael Silvaro e da Editora Madrepérola (Quem assina a publicação do livro). Aproveitando o lançamento do novo trabalho, o RubroSom conversou com o escritor sobre este novo trabalho. Confira a conversa:


Sobre o ‘Tórax de São Sebastião’ de onde vem o título do livro? Tem alguma coisa de referência à religiosidade/espiritualidade??
Não tem nada de religioso, Tórax de São Sebastião é o título de um dos poemas que compõem o livro e como despejei muito sofrimento nesta obra, achei que o sofrimento eterno do santo representa bem como o corpo de um poeta dói todos os dias, até sangrar e virar livro.

É já o seu quinto livro lançado (Contando a compilação ‘Comida de Botequim’), ao longo dos seus lançamentos, conscientemente, há uma preocupação em não repetir ideias ou temáticas ou o processo vai ficando de forma mais ‘solta’ ??
Autor independente é tipo Robert deNiro no Taxi-Driver, fala consigo mesmo diante do espelho da literatura. se vende pouco, se labuta muito, um mártir… Não dá pra ficar pensando nisto, não. Lança por tesão mesmo, pra gozar gostoso e sozinho. uma punheta egocêntrica-literária. Eu junto o material e lanço, não fico pensando ‘Ah, já lancei isto.”…”ah preciso lançar outra coisa diferente para o público’… É muito desgaste para uns direitos autorais que não dá 39,90 (base de cálculo feito sobre o preço vigente de uma garrafa de Domecq).

O livro é descrito como ‘poesia marginal’ diferente por exemplo do ‘Town’ (Terceiro livro do escritor) que é um romance… Como você encara as duas formas de criação? Atualmente você consome mais poemas ou mais romances?
Tenho trabalhado muito e tô com uma penca de livros pra ler, tenho devorado o que dá pra devorar nas horas vagas. tô fascinado num livro do Stallone chamado “Hell’s Kitchen” e em um Pulp de banca de jornal chamado “Calendário das Virgens”. Tenho repassado os olhos sobre um livro do Roberto Piva e da Ana Cristina Cesar, então, pode se falar que eu como de tudo, e quem come de tudo não passa fome. Gosto de todos os estilos, não fico nesta de preferência. sou um escritor sazonal, ultimamente estou escrevendo poemas longos, coisa que não fazia desde 2011, o tórax é uma comemoração a isto, a este retorno…

E o processo de escrita deste trabalho? São poesias feitas em tempos recentes ou foram concebidos em épocas diferentes?
São coisas que estou escrevendo desde fim de 2013 até este ano. coisas que publiquei no facetruque e algumas inéditas. é um apanhado. muita gente vai ler e dizer: “ah, eu li isto uma vez no perfil dele”, e vai ser gostoso relembrar.

Vi um comentário seu (Facebook) onde você falava que seria seu último livro, pelo menos, por algum tempo…. Essa premissa ainda vale? O que te fez pensar que o ‘Tórax…’ poderia ser o um fim de ciclo?
Quando você embarca nesta ideia de lançar livros, vira um crackudo literário, todo santo ano quer lançar coisa nova, todo ano entra na pira do “Preciso lançar. preciso lançar”, e eu enjoei disto, eu to com vários trampos diferentes, finalizando um curta, fazendo uns roteiros que irão sair para mais um cara no nível do Emicida (Rapper), entre outras coisas como a Terça Beat que pagam contas. Tenho muito material para terminar, muita escrita parada e quero parar para terminar tudo isto. Quando eu digo o último, digo que é último que farei como escritor independente. vou ficar na miúda, esperando uma boa editora, daquelas grandes – Que lançam ‘youtubers-fake-escritores’ – Me chamar e me pagar direitos adiantados.

No comentário você também falava que dificilmente superaria o nível do trabalho do ‘Tórax’ pelo bom resultado atingido… Houve uma entrega muito maior pessoal sua neste quinto livro?
Como é um apanhado dos últimos anos, são coisas que eu venho escrevendo durante minha evolução literária. eu não sei o que vem por aí, mas creio que hoje eu sou meu melhor “Pauluk escritor”. pode ser que eu tenha queimado a língua com este comentário, mas é que você não sabe o dia de amanhã. Se você tá feliz com o que tem agora, claro que você pode se superar, mas é bom curtir o momento.


SERVIÇO
Carnasarau – Edição Clarice + Lançamento Tórax de São Sebastião (Felipe Pauluk)
Também haverá varau de poesia e declamações (Dedicadas à Clarice Lispector).
Onde:
Bar Brasil (Rua Hugo cabral, 757)
Quando: Sexta-feira (09)
Entrada gratuita

Poeta Rodrigo Garcia Lopes se apresenta no SESC

O poeta e compositor londrinense Rodrigo Garcia Lopes (voz, violão) estará apresentando o show ‘Canções do Estúdio Realidade’ em temporada no Sesc Cadeião, acompanhado de Eduardo Batistella (bateria), nos próximos dias 9 e 16 de Setembro. O trabalho homônimo, gravado na cidade, teve apresentação de Arrigo Barnabé e recebeu elogios de músicos como Vitor Ramil, Chico Cesar, Marina Lima e Luiz Tatit. Há duas semanas o trabalho foi destaque do programa O Sul em Cima, apresentado e produzido por Kleiton Ramil na rádio Roquette-Pinto (RJ). O título do espetáculo,
 que remete à obra 
do 
escritor 
norte‐americano William
 Burroughs (autor
do termo reality
studio), é uma metáfora do mundo atual e de nossos tempos turbulentos e midiáticos.

Poeta Rodrigo Garcia Lopes se apresenta no SESC
Canções do Estúdio Realidade é um show vigoroso e inspirado, que afirma a singularidade musical e a riqueza poética do repertório autoral de Rodrigo Garcia Lopes – Foto: Mariana Ribeiro.

O show propõe 
uma
 viagem
 sonora,
 sob
 a
 forma de
 canções, ou palavras colocadas em forma de música. A canção brasileira
 é
vitalizada e arejada, aflorando em várias formas através
de letras
e
 melodias
 inspiradas,
 sonoridades
 e
 ritmos 
que
 dialogam
 com
 o
 funk (“Adeus”, com Paulo Leminski),
 jazz (“Quaderna”,
 “Fugaz”), blues (“Cerejas”, “Perfeitos Estranhos Blues”), a
 música
 erudita
 (“Rito”),
 rap
 (“New
 York”),
afoxé
 (“Alba”),
balada (“Vertigem”) e a tradição do melhor da MPB. O repertório traz também parcerias, versões inspiradas (“Ninguém Melhor que Ela”), além da inédita “Trilha Sonora”. As canções, ora hipnóticas, ora cinematográficas e jazzísticas, se
 tornam
 campos
 de
 possibilidades
 poético‐musicais e aprofundam
 a 
interrelação
 entre 
música,
voz e
 poesia.

Canções do Estúdio Realidade é um show vigoroso e inspirado, que afirma a singularidade musical e a riqueza poética do repertório autoral de Rodrigo Garcia Lopes, destacada por sua interpretação e seu modo de tocar e compor ao violão. Destaque-se também a conexão obtida por uma formação minimalista em power duo: Rodrigo Garcia Lopes (voz, violão) e Eduardo Batistella (bateria) perfazem a simbiose entre os instrumentos, executando um repertório de canções compostas por Garcia Lopes ao longo de sua trajetória, além de parcerias com poetas como Cruz e Souza e Paulo Leminski. Na sequência do show do dia 9 acontece um bate-papo sob o tema “Palavra=Música=Voz”.

Ficha Técnica

RODRIGO GARCIA LOPES (Londrina, PR, 1965) é poeta, cantor, compositor, violonista e tradutor. Com 15 livros publicados, em 2001 foi incluído no best-seller Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século 20. Produziu e gravou dois CDs autorais, base do presente show: Polivox (2001, que contou com a participação do músico e arranjador Sidney Giovenazzi) e Canções do Estúdio Realidade (com arranjos de André Siqueira). Desde 2001 tem se apresentado em projetos musicais de prestígio como “Outros Bárbaros” (Itaú Cultural) “Prata da Casa” (SESC Pompéia, São Paulo, com curadoria de Carlos Calado), FILO (Festival Internacional de Londrina, abrindo o show de Ana Carolina), CEP 20.000 (Rio de Janeiro), Perhapiness (Curitiba), “Seis e Meia” (Santander Cultural, Porto Alegre), Festival Literário Londrix, Semana Literária do Sesc, entre outros. Ele tem parcerias com Bernardo Pellegrini, Neuza Pinheiro, Cruz e Souza, Paulo Leminski, Walter Martins, Maurício Arruda Mendonça, Madan e Grace Torres. Site oficial: www.rgarcialopes.wix.com/site

EDUARDO BATISTELLA, baterista profissional desde os 16 anos, o londrinense realizou trabalhos inovadores ao lado de Paulinho Barnabé e sua lendária Patife Band, além da colaboração com Arrigo Barnabé e o revolucionário show com outra expressão da vanguarda londrinense, o citarista Gegê. Gravando discos ou como músico acompanhante trabalhou com Bernardo Pellegrini, Sula Miranda, Edvaldo Santana, Noite Ilustrada, Denise Assumpção, Robinson Borba, Rodrigo Garcia Lopes e Neuza Pinheiro. Dono de técnico apurada, Batistella é um ídolo para gerações de bateristas londrinenses. Como professor, desde os anos 80 vem ministrando inumeráveis cursos e workshops, principalmente no Festival de Música de Londrina, como músico convidado. Em 2009 registrou seu trabalho autoral como baterista na vídeo-aula Talvez Pode Ser Quem Sabe.

Site oficial: http://rgarcialopes.wix.com/site


SERVIÇO
Rodrigo Garcia Lopes e Eduardo Batistella em Canções do Estúdio Realidade
Local: Sesc Cadeião Cultural – Rua Sergipe, 52 / Telefone: (43) 3572-7713
Site: www.sescpr.com (lotação máxima: 60 pessoas).
Projeto Música em Cadeia (dia 9, a partir das 19:30h, R$ 10,00 inteira | R$ 5,00 meia | R$ 2,00 comerciário) e na Semana Literária do Sesc (dia 16, a partir das 19:30h, grátis)

Evento une apresentações artísticas e protesto em Londrina

Artistas, coletivos e músicos se reuniram no último domingo, no Cemitério de Automóveis de Londrina, para prestigiar o Festival Mobiliza Londrina na Resistência. Unindo linguagens diversas como declamações de poesia, , forró, capoeira, música regional e até shows de rock, o evento reuniu um número considerável de pessoas que, através da arte, aproveitaram o espaço para trocar ideias e discussões sobre o atual momento político do país, assim como, os eventos recentes envolvendo o impeachment de Dilma Rousseff e a posse do atual Presidente Michel Temer, ato considerado controverso por muitos setores, uma vez que diversos deputados e membros, ligados á comissão julgadora, também estavam sendo investigados por crimes envolvendo o desvio de dinheiro.

Roda de Capoeira de Angola envolveu o público presente no Cemitério de Automóveis - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Roda de Capoeira de Angola envolveu o público presente no Cemitério de Automóveis – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

No Cemitério, o som começou por volta das 17h abrindo com uma discotecagem envolvendo rítmos latinos e música brasileira. Em pleno domingo de chuva e frio, um número considerável de pessoas compareceu ao local que foi ocupado por bandeiras de diversos coletivos ligados ao evento organizado pelo coletivo ‘Mobiliza Londrina’ fundado à cerca de seis meses. Com poucas horas de evento os primeiros gritos de ‘Fora Temer’ e a favor da democracia já ecoavam no espaço. Por volta das 18h30, uma roda de capoeira de Angola acontecia no local, com um fundo musical encabeçado por instrumentos típicos do estilo como berimbau e percussão.

Os músicos Pedro Oliveira (Esquerda) e João Carvalho (Direita) marcaram presença com músicas de protesto e performances com voz, violão e guitarra - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Os músicos Pedro Oliveira (Esquerda) e João Carvalho (Direita) marcaram presença com músicas de protesto e performances com voz, violão e guitarra – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Em seguida, mais apresentações musicais aconteceram no local com a participação dos músicos Pedro Oliveira e João Carvalho, que levaram suas músicas e versos de protesto para os palcos do cemitério de automóveis. A plateia acompanhava atenta cada verso que falava, entre outras questões atuais, sobre a agressão à fotógrafos e cinegrafistas durante manifestações, além do risco à direitos trabalhistas sugeridos por mudanças do atual governo. Em um dos momentos mais envolventes, João Carvalho cantou, acompanhado apenas por sua guitarra a música Vida Loka dos Racionais Mc’s. “É uma reunião de artistas que entendem esse processo (Impeachment) como um golpe… E estão se reunindo para se articular. Como é um município ainda de maioria conservadora, é um espaço importante para que os produtores, artistas se encontrem em um ambiente favorável, possam trocar referências e articular próximos atos, próximas ações. É um movimento de inspiração! As coisas que acontecem a partir daí são imprevisíveis”, contou o músico e professor João Carvalho à reportagem do Rubrosom.

Um número considerável de pessoas prestigiou o evento que durou até pouco depois das 22h30 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Um número considerável de pessoas prestigiou o evento que durou até pouco depois das 22h30 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Dando sequência aos trabalhos, o Cemitério de Automóveis se tornou um verdadeiro baile, com a apresentação de Café Modesto que envolveu a todos com ritmos como o forró e até clássicos do pagode. Casais, e até estranhos que arriscaram passos de dança entre si, agradeceram ao repertório. Em seguida, a novata Cabeça De Satelite, com seu rock meio experimental/abrasileirado fez uma apresentação empolgante tocando 100% do repertório autoral e agradando ouvintes com temas, ligados também à temática política como ‘Gambiarra’ e ‘Mate um Comunista(de Prazer)’.

Quarteto Cabeça de Satellite fez um show envolvente com repertório autoral - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Quarteto Cabeça de Satellite fez um show envolvente com repertório autoral – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Por fim, já passando das 22h30, subiu ao palco a banda Electric Hermano Trio com uma apresentação enérgica (Também focada no repertório autoral) que fechou o grande evento de forma bastante animada. Em meio a um domingo de frio e chuva, o evento do domingo fez jus ao nome (Além da mensagem política), especialmente pelo êxito em angariar público em meio a um contexto de diversos fatores contrários. Embora bandeiras de vários coletivos estivessem presentes, o movimento se apresenta como suprapartidário; “O festival foi uma extensão de atividades que já estávamos fazendo. O coletivo nasceu de uma ideia de mobilizar contra o que está acontecendo no país; Poder colocar pessoas na rua, unir coletivos e o pessoal se organizou para isso. Foram feitos até o momento três atos e, vimos que no país todo havia frentes que organizavam momentos semelhantes. Essa festa veio de uma ideia de unir pessoas em prol da discussão, e teve a ver pelo momento de ascensão, que o pessoal tem buscado mesmo”, contou Carolina Zunti Ferreira, membro do coletivo Mobiliza Londrina, responsável pela organização de atos e análises realizadas pelo grupo.

Matheus Nachtergaele – A peça é celebração das tristezas, alegrias e possibilidades

Musical, denso e com uma profundidade pessoal impressionante; Essas são algumas características do texto da peça de abertura do Festival Internacional de Londrina intitulada “Processo de Conscerto do Desejo” que traz o ator Matheus Nachtergaele em um de seus momentos mais íntimos em cena, desde que estreou nos palcos, nos anos 80. Neste espetáculo, que estreou em novembro do ano passado, o ator recita textos de sua mãe, a poetisa Maria Cecília Nachtergaele, que morreu aos 22 anos.

Nachtergaele - A peça é celebração das tristezas, alegrias e possibilidades

Matheus tinha três meses de vida quando ela se suicidou. A memória que guarda da mãe são as histórias contadas em família e a personagem que emerge nos poemas deixados por ela. São estes textos, acrescidos de anotações, que Matheus Nachtergaele guardou por toda a vida e agora interpreta, intercalando comentários, reflexões e memória. Ao lado do violonista Luã Belik e do violinista Henrique Rohrmann, o ator realiza um “concerto” musical que percorre as canções que faziam a trilha sonora de sua infância e sonorizam os poemas lidos em cena. Ao mesmo tempo, um “conserto” em que faz reparos à memória em busca de conhecer a própria mãe.

Matheus Nachtergaele tem uma trajetória que impressiona não apenas pelas generosas referências estéticas ou a técnica refinada, mas sobretudo pela vasta galerias de tipos brasileiros aos quais deu corpo e voz – no teatro, na televisão e no cinema como ator, autor e também diretor. Após uma entrevista coletiva, realizada no Edifício Júlio Fuganti em Londrina, o Rubrosom conversou com o ator e escritor, no qual, ele falou mais sobre o trabalho com este espetáculo. Leia a seguir


O texto dessa peça tem um aspecto pessoal muito forte (É feito a partir de textos da mãe do ator, que se suicidou quando o mesmo tinha apenas 3 meses de vida) há quanto tempo ele começou a ser escrito? É antiga já essa ideia de fazer algo a partir desses textos poéticos que ela deixou?
É uma reunião da pequena obra que a Maria Cecília (Mãe do ator) deixou… São 30 poemas que eu recebi quando tinha 16 anos de idade. E guardo, nestes 30 anos pensando sim, desde sempre, em como mostrar para o público. Porque os poemas são bonitos, tem qualidade estética, estilística, são interessantes. Eu pensava em algum momento em editar um livro com os poemas e, com o passar dos anos, amadureci a ideia, pensando em convidar uma amiga para fazer a Maria Cecília no teatro…. Ela chegou a topar, mas, devido a outros projetos, outras rotinas fui deixando. E quando retomei essa ideia, veio de uma vez, decidi que era o filho mesmo que deveria dizer os poemas da mãe. Fiz o espetáculo apenas com o essencial apenas, que o teatro precisa; Palavra, corpo, luz e música ao vivo. Acho que com o advento do cinema, da televisão e as tecnologias, sobrou pouca coisa para o teatro, mas, o que sobrou é tão maravilhoso e é a cerimônia. Não me convence mais nenhum tipo de teatro de ‘gabinete’ onde você entra num lugar que reproduz uma sala de 1800, o cinema faz melhor isso sabe? Não cola …. Para o teatro sobrou a celebração, o ritual, eu ritualizo meu luto e minha alegria em ter perdido tão cedo minha mãe, mas, também ser filho de uma mulher tão talentosa…

É como a vida, uma celebração das tristezas, alegrias e possibilidades. Os espetáculos são bonitos, vivos, a plateia se comove, existe uma catarse. Temos rodado o país e, cada vez que a peça vai começar eu percebo a loucura que é fazer isso, o grau de exposição que tem nessa celebração que eu faço, mas, me alegro por estar fazendo isso junto com ‘a minha mãe’ pela primeira vez e segundo por poder fazer teatro com pessoas que eu amo, junto de talentos que eu adoro, com um material profundamente íntimo. Acho que nunca estive tão exposto. Demorei pra fazer porque achava que poderia ficar triste e, na verdade, o espetáculo me alegra de uma maneira surpreendente. Fico feliz das pessoas se emocionarem com os poemas da mamãe – Editamos em um livro também (Através da Editora Polvilho) e sempre vendemos o livro ao final de espetáculos. Foi uma tiragem pequena, reproduz a ideia de uma caixinha de jóias, como algo que você abre e encontra 30 jóias dentro. E um pouco pensando também na ideia da ‘pérola’, a peça tem muito isso. A pérola é um cisco que machuca a ostra e, no entorno daquele machucado, a ostra forma a pérola… Depois nas mãos do homem vira jóia. A peça é isso, a dor lapidada e transformada em beleza.

Qual o aspecto dos textos da sua mãe que talvez mais prevalece?
Ao longo do tempo vários aspectos se tornaram mais ou menos importantes de acordo com o meu entendimento. Se é possível sintetizar algum aspecto, me parece que a Maria Cecília pedia mais ternura no mundo. É o que me parece, se é que é possível sintetizar algo desse tipo de obra. Esse pedido absoluto por ternura tá valendo ainda…
Além dos textos da sua mãe, há outras referências literárias na obra final?
Eu termino com um poema do Drummond (Eros e Psique) além de muitas músicas, canções que ela gostava. Eu de uma geração que foi criada em São Paulo para o teatro/dança, no final dos anos 80 nossa formação era muito corporal, os diretores tinham uma mão muito pesada esteticamente e a palavra era muito pouco elaborada. No ‘Teatro Vertigem’ que começamos a mudar isso.
A peça estreou em novembro, circularam bastante pelo país… Com todo esse resgate constante de lembranças, em nenhum momento chegou a te abalar de forma negativa?
Não, eu demorei pra fazer por isso… Agora eu lido melhor com isso. Acho que se eu fosse mais jovem talvez eu sofresse, mas agora o espetáculo me faz feliz.
Você é uma pessoa saudosista (falando de vários aspectos)?
Eu sou! Sou nostálgico, e sou do tipo que a música do passado era melhor do que a de agora, acho que os artistas antigos eram melhores, o cinema do passado era melhor (risos)… Tem um lado nostálgico mas que, eu acho bonito. É um apego pela obra da humanidade, anterior ao meu tempo, já fui mais melancólico, a gente vai aprendendo a viver!
Tem uma frase de um escritor que fala que ‘O desejo nunca é modesto’… Sua peça fala do ‘Processo do conscerto do desejo’… desejo pelo que?
O desejo é o pressuposto primeiro da vida. Todo ser vivente deseja, talvez o adjetivo mais comum a todo o ser vivente é desejar, é ser desejoso. De amar, de se reproduzir, de se alimentar, de matar… E até morrer. Eu coloco ‘conscerto’ porque é o concerto de música/poemas e o conserto de consertar o que se deseja. Talvez eu não queira deixar a Maria Cecília neste lugar de suicidas e, quero também, consertar esse desejo, quer dizer… A partir desse espetáculo quero descobrir o que mais eu quero. De certa forma é o cume de algo para mim, meu material mais íntimo é mostrado em um teatro, onde eu vivo… O que fazer depois? (risos)


Ficha Técnica

Textos: Maria Cecília Nachtergaele|Direção e interpretação: Matheus Nachtergaele| Violão: Luã Belik | Violino: Henrique Rohrmann | Direção de Produção: Miriam Juvino| Produção Executiva: Rafael Faustini | Corpo: Natasha Mesquita | Voz: Célio Rentroya | Iluminação: Orlando Schaider | Design Som: Andrea Zeni | Artes visuais: Cláudio Portugal e Karina Abicalil | Divulgação: Silvana Cardoso (Passarim Comunicação) | Contrarregra: Cedelir Martinusso | Assessoria: A Gente Se Fala Produções | Realização: Pássaro da Noite Produções.


SERVIÇO

Abertura do Festival Internacional de Londrina 2016
Peça:  ‘O Processo do Conscerto do Desejo” 
Com Matheus Nachtergaele, Luã Belik e Henrique Rohrmann
Quando:
Hoje (26) – Esgotado – e sábado (27) às 20h30
Onde:
Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240 – Campo Belo)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

PONTO DE VENDAS

Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310)
E pelo site: www.diskingressos.com.br

Drupismo – Artista mineira expõe obras em Londrina

Traços escuros de nanquim, quase jogados na tela, fazem a separação de cores bastante vivas. As pinturas misturam cores diversas ao lado de linhas recortadas e uma peculiar forma de preenchimento geométrico nas formas. As telas não vem sozinhas, textos poéticos acompanham também algumas das peças lado a lado no local onde estão expostas. Os mais desavisados podem até ver semelhanças com obras como a do artista brasileiro Romero Britto, mas basta um olhar mais aproximado para notar como a intenção aqui é bem diferenciada. Assim é o trabalho da artista mineira Viviane Araújo de Lima (Que usa o pseudônimo Lee Kauê), que assina os trabalhos da exposição “Drupismo e Suas Fases (Pintura.Desenho.Poesia.Poema)” montada no Sesc Cadeião, em Londrina, desde a semana passada.

A artista plástica e poetisa mineira Lee Kauê durante conversa em Londrina (Obras de cores vivas compõem a exposição) - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A artista plástica e poetisa mineira Lee Kauê durante conversa em Londrina (Obras de cores vivas compõem a exposição) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A mostra apresenta 30 quadros e poemas produzidos pela artista por meio de uma técnica própria denominada Drupismo. O método é desenvolvido já há cerca de 13 anos; “Essa técnica nasce com superfície plana, onde é jogada a tinta nanquim que escorre pela tela e forma alguns desenhos mais escuros…. Depois eu preencho esses vãos, esses espaços que são delimitados após o escorrimento e marcação da tinta nanquim. O que eu falo que é drupismo é isso, é nascer a partir dessa espontaneidade, e depois, aliar isso ao poema” comenta a artista. Segundo a própria, há algumas semelhanças entre o seu trabalho e também o do artista americano Jackson Pollock, conhecido por ‘atirar’ as tintas na tela, sem usar pincel para completar seus trabalhos. “Mas eu uso pincel, é diferente (risos), eu também ‘brinco’ com as tintas após jogá-las na tela. Já vi também uma artista francesa que usa um processo parecido”, comenta a artista.

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Obras com cores variadas pertencem à serie ‘Sinapses com quebra-molas’ que também estão na exposição – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Cada uma das obras vem acompanhada também de um texto poético. Os trabalhos são escritos de forma individual também por Viviane Araújo, ou ainda, em parceria com a poetisa mineira Dicássia, que acompanhou Lee Kauê desde que ela começou a se enveredar no ramo das artes. Com dezenas de exposições feitas, Lee já teve seus poemas publicados em dois livros: “Retratos de um Pensar” (2000), e “Jujubas, Whisky, Sexo e Rusgas” (2010). Mostrando um ecletismo em relação à apreciação de outras artes, Lee comentou como seu trabalho tem influência de outras formas de expressão como a música. Em especial MPB e alguns compositores mineiros.

Durante a passagem da pintora por Londrina (No lançamento da mostra no Sesc) o RubroSom conversou com a autora para aprender um pouco mais de seu processo criativo: Confira

Seu trabalho dialoga com outras artes, literatura, música…. Como é esse processo?
Na realidade assim, autoras como a Adélia Prato é uma das poetas a qual eu admiro. O processo de criação dela dos poemas, talvez porque a gente se identifique em relação à questão do cotidiano. Mas o meu e o dela são muito diferentes…. Eu, na minha formação e no trabalho sempre busquei ideias e elementos diferentes, o que é um ritmo um pouco diferente da vida monótona, por exemplo, que ela retrata em algumas obras.

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Trabalho da artista é dividido em fases. A fase ‘Vermelha’ tem o nome de ‘Identidade’ – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A partir do momento em que você começou a pintar…. Essas referências já estavam com você? Ou é algo que foi somando durante o processo?
Não…. Isso veio depois! Uma coisa que foi constante desde o começo foi a música, especialmente MPB e também a música clássica. Ouço muita música alta. Alguns cantores que admiro: Flávio Venturini, Vinícius de Morais, Milton Nascimento, Leila Pinheiro…. Costumo ouvir o tempo todo.

A poetisa Dicássia (Do lado esquerdo) produz textos baseados em impressões do trabalho de Lee Kauê (Do lado direito)
A poetisa Dicássia (Do lado esquerdo) produz textos baseados em impressões do trabalho de Lee Kauê (Do lado direito)

Há quanto tempo você já faz o trabalho com pintura?
O drupismo – Essa técnica de fazer a tinta escorrer, e depois, preencher com outros desenhos tem já 13 anos, mas eu já pinto há 20 anos mais ou menos. Mas, nesses primeiros anos eu estava buscando uma identidade na minha pintura, um pouco depois disso comecei a criar essa técnica mais pessoal. (Lee conta que é farmacêutica de profissão, e não possui muito estudo teórico sobre a pintura).

Na sua exposição o trabalho é um pouco dividido em diferentes fases (Fase do Vermelho, fase do amarelo), são pinturas feitas em um período de quanto tempo?
As fases são compostas por obras feitas durante um período de 14 anos. A fase ‘Preto e branco’ se chama ‘Traços, riscos e rabiscos’ e todas tem um tema e um poema relacionado… Depois disso veio a fase ‘vermelha’ que se chama identidade, ai a amarela (Dores de viver) a verde (Da peroba ao bambu) e a policromática (Sinapses com quebra-molas). Essa última fase teve início há cerca de 3 ou 4 anos.

A artista desenvolve sua técnica já há 13 anos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A artista desenvolve sua técnica já há 13 anos – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Como foi o início do trabalho com a escritora convidada? A Di Cássia?
Ela foi minha professora de literatura, na época do colégio, ai depois, quando fiz esses projetos culturais eu a chamei pra me dar um apoio, uma ideia mais técnica (Eu não tinha pretensões de competir com gente que fez academia, que era mais estudado), mas assim, eu queria ter um respaldo assim. Fizemos muitos poemas juntos, até mesmo em mesa de boteco, nos bares de minas…. Em BH e outras cidades. Eu senti muita segurança nela, primeira por causa das influências semelhantes e também porque eu gosto da cadência que ela tem na forma de escrita. É um processo rápido e direto até. Eu termino a coleção (Das pinturas) depois eu já mando fotos para ela. Ela escreve baseado nas impressões dela da obra.


Serviço

Exposição “Drupismo e Suas Fases”
Evento abriu na semana passada e segue até 3 de julho
Onde: Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Entrada gratuita