Arte Sesc – Exposição As meninas de Samir Lee estreia hoje

Estreia nesta terça feira, no Sesc Cadeião, a exposição ‘As Meninas de Samir Lee’ a partir das 19h30. A mostra apresenta desenhos retratando uma ‘Menina’ imaginária traduzida em imagens. Cada um dos artistas, a seu modo, lança seus olhares e subjetividade sobre a personagem.
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Artistas convidados: Adriana Siqueira, Caio D’Adréa, David Magila, Carol Panchoni, Dovinho Feitosa, Marcelo Magalhães, Marcia Sawczuk, Renata Guarido e Viviane Feitosa.


SERVIÇO
Arte Sesc PR – Samir Lee e Convidados
Quando:
Terça (2 de Abril)
Horário:
19h30
Entrada Gratuita

Artista expõe pinturas com estilo Barroco e Impressionista

Tons escuros, formas com bastante contraste e texturas que remetem a Esta é a última semana para conferir a exposição do artista plástico Ivan Oliveira na Biblioteca Pública Municipal Pedro Viriato Parigot de Souza, de Londrina. Desde março, estão expostas,  seis pinturas produzidas com a técnica óleo sobre tela, inspiradas nos movimentos estéticos Barroco, Simbolismo e Impressionismo. A Biblioteca fica na avenida Rio de Janeiro, 413. A entrada é gratuita e a exposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 10 às 18 horas.

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‘O Anjo’ (Baseado no estilo barroco do séc XVI de Ivan Oliveira – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Os trabalhos do artista Ivan Oliveira são todos inspirados (E baseados em referências) de pinturas dos artistas Caravaggio, Waterhouse e Degas. “A exposição é uma oportunidade para o público, principalmente jovens e estudantes, conhecer mais de perto os estilos Barroco, do século XVI, Simbolismo, século XVIII, e Impressionismo, do século XVIII”, disse Oliveira.

As obras surpreendem pela riqueza de detalhes, assim como, os traços e contornos que remetem à peças clássicas, inclusive, de artistas do barroco brasileiro. A referência aparece inclusive nas temáticas, que evocam figuras sacras, personagens mitológicos e até símbolos bíblicos.

A dama de Shallott - Estilo Simbolista do séc XVII baseado em Waterhouse (Óleo sobre tela) - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A dama de Shallott – Estilo Simbolista do séc XVII baseado em Waterhouse (Óleo sobre tela) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Segundo o artista plástico, esses estilos são complexos e, as técnicas, de difícil acesso nos dias de hoje. Por esse motivo, algumas das reproduções levaram meses para serem finalizadas.

(Com informações do N.Com)


Serviço
Mostra do artista plástico Ivan Oliveira
Local: Biblioteca Pública de Londrina (Avenida Rio de Janeiro, 413)
Horário: 10 às 18 horas
Entrada Gratuita

Cores urbanas – Entrevista com o coletivo Cãosemplumas

Traços duros, cores vivas e um apelo bastante rústico no traço. Os desenhos inusitados, às vezes, vêm acompanhados de palavras soltas que em meio à paisagem urbana, são capazes de gerar momentos de reflexão, ou até estranheza em quem às observa. Estas são algumas das características do trabalho desenvolvido pelo coletivo CãoSemPlumas de Londrina que em seus projetos busca propagar um pouco de arte pelas ruas da cidade, algumas vezes, monocromáticas demais.

Desde 2013 o grupo desenvolve trabalhos ligados às artes visuais envolvendo técnicas como, pintura mural e até painéis que colorem um pouco as paisagens urbanas como os cartazes lambe-lambe. Além da pintura, influências do grupo passam também por linguagens como música, o cinema e até a literatura, que inspirou o nome do coletivo. “Sem Plumas é um cachorro que sente falta até do que não teve, um cão tem pelos e não plumas. A gente fazia até ligação disso com a cidade, a coisa do abandono de não reconhecimento do sujeito da cidade, a cidade como um meio hostil….” comenta Anderson Monteiro, bacharel em artes e integrante do grupo, quando cita algumas das referências do coletivo (Veja a seguir).

Da esquerda para a direita; Elias, Rafael Pereira, Anderson e Rafael Garcia "Sem Plumas é um cachorro que sente falta até do que não teve" cita o grupo - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Da esquerda para a direita; Elias, Rafael Pereira, Anderson e Rafael Garcia – O grupo está à frente de um painel de ‘lambe-lambe’ montado por eles mesmos em um dos prédios do Departamento de Artes na UEL  – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Além das afinidades, o quarteto se uniu com a ideia de ‘coletivizar’ um processo que inicialmente é apenas individual (O desenho) tornando assim o processo mais rico, segundo eles mesmos. Afim de entender mais os bastidores criativo do grupo, além da peculiar linguagem usada em seus painéis o RubroSom encontrou com o grupo em uma das salas do departamento de artes da UEL e conversou com, além de Monteiro, pelos bacharéis em arte Elias de Andrade, Rafael Pereira, Rafael Garcia.

Confira:

Como foi o começo do coletivo? Se uniram mais pelas afinidades?
Anderson – Foi em 2013. Teve um dia, bem próximo ao fechamento do tcc, (meu e do Elias), em que encontrei com o Rafael Pereira aqui no departamento e começamos a conversar sobre algumas coisas ligadas ao trabalho, a gente comentou sobre como as coisas andavam meio ‘paradas’, a gente mesmo andava desenhando e criando pouco e a gente começou com essa discussão, o Elias já estava junto nesse dia, eu gostava dos trabalhos que ele fazia… Ai os três começaram a pensar em produzir algo juntos. Tava começando a conhecer o Rafa Garcia de um outro trabalho, o Pereira já era amigo dele, e tudo iniciou com essa junção de ideias…

Rafa Garcia – Na época eu estava afim de colar uns ‘lambes’ também pela cidade, conversei com o Pereira sobre isso e ele me chamou pra fazer essa colagem juntos, e logo mais teve uma reunião do coletivo em que acabaram me chamando e foi quando conheci todo mundo.

Rafa Pereira – Inicialmente a gente nem pensava em um coletivo, nós pensamos mais em juntar uma galera pra continuar trabalhando junto. Desenhar já é um processo muito solitário sabe? Ai quando você faz isso junto, você consegue ver o que o outro está fazendo e já multiplica as ideias… Mas depois, vimos que tínhamos bastante coisa em comum e foi surgindo o coletivo.

Arte feita no diretório central dos estudantes (DCE) - Foto: Facebook do CãoSemPlumas.
Arte ‘que acompanhava a arquitetura do espaço’ feita no diretório central dos estudantes (DCE) – Foto: Facebook do CãoSemPlumas.

Neste primeiro encontro, como rolou a discussão? Alguma coisa foi definida por ali?
Elias – Na verdade, com dessa ideia do fim da faculdade, de todos terem passado pelo curso de artes  e estarem acostumados a trabalhar juntos, acabamos pensamos em fazer algo pra manter isso… Houve meio que uma ‘Nostalgia antes mesmo de sair da UEL’ com o fim do curso, daí começaram as reuniões… (Segundo os próprios a primeira reunião foi em um bar chamado Madalena, no centro da cidade).

Anderson – Isso do coletivo tem a ver também com o clima do departamento (UEL) há alguns anos atrás, era comum no departamento juntar alunos que já haviam se formado, com pessoas que estavam no 3º ano, no 2º ano… Isso fora de horário, bem informal e era um grupo de pessoas que tinha trabalhos muito marcantes, o pessoal se dedicava por conta. Com a mudança do departamento (Em 2012 o mesmo mudou para um prédio vertical) , o pessoal parecia que não interagiam. Com o grupo nós tentamos meio que retomar um pouco para a época desses climas, com mais integração…

Cores vivas e texturas 'brutas' são algumas das características do trabalho do coletivo - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Cores vivas e texturas ‘brutas’ são algumas das características do trabalho do coletivo – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

E o nome do coletivo como veio?
Anderson – A gente tinha lido João Cabral de Melo Neto, um poema dele que se chama ‘Cão Sem Plumas’ no qual ele fala do Nordeste, do Rio Capibaribe, é um poema bem árido, ele é bonito mas alcança a beleza por um tipo de dor, é um tipo de beleza dura… Acho que percebia isso um pouco no que eu faço, nos trabalhos do Elias, do Rafael também, acabou sendo uma expressão que fez muito sentido com o trabalho dos três. Era bastante por causa disso também. Além dessa coisa do ‘Sem Plumas’, é um cachorro que sente falta até do que não teve, um cão tem pelos e não plumas. A gente fazia até ligação disso com a cidade, a coisa do abandono de não reconhecimento do sujeito da cidade, a cidade como um meio hostil…. Era um pouco por causa da aura do poema.

Elias – Pensamos nisso também por causa da cidade, uma coisa que unia a gente, além da arte que tinha relação. Essa coisa do nosso desenho acabava sendo mais ‘cru’, talvez até mais ‘pobre’ (Termo que tem conotação negativa) em alguns aspectos, mas é rico em outro… A palavra é pejorativa, mas por que algo rico não pode ser pejorativo também né? A gente acaba criando esses paralelos ai que, as vezes, nem existam. O Rafael entrou nessas também pela afinidade com os ‘lambes’ e tem essa coisa dos desenhos do ‘Cachorro’ que atravessa a cidade, aí, talvez a gente se coloque um pouco nisso… Um cão que está atravessando a cidade, sai e volta para ela.

Rafa Garcia – A poesia fala também algo como ‘Não existe rua sem cachorro’, o cão é meio que um personagem da própria rua, e também fala da precariedade, do rio por exemplo, de uma ausência de água no próprio rio. Nosso trabalho fala muito da precariedade, a gente usa muitos materiais baratos e faz essa relação com o cachorro como o ser urbano, que dialoga muito com o que a gente faz. Nosso desenho tem um quê de precário.

Detalhe do painel montado no Departamento de Artes da UEL em Março/2016 (Ainda incompleto) - Foto: Bruno LeonelRubroSom
Detalhe do painel montado no Departamento de Artes da UEL em Março/2016 (Ainda incompleto) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Vocês falaram um pouco do coletivo, mas, individualmente cada um carrega referências muito diferentes?

Anderson – No meu caso faço mais desenhos, com linha, óleo em barra, fuligem e até pó de chaminé, misturo esses materiais para o resultado final. Pintura também, no coletivo me encontro mais através da pintura moral.

Rafa Pereira – Eu trabalhei bastante com lambe e pintura mural, não faço muita distinção acho elas muito próximas. Tenho usado nos meus trabalhos muitas palavras também, não são exatamente textos, mas como legendas. Não tanto como literatura, mas, as vezes a palavra também é um desenho sabe?

Rafa Garcia – Eu faço muitos trabalhos em lambe também, desenho e pintura mural. Gosto bastante de lápis aquarelado, pigmento, nanquim…

Elias – Dos quatro eu sou mais ligado á gravura, metal, xilogravura…. Mas o que une todos é mais o desenho mesmo. A gente fala muito sobre o limite entre desenho e pintura, essa dualidade as vezes nem existe, mas é o que acaba juntando todo mundo como coletivo, de repente, como um trabalho pode virar instalação também. Acho que é o desenho que nós mais investigamos como coletivo, nem é específico da pintura mural, do lambe, mas é o desenho. A gente até já teve umas fases de ideias diferentes, na fase mais recente é o ‘lambe’ que tem pego mais.

Painéis de 'Lambe-Lambe' expostos durante a festa SɅNɅTØRIUM II no RƩDUTO DOS DƩLÍRIOS em Londrina - Foto: Lírica Aragão
Painéis de ‘Lambe-Lambe’ expostos durante a festa SɅNɅTØRIUM II no RƩDUTO DOS DƩLÍRIOS em Londrina – Foto: Lírica Aragão

Vocês falaram um pouco, sobre o surgimento do coletivo ligado à cidade como ‘ambiente infértil’ em relação à arte, daria pra pensar sobre uma certa militância no trabalho que vocês fazem?
Anderson – Acho que sim, surgiu meio que assim também né? Quatro caras que se juntam para desenhar e, a princípio, como não dá retorno financeiro então é uma forma de ‘nadar contra a maré’, são quatro rotinas que não oferecem espaço para isso, no meio de semana todo mundo precisa se reunir para fazer um trabalho em conjunto, ainda assim, a gente tenta e consegue fazer isso.

Rafa Pereira – A gente conversa bastante sobre política, mas, não temos nenhuma bandeira, ou, cada um tem uma, ainda que não fique evidente (risos). Acho que tudo o que a gente faz é político, desde a coisa mais inocente até algum trabalho mais explícito, a gente pensa muito na arte como força política, como ferramenta para que as pessoas parem e observem algo diferente, o mundo está muito corrido né? É um jeito de falar para as pessoas ‘desacelerem!’.

Rafa Garcia – Tem a relação com o entorno da obra também. Quando você vai fazer algum trabalho, você conversar com as pessoas próximas de onde a obra vai ser feita. Recentemente teve um lava-rápido, onde fomos fazer um trabalho e conversamos com o dono, isso tudo é um pouco político. Geralmente o pessoal entende numa boa, teve uma vez que colamos uns lambes em um muro, mas o dono não gostou muito não, a gente também não tinha pedido permissão… Mas muita gente gosta também, a pintura mural mesmo muita gente vem perguntar sobre o trabalho, sobre quanto custa para fazer, e essas coisas…

Anderson – A gente pensa muito onde irá colocar o trabalho, onde um desenho será feito, como as pessoas verão isso. Teve um trabalho legal que fizemos uma vez no DCE que foi feito seguindo a arquitetura do local, as posições foram pensadas conforme a estrutura do espaço.

Elias – Além do trabalho nas ruas e espaços fazemos algumas oficinas também. A gente acredita muito nessa educação ‘informal’, que contribui de alguma forma.

Anderson – No trabalho do DCE nós abrimos para algumas pessoas participarem e colaborarem com a gente, no formato de oficina, aproveitando que iríamos fazer lá no espaço do DCE.

Pereira – Temas que a gente conversa bastante sobre o afeto e troca. Dos três anos que o coletivo existe a gente ganhou pouco dinheiro com os trabalhos, mas, isso não é algo que atrapalhe tanto. A gente fica feliz em ver pessoas interessadas no nosso trabalho, em pessoas chamarem a gente para colaborar, sempre que somos chamamos vemos como tem valido a pena.

Pintura feita no encontro das Avenidas Dez de Dezembro e Inglaterra em Londrina - Foto: Facebook do Coletivo.
Pintura feita no encontro das Avenidas Dez de Dezembro e Inglaterra em Londrina – Foto: Facebook do Coletivo.

E para o futuro do coletivo? Mais projetos ou ações a vista?
Pereira – Acho que a ideia é continuar os trabalhos, a gente escreveu pouco sobre o que fazemos ainda, não temos registros escritos. Não mandamos muitos trabalhos para editais ainda, mandamos duas vezes para o PROMIC e não conseguimos… É um pouco burocrático o processo. Manter isso já é um proejto… As coisas são tão difíceis de fazer, o tempo acaba sendo tão complicado, a rotina tem exigido muito de todo mundo, é importante não desanimar.

Anderson – A gente quer compartilhar algumas leituras que todos temos também, conversar entre a gente sobre como isso pode melhorar a produção, divulgar referências e essas questões.


Mais informações

E-mail: Coletivocaosemplumas@gmail.com
Mais fotos de Lírica Aragão: Lírica Aragão Fotografia

Drupismo – Artista mineira expõe obras em Londrina

Traços escuros de nanquim, quase jogados na tela, fazem a separação de cores bastante vivas. As pinturas misturam cores diversas ao lado de linhas recortadas e uma peculiar forma de preenchimento geométrico nas formas. As telas não vem sozinhas, textos poéticos acompanham também algumas das peças lado a lado no local onde estão expostas. Os mais desavisados podem até ver semelhanças com obras como a do artista brasileiro Romero Britto, mas basta um olhar mais aproximado para notar como a intenção aqui é bem diferenciada. Assim é o trabalho da artista mineira Viviane Araújo de Lima (Que usa o pseudônimo Lee Kauê), que assina os trabalhos da exposição “Drupismo e Suas Fases (Pintura.Desenho.Poesia.Poema)” montada no Sesc Cadeião, em Londrina, desde a semana passada.

A artista plástica e poetisa mineira Lee Kauê durante conversa em Londrina (Obras de cores vivas compõem a exposição) - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A artista plástica e poetisa mineira Lee Kauê durante conversa em Londrina (Obras de cores vivas compõem a exposição) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A mostra apresenta 30 quadros e poemas produzidos pela artista por meio de uma técnica própria denominada Drupismo. O método é desenvolvido já há cerca de 13 anos; “Essa técnica nasce com superfície plana, onde é jogada a tinta nanquim que escorre pela tela e forma alguns desenhos mais escuros…. Depois eu preencho esses vãos, esses espaços que são delimitados após o escorrimento e marcação da tinta nanquim. O que eu falo que é drupismo é isso, é nascer a partir dessa espontaneidade, e depois, aliar isso ao poema” comenta a artista. Segundo a própria, há algumas semelhanças entre o seu trabalho e também o do artista americano Jackson Pollock, conhecido por ‘atirar’ as tintas na tela, sem usar pincel para completar seus trabalhos. “Mas eu uso pincel, é diferente (risos), eu também ‘brinco’ com as tintas após jogá-las na tela. Já vi também uma artista francesa que usa um processo parecido”, comenta a artista.

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Obras com cores variadas pertencem à serie ‘Sinapses com quebra-molas’ que também estão na exposição – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Cada uma das obras vem acompanhada também de um texto poético. Os trabalhos são escritos de forma individual também por Viviane Araújo, ou ainda, em parceria com a poetisa mineira Dicássia, que acompanhou Lee Kauê desde que ela começou a se enveredar no ramo das artes. Com dezenas de exposições feitas, Lee já teve seus poemas publicados em dois livros: “Retratos de um Pensar” (2000), e “Jujubas, Whisky, Sexo e Rusgas” (2010). Mostrando um ecletismo em relação à apreciação de outras artes, Lee comentou como seu trabalho tem influência de outras formas de expressão como a música. Em especial MPB e alguns compositores mineiros.

Durante a passagem da pintora por Londrina (No lançamento da mostra no Sesc) o RubroSom conversou com a autora para aprender um pouco mais de seu processo criativo: Confira

Seu trabalho dialoga com outras artes, literatura, música…. Como é esse processo?
Na realidade assim, autoras como a Adélia Prato é uma das poetas a qual eu admiro. O processo de criação dela dos poemas, talvez porque a gente se identifique em relação à questão do cotidiano. Mas o meu e o dela são muito diferentes…. Eu, na minha formação e no trabalho sempre busquei ideias e elementos diferentes, o que é um ritmo um pouco diferente da vida monótona, por exemplo, que ela retrata em algumas obras.

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Trabalho da artista é dividido em fases. A fase ‘Vermelha’ tem o nome de ‘Identidade’ – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A partir do momento em que você começou a pintar…. Essas referências já estavam com você? Ou é algo que foi somando durante o processo?
Não…. Isso veio depois! Uma coisa que foi constante desde o começo foi a música, especialmente MPB e também a música clássica. Ouço muita música alta. Alguns cantores que admiro: Flávio Venturini, Vinícius de Morais, Milton Nascimento, Leila Pinheiro…. Costumo ouvir o tempo todo.

A poetisa Dicássia (Do lado esquerdo) produz textos baseados em impressões do trabalho de Lee Kauê (Do lado direito)
A poetisa Dicássia (Do lado esquerdo) produz textos baseados em impressões do trabalho de Lee Kauê (Do lado direito)

Há quanto tempo você já faz o trabalho com pintura?
O drupismo – Essa técnica de fazer a tinta escorrer, e depois, preencher com outros desenhos tem já 13 anos, mas eu já pinto há 20 anos mais ou menos. Mas, nesses primeiros anos eu estava buscando uma identidade na minha pintura, um pouco depois disso comecei a criar essa técnica mais pessoal. (Lee conta que é farmacêutica de profissão, e não possui muito estudo teórico sobre a pintura).

Na sua exposição o trabalho é um pouco dividido em diferentes fases (Fase do Vermelho, fase do amarelo), são pinturas feitas em um período de quanto tempo?
As fases são compostas por obras feitas durante um período de 14 anos. A fase ‘Preto e branco’ se chama ‘Traços, riscos e rabiscos’ e todas tem um tema e um poema relacionado… Depois disso veio a fase ‘vermelha’ que se chama identidade, ai a amarela (Dores de viver) a verde (Da peroba ao bambu) e a policromática (Sinapses com quebra-molas). Essa última fase teve início há cerca de 3 ou 4 anos.

A artista desenvolve sua técnica já há 13 anos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A artista desenvolve sua técnica já há 13 anos – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Como foi o início do trabalho com a escritora convidada? A Di Cássia?
Ela foi minha professora de literatura, na época do colégio, ai depois, quando fiz esses projetos culturais eu a chamei pra me dar um apoio, uma ideia mais técnica (Eu não tinha pretensões de competir com gente que fez academia, que era mais estudado), mas assim, eu queria ter um respaldo assim. Fizemos muitos poemas juntos, até mesmo em mesa de boteco, nos bares de minas…. Em BH e outras cidades. Eu senti muita segurança nela, primeira por causa das influências semelhantes e também porque eu gosto da cadência que ela tem na forma de escrita. É um processo rápido e direto até. Eu termino a coleção (Das pinturas) depois eu já mando fotos para ela. Ela escreve baseado nas impressões dela da obra.


Serviço

Exposição “Drupismo e Suas Fases”
Evento abriu na semana passada e segue até 3 de julho
Onde: Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52)
Entrada gratuita