Teatro – Cia L2 apresenta Da Pele ao Barro na Usina

A companhia teatral L2, de Londrina, apresenta nesta sexta (24) e sábado (25) a peça ‘Da Pele ao Barro’. O espetáculo surgiu a partir da investigação do estatuário de Camille Claudel. Cada novo quadro de esculturas esboça nuances de situações enfrentadas pela mulher e a conquista de seu espaço na sociedade artística do séc. XIX.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Nesta montagem, a companhia (na ativa desde 2010) realiza um trabalho de investigação dos músculos para construção e desconstrução das esculturas, aproximando os corpos dos atores a argila e ao gesso. Esculturas pulsam, vivem. Nos dois dias, a peça inicia às 20h, com entadas a R$ 5 (disponível na bilheteria a partir das 19h) – Classificação indicativa 14 anos.

O elenco é formado pelos atores: Bianca Ribeiro, Gabriel Paleari, Giovanna Stocco, João Mosso, João Rodarte, Julia Malu, Laiz Ferreira, Ronald Rosa,Tatiana Oliveira. O figurino é assinado pelo coletivo com execução de Lenita Costa. Sonoplastia de Bruno Garcia e Giovana Stocco, iluminação e direção por Thainara Pereira (com assistência de Lucas Manfré) e orientação de Aguinaldo Moreira de Souza.


Da Pele ao Barro – Cia L2
A partir das 20h na Usina Cultural em Londrina
Entrada: R$ 5

Espetáculo ‘Baseado em Fatos Reais’ é apresentada hoje

A Cia L2 em parceria com a Divisão de Artes Cênicas UEL e com o Núcleo de Pesquisa em Expressão Corporal (NPEC) , apresenta em Londrina o espetáculo “Baseado em Afetos reais” neste sábado! A peça tem como espinha dorsal o possível idílio entre dois dos maiores ícones artísticos de todos os tempos, Federico García Lorca e Salvador Dalí. É às 20h

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Fugindo de reducionismos homoeróticos e de transliterações paradigmáticas, o NPEC e seus autores-diretores construíram cenas a partir das corporeidades presentificadas, epitomando partituras cheias de fisicalidade, que dialogam com as vanguardas artísticas nascentes da primeira metade do sec. XX: um cortejo elegíaco que sugere o regionalismo flamenco de Lorca; um aglomerado de corpos que lembram Guernica; um quadril que se insinua já fora do toureador aqui, ombros parelhos não mais militares agora carentes de escora ali, mãos espalmadas, outrora ocupadas com leques e castanholas vão agora tateando a baioneta. Ilustrações sumamente referentes deflagram o psicodrama: amor e morte juntos tornam-se os mais democráticos fenômenos humanos.

FICHA TÉCNICA
Direção: Danilo Alves
Dramaturgia: Cléber Tasquin
Orientação geral: Naiene Sanchez
Orientação cênica: Aguinaldo de Souza e Heitor Junior
Pesquisa: Cléber Tasquin e Flávia de Azevedo
Produção: Ricardo Orso
Iluminação: Ricardo Chocolate
Sonoplastia: David Cícero
Cenografia: José Antônio Barbosa
Figurino: Npec
Maquiagem: NPEC


SERVIÇO
Na Divisão de Artes Cênicas da UEL – Av. Celso Garcia Cid, 205.

Dias: 21 e 22 de outubro
Horário: 20 hrs
Ingressos: 10,00 inteira, 5,00 meia (disponível antecipadamente com integrantes da Cia L2)

Teatro – O Mapa do Meu Mundo é apresentado nesta quarta em Londrina

Dando sequência á boa safra de apresentações cênicas em Londrina – O feriado já teve a apresentação do projeto Faces, e na Funcart teve início a temporada de apresentações de formandos da Escola Municipal de Teatro – nesta quarta-feira (16) é a vez da Cia do Abração (Curitiba) apresentar o espetáculo ‘O Mapa do Meu Mundo’ em Londrina ás 14h30 e ás 15h30 no Sesi/Aml (Praça 1º de Maio) – a entrada é gratuita.

Grupo O Mapa do Meu Mundo nesta quarta em Londrina
Foto: Isabelle Neri

Na trama, vários aspectos da vida de uma mulher descobrindo seu verdadeiro caminho. Os caminhos se revelam, se cruzam, se confundem dentro de um mapa – o mapa do seu mundo. Em cada território se revela uma parte de sua história. O conto da “Cinderela” serve de guia para percorrer os territórios propostos. A eterna espera por alguém que venha resgatá-la, a identificação com o sofrimento e a dificuldade de enfrentar seus medos e inseguranças são alguns dos pontos que ligam o conto com esse contar.  O espetáculo usa poucos elementos cênicos, uma peneira e alguns acessórios que vão situá-la no espaço e criar o ambiente por onde circula; no entanto incorpora recursos do teatro de objetos e da linguagem cinematográfica.

O espetáculo usa poucos elementos cênicos, uma peneira e alguns acessórios que vão situá-la no espaço e criar o ambiente por onde circula; no entanto incorpora recursos do teatro de bonecos e do teatro físico. A encenação foi desenvolvida em uma imersão, trazendo o trabalho autoral da atriz Rosimari Jacomelli, sob a direção de Letícia Guimarães, em conjunto com as experiências do diretor e coreógrafo paraguaio Wal Mayans, que compartilha com o grupo do Abração a pesquisa de Primigenia teatral desde 2008. Wal Mayans é oriundo da primeira turma de artistas da Antropologia Teatral de Eugenio Barba e há mais de 30 anos segue sua investigação em teatro e dança, por diversos países.


SERVIÇO
O Mapa do Meu Mundo – Cia do Abração (Curitiba)
Onde: Sesi/AML – Praça 1º de Maio em Londrina
Quando: Quarta-feira (16) ás 14h30 e 15h30
Entrada gratuita

Teatro – Alunos da Funcart apresentam Lisistrata nesta sexta

A Fundação Cultura Artística de Londrina apresenta nesta sexta(18) de feriado a peça de formatura da turma noturna de teatro 2016, Lisístrata – A greve do sexo. O texto é baseado na comédia grega de Aristófanes, escrita a 411a.c. é considerada a primeira grande obra pacifista. A peça tem direção de Simone Andrade.

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Lisístrata de Aristófanes foi uma tentativa real de acabar com uma guerra de verdade – Foto: Divulgação

Trama: Cansadas de uma guerra que já durava 20 anos, as mulheres de Atenas, de Esparta, de Beócia e de Corinto (cidades gregas mais duramente atingidas pela guerra), chefiadas pela ateniense Lisístrata, decidiram por fim às hostilidades usando de uma tática pouco convencional: uma greve de sexo. Para melhor conseguir seu objetivo, ocuparam na cidade de Atenas – a Acrópole, e tomaram conta do Tesouro. Os maridos não resistiram à greve e concluíram um tratado de paz, depois de uma série de peripécias de grande efeito cômico apesar da ousadia dos detalhes.

Foto: Divulgação/Funcart
Foto: Divulgação/Funcart

Na época em que foi escrita a peça (411 a.C.), Atenas atravessava um período dificílimo de sua história. Abandonados por seus aliados, os atenienses tinham a 24 quilômetros de suas cidades as tropas espartanas. Essa luta fratricida enfraquecia a Grécia toda, pondo-a a mercê dos bárbaros. Inspirado por um profundo sentimento de patriotismo e humanidade, Aristófanes se fez porta-voz de todas as esposas e mães gregas e, por intermédio de Lisístrata, lançou um veemente apelo em favor da paz, não somente aos atenienses, mas a todos os gregos (Leia Sinopse completa AQUI)

• Classificação indicativa: 16 anos

Elenco:
Alana Maia
Ana Carolina Messias Bernardi
Anelise Kranich
Andre Severinoo
Bu Paes
Érika Sayuri
Fátima Souza
Felipe Louro
Flávia Muchiutti
Janaina Oliveira
Ju Gatez
Juliano De Souza Scoponi
Leticia Minto
Rafael Oliveira Do Carmo
Renan S. Faria
Thaís Artoni


SERVIÇO
Ingressos:
R$ 20,00 – Inteira
R$ 10,00 – Meia
Os ingressos podem ser adquiridos com os atores ou na bilheteria do local (FUNCART).

Teatro – O Misantropo abre temporada de formandos da Funcart

Do dicionário; O misantropo (indivíduo que pratica a misantropia) é alguém que se sente desconfortável com a vida em sociedade, além de desconfiar e antipatizar com as outras pessoas… A julgar pelo significado, este é mais ou menos o tom do espetáculo apresentado nesta terça-feira, no Circo Funcart em Londrina, por formandos da Escola Municipal. A Fundação Cultura Artística de Londrina (FUNCART) apresenta o espetáculo de formatura da turma de teatro 2016 ”O Misantropo”, encenada em 318 A.C., escrita por Menandro. As apresentações ocorrerão do dia 8 à 13 (terça-feira a domingo) de novembro, às 20h. A apresentação inicia uma temporada de peças apresentadas na Funcart até o próximo dia 15 – As outras são Lisistrata e As Nuvens.

Peça O Misantropo abre temporada de formandos da Funcart

Sinopse – Nos arredores de File, vive o velho Cnêmon, um camponês furioso que mantém sua fazenda com seus próprios braços, a par da sociedade, acompanhado apenas de uma empregada e de sua filha mais nova. A moça já não aguenta mais segurar a vontade de conseguir um marido para enfim viver longe da misantropia do pai, então decide fazer uma suplica a Ninfa favorita do (não tão) poderoso deus Pã. A dupla de semideuses acaba por gerar uma serie de desventuras que obrigam o velho misantropo a lidar com as pessoas que passam pelo local e com a ideia do casamento da filha.


Direção: José Silva
Elenco:Beto Junior, Bruno Zucoloto, Celso Nascimento, Eduardo Borges, Haletéia Fioravane, Igor Brandão, Isaque Gonçalves,  Leandro Bonassoli, Matheus Moreno, Tiago Lessa, Tony Abreu, Vernumo Mungátura, Willian Monfredini


SERVIÇO
O Misantropo
Onde: Funcart -Rua Senador Souza Naves, 2380
Horário: 20h30

Festival de Dança – Angústia é apresentada nesta terça

Dando continuidade à programação do Festival de Dança de Londrina, nesta terça-feira, a Cia Mênades & Sátiros apresenta “Angústia” durante a programação. Na montagem, Potapov e Seu Rocim – um homem e um cavalo – estão à espera de passageiros que possam lhe render algum dinheiro para matar a fome. O cavalo observa o dono, imerso na dor pela perda do filho em razão de uma febre. Os personagens aparecem a sós em meio ao caos. A apresentação é às 20h30, no Circo Funcart, dentro da programação do 14º Festival de Dança de Londrina.

O espetáculo se faz a partir do registro dos estados de alma dos dois personagens, que se debatem diante da tentativa – e da impossibilidade – de partilharem a dor - Foto: Fernando Martinez
O espetáculo se faz a partir do registro dos estados de alma dos dois personagens, que se debatem diante da tentativa – e da impossibilidade – de partilharem a dor – Foto: Fernando Martinez

O espetáculo se faz a partir do registro dos estados de alma dos dois personagens, que se debatem diante da tentativa – e da impossibilidade – de partilharem a dor. O homem precisa de alguém que o ouça, precisa falar sobre a morte do filho. Por mais que tente, não consegue se expressar, pois só encontra pessoas indiferentes à sua volta. Mas o cavalo está ali, ruminando enquanto ouve o cocheiro. Ambos se encontram fincados no chão, cobertos pela neve que os paralisa.

O diretor Denilson Biguete e o dramaturgo Cássio Pires partem do conto “Angústia”, do escritor russo Anton Tchekhov (1860-1904), para registrar a asfixiante solidão humana. Colocam o desafio de pensar a narração de sentimentos indizíveis por meio de um jogo que envolve a luz, o cenário e os objetos de cena. Uma lona estendida no chão. Uma roda de ferro com madeira – a carroça. A neve representada por almofadas pretas. A atmosfera densa e carregada do intenso frio russo.

Em pedaços, Iona busca se aquecer não só da neve fria. A luz dos lampiões-postes lembra a penumbra da cidade. O giz risca direções no espaço. Mãos e pés produzem o som do tempo e dos deslocamentos. O silêncio e a gaita. Respiração e corpo. No palco, os atores-narradores Marcus Andrade e Thiago Cardoso são também construtores da encenação.

A Mênades & Sátiros Cia. de Teatro, criada em 2003 com a montagem do texto “Curto-Circuito”, do dramaturgo prudentino Timochenco Wehbi, é movida pelo exercício criativo, investigativo e estético do teatro. O coletivo busca como determinação a arte do ator e as múltiplas questões e inquietações que seus espetáculos propõem. A Companhia segue sua trajetória com 11 espetáculos montados, sempre investindo em uma linguagem que possibilite dar voz aos anseios do homem contemporâneo.

Os ingressos para “Angústia” podem ser adquiridos por R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia-entrada) nos pontos de venda e, caso haja lugares disponíveis, também na portaria do Circo Funcart, uma hora antes do início da apresentação. (Com informações da Assessoria de Imprensa).


Serviço:

Angústia – Mênades & Sátiros Cia de Teatro (Presidente Prudente-SP)
Dia: 4 de outubro (terça-feira)
Horário: 20h30
Local: Circo Funcart (Rua Souza Naves, 2380)
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

Matheus Nachtergaele – A peça é celebração das tristezas, alegrias e possibilidades

Musical, denso e com uma profundidade pessoal impressionante; Essas são algumas características do texto da peça de abertura do Festival Internacional de Londrina intitulada “Processo de Conscerto do Desejo” que traz o ator Matheus Nachtergaele em um de seus momentos mais íntimos em cena, desde que estreou nos palcos, nos anos 80. Neste espetáculo, que estreou em novembro do ano passado, o ator recita textos de sua mãe, a poetisa Maria Cecília Nachtergaele, que morreu aos 22 anos.

Nachtergaele - A peça é celebração das tristezas, alegrias e possibilidades

Matheus tinha três meses de vida quando ela se suicidou. A memória que guarda da mãe são as histórias contadas em família e a personagem que emerge nos poemas deixados por ela. São estes textos, acrescidos de anotações, que Matheus Nachtergaele guardou por toda a vida e agora interpreta, intercalando comentários, reflexões e memória. Ao lado do violonista Luã Belik e do violinista Henrique Rohrmann, o ator realiza um “concerto” musical que percorre as canções que faziam a trilha sonora de sua infância e sonorizam os poemas lidos em cena. Ao mesmo tempo, um “conserto” em que faz reparos à memória em busca de conhecer a própria mãe.

Matheus Nachtergaele tem uma trajetória que impressiona não apenas pelas generosas referências estéticas ou a técnica refinada, mas sobretudo pela vasta galerias de tipos brasileiros aos quais deu corpo e voz – no teatro, na televisão e no cinema como ator, autor e também diretor. Após uma entrevista coletiva, realizada no Edifício Júlio Fuganti em Londrina, o Rubrosom conversou com o ator e escritor, no qual, ele falou mais sobre o trabalho com este espetáculo. Leia a seguir


O texto dessa peça tem um aspecto pessoal muito forte (É feito a partir de textos da mãe do ator, que se suicidou quando o mesmo tinha apenas 3 meses de vida) há quanto tempo ele começou a ser escrito? É antiga já essa ideia de fazer algo a partir desses textos poéticos que ela deixou?
É uma reunião da pequena obra que a Maria Cecília (Mãe do ator) deixou… São 30 poemas que eu recebi quando tinha 16 anos de idade. E guardo, nestes 30 anos pensando sim, desde sempre, em como mostrar para o público. Porque os poemas são bonitos, tem qualidade estética, estilística, são interessantes. Eu pensava em algum momento em editar um livro com os poemas e, com o passar dos anos, amadureci a ideia, pensando em convidar uma amiga para fazer a Maria Cecília no teatro…. Ela chegou a topar, mas, devido a outros projetos, outras rotinas fui deixando. E quando retomei essa ideia, veio de uma vez, decidi que era o filho mesmo que deveria dizer os poemas da mãe. Fiz o espetáculo apenas com o essencial apenas, que o teatro precisa; Palavra, corpo, luz e música ao vivo. Acho que com o advento do cinema, da televisão e as tecnologias, sobrou pouca coisa para o teatro, mas, o que sobrou é tão maravilhoso e é a cerimônia. Não me convence mais nenhum tipo de teatro de ‘gabinete’ onde você entra num lugar que reproduz uma sala de 1800, o cinema faz melhor isso sabe? Não cola …. Para o teatro sobrou a celebração, o ritual, eu ritualizo meu luto e minha alegria em ter perdido tão cedo minha mãe, mas, também ser filho de uma mulher tão talentosa…

É como a vida, uma celebração das tristezas, alegrias e possibilidades. Os espetáculos são bonitos, vivos, a plateia se comove, existe uma catarse. Temos rodado o país e, cada vez que a peça vai começar eu percebo a loucura que é fazer isso, o grau de exposição que tem nessa celebração que eu faço, mas, me alegro por estar fazendo isso junto com ‘a minha mãe’ pela primeira vez e segundo por poder fazer teatro com pessoas que eu amo, junto de talentos que eu adoro, com um material profundamente íntimo. Acho que nunca estive tão exposto. Demorei pra fazer porque achava que poderia ficar triste e, na verdade, o espetáculo me alegra de uma maneira surpreendente. Fico feliz das pessoas se emocionarem com os poemas da mamãe – Editamos em um livro também (Através da Editora Polvilho) e sempre vendemos o livro ao final de espetáculos. Foi uma tiragem pequena, reproduz a ideia de uma caixinha de jóias, como algo que você abre e encontra 30 jóias dentro. E um pouco pensando também na ideia da ‘pérola’, a peça tem muito isso. A pérola é um cisco que machuca a ostra e, no entorno daquele machucado, a ostra forma a pérola… Depois nas mãos do homem vira jóia. A peça é isso, a dor lapidada e transformada em beleza.

Qual o aspecto dos textos da sua mãe que talvez mais prevalece?
Ao longo do tempo vários aspectos se tornaram mais ou menos importantes de acordo com o meu entendimento. Se é possível sintetizar algum aspecto, me parece que a Maria Cecília pedia mais ternura no mundo. É o que me parece, se é que é possível sintetizar algo desse tipo de obra. Esse pedido absoluto por ternura tá valendo ainda…
Além dos textos da sua mãe, há outras referências literárias na obra final?
Eu termino com um poema do Drummond (Eros e Psique) além de muitas músicas, canções que ela gostava. Eu de uma geração que foi criada em São Paulo para o teatro/dança, no final dos anos 80 nossa formação era muito corporal, os diretores tinham uma mão muito pesada esteticamente e a palavra era muito pouco elaborada. No ‘Teatro Vertigem’ que começamos a mudar isso.
A peça estreou em novembro, circularam bastante pelo país… Com todo esse resgate constante de lembranças, em nenhum momento chegou a te abalar de forma negativa?
Não, eu demorei pra fazer por isso… Agora eu lido melhor com isso. Acho que se eu fosse mais jovem talvez eu sofresse, mas agora o espetáculo me faz feliz.
Você é uma pessoa saudosista (falando de vários aspectos)?
Eu sou! Sou nostálgico, e sou do tipo que a música do passado era melhor do que a de agora, acho que os artistas antigos eram melhores, o cinema do passado era melhor (risos)… Tem um lado nostálgico mas que, eu acho bonito. É um apego pela obra da humanidade, anterior ao meu tempo, já fui mais melancólico, a gente vai aprendendo a viver!
Tem uma frase de um escritor que fala que ‘O desejo nunca é modesto’… Sua peça fala do ‘Processo do conscerto do desejo’… desejo pelo que?
O desejo é o pressuposto primeiro da vida. Todo ser vivente deseja, talvez o adjetivo mais comum a todo o ser vivente é desejar, é ser desejoso. De amar, de se reproduzir, de se alimentar, de matar… E até morrer. Eu coloco ‘conscerto’ porque é o concerto de música/poemas e o conserto de consertar o que se deseja. Talvez eu não queira deixar a Maria Cecília neste lugar de suicidas e, quero também, consertar esse desejo, quer dizer… A partir desse espetáculo quero descobrir o que mais eu quero. De certa forma é o cume de algo para mim, meu material mais íntimo é mostrado em um teatro, onde eu vivo… O que fazer depois? (risos)


Ficha Técnica

Textos: Maria Cecília Nachtergaele|Direção e interpretação: Matheus Nachtergaele| Violão: Luã Belik | Violino: Henrique Rohrmann | Direção de Produção: Miriam Juvino| Produção Executiva: Rafael Faustini | Corpo: Natasha Mesquita | Voz: Célio Rentroya | Iluminação: Orlando Schaider | Design Som: Andrea Zeni | Artes visuais: Cláudio Portugal e Karina Abicalil | Divulgação: Silvana Cardoso (Passarim Comunicação) | Contrarregra: Cedelir Martinusso | Assessoria: A Gente Se Fala Produções | Realização: Pássaro da Noite Produções.


SERVIÇO

Abertura do Festival Internacional de Londrina 2016
Peça:  ‘O Processo do Conscerto do Desejo” 
Com Matheus Nachtergaele, Luã Belik e Henrique Rohrmann
Quando:
Hoje (26) – Esgotado – e sábado (27) às 20h30
Onde:
Teatro Marista (R. Cristiano Machado, 240 – Campo Belo)
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)

PONTO DE VENDAS

Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310)
E pelo site: www.diskingressos.com.br

Peça Antes do Grito inicia nova temporada hoje

O espetáculo teatral ‘Antes do Grito’, com texto assinado por Rafaela Martins e direção de Mayara Dionísio (Realizado pela Rubra Cia de Teatro), será encenado nesta sexta-feira (22) em Londrina. A apresentação é às 20h00 na Vila Cultural Usina Cultural (Av. Duque de Caxias 4159). A peça estreou em abril como parte da Mostra de Dramaturgia do SESI, que na ocasião realizou quatro espetáculos inéditos, todos produzidos durante o Núcleo de Dramaturgia – Teatro Guaíra, realizado em 2015.

Peça Antes do Grito inicia nova temporada hoje
O espetáculo ‘Antes do Grito’ será apresentado nos dias 28 e 30/04. Ele possui texto e direção de Rafaela Martins (Ao fundo) e atuação de Rafaela Martins e Carol Alves – Foto: Allan Ferreira.

SOBRE A OBRA

A peça desta quinta conta a história de duas irmãs que convivem com os traumas e abusos sofridos na infância e que, em um processo de resgate destes momentos, conseguem promover um movimento de cura e libertação. O momento da fala que liberta e expurga a dor.

Presas a uma casa de vidro, as jovens circulam com cuidado na tentativa de preservar aquilo que as conecta com suas essências, mas, por fim, descobrem que confrontar seus medos e suas culpas é único modo de se entenderem como vítimas do abuso e do abandono. As dores jamais passarão, as cicatrizes sempre existirão, mas a superação é o único modo de seguirem em frente e se reconectarem consigo mesmas. “Minhas inspirações indiretas passam por Bergman (cineasta), Raduan Nassar (com Lavoura Arcaica), o realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez, além do pintor Balthus. Busquei também ler matérias e ver documentários sobre crianças e mulheres que sofreram abusos, essas matérias eram bastante abrangentes como uma sobre o número de meninas que se casam antes dos 15 anos no Brasil e um documentário sobre mulheres vítimas do Estado Islâmico. Isso tudo acabou sendo inspiração indireta porque a peça é sobre memória e fala, é uma criação ficcional e bem específica”, contou ao RubroSom, a autora do texto Rafaela Martins que também atua na peça.

"Minhas inspirações indiretas passam por Bergman (cineasta), Raduan Nassar (com Lavoura Arcaica), o realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez, além do pintor Balthus", conta Rafaela Martins quem assina o texto - Foto: Allan Ferreira.
“Minhas inspirações indiretas passam por Bergman (cineasta), Raduan Nassar (com Lavoura Arcaica), o realismo fantástico de Gabriel Garcia Marquez, além do pintor Balthus”, conta Rafaela Martins quem assina o texto – Foto: Allan Ferreira.

Seguindo uma pesquisa sobre a infância e a sugestão do supervisor do curso, a dramaturga optou por abordar temáticas densas, como o abuso psicológico e sexual e o abandono na infância. Para cumprir tarefa tão desafiadora, o grupo desenvolveu estudos sobre memória e trauma e optou por uma abordagem delicada, expressando em arte a importância da superação dos traumas. “Antes do Grito” recria, assim, um universo dolorido, mas também permeado de delicadeza e punção de vida. “Quando comecei a fazer parte do Núcleo, já dividi com o Mauricio (Arruda Mendonça) meu desejo de contar uma história sobre duas irmãs, nessa altura nada ainda estava definido. Na verdade, na peça, elas são meninas mais ou menos da minha idade e da idade da Carol (que divide o palco comigo). Elas são adultas de vinte e poucos anos, mas que não conseguiram superar alguns traumas da infância e acabam entrando em um movimento de se comportarem como naquela época. A peça não decorre em um tempo definido e na verdade é como uma imersão na memória e na cabeça dessas meninas, é um processo interno e quase terapêutico pra elas porque é quando elas vão conseguir falar sobre determinadas coisas. Essas irmãs são duas, mas também uma, como que se uma se completasse na outra…”, contou Martins à nossa reportagem sobre parte do processo criativo que envolveu a ‘composição’ da ideia.


FICHA TÉCNICA
Dramaturgia: Rafaela Martins
Orientação de Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça
Elenco: Carol Alves e Rafaela Martins
Direção: Mayara Dionisio
Figurinos: Morena Panciarelli
Música: Murilo Pajolla
Som: João Gabriel Alves
Iluminação: Gustavo Garcia
Fotos: Allan Ferreira
Ingressos: R$ 10,00 – inteira/R$ 5,00 – meia
(Os ingressos estarão disponíveis na Usina Cultural com uma hora de antecedência nos dias das apresentações)

Vila Triolé recebe peça teatral O fio que Faltava

A Vila Triolé Cultural (Rua Etienne Lenoir, 155, Vila Industrial – Região Oeste) recebe neste sábado (9) a segunda apresentação do grupo L.A.R., de Cascavel, com a peça teatral “O fio que faltava”. Com início às 20 horas, a apresentação é indicada para maiores de 16 anos. A peça é construída a partir de jogos e improvisações, que utilizam um fio de barbante como suporte para a criação, e o tornam agente principal da cena.

A Vila Cultural conta com patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Os ingressos são limitados e já estão à venda pela internet, no valor de R$24,00. O link para adquirir é www.sympla.com.br/triolecultural.

Na apresentação, a proposta cênica dispensa o uso do texto e traz a intenção primeira do teatro: a relação entre seres que se reconhecem, e que, por meio da manipulação do fio, se consolida. Portanto, a criação da dramaturgia do espetáculo está baseada nas ações dos atores e na composição sonora. Neste percurso artístico, constata-se a construção de uma peça que ultrapassa os limites culturais de idioma e idade.

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Na apresentação, a proposta cênica dispensa o uso do texto e traz a intenção primeira do teatro: a relação entre seres que se reconhecem, e que, por meio da manipulação do fio, se consolida. – Foto: Divulgação

Sobre o grupo – No gesto simples de juntar as iniciais dos nomes dos integrantes, e decorrente dos encontros cotidianos de ensaios em casa, nasce o nome do grupo L.A.R. Lysiane, Anderson e Raphael desenvolvem esta prática com base em exercícios e treinamentos específicos desde 2011, utilizando seus lares como espaço de trabalho artístico.

As nossas casas, transformadas em lares significam o ser interior, seus cômodos simbolizam os diversos estados da alma. A casa é também um símbolo feminino, com o sentido de refúgio, de mãe e de proteção (Com informações da Assessoria de Imprensa).

Espetáculo OVO inicia temporada no Sesc em Londrina

Uma notícia trágica acaba por unir dois irmãos que permaneceram por três anos separados, assim, originam-se uma serie de conflitos, e resgate de memórias que desencadeiam a trama. É com esse mote que se inicia a história da peça de teatro ‘Ovo’ encenada pela Agon Companhia de Teatro, de Londrina. O espetáculo inicia neste sábado (02) uma temporada no Sesc Cadeião Cultural. É a segunda temporada da peça após uma celebrada estreia ocorrida no ano de 2015.

Renato Forin.Jr. e Danieli Pereira dão vida aos irmãos da trama 'OVO' - Foto: Marika Sawaguti.
Renato Forin.Jr. e Danieli Pereira dão vida aos irmãos da trama ‘OVO’ – Foto: Marika Sawaguti.

Reflexões sobre a vida e suas transitoriedades permeiam a história de ‘Ovo’, que ocorre toda em uma área rural, ainda arcaica que, em nenhum momento é nomeada ou apresentada com uma localização especifica; Dentro de três caixas, dois atores guardam as dores e os afetos silenciados de uma família. Progressivamente, os intérpretes dão vida a Édipo e Electra, personagens trágicos da mitologia grega que, na trama autoral, são apresentados como irmãos em conflito.

A peça capta o instante em que Electra chega na cidade para dar a notícia da morte da mãe. A encenação mostra desdobramentos imaginários desse reencontro tão marcante para a vida de ambos. Lembranças e pressentimentos se confundem, trazendo reflexões universais sobre temas como a sombra da morte e o desaparecimento das pessoas amadas no percurso da vida. “O espetáculo é muito influenciado, principalmente, pelo falecimento da minha avó (Minha primeira experiência de morte, na vida) de uma pessoa próxima, e isso me trouxe reflexões sobre a ‘passagem’ das pessoas, a sobrevivência das coisas… Como diz o Caio. F Abreu (a morte) é uma experiência que nos leva definitivamente para uma fase adulta. De um lado mais técnico tenho referências da tragédia grega (Dos mitos de Édipo e Electra) que não tem relação originalmente, mas, que no meu texto são colocados como irmãos. Nas minhas leituras, eu sempre identificava (Nas figuras paternais dois) semelhanças…  Os pais de ambos (Laio e Agamemnon, na mitologia grega) se parecem também. Os dois tem relações parecidas com seus pais…  A ideia foi juntar os dois como se essas figura paternais fossem os mesmos para os dois personagens trágicos. Ao mesmo tempo desloco esses personagens pra um cenário que é Brasileiro e rural…” contou o ator Renato Forin. Jr, que também assina a dramaturgia. Segundo ele, leituras da psicanálise (Como Freud) também foram referência para a obra.

O ator e dramaturgo está em cena ao lado da atriz Danieli Pereira. O grupo teve orientação cênica do diretor Marcio Abreu, da Companhia Brasileira de Teatro. Na montagem, o grupo traz à tona elementos da tragédia clássica dentro de uma estrutura formal contemporânea.”O texto em si é difícil, existem momentos dos personagens, momento que não é o personagem, momentos de narração, momentos onde eu Danieli converso com o público… É difícil encontrar esses limites. Como atriz foi bem interessante contracenar com uma pessoa que conhece tão bem tudo o que acontece ali, inclusive, me ajudando a me guiar em momentos onde eu não me achava… A presença do Renato (Que dirigiu e escreveu) nessas funções foi muito interessante nesse sentido, além das adaptações que acontecem até hoje” (Risos), contou a atriz ao RubroSom. “Não me interessa um processo em que a gente conhece muito começo, meio e fim…Acho que no teatro é terrível, pode resultar em obras não muito interessantes. Me interessa mais ter um ponto de partida, sem saber onde vai chegar, e isso ocorreu muito nessa peça. São muitas influências, não só de nossas pesquisas, mas de outras pessoas”, conta o diretor que cita o encenador dinamarquês Eugênio Barba como uma figura importante no processo.

Em muitos momentos, os atores despem-se dos personagens, lançando ao público estilhaços de pensamento sobre o ofício teatral e as relações entre arte e vida. “A minha angústia é que a vida não se repete. Ela está sempre indo, indo, indo. Cada segundo é um nunca mais, você entende? Aqui no teatro é diferente”, diz, em certo momento, Danieli Pereira, que vive Electra. “A peça trás muito dessas relações que ficam no ar… Que relação você tem dessa filha com esse pai, com essa mãe, há questões que ficam no ar, e que não são esclarecidas, mas que são típicas do teatro contemporâneo. O espetáculo se passa muito mais na cabeça do espectador do que propriamente na cena”, enfatiza Forin.Jr.

Tragédia grega e até autores da psicanálise influenciaram a peça que fala sobre perda e a passagem do tempo - Foto: Marika Sawaguti
Tragédia grega e até autores da psicanálise influenciaram a peça que fala sobre perda e a passagem do tempo – Foto: Marika Sawaguti

Uma curiosidade da montagem é o espaço cênico. O público é disposto bem próximo dos atores, em torno de uma arena circular, onde acontecem transformações cenográficas e revelações de pequenas surpresas.  Construído ao longo de dois anos, “OVO” contou, na última etapa, com um auxílio ilustre – a orientação cênica de Marcio Abreu, premiado diretor da Cia Brasileira de Teatro (Curitiba/Rio de Janeiro). “Marcio nos despertou para questões importantes e essenciais em ‘OVO’, como a criação de um convívio e de uma presença em constante fluxo relacional com a plateia, a escuta do próprio texto e o exercício de esquecimento, para que a cada apresentação a peça adquirisse um frescor”, destaca Forin. No ano passado, a montagem contou com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic. Além da temporada na cidade, o espetáculo também participou da programação do Filo (Festival Internacional de Londrina), do Londrix (Festival Literário de Londrina) e circulou por Maringá e Arapongas.

O grupo – Criado em Londrina há quatro anos como um grupo de pesquisa, o Agon Teatro investiga a encenação e a dramaturgia contemporânea. Sediado na Vila Usina Cultural, mantém uma rotina de escrita, ensaios e treinamentos baseados em linhas de força da tradição e em suas possíveis reconfigurações no atual contexto das artes. A partir dessa proposta, seus fundadores, Renato Forin Jr. (doutorando em letras com ênfase em dramaturgia na UEL, ator e jornalista) e Danieli Pereira (bacharel em artes cênicas pela UEL, atriz e produtora cultural), desenvolvem trabalhos autorais, chamando a colaboração de artistas convidados. “OVO” é o espetáculo de estreia do grupo.


SERVIÇO

Espetáculo Ovo – da Agon Cia de Teatro

A peça estará em cartaz no Sesc Cadeião Cultural (R. Sergipe, 52) neste sábado, às 20 horas, e no domingo, às 19 horas, dentro do projeto “Londrina em Cena 2016”, com ingressos a R$ 10, R$ 5 (meia) e R$ 2 (comerciários). O projeto do Sesc conta ainda com um bate-papo com o Agon Teatro no domingo, 3 de julho, às 15 horas, com entrada gratuita. A temporada 2016 de “OVO” continua nos dias 23 e 24 de julho, às 20 horas, no Circo Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380), com ingressos a R$ 20 e R$ 10 (meia ou antecipado).