Termina a ocupação da UEL FM – Programação retorna na próxima semana

Os estudantes do Departamento de Comunicação da UEL deixaram o prédio da rádio no começo da tarde desta sexta-feira, diminuindo de 11 para 9, o número de ocupações na universidade. Ao mesmo tempo também foi desocupado o prédio da reitoria que havia sido ocupado também durante a semana passada. Nesta sexta uma nota foi publicada na página Ocupa rádio UEL através das redes sociais; “A greve estudantil continua! Decidimos, na terça-feira em assembleia dos estudantes de comunicação, pela desocupação da rádio e vemos essa como uma estratégia importante nesse momento para fortalecermos a comissão de comunicação da greve estudantil. A partir de agora ajudaremos a responder a altura as acusações falsas, ameaças e intimidações que o movimento estudantil vem sofrendo injustamente. Além disso buscaremos difundir as várias conquistas que já foram resultado da greve e das ocupações, assim como as pautas do movimento grevista…” (Leia a nota na íntegra AQUI)

A desocupação da rádio, foi decidida em assembleia realizada pela manhã, mas só foi concretizada à tarde, depois de uma reunião com o diretor da emissora, professor Osmani Costa - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
A desocupação da rádio, foi decidida em assembleia realizada pela manhã, mas só foi concretizada à tarde, depois de uma reunião com o diretor da emissora, professor Osmani Costa – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom (ARQUIVO)

Todas as ocupações são de cursos do Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). As demais estão mantidas. A reitoria da UEL ameaçava entrar com um pedido de reintegração de posse, caso reitoria e rádio não fossem desocupadas.

A desocupação da rádio, foi decidida em assembleia realizada pela manhã, mas só foi concretizada à tarde, depois de uma reunião com o diretor da emissora, professor Osmani Costa. Em entrevista coletiva, Costa afirmou que foi feita uma vistoria e que a rádio foi deixada pelos estudantes do mesmo jeito que estava no dia 1º de novembro, véspera da ocupação. A saída dos estudantes, no entanto, não significa o retorno às aulas. Em assembleia realizada ontem à noite, com a participação de mais de 1.600 estudantes, foi decidida a continuação da greve iniciada no mês passado – Mais informações sobre política e a greve acompanhe o blog Baixo Clero.

Ocupação da Rádio UEL – Estudantes publicam nota sobre situação

Desde o último dia 2 de Novembro, estudantes de Comunicação (Jornalismo e Relações Públicas) da Universidade Estadual de Londrina, ocuparam o prédio da Rádio UEL, situado no Centro de Educação, Comunicação e Artes (CECA). Segundo comunicado, inspirados pelas ocupações realizadas na própria UEL e por todo o Brasil, os estudantes pontuam que: “Acreditamos que esta seja a única forma possível de resistência contra as constantes afrontas à educação, tanto por parte do governo estadual quanto do federal. Somos contrários à PEC 241 (ou 55 agora no Senado Federal), que levarão ao sucateamento dos serviços públicos como Saúde e Educação por meio de um teto de gastos pelos próximos anos”, afirma a postagem.

Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Nesta sexta-feira (04), pela manhã, o grupo divulgou uma nova nota, de modo a prestar alguns esclarecimentos sobre a atual situação da ocupação.”Primeiramente, a decisão de ocupar a rádio em vez do Departamento de Comunicação foi política. Foi feita em assembleia realizada na terça-feira (1), em que todos os estudantes eram bem-vindos (e ativamente requisitados) e poderiam apresentar seus pontos de vista contrários. A decisão foi unânime… Por que a rádio UEL?  O CECA já estava ocupado por estudantes de quatro cursos no dia da nossa ocupação (Música, Pedagogia, Artes Cênicas e Artes Visuais). Desde a primeira ocupação, que já se estende por 11 dias, mal se afetou a comunidade interna, quem dirá a externa…” afirma a postagem feita através da página da ocupação. A nota ainda cita que, diferentemente do que alguns setores afirmaram, “Nunca quisemos atravessar negociações entre docentes, a diretoria da rádio e a reitoria. O Diretório Central dos Estudantes, órgão que nos representa, não assinou nenhum acordo. Antes da ocupação não havia nada concreto sobre as mudanças na programação da rádio no que compete a greve de docentes e demais servidores, inclusive porque a reitora ainda iria colocar suas ponderações”. Confira a nota na íntegra AQUI


Em Londrina, jornalistas responsáveis pelo Jornalismo Periférico, fizeram também um vídeo, no qual, alguns dos estudantes presentes na ocupação informam sobre as motivações do ato – Como forma de protesto à PEC 55, antiga PEC 241. Assista:

De modo semelhante, um segundo vídeo foi publicado ontem, no qual o atual diretor da emissora Osmani Costa, informa sobre compromissos e responsabilidades envolvendo a rádio e motivações para questões como o corte do sinal de transmissão da rádio, feito logo após a ocupação no dia 2. O diretor informa, inclusive, que a partir desta sexta entraria estaria à disposição de um canal de comunicação com alunos, para, discutir algumas das pautas trazidas á tona. Confira o vídeo:

Nesta sexta-feira (04) Servidores da UEL se reuniram em assembleia, no anfietatro do HU. Pela manhã, na assembleia realizada no anfiteatro Pinicão, no campus, a maioria dos servidores se posicionou pela suspensão da greve iniciada no dia 17 de outubro. A posição final é a soma das duas decisões. Professores da UEL estão começando a assembleia agora, em primeira convocação – a segunda teve início por volta das 14h30. Durante a tarde de ontem, o Rubrosom esteve pelo Centro acompanhando algumas das movimentações de estudantes, assim como, a programação cultural ocorrida em centros como na Ocupa Cênicas – CAAC e no Departamento de música – Conferimos inclusive a pré-estreia de uma Peça de Teatro que será encenada hoje na Divisão de Artes Cênicas. Estudantes criaram um canal via web para transmissões alternativas durante a ocupação da rádio.

Dj Marco (Criolo): Lutar para manter escola é para isso, para melhorias

Concluindo a primeira semana de ocupações em Escolas Estaduais, realizadas em todo o Paraná, que protestam contra mudanças no ensino público – Os movimentos iniciaram por volta do último dia 10 de outubro, e até esta terça (18) atingiram a marca de 31 Colégios ocupados só em Londrina – O Colégio Estadual Professora Maria José Balzanelo Aguilera, (Região Sul), foi palco na última sexta (14) de um momento dedicado ao hip hop à cultura do rap, com a presença do Dj Diq e do Dj Marco (Marco Antônio de Souza), mais conhecido pela colaboração com o artista Criolo.

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Alunos acompanham o som do Dj Marco durante discotecagem no colégio ‘Aguilera’ na última sexta (14) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Aproveitando a passagem por Londrina no dia, quando também tocou em um evento no Bar Valentino, Marco foi até o Aguilera onde, além de discotecar, conversou um pouco com alunos da ocupação, além de também promover uma disputa de rimas entre ‘entusiastas’ do rap presentes por lá. “Estive em Maringá na última semana, e como eu viria aqui pra Londrina, tinha um dia vago antes de tocar aqui na cidade, aproveitando essa ‘lacuna’ comentei com o pessoal da cidade que ‘Se tiver algum espaço para fazer som aí, vamos fazer’, como uma rádio comunitária, uma rádio web, qualquer coisa… Montamos o equipamento e conversamos com o pessoal, foi bem legal, o pessoal rimou também, a experiência foi bem legal. E aqui em Londrina teve este contato também… Eu já conhecia o Ed Groove (Aqui da cidade) lá de Maringá, que foi quem me falou das festas e eventos ligados ao rap aqui.”, contou o artista. O som foi todo montado por volta das 18h30 e às 19h, DJ Diq já iniciou o som ao vivo no local.

Dj Diq também participou dos trabalhos na última sexta (14) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Dj Diq também participou dos trabalhos na última sexta (14) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Nossa reportagem acompanhou um pouco da movimentação no Colégio na última sexta. Chama a atenção a organização e a limpeza do espaço. Com uma lógica quase setorizada, havia quartos divididos para meninos e meninas, espaços dedicados á produtos de limpeza e também uma cozinha onde eram guardados os mantimentos. Rotinas também foram divididas, enquanto grupos cuidavam da portaria e da ‘ronda’, outros grupos auxiliavam na separação de alimentos, assim como, na organização do espaço.

Sobre a situação das ocupações, Marco (Que mora em SP) teve uma experiência bastante rica no ano passado, as ocupações em escolas de SP, na ocasião, motivadas por protestos dos estudantes à questões como o fechamento de escolas e o ‘desmonte da educação’. “Fizemos um show em uma escola na Região Leste (Com o Criolo), junto com vários outros artistas, e de lá pra cá, eu pessoalmente, não havia comparecido em mais nenhuma ocupação. Na minha época, faltava escolas, mas elas funcionavam ta ligado? Havia greve e essas coisas, porém o negócio voltava, o que vejo hoje é que professores se manifestam e apanham da polícia sabe? A gente tá completamente andando pra trás, com tanta informação, com tanta facilidade, não é aceitável que isso aconteça. Se eu fosse adolescente agora, com certeza, eu estaria ocupando a escola… Na minha época, já pensava assim, não é todo mundo que pensa assim, mas, os alunos que pensam tem q ter essa iniciativa. O que eu posso fazer de repente, é fazer uma atividade como hoje, ai depois os alunos acabam comentando entre si, e assim, vão chamando outras pessoas, mais gente acaba vindo somar…”, contou o produtor em entrevista ao Rubrosom.

Acho que lutar para manter escola é pra isso, para melhorias. Já fui humilhado nas ruas, mas, nem por isso irei abandonar a causa... Temos que trabalhar para que as próximas gerações não passem por isso - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
‘Acho que lutar para manter escola é pra isso, para melhorias. Já fui humilhado nas ruas, mas, nem por isso irei abandonar a causa… Temos que trabalhar para que as próximas gerações não passem por isso’ afirmou Dj Marco – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Inicialmente, os alunos pareciam um pouco receosos e tímidos com o som, mas aos poucos, foram se rendendo aos raps, dubs – E até canções mais pops – tocados tanto por Diq como também pelo Dj Marco. Um microfone improvisado foi montado no local como um convite para que aspirantes da rima, mostrassem também sua arte. As pickups também foram ‘abertas’ ao público, com possibilidade dos próprios alunos aprenderem usar o equipamento e aprender um pouco sobre a arte das pickups. “Você investir no exército, investir na polícia e não pagar um professor, não tem cabimento numa situação dessas… precisamos de segurança, mas tem coisa que está a mais. A gente precisa educar todas as gerações, a gente talvez não consiga superar as maiores dificuldades da nossa geração, mas, podemos trabalhar para que pessoas que venham depois, não tenham esses mesmos problemas… Por exemplo, eu vivi uma situação em SP, muitos anos, de tomar enquadro da polícia, porém, muita coisa mudou… a abordagem com a juventude negra mudou, há um diálogo maior. Já cheguei a tomar enquadro de policial que apontou a arma na direção da minha filha pequena, não todos os policiais, mas tem que saber quem você coloca pra trabalhar como policial… Muita gente que vem de uma geração 20 anos mais nova do que eu não passou por isso. Acho que lutar para manter escola é pra isso, para melhorias. Já fui humilhado nas ruas, mas, nem por isso irei abandonar a causa…”, contou Dj Marco durante a entrevista.

Quarta Féra – Batalha de rimas movimenta ocupação da ULES

Teve muito rap, intervenções artísticas e também cultura hip-hop durante a terceira edição da ‘Quarta Féra’ realizada na noite do último dia de agosto (31) na ocupação da antiga ULES, no centro de Londrina. Rappers, curiosos e também entusiastas das rimas se reuniram por volta das 19h30 para acompanhar uma programação toda voltada ao estilo.

Cinco artistas participaram da disputa em 'rounds' do tipo melhor de 3 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Cinco artistas participaram da disputa em ‘rounds’ do tipo melhor de 3 – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Dezenas de pessoas acompanharam a exibição do filme biográfico ‘Straight Outta Compton: A História do N.W.A” (Que conta a história do grupo de música gangsta rap N.W.A. entre 1987 e 1995). Após apresentações artísticas de malabares e mímica – Com artistas de coletivos ligados à própria ocupação – o local foi transformado em uma arena onde rappers puderam competir em uma batalha de rimas. Ao invés de críticas e provocações (Como costuma ser feito em disputas do tipo ‘batalha de sangue’) a ideia era que os cantores rimassem sobre coisas do ambiente e objetos encontrados no espaço junto à arena. Segundo o critério estabelecido, o cantor que ‘produzisse mais rimas’ ligadas ao espaço seria o vencedor.

A disputa durou até perto das 22h10 no espaço da ocupação do antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
A disputa durou até perto das 22h10 no espaço da ocupação do antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Durante as disputas, o fundo sonoro e as bases instrumentais eram feitas pelo Dj Diq. Teve ‘Fora Temer’, faxina no congresso, comentários sobre a situação política da cidade, além de eventuais críticas sociais (típicas do gênero) rimas rápidas e muita sagacidade aliada a uma certa poética urbana.

Antes das disputas artistas do M.A.R.L realizaram apresentações com malabares e mímicas - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Antes das disputas artistas do M.A.R.L realizaram apresentações com malabares e mímicas – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Ao todo cinto artistas participaram da disputa. A maioria, atendia por pseudônimos como: ‘Caminhão’, ‘Esc’ e ‘Negrim’ (O grande artista vencedor da noite). A batalha durou até pouco depois das 22h10. “Começamos há alguns anos e hoje é uma parada mais séria, participamos de competições, viajamos pelo Brasil, hoje apenas organizo eventos como a batalha na concha”, contou o produtor cultural “Washington Luis dos Santos” o ‘W” que responde pela organização do evento. Ele conta que já desde 2007 organiza eventos do tipo pela cidade. “Todo o dia tem batalha em Londrina, toda segunda temos a batalha do lado (Região Norte de Londrina), terça-feira na Zona Oeste (Atrás do Shopping Com-Tour), quartas-feiras (Região Sul) e acabou mudando para a ocupação… Toda quinta no Antares (Região Leste) e sexta-feira temos a tradicional da concha. Esses eventos centrais permitem ‘colar’ gente de todas as tribos, punks, gente do rock, é tudo muito legal… A gente respeita todos, o hip-hop amadureceu muito com isso”, contou ‘W’ à reportagem do Rubrosom.

Ocupação ULES – Marl inicia financiamento coletivo

O Movimento dos Artistas de Rua de Londrina lançou na última segunda-feira uma campanha de financiamento coletivo (Crowfunding) como forma de arrecadar recursos para a reforma do prédio da antiga Ules (União Londrinense dos Estudantes Secundaristas – Avenida Duque de Caxias) com o objetivo de transformá-lo em um espaço cultural. O prédio foi ocupado, de forma pacífica por um grupo de diversos artistas e membros de coletivos no mês de junho deste ano e, desde então, tem sido o local de eventos culturais, debates e também cedendo espaços para apresentações de peças de teatro e eventos como o Encontro de Contadores de História (ECOH).

Segundo nota divulgada pelo M.A.R.L, o objetivo é arrecadar R$ 20 mil que serão utilizados para reforma estrutural do prédio. “Agradecemos as e aos inúmeros artistas londrinenses que somaram conosco nessa campanha e convidamos todas e todos para mais essa empreitada”, diz a nota. A campanha foi lançada pela plataforma Benfeitoria e visa arrecadar a quantia especificada até o dia 25 de setembro. Um vídeo teaser, de divulgação da campanha, também foi divulgado.

A Ocupação

A ocupação ocorreu no dia 26 de junho após a realização de um cortejo, iniciado às 9h30 próximo à Concha Acústica de Londrina. “Esse planejamento da ocupação acontece já há alguns anos. Desde 2012, quando iniciamos o M.A.R.L, essa era uma das demandas; A ocupação desses espaços públicos, em desuso, para que pudéssemos revitalizá-los e realizar atividades. Em 2014 teve o encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua (Em Londrina) onde compareceram vários artistas, de todo o Brasil, que divulgaram experiências anteriores de ocupação.

Faixas e bandeiras de vários coletivos integrantes da ocupação foram colocados na frente do prédio situado na Avenida Duque de Caxias - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Faixas e bandeiras de vários coletivos integrantes da ocupação foram colocados na frente do prédio situado na Avenida Duque de Caxias – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Houve um contato com a Secretaria de Cultura, onde fizemos uma carta informando sobre a necessidade desse movimento… Desde então estamos nos organizando para que isso acontecesse”, contou na época da ocupação o ator Rogério Francisco Costa, integrante do Núcleo Às de Paus, e um dos articuladores do movimento. O local estava há cerca de dez anos sem nenhum tipo de atividade. Segundo divulgado, a ideia é ocupar o local permanentemente com diversas atividades, utilizando-o também para montar uma biblioteca, um espaço de memorando além de usar o espaço em si para realizar oficinas para a população além de outros eventos. A ideia é também tornar o espaço o centro do projeto “A Maré” (Festival de Arte e Movimento) previsto para o segundo semestre deste ano, e que, levará atividades culturais a diversos bairros da periferia.

Na época da ocupação, o RubroSom entrou em contato com o Secretário de Defesa Social, Coronel Rubens Guimarães de Souza. A pasta atualmente é a responsável pelo local. Foi relatado que havia um projeto para reforma do local, assim como, transformação do mesmo em uma central de monitoramento da Guarda Municipal; “Não há ainda uma previsão para construção da central de monitoramento no local. Estamos finalizando ainda um projeto ao Prefeito… Temos também uma urgência nisso devido a uma reforma que acontecerá em breve na Caapsmel (Onde fica atualmente o monitoramento). Após essa ocupação, registramos já um boletim de ocorrência, sobre a ocupação de prédio público, e o mesmo posteriormente será encaminhado para a procuradoria jurídica do município. A ideia é entrar com um pedido de reintegração de posse do prédio”, explicou Guimarães. “A obra seria feita logo que houvessem recursos disponíveis, assim como o projeto pronto para realização… Isso não foi publicado, desde então, porque não houve necessidade. Trata-se de um ato interno da administração pública. Quando o local foi disponibilizado, a Guarda Municipal foi a única ‘Secretaria’ que manifestou interesse pelo local”, enfatizou o Secretário de Gestão Pública de Londrina, Rogério Carlos Dias.

Ocupação “Diálogo só foi possível devido à ação direta”

Na mesma semana em que a ocupação do antigo prédio da ULES (Avenida Duque de Caxias, 3241) completa 9 dias de duração, prosseguem diálogos entre o município e o Movimento dos Artistas de Rua de Londrina que articularam o movimento junto a outros coletivos. Entre as pautas, o coletivo de artistas visava realizar atividades culturais no local, e através da ação direta, exigir discussões sobre a utilização de espaços públicos dedicados à movimentos culturais na cidade. O prédio encontra-se inativo há quase 10 anos.

Diversas faixas e mensagens foram colocadas na frente do local da ocupação - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Diversas faixas e mensagens foram colocadas na frente do local da ocupação – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Na noite da última segunda-feira (04) o Prefeito Alexandre Kireeff pela segunda vez compareceu ao local. Após a visita ao local, através do facebook, Kireeff divulgou uma nota sobre o encontro. “Um grupo formado por representantes do MARL e da própria prefeitura irá trabalhar para viabilizar no menor espaço de tempo que a antiga sede da ULES se torne um novo espaço cultural. Esse episódio tem alguns aspectos bastante interessantes a serem considerados. O que mais chama a minha atenção é o fato que o movimento dos artistas , ao invés de bater à porta da prefeitura reivindicando que a prefeitura cedesse, reformasse, aparelhasse e bancasse um novo espaço cultural para que eles pudessem simplesmente utilizar, apresentou uma proposta de revitalização, reforma e utilização do local através de seus próprios esforços , buscando recursos através de plataformas colaborativas e outras formas de apoio e viabilização do projeto”. A nota também afirmava o interesse em prosseguir com as negociações, respeitando sempre questões previstas na legislação.

O RubroSom esteve no local da ocupação durante a última terça-feira (05) e o que se viu foi uma organização já bastante estruturada no local, com barracas, uma cozinha improvisada e até uma mini biblioteca montada no local. A fachada do local, estava já bastante colorida após diversas intervenções e ilustrações feitas por vários artistas no espaço. Uma extensa agenda cultural já estava definida para os próximos dias da semana.

Detalhe do muro externo do local onde diversas ilustrações cobriram parte da pintura - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Detalhe do muro externo do local onde diversas ilustrações cobriram parte da pintura – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O M.A.R.L também publicou uma nota sobre o caso em sua página do facebook. “…Embora tenha se recusado a assinar um termo de compromisso que elaboramos, disse que irá fazer todos os esforços ao seu alcance para viabilizar que o projeto do Movimento dos Artistas de Rua de Londrina se torne real mediante a cessão do imóvel. Filmamos tudo, fotografamos tudo”, afirmava o comunicado.

A ocupação

A ocupação ocorreu após a realização de um cortejo, iniciado às 9h30 próximo à Concha Acústica de Londrina. “Esse planejamento da ocupação acontece já há alguns anos. Desde 2012, quando iniciamos o M.A.R.L, essa era uma das demandas; A ocupação desses espaços públicos, em desuso, para que pudéssemos revitalizá-los e realizar atividades. Em 2014 teve o encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua (Em Londrina) onde compareceram vários artistas, de todo o Brasil, que divulgaram experiências anteriores de ocupação. Houve um contato com a Secretaria de Cultura, onde fizemos uma carta informando sobre a necessidade desse movimento… Desde então estamos nos organizando para que isso acontecesse”, contou à reportagem do RubroSom o ator Rogério Francisco Costa, integrante do Núcleo Às de Paus, e um dos articuladores do movimento.

Após mais de uma semana de ocupação, representantes do movimento afirmam que o progresso foi sim positivo, mesmo sem a ratificação de nenhum tipo de documento. Desde o dia da ocupação houve sim abertura para o diálogo, só o fato do prefeito ter vindo aqui no local, no dia da ocupação, já foi um começo de diálogo, ai, ontem tivemos uma primeira resposta, ainda verbal, mas teremos ainda uma negociação ao longo dessa semana para ter alguma posição sobre o local. Um engenheiro fez uma primeira avaliação do local, e garantiu que o prédio não tem nenhum problema estrutural sério, logo… Acreditamos também que esse tipo de diálogo também, só foi possível, devido ao tipo de ação direta que fizemos. Se fossemos pelas vias usuais e ‘burocráticas’ concerteza demoraria muito mais, desde 2012 tentamos através de outros meios e as pautas em questão nunca havia sido ouvido. Vejo que demos um exemplo também, mostrando que o trabalho coletivo, colaborativo já fez uma mudança significativa no espaço, mesmo sem contar com nenhum vínculo”, afirma Pedro José articulador do Movimento dos Artistas de Rua.

Programação com oficinas teatrais e outras atividades foi divulgada já no início dessa semana - Imagem: Divulgação.
Programação com oficinas teatrais e outras atividades foi divulgada já no início dessa semana – Imagem: Divulgação.

No dia da ocupação representantes da Secretaria de Gestão Pública estiveram no local, e informaram sobre a existência de um projeto prévio, da Guarda Municipal de Londrina, para transformar o local em uma central de monitoramento. A informação foi confirmada ao RubroSom pelo Secretário de Gestão Pública de Londrina, Rogério Carlos Dias. “Em 2014 a Guarda Municipal solicitou o local para construção de um novo espaço sim, seria construído ali uma central de monitoramento. A obra seria feita logo que houvessem recursos disponíveis, assim como o projeto pronto para realização… Isso não foi publicado, desde então, porque não houve necessidade. Trata-se de um ato interno da administração pública. Quando o local foi disponibilizado, a Guarda Municipal foi a única ‘Secretaria’ que manifestou interesse pelo local”, enfatizou o Secretário.

Arte da Transgressão – Entrevista com artista Cripta Djan

“Eu vejo o ‘picho’ como um direito a cidade né? Um direito que foi negado a todos de uma forma geral, porque a população em geral não tem participação na construção da cidade, a cidade é imposta, então acho que a pichação é a melhor resposta que existe contra essa segregação espacial”, comenta o artista e ativista paulista Djan Ivson (ou Cripta Djan para os mais íntimos).

"O reconhecimento existencial do ‘pixo’ no campo da arte, é importante. Até porque o ‘pixo’ é um movimento muito mal compreendido e, se a gente não levar essa discussão para o campo da arte é mais difícil", comenta Cripta Djan - Foto: Bruno Leonel / RubroSom
“O reconhecimento existencial do ‘pixo’ no campo da arte, é importante. Até porque o ‘pixo’ é um movimento muito mal compreendido e, se a gente não levar essa discussão para o campo da arte é mais difícil”, comenta Cripta Djan – Foto: Bruno Leonel / RubroSom

Com cerca de 20 anos de envolvimento com a arte de rua e, mais especificamente, a pichação, Djan se tornou uma referência no meio, não só pelo trabalho urbano, mas também por ter sido um dos expoentes em levar a arte de rua à veículos da grande mídia e até para circuitos como o cinema – Djan participou do documentário ‘Pixo’ de João Wainer, e mais recentemente do filme ‘Pixadores’ do Iraniano Amir Escandari. Seu trabalho inclusive levou o tema para meios que usualmente não são ligados à arte das ruas, como na 29ª bienal de SP, quando o artista foi convidado a participar após ter realizado uma ‘intervenção’ (Responsável por algumas controversas) em um espaço do evento na Bienal anterior. Djan participou também de um processo curatorial de arte de rua na cidade de Berlim (Que é citado no filme de Escandari). Na ocasião, um problema com as políticas de patrimônio do país quase criou problemas para o artista e seus companheiros (Veja na entrevista).

O artista durante o processo de criação em Ago/2015 - Foto: Fabio Vieira (Do Flickr do Artista)
O artista durante o processo de criação em Ago/2015 – Foto: Fabio Vieira (Do Flickr do Artista)

Durante sua passagem por Londrina, como convidado da Semana de Arte (Quando também ocorreu exibição do filme ‘Pichadores’) Djan conversou com artistas e interessados durante evento na Usina Cultural. Cripta falou sobre um pouco de seu trabalho além de algumas questões sobre a importância da arte em espaços públicos e sobre a produção do filme.

Nota – A entrevista foi registrada durante um momento ‘coletivo’ da conversa, e as perguntas foram feitas por várias pessoas presentes. Confira:

Como surgiu o conceito do filme ‘Pixadores’ ?
O filme foi produzido por uma produtora da Finlândia, a ideia deles no começo não era fazer um filme sobre pichação. O diretor do filme (que é iraniano) veio aqui para o Brasil atrás de surfistas de trem né? Como alguns dos artistas participantes surfam em trens também, ele acabou chegando até a gente e falando que tinha interesse em registrar pessoas ‘surfando’ e essas coisas. Aí, ele acabou conhecendo a gente, ficando bastante tempo com o nosso grupo e tendo uma ideia do contexto em que a gente vivia. Ele gostou muito da coisa toda e sugeriu que a gente fizesse um filme sobre as nossas vidas. Foi um desafio para nós, tanto pra eles, o pessoal nunca havia feito um documentário, apenas filmes fictícios.

Muito tempo de produção foi feita para o resultado final?
As primeiras imagens foram feitas em 2010, houve outra bateria de imagens em 2012 e foi tudo finalizado em 2013. O filme também teve uma resistência aqui no Brasil, o lançamento foi em 2014, mas nenhum festival de cinema aceitou passar o filme por aqui (Acho que até devido á Copa do Mundo), isso mostra o retrato de um Brasil que nossas autoridades não querem mostrar, esse filme mostra muito a realidade das periferias de São Paulo, o pessoal prefere mostrar mais o lado das praias bonitas, como no Rio de Janeiro. O filme foca mais na periferia, no momento em que estamos pichando, e essas coisas…

Para você Cripta, há muita diferença entre o trabalho da pichação feito no Brasil e fora?
Na realidade, a pichação é uma manifestação brasileira, o que vem de fora do Brasil é grafite…. Porém, a pichação andou influenciando o grafite lá fora também. Você vê algumas influências em estilos de grafite lá fora. Berlim mesmo (Que aparece no filme) já tem um movimento de pichadores alemães que é baseado em pichações aqui do Brasil, mas que criou a própria identidade estética deles. Tive a oportunidade de ir até lá, pichar com eles…. Acho que depois de São Paulo, só lá mesmo que tem uma cena consistente. O que a gente vê é bastante intervenção na rua, mas o grafite ainda é referência mundial, acho que o ‘pichoo’ ainda vai se difundir em outros países, até espero que isso aconteça. Você teve por exemplo a cena de grafite americano, que começou em Nova York por exemplo, e que influenciou estilos em todo o mundo. Acho que isso pode acontecer com o ‘pichoo’ por exemplo.

Vocês tiveram um problema durante a passagem pela Europa por supostamente terem se ‘Envolvido em atos de vandalismo’ (Como é relatado no filme), como foi essa história?
Depois que a gente voltou , o que aconteceu foi que o Departamento de Patrimônio Histórico de Berlim foi lá e restaurou uma igreja (Que havia sido marcada por pichadores) a obra toda ficou em torno de 18 mil Euros (!!), ai, eles apresentaram essa conta para a bienal de Berlim, e a conta foi passada para o Ministério da Cultura (MinC) – Que foi quem financiou nossa ida para lá. O Ministério entrou em contato com a gente e pediu nossa defesa, nós fizemos a mesma alegando que havíamos nos encaixado em um projeto curatorial – Segundo Cripta, havia sido uma proposta dos próprios curadores fazer uma demonstração ‘ao vivo’ do processo da pichação- Quando você faz uma demonstração prática, você está incluindo a transgressão nisso, e isso ficou claro nos ‘autos’ do processo, e nós acabamos ganhando, a conta voltou para o instituto que organiza a bienal. Se tivéssemos perdido teríamos que ter devolvido todo o dinheiro da viagem. Nós contamos com um advogado muito competente que ajudou a gente de graça. (Segundo o artista, imbróglio todo demorou cerca de 2 meses).

Como o filme mudou o trabalho ou a vida de vocês?
Pra nossa vida não mudou nada… Mas, foi interessante ter o registro daquele período da nossa vida ser registrado, o ‘picho’ é um movimento de memória. O registro se tornou uma coisa muito importante para eternizar esse momento, ficamos felizes de ter um período da nossa vida registrado em um filme tão bem produzido.
Teve algumas coisas interessantes, o diretor filmou muita coisa separada, com a vida de cada um e teve coisas da vida do pessoal que aparece que eu apenas havia visto no filme apesar de sermos amigos há anos. Os cinegrafistas viraram quase ‘fantasmas’ no meio da gente, pegaram vários detalhes da vida pessoal de cada um, de um jeito muito específico.

O processo todo foi muito rico também. O filme já passou em mais de 30 países – Na Finlândia teve uma aceitação muito boa, ele entrou em circuito de cinema lá também. E passou em vários festivais de cinema na Europa, inclusive, a gente ganhou um prêmio na Polônia, foi até uma boa resposta para o curador da Bienal (Que era Polonês) onde tivemos o problema, e nossa surpresa foi a de, após passar em todos esses países da europa, entramos com ele em uma mostra de cinema em SP, onde ganhamos o prêmio. Em Berlim conhecemos vários artistas legais durante a parte filmada lá. Eles levaram a gente pra pichar um pedaço do muro de Berlim, aconteceu uma interação, uma troca muito positiva. Teve muita coisa filmada durante a produção que eu gostaria de ver, cerca de 90 horas foram gravas, mas, muita coisa ficou de fora.

Vocês estiveram em uma intervenção ocorrida na 28ª bienal em SP, como foi isso?
Na bienal de SP, foi a mesma proposta do evento de Berlim. Nós nos encaixamos em um projeto curatorial, mas, não éramos convidados oficias. O curador daquele ano veio a público na época informando que haveria (Durante a bienal) um andar vazio aberto para intervenções urbanas. Então a gente pensou ‘Se ta aberto, estamos convidados para pixar’, e mesmo assim eles reprimiram a gente, prenderam uma menina que estava com a gente (Por 50 dias), mas, a gente conseguiu reverter a situação. Em breve haverá um documentário que contará sobre essas ocupações…. Desde a de 2008, que foi a invasão até 2010, que foi quando voltamos como convidados oficiais da mostra. A gente entrou neste circuito justamente para testar os limites dele sabe?

Detalhes da pichação realizada na Bienal de 2008 em SP - Foto: Site oficial de Cripta Djan
Detalhes da pichação realizada na Bienal de 2008 em SP – Foto: Site oficial de Cripta Djan

E essa coisa de levar a pichação para outros ambientes? É importante isso para a função?
O reconhecimento existencial do ‘pichoo’ no campo da arte, é importante. Até porque, pixação é um movimento muito mal compreendido e, se a gente não levar essa discussão para o campo da arte (Mas sem buscar a mesma como pedestal) é mais difícil, o que nós reivindicamos foi esse reconhecimento por parte do circuito, já que muitos envolvidos se dizem prezar ‘pela arte’, como eles podem negligenciar a existência do picho? A gente não buscou isso para ser aceito, mas para ser entendido…. Porque o setor das artes reconhece o ‘picho’ mundialmente né? A gente participou das bienais em SP, depois da ‘ocupação’ fomos até convidados a participar de outra. Tivemos um relativo reconhecimento na rua, mas a pichação continua marginalizado, continua sendo crime…

Estudantes e artistas conversam com Cripta (De preto) durante evento em Londrina - Foto: Bruno Leonel / RubroSom
Estudantes e artistas conversam com Cripta (De preto) durante evento em Londrina – Foto: Bruno Leonel / RubroSom

Como você vê a importância disso que os pichadores fazem, para a questão do espaço urbano?
Eu vejo o ‘picho’ como um direito a cidade né? Um direito que foi negado a todos de uma forma geral, porque a população em geral não tem participação na construção da cidade, a cidade é imposta, então acho que a pichação é a melhor resposta que existe contra essa segregação espacial…. Até costumo falar, para que serve um muro? É como se ele fosse criado para ser pichado mesmo, eu vejo o ‘picho’ como um uso público da cidade, como um uso que é negado para a gente. Ele funciona como uma retomada simbólica da cidade, porque, a cidade e o centro não é um espaço que foi construído para a gente. De certa forma a gente ocupa né? Quando a gente pega um prédio na Av. Paulista ele acaba se tornando nosso, dentro da nossa linguagem, é uma espécie de inversão de valores que a gente acaba promovendo no espaço público, acho saudável a pichação para a cidade.


Sobre o artista

Djan Ivson ou Cripta Djan, como é conhecido nas ruas e no mundo das artes, nasceu em 1984 em São Paulo, começou a pixar em 1996, aos 13 anos entrou para gang “Cripta”, da qual faz parte até hoje. Ainda garoto conquistou espaço na metrópole realizando o maior número de pichos em raio de abrangência e dificuldade de realização. Sua ação nas ruas o consagrou entre os pichadores. Foi um dos pioneiros em uma das modalidades mais arriscadas da pixação, a escalada, chegando a escalar arranhásseis com mais de 20 andares, sem nenhum aparato de segurança. Depois dessa legitimidade no movimento, passou a defender a causa dos jovens periféricos da metrópole, tornando-se líder e espelho para aqueles que desejam sair da invisibilidade social.

Informações e imagens: Flickr de Cripta Djan