Teatro – O Mapa do Meu Mundo é apresentado nesta quarta em Londrina

Dando sequência á boa safra de apresentações cênicas em Londrina – O feriado já teve a apresentação do projeto Faces, e na Funcart teve início a temporada de apresentações de formandos da Escola Municipal de Teatro – nesta quarta-feira (16) é a vez da Cia do Abração (Curitiba) apresentar o espetáculo ‘O Mapa do Meu Mundo’ em Londrina ás 14h30 e ás 15h30 no Sesi/Aml (Praça 1º de Maio) – a entrada é gratuita.

Grupo O Mapa do Meu Mundo nesta quarta em Londrina
Foto: Isabelle Neri

Na trama, vários aspectos da vida de uma mulher descobrindo seu verdadeiro caminho. Os caminhos se revelam, se cruzam, se confundem dentro de um mapa – o mapa do seu mundo. Em cada território se revela uma parte de sua história. O conto da “Cinderela” serve de guia para percorrer os territórios propostos. A eterna espera por alguém que venha resgatá-la, a identificação com o sofrimento e a dificuldade de enfrentar seus medos e inseguranças são alguns dos pontos que ligam o conto com esse contar.  O espetáculo usa poucos elementos cênicos, uma peneira e alguns acessórios que vão situá-la no espaço e criar o ambiente por onde circula; no entanto incorpora recursos do teatro de objetos e da linguagem cinematográfica.

O espetáculo usa poucos elementos cênicos, uma peneira e alguns acessórios que vão situá-la no espaço e criar o ambiente por onde circula; no entanto incorpora recursos do teatro de bonecos e do teatro físico. A encenação foi desenvolvida em uma imersão, trazendo o trabalho autoral da atriz Rosimari Jacomelli, sob a direção de Letícia Guimarães, em conjunto com as experiências do diretor e coreógrafo paraguaio Wal Mayans, que compartilha com o grupo do Abração a pesquisa de Primigenia teatral desde 2008. Wal Mayans é oriundo da primeira turma de artistas da Antropologia Teatral de Eugenio Barba e há mais de 30 anos segue sua investigação em teatro e dança, por diversos países.


SERVIÇO
O Mapa do Meu Mundo – Cia do Abração (Curitiba)
Onde: Sesi/AML – Praça 1º de Maio em Londrina
Quando: Quarta-feira (16) ás 14h30 e 15h30
Entrada gratuita

Leitura – Mulheres sob Descontrole de Samantha Abreu

Dona de uma prosa fluída e de uma narrativa que examina de perto todas as pequenas nuances e neuras em cada um dos personagens (Em especial àquelas do universo feminino) a escritora Londrinense Samantha Abreu lançou recentemente o livro ‘Mulheres sob Descontrole’ (Atrito Arte), segundo trabalho completo assinado pela autora.

Em comparação ao primeiro livro (‘Fantasias para quando vier a chuva’ de 2011) este segundo trabalho da autora tem um foco maior no texto narrativo, sempre trazendo histórias contadas através de monólogos e diálogos com as mulheres em foco. Os textos buscam uma maior reflexão sobre esse certo ‘controle’ muitas vezes exigido das personagens , mas que frequentemente esbarra em outras questões como o preconceito e a visão desigual que certos olhares tem para com as mulheres. O livro compila textos escritos entre 2006 e 2011  “A intenção na verdade é gerar justamente a ideia de que não tem que ter. O controle é imposto por quem? De que controle a gente está falando?”, comenta a autora sobre algumas das ideias sustentadas no livro.

O RubroSom conversou com a autora sobre o atual momento da literatura na cidade, assim como, influências e as diferentes fases do processo de criação literária. Confira:

Recentemente, nos meios literários, vejo que rola uma certa onda, um certo ‘boom’ de várias autoras mulheres que estão publicando livros e chamando a atenção em um espaço relativamente curto de tempo (Inclusive em Londrina), O que você acha disso? Seria uma coincidência talvez esse ‘boom’ de escritoras?

Eu não sei te dizer nem se é coincidência, eu não acho que seja isso. Acho que seja uma oportunidade que vários movimentos estão possibilitando. A literatura, que é muito antiga, sempre foi primordialmente publicada e conhecida por autores homens… E há alguns anos o debate da literatura feita por mulheres tem sido levantado, essa discussão tem trazido à tona muitas mulheres que escrevem e, eu acho que isso contribuiu para que aparecessem mais. Ai sim talvez tenha sido uma coincidência, na cidade mesmo temos uma fase em que muitas escritoras estão se destacando, graças a deus! (Risos).

Tem homens também claro, mas, nas fases culturais de literatura forte na cidade, acho que nunca houve uma quantidade de escritoras mulheres aparecendo junto… E isso é muito bom, é maravilhoso! Não só expõe a voz da mulher, como também, possibilita o debate sobre isso.

Historicamente, a gente vive hoje um período de maior reflexão sobre várias temáticas ligadas à feminilidade. Há vários grupos feministas por exemplo que fazem reflexões, militâncias… isso tudo você acha que contribuiu para essa maior projeção das mulheres nessa área?
O feminismo contribui numa projeção das mulheres em todos os aspectos, inclusive na arte em geral. Eu acho que possibilitou, não que antes as mulheres não escrevessem, mas, o espaço era muito limitado. Tanto que você pega estudos históricos de prêmios, festivais e eventos literários e, infelizmente, você ainda vê uma participação feminina inferior à masculina. A gente sabe que não é assim na prática, a mulher escreve tanto quanto. Quando comparamos hoje com anos atrás já houve uma evolução, isso com certeza é conquista também dos movimentos sociais (Como o feminismo) que possibilita uma maior da mulher na arte.

Falando do seu último livro. Ele tem um formato mais baseado em textos curtos, herança também da internet (Onde vários dos textos surgiram)…
Ele é a compilação de uma serie que eu publiquei, era uma serie de contos mas é predominante escrito na forma de monólogos e diálogos. Não são nada narrativos. Ele foi surgido a partir de um conto que eu fiz em 2006 – Na época, segundo a autora, o mesmo chegou a ser vencedor de um concurso literário – E a partir dele eu comecei a publicar textos em um blog na internet chamado ‘Mulheres sob Descontrole’, com isso, me veio a ideia de expor textos e coisas de uma forma mais cômica, usando até a linguagem poética. Fui publicando os textos e acabava chamando a atenção, as pessoas interagiam… Durante os anos fui compilando alguns materiais que publicava por lá, e após algum tempo tive a ideia de publicar como um livro. Tentei por algumas editoras, mas, várias delas queriam colocar regras, sugerir alterações, tirar alguns contos… Alguns deles são polêmicos, geral algumas discussões né? E eu não quis fazer as mudanças, eu queria gerar os debates que fossem necessários. Aí nós apresentamos o projeto pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC), que foi aprovado pela editora da Cris Vianna (Atrito Arte), ele acabou sendo lançado em Outubro de 2015, durante o festival Londrix.

Esse título do livro “Mulheres Sob Descontrole”, além da relação meio óbvia que ele permite, tem algum significado mais profundo sobre esse universo da figura feminina retratada? Talvez essa coisa de cobrar por uma certa aparência?

Quando eu comecei a escrever os contos, sempre tive na cabeça que eram ‘mulheres loucas’, mas, não queria usar essa expressão. Ai tive um processo de buscar algo que dissesse mais, você sempre vê gente usando expressões como ‘Nossa, essa mulher está sob controle’, ok, então eu pensei em falar no livro ‘Sob Descontrole’, ficou assim… Publiquei no meu blog, e acabou ficando, esse mesmo.

Imagino que suas experiências pessoais tenham influenciado nas situações que você narra no livro?
Sim (Risos), experiência de toda mulher né? Pelo menos em alguma situação sim, teve coisas que eu vivi e coisas que amigas viveram, que eu ouço sobre. Eu não estou mais trabalhando nesse projeto por agora, mas até hoje, tem histórias que eu ouço e na hora me inspira ‘Poxa, é um personagem né?’, eu acabo sempre ficando com essa sementinha de uma ‘mulher sob descontrole’ com algum fato que pode ser narrado.

E essa coisa do descontrole? Talvez parte muito mais de uma mulher tentando se adaptar a uma dada situação ou mais sob a dificuldade de um homem em entender certas questões da mulher?
A intenção na verdade é gerar justamente a ideia de que não tem que ter.. Esse controle é imposto por quem? De que controle a gente está falando? Então é justamente isso, mulher não tem que ter controle nenhum. Assim, tem que ter o controle que todo mundo tem que ter, independentemente de ser homem ou mulher, tem um certo controle que todo mundo precisa, e tirar essa ideia de ‘Ahh, essa mulher é controlada, essa mulher é descontrolada….”, foi essa a intenção do nome.

Você costuma pegar textos seus de muito tempo e reler?
Eu costumo, não gosto muito porque toda vez que eu releio, eu quero mudar alguma coisa. Depois de publicado você não tem mais como mudar, mas releio pra ver a voz sabe? Se aquilo de repente diz alguma coisa, é complicado, tem coisa que você escreve e depois de muito tempo aquilo não te diz muita coisa sabe? Na verdade, ou na maioria das vezes (risos), mas os textos específicos deste último livro, até hoje tem um significado, eu rio dele ainda, ele tem a mesma ideia de gerar um questionamento sobre o papel ridículo que é imposto muitas vezes para a mulher, então, até hoje eu percebo isso. É diferente de outras situações em que eu escrevi.

Você tem formação acadêmica Samantha. Já vi algumas discussões, especialmente na academia, gêneros como a narrativa e a crônica são vistos as vezes como ‘gêneros menores’ em relação a outros…. Pessoalmente é algo que te incomoda, interfere no seu trabalho?
Não me preocupo nem um pouco com isso…. Acho uma idiotice total, primeiro porque não é o gênero que vai dizer se isso é maior ou menor, é o que está no texto. Mas existe sim um certo preconceito, especialmente na academia, porque existe também um jeito ‘blasé’ de encarar a literatura entendeu? Inclusive na poesia, que é a mais respeitada e endeusada das formas literárias. Você pega uma poesia simples, como os varais de poesia (Vi até uma discussão outro dia do Felipe Pauluk, no facebook) e a academia questiona o fato de você popularizar a poesia. Se a poesia tem a erudição, e tem o popular, por que os outros textos não podem ter? Porque não é possível transitar nos dois meios? O gênero infelizmente – Para essas pessoas que querem que seja – não é um patamar para colocarmos um filtro do que é ou não literatura.

Que autoras mulheres mais te influenciaram?
Muitas, eu gosto muito da Clarice Lispector – Acho todos os livros dela maravilhosos, mas, sou muito apaixonada pelo conto ‘Amor’ (Do livro ‘Laços de Família’) e o livro ‘Água viva’, tive uma compulsão com ele, foi uma descoberta pra mim dolorida, pra algumas pessoas que conheço também. Gosto também da Hilda Hilst, Ana Cristina César, Adélia Prato (Que tem um jeito mais simples), Conceição Evaristo e muitas outras mulheres que estão escrevendo que a gente acaba lendo….

Tem um livro fresco ainda, lançado recentemente, já pensa em outros projetos?
Eu to trabalhando em um outro livro atualmente, que é de poesia, pretendo lançar entre o final deste ano e o ano que vem. Por agora, o foco é divulgar ainda o ‘Mulheres sob Descontrole’.


Informações sobre a autora

Facebook/MulheresSobDescontrole
E-mail: sa.de.abreu@hotmail.com

Sarau ‘Prosa Poesia e Outras Delícias’ acontece hoje em Londrina

Acontece nesta quinta-feira (31) às 20h na Vila Cultural Cemitério de Automóveis o ‘Sarau Prosa Poesia e Outras Delícias’, que integra a comunidade londrinense à diversas vertentes artísticas como a literatura, artes visuais e às artes cênicas. O evento realizado mensalmente acontece na Vila desde 2008. A entrada é franca. Aos participantes, é pedido pedido apenas que contribuam levando um prato de doce ou salgado.

O tema escolhido para esta ocasião é a mulher. Artistas londrinenses pretendem homenagear grandes nomes da literatura, música, teatro, cinema, pintura, e também mulheres atuantes em outras áreas.

sarau mulher

Entre as atrações confirmadas temos a escritora Luciana Leopoldino Oliveira, discutindo os desafios de uma mulher escritora, a performance da atriz e musicista Bruna Paes, também a poesia na música de Maysa Matarazzo pela atriz Leandra Marcelle Azevedo. A atriz e performer Luciana Guedes dará voz a poesia feminina juntamente com Christine Vianna, além de encenações com os atores Mateus Moreno, Celso Soares, Valdir Oliveira, Alana Maia e Ju Gatez. A escritora Samantha Abreu, convocou suas “Mullheres sob Descontrole”, Mário Fragoso traz Conceição Evaristo, Elisabete Ghisleni vem com um repertório novinho e a a exposição “Mulheres Azuis” e muito mais.

Segundo a divulgação, qualquer pessoa pode participar das apresentações do evento, bastando comunicar antecipadamente a produção da Vila Cultural Cemitério de Automóveis.

O “Sarau prosa poesia e outras delícias” é um projeto aprovado Ministério da Cultura (Em todo o estado do Paraná somente dois projetos foram aprovados), idealizado por Christine Vianna, é realizado mensalmente pela Vila Cultural Cemitério de Automóveis que está em atividades ininterruptas desde 2007 e desenvolve diversos trabalhos que levam a arte e a cultura à comunidade londrinense e região. A Vila Cultural também conta com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC).


Serviço

Vila Cultural Cemitério de Automóveis
Rua João Pessoa, 103, Londrina

Região Sul – Roda de viola movimenta Vila Cultural na semana das mulheres

Fechando a semana do dia internacional da mulher, cerca de 40 pessoas compareceram no último domingo (13) à sede da ‘Vila Cultural de Comunicação Popular’ – No Conjunto Saltinho (Região Sul de Londrina) – Para prestigiar um show de talentos femininos com músicos e cantoras da região. A homenagem contou com a participação de sete duplas sertanejas, munidos de violões e violas caipiras, que cantaram e prestigiaram clássicos da música do sertão, além de outras canções nem tão clássicas assim. Os músicos receberam o reforço de três cantoras que participaram em vários momentos.

Foto Neusa
A cantora Neuza Souza com a dupla ‘Nildo & Nildinho’ durante participação na roda de viola – Foto: Divulgação/ Adecom

Duplas mais novas participaram da homenagem junto com outras duplas mais antigas; O som ao vivo contou com a presença dos músicos; Beraldi e Boiadeiro; Nildo e Nildinho; Pedrinho Beraldi e Inês; Gentil e Nelson; Neusa Souza e Zé; Tony Caldeira e Zé do Laço e Zé do Violão e Zé Craviola. O evento durou até perto das 20h.

Dupla atualizada
Com 22 anos de carreira, a dupla ‘Tony Caldeira & Zé do Laço’ foi uma das convidadas do evento – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Além de eventos pontuais, a vila desenvolve atividades paralelas como cursos de dança e música durante todos os outros dias da semana. Eventos em datas comemorativas têm se tornado habituais na programação do local. “Ano passado fizemos uma roda de viola feminina, também na mesma semana e neste ano é o primeiro evento do tipo que fazemos” conta Maria Inês Gomes, Presidente da Associação de democratização da comunicação, que é mantenedora da vila cultural.

O músico Antônio Caldeira (o Tony) falou ao Rubrosom sobre ter tocado no evento. Segundo ele, foram até a vila prestigiar a roda de viola e acabaram sendo ‘raptados’ pelo resto do pessoal; “Acabamos nos apresentando de surpresa, eu e meu companheiro Zé pudemos tocar quatro músicas hoje”. contou o músico.

A outra metade de dupla, o músico ‘Zé do Laço’ – Parceiro de Caldeira já há 22 anos ficou satisfeito com a participação; “Foi muito boa a oportunidade e o encontro. Sempre participamos aqui dos eventos da Zona Sul. Costumamos viajar mais para fora da cidade, em todo o norte do Paraná, mas sempre colaboramos com o pessoal da associação quando há eventos aqui no bairro”, lembra o músico. “Além de questão do evento, representando a data e a homenagem, a roda de viola foi uma oportunidade dos artistas e cantores se apresentarem. Foi positiva também a integração entre artistas e moradores aqui da região prestigiando a música genuína brasileira” comenta Maria Inês Gomes.

Mais informações no Facebook da Vila Cultural