Música – Dia do Samba celebra a batucada londrinense

A comemoração do Dia do Samba será em dose dupla este ano, em Londrina. O festejo começa no dia 01 de dezembro, sexta-feira, no Bar Valentino, com uma reunião de 30 artistas que destacam canções compostas na terra vermelha, ao lado de clássicos do gênero. A ideia é valorizar a produção local da música popular e seguir a tradição solidária da celebração na cidade, já que a bilheteria é revertida para a Casa de Apoio Madre Leônia, instituição que dá apoio a pacientes buscam tratamento contra o câncer em Londrina.

dia-do-samba 2017

No repertório, sambas eternizados por mestres como Dona Ivone Lara, Martinho da Vila e João Nogueira terão a companhia da criação de bambas que fazem história em Londrina, como Bernardo Pellegrini, Leandro Almeida e os violonistas Rafael Fuca e Israel Laurindo. A dupla encabeça os regionais que sobem ao palco para acompanhar os intérpretes convidados a dar voz a sambas dos colegas locais, promovendo um intercâmbio musical.

A pesquisadora Juliana Barbosa vê no evento uma atividade potencial para fortalecer a cultura popular na cidade: “Recentemente estive com o pessoal do projeto ‘Samba do compositor paranaense’, em Curitiba, onde há uma sistematização e registro da produção local. Este Dia do Samba será uma forma de experimentar esta troca de informações”, comenta. De olho no contexto da produção musical, ela costura o roteiro da noite, junto com o ator e cantor Caco Piacenti. O evento tem ainda o apoio das rádios UEL FM e AlmA Londrina.

O caráter beneficente segue nas comemorações agendadas para a noite de sábado, dia 02, em uma roda de samba no Londrina Country Club que promete passear pela diversidade de estilos e exaltar a grandeza do gênero para a cultura nacional. O público é convidado a doar um quilo de alimento na entrada da festa, que será doado ao Lar das Vovozinhas Gilda Marconi.

DIA DO SAMBA – A origem da data tem mais de uma versão, mas o fato é que não faltam motivos para se comemorar: dia 02 de dezembro marca a gravação do primeiro samba registrado, Pelo Telefone, em 1916. Também é data da publicação de um manifesto resultado do 1º Congresso Nacional do Samba, realizado no Rio de Janeiro em 1962. E, ainda, para os baianos é o dia em que Ary Barroso visitou Salvador pela primeira vez, em 1940. A efeméride é reconhecida pelo poder público em Santos, Salvador e no Rio de Janeiro.

Em Londrina, a comemoração foi originada há 12 edições pelo grupo Sambelê, por iniciativa do músico Wilsinho Soler. Com a mudança dele para o Mato Grosso do Sul, há quatro anos, um coletivo de amantes do samba assumiu a missão de manter vivo o evento na cidade, e que agora ganha dupla programação. A festa no Bar Valentino tem a organização de Juliana Barbosa, Rakelly Calliari e Camila Taari, enquanto o evento no Londrina Country Club é capitaneado por Sal Vinícius, Bethânia Paranzini e músicos da Padaria do Samba, todos em parceria para mostrar que Londrina faz samba também.


Serviço – Dia do Samba Londrina
01/12 (sexta-feira), no Bar Valentino – 21h
Entrada: R$10. Bilheteria em prol da Casa de Apoio Madre Leônia
Com os intérpretes Camila Taari, Giovana Correia, Gisele Silva, Gleice Regina, Leandro Rubi, Luíza Braga, Rakelly Calliari, Ronaldo Matos, Silvia Borba e convidados.
Apoio: UEL FM e AlmA Londrina Rádio Web.
02/12 (sábado), no Londrina Country Club
Início às 20h30,
Entrada R$20 + 1 kg de alimento para o Lar das Vovozinhas.
Roda de samba com músicos da Padaria e convidados.

Entrevista com a banda Red Mess

Afinações graves, mudanças intensas de dinâmica e um instrumental com um peso que não deve nada a alguns medalhões do chamado ‘rock stoner’ estrangeiro. Desde 2014 na atividade o trio londrinense Red Mess – Formado a partir de mudanças em um antigo grupo dos integrantes – Tem seguido em uma trajetória crescente em Londrina, como um dos principais grupos de rock em destaque da região.

Da esquerda para a direita: Douglas Villa - bateria, Thiago Franzim - guitarra/vocal e Lucas Klepa - baixo - Foto: Renan Casarin
Da esquerda para a direita: Douglas Villa – bateria, Thiago Franzim – guitarra/vocal e Lucas Klepa – baixo – Foto: Renan Casarin

Com dois Eps na bagagem (O mais recente ‘Drowning In Red’ de 2015) e shows entusiasmados, desses que atraem um público de vários gêneros e estilos, a banda se aventura agora como produtora de pequenos festivais pela cidade. Como no próximo sábado, quando sobem ao palco do Red Fuzztival III, terceira empreitada organizada pelo grupo e que terá a presença da banda londrinense ‘Mescalha’ e também do duo Muñoz (MG). Segundo os próprios, organizar eventos assim, colocando bandas da cidade junto com artistas de fora, é um meio de fomentar uma troca na cena. “No underground, ta todo mundo batalhando, se ferrando as vezes, não é algo popular o que nós estamos fazendo sabe? Se as próprias bandas não se ajudarem, ninguém sairá do lugar”, comenta o guitarrista e vocal Thiago Franzim. Para este ano, além dos festivais, o grupo se prepara também para o primeiro registro ‘longo’ de estúdio, além de fazer projetos também para tocar mais em outras cidades. “Tocar fora de londrina e viajar mais, não tava rolando até agora porque o baterista ainda era menor de idade, eu tinha faculdade também…. Agora a partir do meio do ano queremos pensar mais nisso” cita o baixista Lucas Klepa. Completa o time, o baterista Douglas Villa.

Sobre a trajetória da banda, os projetos de estúdio e o futuro do ‘Red Mess’, o RubroSom conversou com os músicos da banda para saber um pouco mais sobre os bastidores dessa trajetória.


A Banda formada a partir do Sküllage Coopers que era um quarteto, como foi essa transição?
Thiago: Até 2013 nós tínhamos mesmo essa banda, que tocava um outro estilo e, em um dia, o segundo guitarrista precisou viajar…. Tínhamos alguns shows marcados e, pra não cancelar, fizemos sem ele mesmo. Acabou dando certo a sonoridade e, após isso, pensamos em mudar algumas coisas da banda. Começamos a mudar as referências e pensar em levar o grupo a um nível mais sério. Até então não tínhamos muita ideia de conceito, estética, era mais o objetivo de fazer um som mesmo. Após essas mudanças, e também da mudança de nome, já quisemos buscar um nome com outra identidade. O nome ‘Red Mess’ veio nessa época, a gente é muito inspirado na banda King Crimsom, (Nosso primeiro EP chama ‘Crimsom’) e disso, várias ideias começaram a surgir.

A partir do momento em que virou ‘Red Mess’, na hora, já pensaram na mudança de sonoridade?
Thiago: Sim… A gente já começou nessa época (início de 2014) a compartilhar mais os sons entre a gente. Eu, o Klepa e o Douglass ouvíamos muita coisa de stoner e de rock progressivo. Começamos a juntar ideias e algumas músicas, já com outra pegada foram saindo, começamos a compor e meio que trilhamos um caminho nisso, estamos nessa até hoje.
Klepa: No Sküllage Coopers as ideias eram outras ainda. Era um negócio mais metal, mais ‘southern’ até, baseado em sonoridades mais rápidas como Pantera, Megadeth e outras bandas, com a mudança acabamos achando o nosso som mesmo.

E a primeira experiência em estúdio, como Red Mess, demorou pra acontecer?
Klepa: A gente já estava pra lançar um EP na época do Sküllage, ai, resolvemos que precisávamos mudar de nome. Em uma semana decidimos o nome novo, e na semana seguinte já registramos o EP, em 2014 por volta de setembro.
Thiago: Quando fomos gravar o EP acabamos nem pensando muito na divulgação dele, foi mais a coisa de gravar os sons que a gente fez e lançar na internet. E, no fim, acabou ficando um registro muito legal, um EP até conceitual. A gravação foi rápida, em uma tarde fizemos tudo ao vivo no estúdio ‘High Voltage’.
Klepa: Todas as gravações que fizemos até hoje, foram de lá, sempre com produção do Gustavo Di Iorio (Deranged Insane). Ele também produziu o segundo EP da banda, o ‘Drowned in Red’.

Aqui na cidade, dentro de um período relativamente curto, vocês já atingiram uma popularidade interessante. Tem um público fixo que sempre comparece nos shows com gente de várias idades, tem uma presença feminina forte junto ao público, como vocês vêem essa receptividade?
Thiago: Acho que uma das coisas que talvez ajudou a gente é não ter, até a época que começamos, nenhuma outra banda desse estilo aqui. A gente começou com a coisa do stoner, e é um gênero que tem crescido bastante tanto no Brasil como em outros países. É uma música pesada, com referências antigas, mas que soa moderno. É algo novo…
Klepa: Começou nos anos 90, mas, no Brasil mesmo já vi algumas bandas no começo dos anos 2000 começarem um movimento forte com um som parecido. Eu vejo que, em 2007 mais ou menos, teve uma banda de Goiânia o ‘Black Drawing Chalks’ que começou a fazer algo nesse estilo, e em regiões próximas várias outras bandas meio que seguiram essa linha, tem outros grupos como o ‘Fuzzle’. Acho que a cena cresceu em número de banda, com popularidade mesmo, lá por 2013 talvez…

Como é o processo de composição de vocês? É algo mais coletivo?
Thiago: Geralmente é mais entre eu e o Klepa que trabalhamos mais melodias e letras. Ai após ter uma base, a música em si a gente finaliza com o Douglas (Baterista), acaba sendo algo coletivo, todo mundo contribui. O processo é até fácil. É mais complicado quando tem show por exemplo, a gente tem que se dedicar para o show e ficando sem muito tempo para compor em estúdio, ai, a gente tenta ao máximo se encontrar fora e estar sempre tendo algo para focar.
Klepa: Na maioria das vezes, o Thiago aparece com uma música completa. Ele grava no violão e voz, aí nós fazemos as outras partes e lapidamos. Não tem muito dessa tipo ‘Eu que compus! E vocês não podem mexer’ sabe?? (Risos). A gente nem liga muito sobre isso.

E as influências? Vocês hoje tem ouvido o que de som ?
Thiago: Ouvimos muita coisa de outros estilos, eu mesmo já ouvi mais stoner em outros tempos… Tenho escutado muito Frank Zappa, King Crimsom sempre ouço também, todas as fases quase. E tenho ouvido bastante jazz. Às vezes acordo com vontade de ouvir sons que ouvia há tempos e essas coisas…
Klepa: É difícil resumir assim… Ouço muitas bandas picadas. Igual o Thiago tenho ouvido muito jazz, geralmente mais calmo, busco muito canais de stoner rock no youtube, busco no aleatório mesmo, alguma banda que eu ache o nome bonito (risos). Tenho ouvido coisas como Miles Davis, Jim Hall que toca guitarra de um jeito bem suave e lento… Até Chopin e coisas mais clássicas.

red fuzz3
Cartaz de divulgação do próximo show em 23/04 – Foto: Divulgação

Vocês tocam nesse sábado agora no Red Fuzztival, que também é organizado por vocês também? Como é se aventurar também na produção desses eventos ?
Thiago: É a terceira edição já do festival, antes era só Red Fest o nome, mas mantivemos a mesma ideia, a mesma proposta.
Klepa: O primeiro foi meio às pressas na verdade. Uma banda chamada Hellbenders (GO) entrou em contato com a gente e falou que tinha uma data disponível em uma quarta, a gente deu um jeito de organizar e fazer. Trouxemos uma banda de SP também o Water Rats…
Thiago: Ai, com essa oportunidade a gente abraçou e resolveu fazer um evento, ao invés de apenas um show, sempre trazendo uma banda de fora que tenha a ver com o nosso som e que a gente goste do trabalho. Fizemos um também com a banda Stolen Byrds de Maringá… Foi bem legal. Estamos até pensando no quarto festival já.

E como tem sido a experiência ? O público tem comparecido bastante ?
Klepa: Em média comparecem 100 pessoas em cada evento…
Thiago: Como é um evento que a gente faz, não temos muito apoio… Não temos apoio nenhum na verdade. Como trazemos bandas de fora temos que pagar pra eles virem, sempre um cachê e também um transporte. Como não temos garantia, precisamos se empenhar na divulgação para dar público no show. É quase como uma ideia do financiamento coletivo né? Vocês ajudam a gente e a gente continua fazendo…. Porque no final nem ganhamos nada, a gente empata. Nunca tivemos prejuízo, ainda bem (risos). Aqui na cidade não é fácil fazer as pessoas colarem, tem que encher o saco mesmo! Acho que a ideia do festival torna um pouco mais fácil, você cria um ‘evento’ para atrair o pessoal, a grande maioria mesmo não vai aos eventos especialmente pra conhecer uma banda nova. Criando um festival, fica mais fácil de alcançar pessoas diferentes.
Klepa: O pessoal acaba indo pelo festival mesmo… A festa Barbada faz isso, sempre lota independente da banda. O pessoal comparece sem saber o que vai tocar e sempre tocam bandas boas.

Dois Eps na bagagem, e agora já pensam nas próximas gravações?
Thiago: A gente ta planejando no segundo semestre gravar um álbum completo, provavelmente não irá sair neste ano… Não deve ser lançado neste ano, após gravar tem todo um processo de masterização e outras questões. Nossa ideia é lançar como um álbum mesmo pra tentar divulgar e tocar em outros lugares. O primeiro álbum é o que dá o ‘start’ da coisa mesmo… Serão todas as músicas inéditas, nenhuma das faixas dos dois EPs serão refeitas.
Klepa: Nós gravamos há pouco tempo uma demo ao vivo, no estúdio ‘High Voltage’, nem íamos lançar mas acabamos colocando tudo na internet. Essas músicas da demo serão refeitas para o disco final.
Thiago: A gente vai fazer o disco em parceria com uma produtora do Rio de Janeiro, que tem feito trabalho com várias bandas. É uma produtora independente que tem trabalhado com vários grupos do Brasil. Depois ainda nós precisaremos ir atrás da distribuição.
Klepa: Pensamos até em fazer uma prensagem em vinil, acho que é bem viável de fazer trabalhando com o pessoal. Talvez pensar em alguns shows fora do Brasil também, esperamos poder fazer acontecer mais coisas.

red mess 2

E sobre fazer música autoral em Londrina? Há muita resistência ainda do público aqui na cidade?
Thiago: A experiência que a gente teve até agora com música autoral tem sido bem positiva… Desde que eu comecei a tocar só tem melhorado, o cenário, as bandas e tudo. Se continuar desse jeito acho que teremos uma cena grande aqui em Londrina, tem surgido muitas bandas boas, e isso é muito legal.
Klepa: De certa forma as bandas desse gênero (Stoner) antes não tinham muitas formas de chegar na cidade. As vezes aconteciam alguns shows meio aleatórios mas nada muito fixo. Desse jeito a gente coloca Londrina no cenário dessas bandas além de usar a popularidade das bandas daqui, o público que veria o show das bandas daqui, para ver o som de outras bandas. Acaba sendo uma parceria, havendo oportunidades a gente cria a chance de ir viajar e tocar na cidade dessas outras bandas ainda.
Thiago: É desse jeito que precisa funcionar… Se as próprias bandas não se ajudarem, nada vai pra frente, ninguém vai sair do lugar. Acho legal podermos estar tocando junto do pessoal do metal. Acho um pouco negativo isso de separar estilos no ‘underground’, está todo mundo batalhando, se ferrando as vezes, não é algo popular o que nós estamos fazendo sabe? Se as próprias bandas não se ajudarem, ninguém sairá do lugar… É um pouco assim que tentamos trabalhar.