Cinema – Sesc divulga programação especial da semana da mulher

Aproveitando o dia internacional da Mulher (Neste 8 de março), o Sesc em Londrina promove, nesta semana, uma programação especial que  a 12 de março. Entre os dias 8 a 12 de março será realizado o Cine Sesc, projeto que possibilita o acesso do público a filmes de importância cinematografia brasileira e mundial, sempre priorizando produções que não encontram espaço no meio comercial tradicional de distribuição e exibição, além de fomentar e evidenciar as produções locais onde o projeto está inserido.

Nesta semana, duas importantes produções cinematográficas ficarão em cartaz, destacando a personalidade de mulheres empoderadas e que marcaram a história da nossa cidade e do Brasil.

Veja a programação:

Dona Vilma | Documentário | Dir. Vanessa Santos de Oliveira | 26min. | Londrina-2016 | Livre

Dona Vilma - Filme - Foto
Vilma Santos de Oliveira, mais conhecida como Yá Mukumby, é lembrada como uma importante líder do movimento negro em Londrina – Foto: Divulgação

O documentário conta a história de Vilma Santos de Oliveira, também conhecida como Yá Mukumby, passando por sua trajetória pessoal, política e religiosa, com destaque para sua participação na instauração do processo de cotas na Universidade Estadual de Londrina. A direção é de Vanessa Santos de Oliveira, filha de Dona Vilma. O curta foi produzido ao longo de aproximadamente dois anos. As entrevistas foram gravadas no segundo semestre de 2015 e a edição e a busca por materiais de arquivo consumiu quase todo o ano de 2016. A primeira exibição do documentário aconteceu em 2016, no Dia da Consciência Negra, como parte da programação da 18ª Edição do Festival Kinoarte de Cinema, em Londrina.

De 08 a 10 de março, sempre às 20h | No dia 08, após a sessão, haverá bate-papo com a diretora e filha de Dona Vilma, Vanessa Santos de Oliveira.


Poeira & Batom | Documentário | Dir. Tânia Fontenele | 59min. | Brasília-2016 | 12 Anos

Filme - Poeira & Batom

Filme documentário que reúne o depoimento de 50 mulheres que participaram da construção de Brasília. O documentário Poeira & Batom apresenta a saga da construção de Brasília contada por 50 mulheres que chegaram entre 1956 e 1960 e participaram ativamente na construção da recém-anunciada capital do Brasil. Uma nova e feminina forma de recuperar a história dos primórdios de Brasília. Tempos de poeira e muito entusiasmo que contribuíram para o sonho de JK, Niemeyer e Lucio Costa.

11 e 12 de março, sempre às 16h.


SERVIÇO
Cine Sesc Londrina
Onde:
Sesc Cadeião (Rua Sergipe, 52)
Quando: 8 a 12 de Março
Entrada Gratuita

Orgulho Crespo – Evento reúne música e arte em prol da igualdade

Em londrina, o domingo dedicado ao Dia Nacional da Consciência Negra foi marcado por eventos temáticos em diversas regiões da cidade; No Festival de Cinema da Kinoarte, houve uma ‘Premiere Especial’ da data, com exibição do filme “Dona Vilma” – sobre a vida da líder Vilma Santos de Oliveira (Yá Mukumby) assassinada no ano de 2013, além de outros filmes ligados ao assunto. E no bairro Vista Bela (Região Norte) houve também o Encontro do Orgulho Crespo, que uniu apresentações artísticas, música e arte, para assim promover um pouco de reflexão sobre esta data de luta, em prol da igualdade racial. O evento aconteceu na quadra de esportes do Bairro, próximo à Rua Celeste Conto Moro.

Público acompanha apresentação do coletivo 'Black Divas' durante evento no Vista Bela - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Público acompanha apresentação do coletivo ‘Black Divas’ durante evento no Vista Bela – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O evento iniciou por volta das 15h, com organização feita por membros do projeto MH2 Música e Hip Hop. Além do enfoque cultural, histórias e crenças de matriz africana foram lembradas durante o evento por contadores de histórias e atores que fizeram breves encenações para o público (De maioria crianças) presente no local. “Acho que demorou para os negros começarem a fazer essa união, com coletivos… Só quem passa por isso, quem é negro, passa por isso de entender a questão do preconceito, precisamos lutar contra isso todos os dias. Acho que o nosso projeto veio pra falar isso também, sobre essa coisa do preconceito… Hoje acho que o problema ressurgiu um pouco com essas lideranças conservadoras em alta (Trump, no Brasil o Bolsonaro), agora que precisamos lutar, nossa batalha é pela liberdade…”, contou o músico e educador Leandro Palmeirah, que coordena o projeto MH2.

Integrantes do coletivo Azmina (Que em breve lançará seu primeiro registro sonoro) se apresentou no evento - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Integrantes do coletivo Azmina (Que em breve lançará seu primeiro registro sonoro) se apresentou no evento – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Na programação musical, o artista Valdir Sujim cantou e improvisou rimas juntamente com Fernanda Jardini, mostrando um pouco do lado plural e até eclético da programação musical. A presença feminina aliás foi um dos destaques do evento que, além de Fernanda trouxe também uma apresentação ao vivo do Coletivo de rap Azminas – Que se apresentaram dividindo o palco com a participação de um grupo de crianças bastante animadas com o evento –  E também o grupo de ativistas Black Diva, coletivo londrinense já com 13 anos de existência, e que realiza atividades culturais/educativas sempre promovendo debates como a questão do preconceito racial através da música A apresentação do grupo chamou a atenção, com um desempenho vocal bem interessante, as cantoras do grupo carregam desde referências da música black dos anos 70, e até ecos de música gospel e do soul norte-americano. “Trabalhamos sempre com temas como a violência contra a mulher, a importância do empoderamento e a valorização da cultura, nosso foco é sempre em escolas e atividades em bairros diversos pela cidade… Buscamos sempre ir aonde tiver necessidade” contou a militante Maria José Barbosa, membro do coletivo.

João de Carvalho (esquerda) e Leandro Palmeirah do Projeto MH2: Música e Hip-Hop se apresentaram durante o evento no domingo - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
João de Carvalho (esquerda) e Leandro Palmeirah do Projeto MH2: Música e Hip-Hop se apresentaram durante o evento no domingo – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O grupo de Capoeira Farol da Ilha também marcou presença durante o ‘Encontro’ levando um pouco de seu estudo e de sua pesquisa com ritmos e a cultura afro para o ‘Encontro’ no Vista Bela. “Acho que a capoeira precisa sempre estar envolvida nesses eventos, ela fala da história do Brasil, da história do negro, a gente acha um privilégio participar aqui, Londrina tem muitos grupos bons de capoeira… Hoje temos ido muito a escolas e espaços educativos, onde nos chamam sempre vamos”, contou o Mestre Reginaldo ‘Farinha’, do Farol da Ilha. O Encontro do Orgulho Crespo tem apoio da Central Única das Favelas (CUFA) além de patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC).

Movimentos que desafiavam a gravidade foram destaque na apresentação da roda de capoeira feita pelo grupo Farol da Ilha - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Movimentos que desafiavam a gravidade foram destaque na apresentação da roda de capoeira feita pelo grupo Farol da Ilha – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Em um momento mais ao final do evento, um público, majoritariamente formado por crianças, pode assistir ao documentário “Desconstruindo”, que fala sobre o processo de transição e aceitação do cabelo natural, por mulheres afro-brasileiras. Considerando a faixa etária predominante do público, o documentário representou uma foco de informação importante, uma vez que vários dos presentes estão exatamente na idade onde começam a ter referências e despertar reflexões sobre auto-estima e as próprias origens. Sobre a atual situação política de Londrina – Que nas últimas eleições, nomeou como vereadores (por exemplo) candidatos de perfil conservador, e até, assumidamente contrários à divulgação da cultura afro através projetos e educação, a ativista Sandra Aguilera, membro fundadora do Black Divas é categórica, afirmando que o momento é de luta “Foi um retrocesso, há muita intolerância ainda com etinias e também com religiões (De matriz afro), as pessoas tem invadido locais, queimado casas de Mães de Santo, há pouco tempo perdemos o Ministério da Promoção de Igualdade Racial, em Londrina o feriado do 20 de novembro foi perdido, mas aos poucos temos nos movimentado – Sandra cita a construção da Secretaria de Políticas Públicas no Paraná. É o momento de lutar, a Câmara não está fortalecida por agora, mas não iremos parar”, pontuou Aguilera em entrevista ao Rubrosom.

Dia da Consciência negra – Em Londrina data terá evento e filmes temáticos

Em Londrina o dia da celebração da consciência Negra (20 de novembro) terá pelo menos dois eventos culturais dedicados ao momento e à reflexão sobre a luta por igualdade racial: O Residencial Vista Bela recebe neste domingo (20), a partir das 15 horas, o Encontro do Orgulho Crespo, que tem por objetivo valorizar e difundir a cultura afro-brasileira. E ainda, um pouco mais tarde o Festival Kinoarte de cinema terá, a partir das 21h, a Premiere Especial Dia da Consciência Negra, com exibição do filme “Dona Vilma” – sobre a vida de Vilma Santos de Oliveira (Yá Mukumby): Uma das pioneiras na militância pela luta da igualdade racial na cidade. A produção foi dirigida pela filha da militante Vanessa Santos de Oliveira. Outros filmes, ligados à temática racial também são parte da programação.

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Documentário trajetória familiar, política e cultural da líder Ya Mukumby – Foto: Divulgação

A vida da líder religiosa e política que foi assassinada em Londrina há três anos é retratada no documentário que tem sessão de estreia agendada para este domingo (20), às 21 horas, no Cineflix do Shopping Aurora (Gleba Palhano). Outros filmes com temática ligada ao assunto ainda estarão na programação, entre elas “Pitanga”, filme premiado que investiga o percurso estético, político e existencial do ator Antonio Pitanga.

Vista Bela – Na região norte, o encontro será realizado na quadra de esportes, na rua Celeste Conto Moro, e é aberto à comunidade. O educador Leandro Palmerah, que coordena o projeto MH2 Música e Hip Hop, contou que das 14 às 15 horas as ações são voltadas para as crianças. “Teremos contação de histórias, relacionadas à cultura africana, e também brincadeiras típicas”, contou.

Dia da Consciência negra - Em Londrina data terá evento e filmes temáticos

Na programação do Encontro do Orgulho Crespo, às 16h30, também estão previstas oficinas de turbante e abayomi. “As bonecas abayomi eram confeccionadas pelas mulheres negras, inclusive durante as viagens nos navios negreiros”, explicou Palmerah.

O evento vai contar também com apresentação de hip-hop, exposição de trabalhos em grafitti e discotecagem. Ao final do evento, será exibido o documentário “Desconstruindo”, que fala sobre o processo de transição e aceitação do cabelo natural, por mulheres afro-brasileiras. “Essa é uma temática muito importante, inclusive porque um dos objetivos do nosso projeto é que as pessoas conheçam a cultura negra e passem a ver de maneira positiva as suas origens, superando o preconceito que ainda existe na sociedade brasileira”, ressaltou o educador.

O Encontro do Orgulho Crespo tem apoio da Central Única das Favelas (CUFA), e participação do coletivo Black Divas.


SERVIÇO
Encontro do Orgulho Crespo 
Quando: Domingo (20/11) às 15h
Onde: Rua Celeste Conto Moro – Conjunto Vista Bela
Contadores de histórias, Oficinas de Turbante e Abayomi, Música com Azmina, Gps e João de Carvalho, discotecagens, Black Divas e Adilza Carvalho

18º Festival Kinoarte de Cinema
Premiere Especial Dia da Consciência Negra
Quando: Domingo (20), a partir das 14 horas
Onde: Cineflix do Aurora Shopping (Gleba Palhano)
Quanto: R$ 10 e R$ 5 (meia-entrada)
Programação completa disponível no site www.kinoarte.org/festival/

Lírica Aragão realiza mostra de fotos no Sesc Cadeião

Como resultado de uma parceria entre artistas e a comunidade criativa de Londrina, teve início nesta semana, no Sesc Cadeião uma exposição fotográfica, com imagens feitas pela Londrinense Lírica Aragão há alguns anos. A mostra inaugurada com um evento intitulado ‘ASEITA’, foram todas realizadas durante festas, com foco na música eletrônica e nas artes, produzidas pelos coletivos Glitch Generation e PUPPƩTϟ baseados aqui na cidade.

Lírica Aragão realiza mostra de fotos no Sesc Cadeião
Lírica Aragão: Fotos tiradas desde 2014 compõem a exposição – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Com um foco eclético, e que, valoriza muito temas como a liberdade de visual e a pluralidade de gênero, os eventos, realizados há anos na cidade, vem se estabelecendo como importante espaço de mostra e experimentação artística – Envolvendo conceitos como arte multimídia, performances, projeções e música eletrônica e também fotografia. Na mostra, os registros de Lírica são separados em duas linhas; “As fotos vem sendo feitas desde 2014, nos eventos organizados pelo pessoal da Glitch Generation… Há um lado só com retratos e, no outro, apenas acontecimentos da festa. Eu quis fazer a mostra para retratar a diversidade e o quanto ainda descriminam pessoas que passam por ali, muitas pessoas de grupos LGBT e toda essa galera. Nessas festas o pessoal se preocupa com o que vai vestir, e o pessoal pode ser o que realmente quer por lá, usam máscaras, capas de chuva e tudo mais… Através dos retratos, dá pra pegar características de cada pessoa que está na festa, tem de tudo ali”, contou Lírica à reportagem. A abertura foi acompanhada por intervenções artísticas e apresentação de diversos artistas que já participaram de outros eventos dos coletivos. “Eu gosto de me inspirar em pessoas que não são do mesmo segmento… Eu gosto muito do Lucas Alameda, de Curitiba, eu vejo tanta sensibilidade no trabalho dele que me inspira, gosto sempre de valorizar o trabalho de gente que está perto de mim… Cinema também. Recentemente participei de um curta, e trabalhei em parceria com a Celina Becker e o Anderson Craveiro. Ficou muito foda o resultado, por ter a figura de uma mulher ali lutando pelo cinema, os dois me inspiraram bastante, me senti muito parte de tudo aquilo”, contou a fotógrafa.

Sobre o atual momento político do país – Em que, diversas capitais e cidades elegeram candidatos e governantes de perfil, assumidamente conservador e, contrário à questões de diversidade de gênero – Lírica também falou sobre a importância desses momentos (Como a exposição) como uma forma de contraponto a esses cenários. “Eu tenho certeza que fazer parte desses grupos – Que sofrem preconceito – ja é uma resistência, não sou ninguém pra falar isso porque, sou branca, hetero… Mas, vejo isso em trabalhos com moda por exemplo, vejo o quanto é difícil ter essa temática inserida no trabalho, é um forma de mostrar para a sociedade que a diversidade precisa ser bem vinda sim, independente de gênero, etc… As fotos mesmo retratam todos os tipos de pessoa”, conclui a profissional.

'Grupo Nós de Teatro' realizou a apresentação intitulada 'Carnaval de Macacos' durante a abertura - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
‘Grupo Nós de Teatro’ realizou a apresentação intitulada ‘Carnaval de Macacos’ durante a abertura – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Com uma apresentação definida como um “manifesto artístico contra o a homofobia, racismo e todas as formas de preconceito” a mostra realizada no Sesc, chama a atenção para a reflexão acerca da identidade de gênero propondo uma experiência transdisciplinar, heterogênea e inclusiva. Todos os artistas, cada um a sua maneira, trouxeram para o espaço da galeria um pouco do trabalho que, em outras ocasiões, apresentaram nos eventos realizados pelo coletivo Glitch Generation.

Detalhe do painel feito pela artista Nani Vasques no Sesc Cadeião - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Detalhe do painel feito pela artista Nani Vasques no Sesc Cadeião – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Além de Lírica, também apresentaram trabalhos na mostra a artista Nani Vasques Art, Coletivo Cãosemplumas, Morôni Ferraz, Paulo Vitor Miranda, Willian Santiago, Andressa Matos, Leon Gregorio, Larissa Vicente, Higor Maciel e Ateliê Horizontal. “Essa ideia surgiu com o convite do sesc para fazer a mostra por aqui. É uma chance de fazer o caminho inverso do que já fazíamos nas festas, porque, achamos que é obrigação do artista levar a arte para onde ela deve ser vista… Com essa oportunidade do Sesc, estamos levando um pouco da cultura club para a galeria de arte… É uma chance de estarmos migrando e passando essa mensagem para mais pessoas. Há uns 15 anos atrás, quando eu comecei a sair, a situação não permitia que eu fosse quem eu era e então sempre na noite encontrei um espaço de escapismo, de liberdade, ela acolhe. Apesar do espaço que grupos LGBTT hoje em dia possuem, é quase uma douração de pílula, porque, ao mesmo tempo, nós vemos pessoas como (Vereador) Filipe Barros (PRB) – Candidato de perfil, assumidamente conservador – sendo eleitos na cidade, um retrocesso total… logo, ações como essas, de resistência, acabam se tornando necessárias. Esses momentos dão mais sustentabilidade para essa busca de uma aceitação de diversidade”, contou o artista Édy Savage, um dos idealizadores do coletivo Glitch Generation.


SERVIÇO
A exposição ficará aberta ao público até Janeiro de 2017 .
Local: Sesc Cadeião Cultural (Rua Sergipe, 52 – Centro)