Feira e exposição iniciam atividades de 2017 no museu de Londrina

Duas atividades simultâneas, ocorridas no último sábado (14) deram inicio às atividades do Museu de Arte de Londrina para 2017. Iniciando pela manhã, a Feira Madá, realizada pelo coletivo artístico Casa Madá, reuniu no espaço artistas, expositores e também pessoas que trabalham com artesanato e gastronomia. Paralelo à feira, nas galerias do museu, foi exposta uma mostra de gravuras com peças do acervo do Museu de Arte, e curadoria da produtora Helena Gomes.

O evento teve início por volta das 10h da manhã e seguiu até a tarde - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O evento teve início por volta das 10h da manhã e seguiu até a tarde – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O evento feito pela Casa Madá é uma extensão das, já tradicionais, feiras que acontecem na sede do coletivo na região central.Ao todo, mais de 20 expositores participaram da feira (Mais informações no evento). Entre eles, Jorge Dib levou seu projeto de fotos chamado INTERSECÇÃO. Segundo Jorge a ideia é “Eu trabalho com fotografias há cerca de 5 anos, e esse projeto eu desenvolvo já há 6 meses, desde novembro ele está em exposição e, aqui na Feira Madá será uma das últimas exposições do projeto. Eu faço imagens de nu, mas de uma forma bem diferenciada, a ideia é sair dos estereótipos de beleza e também desmistificar a coisa do corpo, tirar essa coisa da hipersexualização do corpo da mulher, das pessoas negras e também tirar um pouco essa opressão do corpo LGBT, pensar na nudez como um ato político”, contou Jorge. O artista vende também um calendário, com algumas das fotos expostas dentro do projeto.

Jorge Dib com algumas fotos do projeto INTERSECÇÂO - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Jorge Dib com algumas fotos do projeto INTERSECÇÂO – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

A ideia da feira é apresentar e divulgar o trabalho de artistas da cidade, incentivando e fortalecendo a economia criativa da região. “A parceria com o museu iniciou ano passado, em outubro, recebemos um convite para fazer por aqui e deu muito certo. É um espaço bom tanto para quem produz, arte, artesanato e essas linguagens, como também para a cidade toda, esse prédio que é maravilhoso, em uma região central, permite que mais pessoas tenham acesso. Importante ver um museu de arte tendo interesse em contribuir com essa exposição”, contou o artista Higor Mejia, integrante do coletivo Casa Madá e que também levou para a mostra ilustrações, bandeirolas e peças de roupa que ele mesmo customiza. “A gente tenta trazer pessoas com vários tipos de produção, e que tenham um cuidado especial, que pensem o trabalho em diversas situações, não só a coisa de revender produtos, mas que tenham um conceito embutido no que produzem além de preocupações como a sustentabilidade”, pontuou o artista.

O artista Higor Mejia com algumas das obras do acervo expostas na feira do Museu - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O artista Higor Mejia com algumas das obras do acervo expostas na feira do Museu – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Além do evento no museu, periodicamente o pessoal da Casa Madá realiza eventos internos e exposições com artes diversas. Feiras de livros, artesanato e até saraus de poesia fazem parte da programação do espaço. No facebook é possível saber mais sobre a programação.

Gravuras e trabalhos do coletivo La resistencia gráfica fizeram parte da Feira Madá - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Gravuras e trabalhos do coletivo La resistencia gráfica fizeram parte da Feira Madá – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Gravuras –  Além da feira, no sábado foi também aberta uma exposição de gravuras que integram o acervo do Museu de Arte, com curadoria da produtora cultural Helena Gomes A coletânea reúne trabalhos dos artistas plásticos Wanda Grade, Paulo Menten, Ivone Couto, Sandra Correia Savero, Eduardo Tadeu e Flávio Gadelha. A exposição permanece aberta para visitação até o dia 3 de março, no primeiro piso do museu.

Gravuras do acervo ficam em exposição até dia 3 de Março - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Gravuras do acervo ficam em exposição até dia 3 de Março – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

 

Entrevista – Fotógrafo realiza exposição ‘Bolívia em verso’ em Londrina

A partir desta semana, a Biblioteca Pública Municipal Pedro Viriato Parigot de Souza sedia, a exposição “Bolívia em verso e prosa”, com imagens que retratam um olhar mais humanizado de problemas sociais na América Latina. As imagens, clicadas por Rafael Leme buscam transmitir ao observador diferentes aspectos e impressões rápidas de pessoas do cotidiano do país por meio do olhar fotográfico. Elas são parte de uma serie, ainda em produção, na qual o autor pretende clicar a America do Sul por inteiro.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O público pode visitar a exposição de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas, na Sala José Antônio Teodoro, no primeiro andar da Biblioteca, localizada na Avenida Rio de Janeiro, 413. A entrada é gratuita. “Bolívia em verso e prosa” tem a intenção de levar o visitante a um ensaio que visa a criação de uma imagem objetiva e concreta da realidade tendo como paradoxo a subjetividade da arte fotográfica. As imagens são acompanhadas por textos poéticos do próprio autor, ampliando as sensações e interpretações do público para intensificar esse contato. Os textos aliás tem temática totalmente ligada e inspirada pelo que ele retratou nas fotos. “Os textos são fragmentos de parágrafos que escrevo nos locais. É algo sentimental que vivencio e que sobre minha ótica falta ou não para eles. Coisas que não coincidem com o modo aceitável de civilização e que parece ofuscar os olhos das pessoas. Quanto mais você convive com a desgraça mais ela parece aceitável. Isso me incomoda e escrevo muito nesse sentido nas viagens…”, pontua o fotógrafo.

As imagens foram clicadas em duas etapas, nos anos de 2014 e 2015 pela Bolívia. Essas fotos fazem parte de um projeto complexo que se iniciou em 2011 e que pretendo finalizar em 2018. Fotografar toda a América do Sul sempre com esse olhar nas pessoas, nos detalhes e na questão social. Pretendi entrar na vida dessas pessoas tentar compreender seu modo de vida, como pensam e o que esperam de sua vida como um todo”, contou o autor em entrevista ao Rubrosom.

A exposição busca oferecer uma delicada fusão entre literatura e fotografia sem deixar a provocação de lado. Uma abordagem humanista e social, questionando as políticas sul-americanas e tratados de direitos humanos. Nesse contexto, temas essencialmente complexos são colocados em evidência. “Cada foto é um momento, momentos mágicos. Quem faz foto de cotidiano pode esperar de tudo. De várias coisas marcantes uma que acho bacana, uma vez três garotas virem até mim e pediram para ver as fotos , aí fiz um retrato das três e elas se impressionaram de se ver ‘dentro da câmera’, pareciam não acreditar. Mas na Bolívia foi muito diferente de tudo que já experimentei, houve derrapagem do avião no aeroporto de Sucre e quase caímos no precipício, tivemos ainda equipamentos roubados, mas foi tudo mágico. Sempre há resistência quando se trata de pessoas, mas na Bolívia algumas cidades e regiões foi mais complicado de fotografar”, contou Rafael Leme sobre algumas dificuldades encontradas durante o processo.

Foto: Divulgação

Sobre o autor – Rafael Leme é fotógrafo profissional, nascido em Atibaia (SP). Integrante da Photographic Society of America (PSA) – Sociedade Americana de Fotografia, autor das exposições “Expressões Chilenas – 2011”, “Brasil, Brasil – vivendo no país do futebol – 2013”. Recebeu premiações no Concurso Internacional de Fotografia em Temuco, no Chile (2011), Circuito Profissional da Holanda (2012), Mostra de Fotografia de Buenos Aires (2013), Mostra Fotográfica “Os trabalhos e os dias”, em Medellín, na Colômbia (2015), Menção honrosa da Câmara Municipal de Marília (2014), Menção honrosa do palácio de Buckingham, Inglaterra (2015).


 

Lírica Aragão realiza mostra de fotos no Sesc Cadeião

Como resultado de uma parceria entre artistas e a comunidade criativa de Londrina, teve início nesta semana, no Sesc Cadeião uma exposição fotográfica, com imagens feitas pela Londrinense Lírica Aragão há alguns anos. A mostra inaugurada com um evento intitulado ‘ASEITA’, foram todas realizadas durante festas, com foco na música eletrônica e nas artes, produzidas pelos coletivos Glitch Generation e PUPPƩTϟ baseados aqui na cidade.

Lírica Aragão realiza mostra de fotos no Sesc Cadeião
Lírica Aragão: Fotos tiradas desde 2014 compõem a exposição – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Com um foco eclético, e que, valoriza muito temas como a liberdade de visual e a pluralidade de gênero, os eventos, realizados há anos na cidade, vem se estabelecendo como importante espaço de mostra e experimentação artística – Envolvendo conceitos como arte multimídia, performances, projeções e música eletrônica e também fotografia. Na mostra, os registros de Lírica são separados em duas linhas; “As fotos vem sendo feitas desde 2014, nos eventos organizados pelo pessoal da Glitch Generation… Há um lado só com retratos e, no outro, apenas acontecimentos da festa. Eu quis fazer a mostra para retratar a diversidade e o quanto ainda descriminam pessoas que passam por ali, muitas pessoas de grupos LGBT e toda essa galera. Nessas festas o pessoal se preocupa com o que vai vestir, e o pessoal pode ser o que realmente quer por lá, usam máscaras, capas de chuva e tudo mais… Através dos retratos, dá pra pegar características de cada pessoa que está na festa, tem de tudo ali”, contou Lírica à reportagem. A abertura foi acompanhada por intervenções artísticas e apresentação de diversos artistas que já participaram de outros eventos dos coletivos. “Eu gosto de me inspirar em pessoas que não são do mesmo segmento… Eu gosto muito do Lucas Alameda, de Curitiba, eu vejo tanta sensibilidade no trabalho dele que me inspira, gosto sempre de valorizar o trabalho de gente que está perto de mim… Cinema também. Recentemente participei de um curta, e trabalhei em parceria com a Celina Becker e o Anderson Craveiro. Ficou muito foda o resultado, por ter a figura de uma mulher ali lutando pelo cinema, os dois me inspiraram bastante, me senti muito parte de tudo aquilo”, contou a fotógrafa.

Sobre o atual momento político do país – Em que, diversas capitais e cidades elegeram candidatos e governantes de perfil, assumidamente conservador e, contrário à questões de diversidade de gênero – Lírica também falou sobre a importância desses momentos (Como a exposição) como uma forma de contraponto a esses cenários. “Eu tenho certeza que fazer parte desses grupos – Que sofrem preconceito – ja é uma resistência, não sou ninguém pra falar isso porque, sou branca, hetero… Mas, vejo isso em trabalhos com moda por exemplo, vejo o quanto é difícil ter essa temática inserida no trabalho, é um forma de mostrar para a sociedade que a diversidade precisa ser bem vinda sim, independente de gênero, etc… As fotos mesmo retratam todos os tipos de pessoa”, conclui a profissional.

'Grupo Nós de Teatro' realizou a apresentação intitulada 'Carnaval de Macacos' durante a abertura - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
‘Grupo Nós de Teatro’ realizou a apresentação intitulada ‘Carnaval de Macacos’ durante a abertura – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Com uma apresentação definida como um “manifesto artístico contra o a homofobia, racismo e todas as formas de preconceito” a mostra realizada no Sesc, chama a atenção para a reflexão acerca da identidade de gênero propondo uma experiência transdisciplinar, heterogênea e inclusiva. Todos os artistas, cada um a sua maneira, trouxeram para o espaço da galeria um pouco do trabalho que, em outras ocasiões, apresentaram nos eventos realizados pelo coletivo Glitch Generation.

Detalhe do painel feito pela artista Nani Vasques no Sesc Cadeião - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Detalhe do painel feito pela artista Nani Vasques no Sesc Cadeião – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Além de Lírica, também apresentaram trabalhos na mostra a artista Nani Vasques Art, Coletivo Cãosemplumas, Morôni Ferraz, Paulo Vitor Miranda, Willian Santiago, Andressa Matos, Leon Gregorio, Larissa Vicente, Higor Maciel e Ateliê Horizontal. “Essa ideia surgiu com o convite do sesc para fazer a mostra por aqui. É uma chance de fazer o caminho inverso do que já fazíamos nas festas, porque, achamos que é obrigação do artista levar a arte para onde ela deve ser vista… Com essa oportunidade do Sesc, estamos levando um pouco da cultura club para a galeria de arte… É uma chance de estarmos migrando e passando essa mensagem para mais pessoas. Há uns 15 anos atrás, quando eu comecei a sair, a situação não permitia que eu fosse quem eu era e então sempre na noite encontrei um espaço de escapismo, de liberdade, ela acolhe. Apesar do espaço que grupos LGBTT hoje em dia possuem, é quase uma douração de pílula, porque, ao mesmo tempo, nós vemos pessoas como (Vereador) Filipe Barros (PRB) – Candidato de perfil, assumidamente conservador – sendo eleitos na cidade, um retrocesso total… logo, ações como essas, de resistência, acabam se tornando necessárias. Esses momentos dão mais sustentabilidade para essa busca de uma aceitação de diversidade”, contou o artista Édy Savage, um dos idealizadores do coletivo Glitch Generation.


SERVIÇO
A exposição ficará aberta ao público até Janeiro de 2017 .
Local: Sesc Cadeião Cultural (Rua Sergipe, 52 – Centro)

Artista Rogério Ghomes realiza exposição em Londrina

E tem exposição de arte iniciando no próximo sábado (27) em Londrina. Com um nome enigmático e incomum, o próprio título da mostra já carrega um sentido cheio de interpretações: Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui. A exposição é de autoria do artista visual Rogério Ghomes e acontece também em comemoração aos 25 anos de carreira do autor.

Uma das fotos da mostra "Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui de Rogerio Ghomes" - Foto: Rogério Ghomes.
Uma das fotos da mostra “Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui de Rogerio Ghomes” – Foto: Rogério Ghomes.

Durante o evento, o publico poderá ter contato com obras destacadas da sua produção, com recorte a partir da Bienal de Havana em 1997, marco da internacionalização da sua produção, até as séries mais recentes como ‘Barroc’ de 2015, apresentada na ultima Bienal de Curitiba, cidade onde residiu até o final dos anos 90. Já há 16 anos o artista vive em Londrina há 16 anos onde atua como docente na UEL Universidade Estadual de Londrina. A abertura será no sábado 27 de agosto as 10h00 na DAP Divisão de Artes Plásticas da UEL. A exposição faz parte do projeto “Entre imagens: num lapso do tempo”, patrocinado pelo Programa Municipal de Incentivo à CulturaPROMIC.

O projeto contempla mais três ações: Uma Mesa redonda para proporcionar maior reflexão e aproximação com o púbico em torno das questões da exposição no dia 20 de setembro, 19 horas na DAP Divisão de Artes Plásticas da UEL.

Um curso formativo, Fotografia Expandida Brasileira, na Biblioteca do Museu de Arte de Londrina, ministrado pelo Professor Dr. Rogério Ghomes em agosto e setembro. Dois eventos visando um diálogo qualificado junto ao público produtivamente ligado às artes visuais, à fotografia e à comunicação. Uma terceira ação do projeto será o lançamento de um livro comemorativo da carreira do artista.

Donde Estoy, Estoy a esperar te de Rogerio Ghomes - Foto: Divulgação.
Donde Estoy, Estoy a esperar te de Rogerio Ghomes – Foto: Divulgação.

O curador da exposição Fabio Luchiari, que acompanha a produção de Rogerio Ghomes há duas décadas, comenta em seu texto de apresentação da mostra, “Parti do princípio de não apresentar uma mostra cronológica, mas fazer diálogos com trabalhos produzidos em diferentes períodos, buscando agrupar temas pertinentes de sua trajetória e que de tempos em tempos ressurgem, com outro olhar, outra sensibilidade, porém, sempre coerentes com sua poética, suas indagações e buscas”. A escolha de trabalhos representativos na carreira de Rogério também foi um norte do processo curatorial, podendo apontar dentre esses: ‘Profano Sudário’, de 1997; ‘Olhai’, de 2001; ‘Incrível como um distúrbio afeta a credibilidade’, de 2007. A partir da articulação dessas obras com o espaço expositivo, surgiram os eixos e os diálogos com os demais trabalhos.

Fabio conclui, nas obras apresentadas nessa exposição, “Rogério subverte o papel da fotografia de registrar a realidade para criar outros mundos”. Mundo de saudade, solidão e lembranças prestes a desaparecer da memória. Tudo por meio de um olhar silencioso…

Rogerio Ghomes: artista visual e pesquisador nas áreas das artes visuais e design. Doutor em tecnologias da inteligência e design digital pela PUC SP e mestre em design pela UNESP. Contemplado no programa rede nacional funarte artes visuais [2015] com o projeto campo expandido: narrativas da imagem e no conexão artes visuais minc/funarte/petrobras [2013] com o projeto; campo expandido: a convergência das imagens.  Premio Brasil arte contemporânea na ARCO_ madrid 2010.

Participou de mais de 60 exposições nacionais e internacionais cabe destacar as individuais, Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui. DaP Divisão de Artes Plásticas UEL Londrina, Galeria Referencia Brasília.  Não Confie na sua memória. SESI Londrina. Donde estoy, estoy a esperar- te. MARP Museu de Arte de Ribeirão Preto.  Sinto saudades de tudo, inclusive de mim. Centro Cultural Sistema FIEP, Todos precisam de um espelho para lembrar quem são. Ybakatu espaço de arte e Encuentros Abiertos – Centro Cultural Recoleta, Buenos Aires. Território Ocupado Paço das Artes SP. Destacamos as coletivas: Silver Night of Projections – Encontros da Imagem, Braga Portugal, Luz versus Luz – Bienal Internacional de Curitiba, Ybakatu 20 anos, Alguns desvios do corpo – Londrina Arte 4, Coleção Pirelli MASP de Fotografia, Território Estrangeiro – MUMA Museu Metropolitano de Curitiba, XII Mostra da Gravura, Curitiba PR, III Bienal Internacional de Fotografia Cidade de Curitiba, Nefelibatas MAM SP, Ponto Cego MIS SP, Panorama de Arte Brasileira MAM SP.   VI Bienal de Havana.

Suas obras integram as coleções; Coleção Joaquim Paiva – MAM RJ Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Coleção McLaren, Fundação Cultural de Curitiba, MAM SP Museu de Arte Moderna de São Paulo, MAC USP Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, MAC PR Museu de Arte Contemporânea do Paraná, MON Museu Oscar Niemeyer, Pirelli MASP Museu de Arte de São Paulo, Pinacoteca de São Paulo.


Serviço

ExposiçãoPreciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui
com Rogerio Ghomes (Curadoria Fabio Luchiari)
Onde:
DaP – Divisão de Artes Plásticas da UEL (Av. Juscelino Kubitscheck, 1973)
Quando: 27 de agosto a 07 de outubro 2016 (Abertura 27 de agosto 11h)

Mesa Redonda – Conversa sobre a exposição

Preciso acreditar que ao fechar os olhos o mundo continua aqui

Prof. Danillo Villa
Prof. Maria Carla Guarinello de Araujo
Prof. Rogerio Ghomes

 

Entrevista – Evento relembra fotógrafo Haruo Ohara

A obra e trajetória do fotógrafo japonês Haruo Ohara (1909-1999) foi relembrada durante esta semana na Divisão de Artes Plásticas (DAP) da UEL durante a terceira edição do projeto Estação Londrina. Seu neto, o fotógrafo londrinense Saulo Ohara participou do evento, comentando e resgatando de uma forma didática imagens e algumas histórias do seu avô. Haruo Ohara é considerado um dos principais responsáveis pelo registro da colonização londrinense (Décadas de 1930 e 40).  Em sua obra, Ohara registrou mais de 20 mil imagens de Londrina e região, acervo que está presente desde 2008 no Instituto Moreira Salles – IMS no Rio de Janeiro.

Artistas, professores e interessados pela fotografia compareceram á terceira edição do Estação Londrina - Foto: Bruno Leonel
Artistas, professores e interessados pela fotografia compareceram á terceira edição do Estação Londrina – Foto: Bruno Leonel

Fotógrafo de profissão, Saulo carrega também algumas influências do avô… Seja no discurso ou no lado poético, talvez, uma das carácterísticas mais marcantes do avô (Falecido em 1999) . “Era uma obra sincera, não era algo forçada, não era uma ideia que empurrou para as pessoas…”, relatou Saulo. Em 2003, os escritores londrinenses Rogério Ivano e Marcos Losnak lançaram a biografia ‘Lavrador de Imagens’. Entre 2009 e 2010, o Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro realizou uma exposição com as obras do Haruo que percorreu cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Londrina. Neste ano, uma exposição com fotos do profissional foi montada no Museu de arte de Kochi (Japão). Saulo Ohara esteve na exposição e contou ao RubroSom um pouco do que viu por lá (Veja a seguir). Durante o evento, realizado na DAP em Londrina, houve uma projeção de várias imagens, de arquivo pessoal (Muitas do Instituto Moreira Salles). “Na verdade o que irei contar é uma coisa bem didática, uma história do haruo – pra quem não conhece, em Londrina mesmo muita gente o conhece… Sobre quem é o Haruo e como ele chegou onde ele está hoje, um dos grandes fotógrafos do Brasil e hoje com uma exposição no Japão… Será quase duas horas de aula”, contou Saulo à nossa reportagem. Aproveitando a realização do evento, conversamos com o Saulo, sobre a importância da obra de Haruo, assim como, a influência da obra no seu trabalho. Confira:

Você é fotógrafo também… É meio óbvia a referência que você tem do seu avô, mas na sua memória, você lembra de algo que te bateu um reconhecimento seu para a obra dele, você notou que ele era importante no que ele fazia?
Ah sim, com a gente ele nunca se posicionou como fotógrafo, era o meu avô… Quando eu tinha uns nove anos de idade eu ganhei uma câmera dele, ai, durante uma certa idade eu saía com ele para fotografar em Londrina (Morei até os 10 anos de idade no fundo da casa dele). Eu tive esse esse contato fotográfico direto mesmo, ainda criança, era uma coisa bem lúdica… O prazer de fotografar, eu sei que veio desse momento ainda criança.

Um aspecto do trabalho do Haruo que é muito emblemático para a cidade é o registro histórico feito aqui ainda durante a chegada dos pioneiros… (Décadas de 30/40). Teve algum momento em que você percebeu que ‘poxa, meu avô fez algo historicamente importante’, a coisa dele ter documentada coisas que pouco eram documentadas…
Essa percepção de que ele é um super fotógrafo, é uma coisa que estou ainda absorvendo… Pra mim sempre foi difícil vê-lo como um fotógrafo, era meu avô! As pessoas foram falando, reconhecendo isso, eu como fotógrafo sei que as imagens são muito boas, mas quando vejo as fotos, quando ele registrava, são fotos voltadas para ele principalmente, para a concretização das ideias dele, mas voltadas para o núcleo familiar e de amigos dele… É um contexto no qual ele estava vivendo. Ele tinha a consciência também de que era um trabalho de valor, ele tinha essa consciência sim, de artista. Foi só lá por 1998, quando a família retoma esse contato com a obra dele (Por causa do filo) a gente percebeu que era algo importante, que tinha um valor e que precisava ser preservado e divulgado de maneira correta.

Você esteve pelo Japão recentemente, em uma cidade onde ocorreu uma exposição com fotos do Haruo… como foi isso?
Em abril deste ano teve a abertura da exposição do Haruo Ohara (No museu de arte de Kochi) é no Sul na ilha Shikoko – Em frente à Hiroshima – é uma cidade pequena, com 300 mil habitantes, mas tem um simbolismo grande, foi a cidade natal dele. O local de onde ele saiu como imigrante, devido à pobreza e veio para cá trabalhar… Ele volta pra cidade natal como um artista, pela primeira vez (Ele nunca retornou para o Japão) como um artista, isso foi bem simbólico, bem importante.

E lá no Japão, o interesse do pessoal é maior na parte artística ou na história das fotos?
As duas facetas, talvez a curiosidade de ser um cidadão de lá que volta com um trabalho extremamente bonito, que fala da migração (Processo que todo mundo fala que foi difícil) mas que o Haruo optou por contar de uma maneira sensível, poética, extremamente sensível. Mas tanto a parte histórica como a qualidade de imagem do Haruo chama a atenção…

Você falou um pouco das saídas com ele para fotografar… Tem alguma lembrança dele como fotógrafo que te marcou bastante, enquanto vocês fotografavam, algum toque ou conselho que ficou na lembrança?
Teve uma vez, que eu fiz uma foto do salto do Apucaraninha (Região de Tamarana) há muito tempo atrás, por volta de 1982 (Eu era criança) e ele revelou e ampliou pra mim essa foto, e pediu para eu assinar, que era como ele fazia também nas fotos dele. Eu vejo isso hoje né, ali acho que foi o reconhecimento de ter feito uma imagem fotográfica, esse momento foi bem marcante para mim.

Além dessa parte histórica e da poética dele, que era muito forte… O que você acha que fez com que esse trabalho atravessasse os anos e ainda seja considerado tão importante hoje?
Eu vi um comentário uma vez, de um crítico, sobre a obra do Haruo Ohara… Ele falava que era uma obra sincera, não era algo forçada, não era uma ideia que empurrou para as pessoas, é algo que representa muito o que ele era e o que ele pensava como ser humano.

Seu avô tinha um lado político, de uma intenção política quando fotografava?
Ele tinha, com certeza… Já fotografou series com crianças de ruas, e outros retratos da miséria. Mas ele não tinha essa preocupação 100%, sempre foi extremamente discreto quanto aos posicionamentos.

Londrina – Sarau no Vista Bela combina artes e protesto

Música, teatro, poesia, fotografia e até momento de ‘Contação’ de histórias (Realizado por Edna Aguiar)… Teve um pouco disso tudo durante o Sarau ‘Aqui é Vista Bela’ realizado durante a tarde do último domingo (12) na Rua Oribe Frigerii, no Vista Bela 2 (Região Norte de Londrina). Mesmo com um frio que castigava pessoas na rua (As temperaturas mínimas chegaram à casa dos 10º C, dependendo da região), um número considerável de pessoas compareceu ao evento que misturou sons, e também, diferentes tipos de arte. O Sarau contou com a participação do Dj Frá, do grupo Ataque Lírico, do Cassiano (Família IML) além do grupo ‘Azmina’ (Coletivo de rap formado inteiramente por mulheres). Ressaltando a pluralidade do evento, também participou do Sarau o grupo Teatro de Garagem.

O evento teve início por volta das 15h e foi até cerca de 19h - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
O evento teve início por volta das 15h e foi até cerca de 19h – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Desde às 15h, pessoas se reuniram próximo a um palco montado no meio da rua, onde voltaram atenção para as diversas atrações. Seja caminhando pelo local, ou mesmo, observando de longe, pelas janelas de um prédio próximo ao Sarau, vários moradores e curiosos pararam para observar o evento.

Eles cantam coisas da realidade, da favela, da periferia”, relatou à reportagem André Antônio Custódio, morador do bairro Vista Bela já há cinco anos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
“Eles cantam coisas da realidade, da favela, da periferia”, relatou à reportagem André Antônio Custódio, morador do bairro Vista Bela já há cinco anos e que prestigiou o evento no domingo. – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

A pequena multidão  que se aglomerava junto ao palco, em alguns momentos, até sugeria a ideia de uma ‘ocupação’ da rua, em uma notável demonstração de espaço público sendo preenchido através de artes e música. “Sempre acompanho os eventos, o pessoal que se apresenta por aqui manda muito bem. Quando tem algo, convoco todos os amigos, os vizinhos e compareço. Gente que nem é do bairro comparece…. Acompanhamos sempre para contribuir também com o evento. Eles cantam coisas da realidade, da favela, da periferia”, relatou à reportagem André Antônio Custódio, morador do bairro Vista Bela já há cinco anos.

Pessoas de várias idades prestigiaram o evento - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Pessoas de várias idades prestigiaram o evento – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Em um momento bastante emotivo, e envolvente, o coletivo de rap “Azmina” cantou a música ‘A cidade Sangra’, e relembrou o ‘Massacre’ do dia 29 de janeiro deste ano, ocorrido na região Londrina, no qual, cerca de 20 jovens foram brutalmente assassinados, em diversos bairros periféricos. Os crimes teriam relação com a morte de um policial – Além das mortes, pelo menos 16 pessoas foram baleadas no mesmo período. “29 de janeiro foi dia de sangue na periferia”, clamou uma das cantoras durante a apresentação. “A gente criou a banda porque acreditamos que através da arte, da cultura da música a gente pode chegar a uma sociedade em que a gente acredita, onde a mulher, o negro a mulher, o homossexual não é discriminado, onde não há mortes apenas por morar na periferia… Com a música acreditamos em poder empoderar as mulheres, os negros, as pessoas da periferia para construir algo bom”, contou Danielle Barbosa Daniel, uma das integrantes do coletivo que também é estudante de Ciências Sociais.

Danielle Barbosa (Ao centro, de boné) com o coletivo 'Azmina', temáticas críticas cantadas através do rap - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Danielle Barbosa (Ao centro, de boné) com o coletivo ‘Azmina’, temáticas críticas cantadas através do rap – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Segundo ela, a oportunidade de poder tocar em espaços públicos e sobretudo na periferia, é uma forma de conscientizar e propagar sua mensagem. “Todo 29 é dia de violência, 29 de janeiro, de fevereiro, de março… 29 de abril (de 2015) mesmo, em Curitiba, teve a manifestação de professores e estudantes, e que também resultou em violência. A manifestação havia sido a favor da educação e ainda assim teve isso, a violência está em todas as esferas. Tem violência, mas também tem resistência” comentou o estudante de Biblioteconomia, Lucas Bernardes, morador do Conjunto Farid Libos (Região Norte), e que, pela primeira vez acompanhou um evento no Vista Bela.

Este foi pelo menos o terceiro grande evento realizado no Vista Bela durante este ano de 2016; “Nosso evento tem também o lado do protesto, de lembrar das pessoas que sofrem no cotidiano, e também, de ajudar à comunidade… Estamos aí para isso mesmo, para levar um pouco mais de alegria e agregar conhecimento às pessoas do bairro”, relatou o educador Leandro Palmeirah, idealizador do Sarau (Leandro também é criador do projeto Mh2 Música e Hip Hop, que leva educação musical à crianças do Vista Bela – Tanto o projeto como também o Sarau contam com o apoio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura – PROMIC).

Mostra de teatro e circo em Londrina terá mais de 20 atrações

Durante esta semana acontece na cidade a 12ª Londrina Mostra de Teatro e Circo. Ao todo, serão apresentados 24 espetáculos de grupos locais, além de oficinas (Com temáticas circenses como palhaços e fotografia). Todas as apresentações são gratuitas, mas com senhas limitadas para controle do público. O evento é promovido pelo Núcleo de Produção da Divisão de Artes Cênicas (DAC) da UEL em parceria com o Departamento de Música e Teatro (CECA) também da Universidade.

Os eventos acontecerão em espaços diversos como a Sala Principal da DAC (Av. Celso Garcia Cid. 205), e também em locais dentro da Universidade como a Praça do CECA ou no antigo ‘Cequinha’ da UEL (Veja programação a seguir). A programação abre às 18h desta segunda na Divisão de Artes Cênicas da UEL (Av. Celso Garcia Cid. 205) com o espetáculo ‘Plano 269’ de Juliana Galante.

Programação completa da mostra - Foto: Divulgação
Programação completa da mostra – Foto: Divulgação

O encerramento da Mostra, no dia 17, contará com a apresentação do espetáculo “Seu Bonanza”, do artista Rodrigo Cassiano, às 20 horas. O trabalho é resultado de uma pesquisa prévia iniciada quando o Cassiano ainda cursava o curso de Artes Cênicas da UEL, no ano de 2009. É ele também quem ministrará a oficina “O palhaço aprendiz”, com introdução ao universo da arte do palhaço. No dia 15 acontece também uma oficina para fotografia de espetáculos ministrada pela atriz Camila Fontes. Ela é formada em Artes Cênicas e também fundadora do Teatro do Oprimido Urbano de Londrina, o TOU (Encerrado no ano de 2015).

Carnaval de Macacos - Lírica
Espetáculo ‘Carnaval dos Macados’ do Grupo Nós de Teatro (Foto) será apresentado no dia 13/04 – Foto: Lírica Aragão

Por fim, a programação prevê também um Cabaret de Variedades com números cômicos e/ou circenses. As peças baseadas nas obras do escritor Caio Fernando de Abreu terão classificação etária. Mais informações da semana e  do evento completa pode ser conferida na página www.facebook.com/ccartescenicasuel.


Veja também

DOCUMENTÁRIO SOBRE CAIO F. ABREU SERÁ EXIBIDO EM LONDRINA