Mostra Sci-fi – Ficção buscou representar temores das pessoas diante o desenvolvimento tecnológico, cita pesquisador

Termina nesta semana a mostra sci-fi realizada em Londrina pelo Sesc Cadeião Cultural. John Carpenter, Mario Bava e Jack Arnold são alguns dos diretores relembrados, desde a abertura da mostra na última quarta-feira (07). O espaço preparou uma jornada de quatro décadas pelo mundo dos “filmes B” da ficção científica. O evento segue até 14 de março e traz seis importantes longas-metragens que retratam a ficção científica dos anos 50, 60, 70 e 80.

O clássico 'Eles vivem' (John Carpener) de 1988 encerra a mostra nesta quarta - Foto: Divulgação
O clássico ‘Eles vivem’ (John Carpener) de 1988 encerra a mostra nesta quarta – Foto: Divulgação

A programação iniciou com uma abertura feita pelo professor Dr. André Azevedo da Fonseca,  pesquisador do departamento de comunicação da UEL. Na mesma noite, o filme “A ameaça que veio do espaço” (1953), do diretor Jack Arnold, foi exibido Cadeião. “Há ainda muita controvérsia sobre a origem da ficção científica propriamente dita. Muitos entendem que o romance Frankenstein: o moderno prometeu, de Mary Shelley, no início do século XIX, se tornou, à posteriori, a primeira obra de ficção científica da história. Este é um gênero moderno por definição, pois o próprio conceito de ciência, tal como o conhecemos hoje, é recente”, contou André Azevedo em entrevista ao Rubrosom. Ao longo da semana, além de A Ameaça Que Veio do Espaço, a mostra apresentou títulos de diretores consagrados das 4 décadas. Mario Bava e Joseph Losey compõem a mostra com O planeta proibido (1956), Os malditos (1963), O planeta dos vampiros (1965), Fuga no século 23 (1976) e Eles vivem (1988) que será exibido nesta quarta. 

O segundo filme da mostra 'O planeta proibido' de Fred M. Wilcox, será exibido no dia 8 de março - Foto: Divulgação
O segundo filme da mostra ‘O planeta proibido’ de Fred M. Wilcox, será exibido no dia 8 de março – Foto: Divulgação

Para André, a relação das artes e do entretenimento com o tema de ficção científica é anterior ainda à história do cinema “A literatura de ficção científica buscou representar os desejos e os temores das pessoas diante o desenvolvimento cada vez mais acelerado de processos e artefatos tecnológicos. Por isso a ficção científica é fundamentalmente diferente de narrativas da cultura oral, baseadas em mitos, e também de outras narrativas escritas clássicas que imaginavam futuros alternativos, como vemos, por exemplo, em Utopia, de Thomas Morus”, concluiu Azevedo.

Sobre a mostra Sci-Fi – O gênero de ficção científica é reconhecido por sua diversidade e intensa produção. A mostra Scfi-Fi busca, dentro dessa vasta obra, apresentar títulos que suscitem a discussão e o debate, tanto sobre o gênero, quanto sobre o período de sua produção.

Com essa intenção, o catálogo da mostra é divido em seções por década, como um almanaque. Cada espectador presente na abertura da mostra também receberá um exemplar do catálogo, a fim de acompanhar as diversas informações, curiosidades, a vida dos diretores e análise das obras. A Mostra, enfim, traz os títulos como ponto de partida para um entendimento amplo do gênero de ficção científica e também do tempo, seja o tempo em que os filmes foram produzidos, ou o tempo que as obras “imaginaram” que o futuro seria. “Ficção científica, na verdade, não fala do futuro. Mas representa os anseios do presente em relação às consequências possíveis do desenvolvimento das tecnologias contemporâneas. Este gênero procura identificar e desenvolver, através da ficção, algumas das tendências ainda embrionárias das ciências de seu tempo. Por isso, ao contrário de prever o futuro, o gênero contribuiu para desenvolver a imaginação e estimular a crítica ética sobre os caminhos percorridos e desejados pela comunidade científica na atualidade”, pontua André.

Quando questionado sobre a certa crítica feita ao gênero, que muitas vezes é considerado um ‘elo perdido’ ligado à uma projeção do futuro que, de fato, nunca se concretizou, André cita as outras preocupações e aspectos analisados na produção do gênero. “Nesse sentido, a produção pioneira no cinema de ficção científica revela outras coisas. Não tem sentido exigir que os criadores do passado “adivinhassem” as tecnologias que surgiriam décadas depois. Se os filmes abordaram as preocupações de seu tempo, agora contribuem como fontes primárias de história para que a gente possa compreender quais eram as ameaças que agitavam a imaginação da humanidade no passado. E esse exercício sempre contribui para que a gente possa comparar os fantasmas do passado com aqueles que criamos atualmente e, assim, nos conhecermos melhor. Observar uma caricatura sempre nos ajuda a enxergar melhor os detalhes decisivos que passam despercebidos. Além disso, é muito interessante verificar os caminhos imaginados – mas não trilhados – pela ciência para compreender que o presente é o resultado da cooperação e da disputa entre inúmeras tendências que coexistiam. A ciência não é uma avenida reta, mas uma árvore viva com galhos que se bifurcam indefinidamente. Tecnologias de ponta se tornam rapidamente obsoletas; pesquisas de teoria pura aparentemente incompreensíveis detonam tecnologias revolucionárias, cruzamentos interdisciplinares produzem frutos inesperados, acidentes de percurso provocam descobertas inimagináveis e redirecionam todo um campo de pesquisa…”.

O professor ainda conclui, “Quando um paradigma tecnológico é suplantado por outro, toda uma representação de futuro baseada nesse alicerce simplesmente desmorona. Mas isso não quer dizer que as representações de futuro do passado, tornadas fantasmagóricas, foram inúteis. Ao contrário, a imaginação é precisamente uma das forças mais importantes que, ao lado da técnica, impulsiona as inovações. Frequentemente a ciência tem uma relação de mão dupla com a ficção científica: uma é influenciada pela outra e vice-versa. E como a lógica da ciência é o desenvolvimento, é natural e desejável que as tecnologias e as suas representações na arte sejam superadas e renovadas, explorando novos caminhos. É curioso observar, no entanto, que muitos temas perduram. O problema da tecnologia que sai do controle humano, por exemplo, é recorrente. Nesse sentido, revisitar os filmes do passado também contribui para observar quais problemas éticos e filosóficos são duradouros, e quais perderam o sentido”, conclui André.

A realização desta mostra de cinema está diretamente vinculada ao projeto CineSesc, idealizado pelo Núcleo de Cinema do Departamento Nacional do Sesc (RJ) e presente em centenas de Unidades do Sesc por todo o Brasil. Através do projeto CineSesc, o público tem acesso a importantes produções audiovisuais nacionais e estrangeiras não relacionadas à lógica convencional do circuito comercial do cinema. Deste modo, o projeto abre um importante espaço para produtores independentes, como também oferece uma programação singular à comunidade londrinense.

PROGRAMAÇÃO
07 de março às 19h – Bate-papo de abertura com professor e pesquisador do Departamento de Comunicação do Centro de Educação Comunicação e Artes – CECA – da Universidade Estadual de Londrina UEL + lançamento e distribuição do catálogo da mostra

07 de março às 20h – A ameaça que veio do espaço (Dir. Jack Arnold, 80min, 1953) – exibido
08 de março às 20h – O planeta proibido (Dir. Fred M. Wilcox, 90min, 1956) – exibido
09 de março às 20h – Os malditos (Dir. Joseph Losey, 95min, 1963) – exibido
10 de março às 16h – O planeta dos vampiros (Dir. Mario Bava, 88min, 1965) – exibido
11 de março às 16h – Fuga no século 23 (Dir. Michael Anderson, 119min, 1976) – exibido
14 de março às 20h – Eles vivem (Dir. John Carpener, 94min, 1988)


Serviço:
Clássicos Sci-Fi – Mostra de Cinema
de 07 a 14 de março de 2018
Ingressos gratuitos, disponíveis sempre com 1h de antecedência de cada sessão
Sesc Cadeião Cultural
R. Sergipe, 52, Centro
Londrina/PR

Leste Oeste – Filme londrinense é premiado em festival nos EUA

Continuando o bom momento para o cinema londrinense, que vive uma fase de bastante produção, e também, reconhecimento pelas produções lançadas neste ano, o longa-metragem Leste Oeste, com direção de Rodrigo Grota, conquistou o prêmio de Melhor Filme Narrativo (Narrative Feature) do Erie International Film Festival, nos EUA. Trata-se do primeiro prêmio internacional do filme.

O ator Filipe Garcia em uma cena do longa-metragem Leste Oeste - Foto de Elizeo Garcia Junior
O ator Filipe Garcia em uma cena do longa-metragem Leste Oeste – Foto de Elizeo Garcia Junior

O filme foi rodado ao longo de duas semanas, em dezembro de 2014, em Londrina e região. Ele também já havia conquistado dois prêmios em sua estreia em maio no 20º Cine PE – Festival Audiovisual de Pernambuco: Melhor Atriz, para Simone Iliescu; e Melhor Ator, para Felipe Kannenberg. Produzido com patrocínio da Prefeitura de Londrina via Promic, Leste Oeste acompanha a trajetória de Ezequiel, um piloto de corridas que após 15 anos volta para a sua cidade natal e encontra uma família fragmentada. “Pesquisas para a produção tiveram início ainda em 2010. Houve um período de tempo de envolvimento, de conversas com a produção… No início já tínhamos a ideia do nome que vai e volta (Fazendo alusão ao personagem, que retorna para a cidade), e outros elementos foram surgindo e ficando mais concretos. Neste roteiro, há diferenças da trilogia do esquecimento (Projeto anterior de Grota) – Foi um projeto no qual me dediquei mais em aspectos como diálogos, e também à direção de atores. No Leste Oeste houve toda uma trajetória com motivações, passado por desejos, e uma profundidade maior… Tivemos personagens muito bem vindos, além de, ter sorte de encontrar em Londrina, pessoas para o resto do elenco”, contou Rodrigo Grota em entrevista ao Rubrosom.


O filme, o primeiro longa-metragem a ser produzido por uma equipe de Londrina, conta com produção de Guilherme Peraro e Roberta Takamatsu, direção de fotografia de Guilherme Gerais (Intergalático), direção de arte de José de Aguiar (Trilogia do Esquecimento), trilha sonora de Rodrigo Guedes (Grenade, Killing Chainsaw), desenho de som de Alexandre Rogoski, som direto de Bruno Bergamo, figurinos de Mayhara Nogueira Piana, maquiagem de Eve Chaiben, projeto gráfico de Yan Sorgi. No elenco, além de lliescu e Kannenberg, estão Bruno Silva, José Maschio, Filipe Garcia, Letícia Conde, Edu Reginato e Ciça Guirado.

Circuito & Distribuição – Após a estreia em Recife em 7 de maio, o longa-metragem Leste Oeste já foi exibido em outros festivais e sessões especiais: Rio de Janeiro (Projac/Rede Globo), São Paulo (40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo), Londrina (Cinesystem, Sesc/Semana Literária, Sesi e Espaço de Cinema do Aeroporto), Belo Horizonte (Tela em Transe/Sesc Palladium), Aracaju (Sercine Festival Audiovisual), Cornélio Procópio (CineUrge), São José do Rio Preto (Cinexpresso/Sesc Rio Preto) e na Índia (4th Indian Cine Film Festival).

Desde novembro, o filme conta com distribuição internacional da empresa americana Adler Associates Entertainment Inc, sediada em Los Angeles. Já a distribuição no Brasil está prevista para ocorrer a partir de maio de 2017 inicialmente em salas de cinema.

Séries de TV e Longas – Entre os projetos da produtora Kinopus para o próximo ano estão a finalização da série de TV Brincando com a Ciência!, e a produção da série de TV Família é Família!, ambas aprovadas no FSA para TVs Públicas.

Composta por 26 episódios de 13 minutos cada, a série Família é Família! será rodada integralmente em Londrina e contará com roteiro de Roberta Takamatsu, direção de Rodrigo Grota e produção de Guilherme Peraro. Além desta série de TV, a segunda da produtora, a Kinopus vai finalizar o longa doc sobre o episódio ocorrido a 10 de dezembro de 1987 em Londrina e que ficou conhecido como ‘Assalto ao Banestado‘. O filme é o 2º longa-metragem da produtora e conta com patrocínio da Prefeitura de Londrina via Promic.

 

Festival Kinoarte de Cinema exibe três filmes nesta quinta

A programação do 18º Festival Kinoarte de Cinema continua nesta quinta-feira (24) com a exibição de dois filmes nacionais inéditos em Londrina: “Guerra do Paraguay”, às 19 horas, e “O diabo mora aqui”, às 21 horas, no Cineflix do Aurora Shopping, localizado na avenida Ayrton Senna da Silva, 400, na Gleba Palhano. Os ingressos custam R$10 e R$5 (meia-entrada).

Além das produções brasileiras, também haverá duas exibições do clássico italiano “Um dia muito especial”, com entrada franca, às 16horas e às 20h30, no Cine Com-Tour, na avenida Tiradentes, 1.241, Jardim Shangri-Lá A. O filme “Guerra do Paraguay”, dirigido por Luiz Rosemberg Filho, é uma ficção poética sobre uma guerra sangrenta e um fato inesperado que se torna real: um encontro do passado com o presente, da barbárie com a arte. Um soldado vindo da Guerra do Paraguai se encontra com uma trupe de teatro dos dias de hoje. O resultado é impactante. O elenco conta com Patrícia Niedermeier, Chico Diaz, Ana Abbott e Alexandre Dacosta.

Outra produção nacional, “O diabo mora aqui” é um filme de terror com a direção de Dante Vescio e Rodrigo Gasparini. Quatro jovens decidem passar uma noite em um casarão colonial e acabam envolvidos em uma luta entre forças ancestrais. Eles terão que lutar por suas vidas em uma guerra em que não importa quem vença, todos perdem. O filme conquistou prêmio de Melhor Filme Estrangeiro do Festival Internacional de Cinema FilmQuest, em Utah, Estados Unidos.

“Um dia muito especial”, de Ettore Scola transcorre no período da segunda Guerra Mundial e tem a participação de Marcello Mastroiani - Foto: Divulgação
“Um dia muito especial”, de Ettore Scola transcorre no período da segunda Guerra Mundial e tem a participação de Marcello Mastroiani – Foto: Divulgação

Para os amantes do cinema italiano, o Festival Kinoarte de Cinema reservou uma dose dupla para exibir o clássico “Um dia muito especial”, de Ettore Scola. A obra retrata um encontro entre Hitler e Mussolini em Roma e seu impacto entre a população local e a história mundial.

A 18ª edição do evento vai até domingo (27). O Festival tem patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). A programação completa está no endereço www.kinoarte.org/festival.


SERVIÇO
18º Festival Kinoarte de Cinema – Confira Programação: http://www.kinoarte.org/festival/

Festival Kinoarte – Experimentalismo e temáticas raciais marcam programação

Dando continuidade à sua ideia de promover filmes ‘fora de eixo’, assim como, ser uma vitrine para produtores locais de áudio-visual começa amanhã a 18ª Edição do Festival Kinoarte de Cinema. Neste ano, o evento dará destaque à produção nacional e promovendo diversos links entre assuntos em pauta em todo o País e temáticas locais (Temáticas como povos indígenas e a cultura Afro estão presentes em filmes deste ano), segundo a divulgação, até o próximo dia 27, em um período de 10 dias, serão apresentados 64 filmes 64 filmes em 80 sessões promovidas no Cineflix do Aurora Shopping e no Cine Com-Tour UEL.

O curta-metragem "Quando o Verde toca o Azul" será exibido no dia 25/11 - Foto: Divulgação
O curta-metragem londrinense  “Quando o Verde toca o Azul” segundo curta-metrgem de Letícia Nascimento, será exibido no dia 25/11 – Foto: Divulgação

A programação foca principalmente em filmes que vêm obtendo destaque nos principais festivais de cinema do mundo em 2016. É o caso de “Martírio”, documentário premiado no Festival de Brasília este ano,na categoria Juri Popular. O segundo filme da trilogia do diretor e indigenista Vincent Carelli, criador do projeto Vídeo nas Aldeias, será exibido nesta sexta-feira, às 20 horas. Segundo divulgado, haverá um link com o documentário local “Eg In: Nossa Casa”, realizado na Terra Indígena Apucaraninha (Direção de Luis Henrique Mioto, Eduardo Tardeli e Rafael Sosa) que será exibido no sábado, dia 26… “Sempre tentamos colocar o máximo de filmes da cidade, foram submetidos ao festival cerca de 15 filmes e 8 entraram no festival. Vemos sempre aspectos como o domínio da linguagem, aspectos técnicos, a ideia que o diretor propôs e também um certo experimentalismo”, contou o jornalista Bruno Ghering, coordenador de produção do Festival Kinoarte ao Rubrosom.

O filme "Canto do Claustro' que já foi exibido em uma mostra do Festival de Cannes (França) é um dos selecionados - Foto: Divulgação
O filme “Canto do Claustro’ que já foi exibido em uma mostra paralela do Festival de Cannes (França) é um dos selecionados – Foto: Divulgação

Outro destaque pela produção é o filme “Pitanga”, dirigido por Beto Brant e Camila Pitanga, que traz como tema a vida e obra do ator Antônio Pitanga. Devido a uma coincidência de datas, o domingo (20) terá programação dedicada ao Dia da Consciência Negra, no mesmo dia será apresentado o documentário londrinense “Dona Vilma”, filme que conta a história de Vilma Santos de Oliveira, também conhecida como Yá Mukumby, passando por sua trajetória pessoal, e política, ligada ao movimento negro da cidade. Outro destaque fica por conta do curta ‘O Pelourinho’ (Camila Yoshida e Felipe Pauluk) que foi filmado inteiramente em VHS.

O filme conta a história de Vilma Santos de Olivieira, também conhecida como Yá Mukumby, passando por sua trajetória pessoal e política com destaque para sua participação na instauração do processo de cotas na Uel - Foto: Divulgação
O filme conta a história de Vilma Santos de Olivieira, também conhecida como Yá Mukumby, passando por sua trajetória pessoal e política com destaque para sua participação na instauração do processo de cotas na Uel – Foto: Divulgação

Elogiado, o documentário “Cinema Novo”, dirigido por Eryk Rocha, filho do cineasta Glauber Rocha também integra a programação do evento. Trata-se de um ensaio poético que investiga um dos principais movimentos do cinema latino americano que inventou uma nova forma de fazer cinema no Brasil, nos anos de 1960. A produtora Joelma Oliveira Gonzaga fará a apresentação do filme ao público londrinense. No ano em que o País sediou os Jogos Olímpicos, o esporte será representado no Festival Kinoarte com a exibição de quatro filmes realizados por meio do programa Memórias do Esporte Olímpico Brasileiro, do canal ESPN. São eles: “O Nadador”, do diretor londrinense, Rodrigo Grota, que conta a história de Tetsuo Okamoto, o primeiro nadador brasileiro a ganhar uma medalha olímpica; “Procura-se Irenice”, de Marcos Escrivão e Thiago Mendonça, que apresenta a trajetória da atleta negra Irenice e seus embates com a ditadura militar de 64; “Irmãos Grael”, de Marina Pessanha, sobre as conquistas dos iatistas Lars e Torben Grael, vencedores de sete medalhas olímpicas; e “As Incríveis Histórias de um Navio Fantasma”, de André Bomfim e Gustavo Rosa de Moura, que conta a viagem da delegação brasileira para as Olimpíadas numa inusitada viagem transatlântica.

O festival contará ainda com quatro Mostras Competitivas de curtas-metragens: Londrinense, Paranaense, Nacional e Ibero Americana. Com 32 filmes, as mostras distribuirão R$ 8 mil em prêmios, além do troféu Udihara para os vencedores de cada categoria. Atividades já tradicionais do evento serão mantidas, como o projeto “Kinocidadão”, que promoverá 10 sessões gratuitas de cinema para 1.500 alunos de escolas públicas. Os estudantes assistirão “As Aventuras do Avião Vermelho”, um filme de animação brasileiro premiado em diversos festivais.

Reuniões, debates e bate-papos sobre cinema e produção de audiovisuais acontecerão durante todo o evento. O momento é positivo “A galera ta fazendo bastantes filmes e ta melhorando. Esses editais e opções de fomento, hoje em dia,  ajudam a formar novos grupos e produções hoje em dia. Sentimos falta apenas de filmes, por exemplo, produzidos por cursos de artes-visuais da cidade, todos os anos pelo menos um novo filme era produzido pelos cursos e neste ano não tivemos nenhum”, comenta Bruno Ghering sobre uma das peculiaridades deste ano.

O Festival Kinoarte de Cinema é uma realização da Kinoarte (Instituto de Cinema de Londrina), produzido pela produtora Filmes do Leste, tem patrocínio da Prefeitura de Londrina via Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) e apoio da Universidade Estadual de Londrina (Casa de Cultura UEL), Aurora Shopping, Cineflix, Viação Garcia e Brasil Sul, Supermercados Viscardi, Refrikoo, Quadra Construtora, Museus Histórico de Londrina Pe. Carlos Weiss, W2 Digital e promoção da RPC. A programação completa do Festival está disponível no site do Festival.


Serviço:
18º Festival de Kinoarte de Cinema
Quando – 18 a 27 de novembro

18º Festival Kinoarte de Cinema divulga seleção de curtas

O Festival Kinoarte de Cinema divulgou, na última quarta-feira (9), a lista dos curtas-metragens selecionados para participar da 18ª edição do evento em Londrina, que será realizada de 18 a 27 de novembro. As exibições irão ocorrer no Cine Aurora Shopping e Cine Com-Tour UEL. A programação completa será divulgada nos próximos dias. O Festival conta com patrocínio da Prefeitura de Londrina, por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

O filme "Canto do Claustro' que já foi exibido em uma mostra do Festival de Cannes (França) é um dos selecionados - Foto: Divulgação
O filme “Canto do Claustro’ que já foi exibido em uma mostra do Festival de Cannes (França) é um dos selecionados – Foto: Divulgação

O Festival é um dos mais tradicionais do Paraná, e a programação desta edição traz 63 filmes, incluindo curtas e longas-metragens nacionais e internacionais, e as já tradicionais Competitivas Ibero-Americana, Nacional, Estadual e Londrinense de curtas, que concorrem ao troféu Udihara de melhor filme, de acordo com os júris oficial e popular. Mais informações sobre o evento estão no endereço www.kinoarte.org/festival/.

O coordenador de produção do Festival Kinoarte de Cinema, Bruno Gehring, informou que a organização recebeu um total de 600 inscrições, apenas na categoria de curtas. “O foco do Festival continua sendo o cinema nacional e independente, com amplo destaque para as produções locais e reunindo filmes nacionais que estão em destaque no cenário brasileiro e do exterior, vários deles tendo conquistado prêmios em eventos importantes”, ressaltou.

 um dos principais destaques de toda a programação será o documentário “Cinema Novo”, dirigido por Eryc Rocha, que encerrará o 18º Festival - Foto: Divulgação
um dos principais destaques de toda a programação será o documentário “Cinema Novo”, dirigido por Eryc Rocha, que encerrará o 18º Festival – Foto: Divulgação

O Festival também terá alguns filmes exibidos em sessões temáticas especiais, envolvendo temas como “Consciência Negra”, “Memória do Esporte Olímpico” e “Indígena”. A produção, que recebeu neste ano o prêmio “Olho de Ouro” no Festival de Cannes, é um ensaio poético que retrata o movimento brasileiro Cinema Novo, que revolucionou a criação artísticas nos anos 1960 e 1970, colocando o Brasil no mapa do cinema mundial.

A Competitiva Nacional de Curtas terá 13 produções, incluindo filmes de 7 estados diferentes: Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Já a Competitiva Ibero-Americana, realizada pelo terceiro ano consecutivo, traz cinco curtas: “Icaro”, de Yeyo Kamikaze e Edgar Alan Palacios (México); “Icelands”, de Miguel Ángel Mejia (Espanha/Alemanha); “Lost Village”, de George Todria (Espanha Geórgia); “Mater Salvatoris”, de Marc Barceló (Espanha) e “Materia Prima”, de Cristian Mellado (Chile).

Londrina – De Londrina e região, oito filmes foram selecionados para integrar a Competitiva Londrinense de Curtas. As produções locais serão exibidas pela primeira vez durante o festival. Atrás apenas da Competitiva Nacional, este é o segmento que possui o maior número de filmes no evento.

Realização – O Festival Kinoarte de Cinema é uma realização da Kinoarte (Instituto de Cinema de Londrina). É produzido pela Filmes do Leste e tem patrocínio da Prefeitura de Londrina por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).

Confira os curtas selecionados para o 18º Festival Kinoarte de Cinema:

Competitiva Ibero-Americana
• Icaro, de Yeyo Kamikaze e Edgar Alan Palacios (MEX)
• Icelands, de Miguel Ángel Mejia (ESP | ALE)
• Lost Village, de George Todria, (ESP | GEO)
• Mater Salvatoris, de Marc Barceló (ESP)
• Materia Prima, de Cristian Mellado (CHI)

Competitiva Londrinense
• Baldy, de Andianara Barbora, Jackeline Seglin, Jenny Torres, Loraine Kavrokov, Nivaldo Lino, Paola Cuenca Moraes e Victor Struck
• Encontro de Raízes, de Sandro Branco
• O Enterro do Caipira, de Robinson Borba
• Gira Brasil Londrina Garopaba, de Arthur Ribeiro
• Invasores, de Carlos ‘Fofaun’ Fortes
• A Noiva, de Karina Rocha
• O Pelourinho, de Felipe Pauluk e Camila Yoshida
• O Retrato, de Jackeline Seglin

Competitiva Paranaense
• O Canto do Claustro, de Gustavo Minho Nakao
• A Casa sem Separação, de Nathália Tereza
• Com Todo Amor de Que Disponho, de Aristeu Araújo
• Lobo, de Thiago Busse
• Parque Pesadelo, de Aly Muritiba e Francisco Gusso

Competitiva Nacional
• O Delírio é a Redenção dos Aflitos, de Fellipe Fernandes (PE)
• Deusa, de Bruna Callegari (SP)
• O Estacionamento, de Willian Biagioli (PR)
• Uma Família Illustre, de Beth Formaggini (RJ)
• Garoto VHS, de Carlos Daniel Reichel (SC)
• Lightrapping, de Marcio Miranda Perez (SP)
• A Moça que Dançou com o Diabo, de João Paulo Miranda Maria (SP)
• Não me Prometa Nada, de Eva Randolph (RJ)
• Outubro Acabou, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes (RJ)
• Represa, de Milena Times (PE)
• Sob Águas Claras e Inocentes, de Emiliano Cunha (RS)
• Solon, de Clarissa Campolina (MG)
• Tango, de Francisco Gusso e Pedro Giongo (PR)


SERVIÇO
Festival Kinoarte de Cinema – de 18 a 27 de novembro
(Mais informações em www.kinoarte.org/festival/)

Feito durante 8 anos filme O Pequeno é lançado em Londrina

Sensível, minimalista e com enredo aberto para dezenas de interpretações, assim como, identificações do público… Assim é o filme ‘O Pequeno’ de Luis Henrique Mioto, lançado recentemente, mas que começou a ser filmado há oito anos atrás. Segundo o diretor/produtor a demora foi resultado de um processo de adaptação, perda de entusiasmo com a obra e também apoio de amigos importantes no processo (Confira a seguir).

Estradas, paisagens rurais e casas de madeira compõem o universo do filme 'O Pequeno' produzido ao longo de 8 anos - Foto: Divulgação
Estradas, paisagens rurais e casas de madeira compõem o universo do filme ‘O Pequeno’ produzido ao longo de 8 anos – Foto: Divulgação

O filme, com apenas 40 minutos de duração é descrito como uma ‘fábula cinematográfica’. Um filme que perambula sutilmente pelos sonhos e medos de cada um que entra em contato com a sua história, valorizando um sabor assombroso de toda procura e descoberta interna e, também, um sabor cálido da alegria que vem quando um universo mágico se revela. Há um jovem protagonista, que caminha por lugares, conversa com desconhecidos (E depois conhecidos) motivado por uma busca para salvar sua planta… Em sua ‘saga’ o protagonista passeia por estradas, grandes plantações e até casas rurais de madeira. Há alguns fatos com certo ‘elemento surpresa’ na trama mas que apenas realçam o certo lirismo e poética presente na obra.

O personagem envolto em seus próprios dilemas acaba encontrando outras figuras que possuem também, por sua vez, outros dilemas. Desse encontro ocorre a trama minimalista que permite várias leituras ou interpretações da trama… “Chegou num ponto em que pensei que ‘Até que ele é bom’, mas, a incerteza sobre ele é constante ainda. Até hoje não consegui fazer algo que eu considere acabado total, algo que eu ache muito bom…”, contou o diretor à reportagem do RubroSom. Segundo ele há outras referências no filme como cinema iraniano e até diretores que mesclam a coisa do documentário com a ficção. O tempo de gestação e criação do projeto até remete a produções como Boyhood (Richard Linklater) gravado ao longo de 12 anos com o mesmo elenco, no entanto, aqui o processo foi meio acidental, inclusive, contando com agentes externos que influenciaram o processo. “Um casal de amigos meus leu o roteiro e me instigou a retomá-lo, em uma época na qual já tinha parado de mexer com o filme” enfatizou Mioto.

O produtor, acostumado a mexer com documentários iniciou assim um feliz primeiro passo no gênero da ficção, embora para ele, as duas linguagens caminhem próximas. Confira uma entrevista com o diretor Luis Mioto:

Tem referências meio notáveis no filme (O Pequeno príncipe) o que mais você pode falar de referências que tiveram no seu filme?
Essa é uma referência importante sim… Assistindo ele hoje novamente acho que o Jodorowsky está no filme também. Tem também uma referência do iraniano Abbas Kiarostami (diretor do filme ‘Onde Fica a Casa do Meu amigo?”, alguns autores russos… Tentei ser o mais ‘cult’ possível (risos).

O filme foi exibido na última terça-feira no Sesi/AML em Londrina, juntamente com os filmes Senhora L, de Artur Ianckievicz, e Samantha de José Dias. O diretor Rodrigo Grota participou de um bate papo com os diretores (Mioto é o primeiro do lado esquerdo) - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
O filme foi exibido na última terça-feira no Sesi/AML em Londrina, juntamente com os filmes Senhora L, de Artur Ianckievicz, e Samantha de José Dias. O diretor Rodrigo Grota participou de um bate papo com os diretores (Mioto é o primeiro do lado esquerdo) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Você falou sobre o (longo) processo de parar e recuperar o filme várias vezes, a coisa do entusiasmo com o projeto, da euforia… imagino que seja difícil manter isso aceso ao longo do processo todo?
É sim… foi um pouco mais de oito anos no processo. Eu comecei filmando com um tipo de Luis, e terminei ele como outro tipo de Luis, e esse processo foi muito dolorido, envolveu sofrimento, no sentido de que, eu sempre busquei que fosse verdadeiro né? Essa estreia, essa apresentação, esse momento, e que fizesse sentido. No processo caiu o sentido, recuperei o sentido é um processo de idas e voltas… É um processo ‘Por bem ou por mal’ de ficar hoje na cadeira assistindo o filme, assisti de novo. Chegou num ponto em que pensei que ‘Até que ele é bom’, mas, a incerteza sobre ele é constante ainda. Até hoje não consegui fazer algo que eu considere acabado total, algo que eu ache muito bom… Já fiz alguns filmes, mas, não chegou num ponto ainda de falar que está ‘completo’, este processo pode ocorrer ou não, mas é o que faz continuar e seguir…  Sempre acreditando que tem o que melhorar e o que crescer ainda…

O processo levou anos, foram então quatro ‘eras’ de filmagens diferentes?
Isso, começamos em 2008 quando fiz o roteiro… Tentamos filmar de uma maneira bem rudimentar, com uma câmera emprestada da UEL… Não deu muito certo, estávamos muito despreparados em relação à produção. Voltamos em 2011, um casal de amigos meus leu o roteiro e me instigaram a retomá-lo, mexer com ele… Era algo até que eu tinha abandonado. Ai voltamos e filmamos… Teve também um momento posterior de edição, de fechamento. O filme só foi concluído também devido ao vínculo que criei com Joãozinho (Que no filme interpreta o protagonista). Eu queria que ele visse o filme pronto, como ele gostou do personagem…

Muita gente elogiou o trabalho, falou bem do conjunto todo… Podemos dizer que houve uma boa recepção então?
Muitas pessoas acharam legal sim, mas não tivemos uma conversa ainda no sentido profundo, continua uma incógnita ainda, como é o olhar de outras pessoas sobre essa produção. Ajuda muito a observar a própria obra… Falta um pouco em Londrina a coisa da crítica, algo mais aprofundado. O filme não é uma mercadoria, acho que falta essa coisa da reflexão, espero que o pessoal encare isso de uma maneira sensibilizadora, seja ela qual for, eu preciso de conversas de impressões sobre o filme…

Feito durante 8 anos filme O Pequeno é lançado em Londrina
João Gabriel Alves da Silva encarna o protagonista no filme ‘O Pequeno’ – Foto: Divulgação

Você teve bastantes experiências com documentários, registros, agora fez esse trabalho de ficção… Agora você se sente mais disposto a pensar em novas ficções?
Acho que a ficção e documentário são muito próximas, é difícil achar esse limite entre um e outro… A ficção que eu faço flerta muito com o limite do documentário. Todo documentário tem uma direção, roteiro, tem uma coisa forte de ficção ali. Tem muita poesia, todo documentário é ficcional… Tenho me interessado muito por diretores que assumem essa mescla, o próprio Kiarostami, tem um diretor português Pedro Costa (Que faz isso)… Tenho gostado de flertar com isso por enquanto. To num momento de procurar o próprio caminho, as vezes escrevo algo e não gosto, acho que estou no caminho, mas não sei se agora é um momento.

Você jogou um pouco essa provocação para o público, queria que você comentasse sobre… Porque continuar fazendo filmes?
Acho que a gente tem que sensibilizar pessoas, esse é o serviço do artista, a arte sensibiliza esses canais de carinho e amor, de reconhecimento de si próprio… A arte desentope essa ‘saturação’ que muitas pessoas sentem hoje. Eu faço muito, nos meus filmes, para conhecer pessoas, eu me vejo muito em lugares onde eu não estaria se eu não estivesse com uma câmera. Entro na casa de pessoas que tem receio, sentem medo, a pessoa abre a casa, se abre pra mim em níveis nos quais ela não se abriria no primeiro encontro… O fato de eu estar fazendo um documentário faz a pessoa revelar coisas que só revelaria para um amigo de infância. Essa é a poesia dos detalhes, como um senhor senta na cadeira, como uma mulher vive em casa, a gente observa essa coisa da poesia do mundo… Gosto mais de pessoas do que de cinema (risos)… Mas acho que é isso, cinema serve tanto para pessoas do lado de lá, que é atingida como de quem faz isso. Do lado de lá da “seta” que atinge, como da pessoa que criou essa seta… Eu aprendo a esculpir a seta para sensibilizar você e você aprende com essa seta recebida, e eu aprendi com pessoas que me sensibilizaram. Cinema não é só o filme, é um encontro, é uma pessoa que assiste, a pessoa que liga as luzes, a sala escura… Cinema é tudo isso. Todo mundo faz cinema.

Mostra de cinema sobre Shakespeare é iniciada em Londrina

Começou ontem em Londrina, a mostra temática de cinema ‘Filmando Shakespeare” com nove longas-metragens adaptados da obra do dramaturgo inglês. O evento terá exibições gratuitas de filmes, em diferentes horários sempre no auditório do Sesi/AML, na região central. A programação (Confira a seguir) segue diariamente até o dia primeiro de Julho. A mostra iniciou com ‘Otello’ do diretor Orson Wells e, a partir de quarta-feira (29), haverão sessões às 14h, às 16h30 e às 19.

Rodrigo Grota conversa com público durante abertura da mostra - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Rodrigo Grota conversa com público durante abertura da mostra – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Sempre nos últimos horários, haverá uma sessão comentada com convidados. Entre os convidados; Heloisa Bauab, Mauro Rodrigues e Sílvio Demétrio (Que fez os comentários na exibição de abertura)  – todos professores da UEL – o dramaturgo Maurício Arruda Mendonça também participa do evento. A ideia é aprofundar a discussão e criar um momento de interação após a imersão dos filmes.

Na abertura, dezenas de pessoas, de várias idades – Incluindo alunos da  Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA) acompanharam a exibição de Otelo. No mesmo dia ocorreu a passagem da Tocha Olímpica por Londrina. Em horário concomitante à sessão, a carreata com a tocha passou pela Avenida Rio de Janeiro, quase paralela à rua do Sesi/AML,onde ocorria a exibição do filme. Ainda assim, não houve distração e muitos preferiram acompanhar a abertura da mostra que preencheu boa parte do auditório do local.

A Mostra
Trata-se de uma promoção da produtora Kinopus, com idealização e curadoria do cineasta Rodrigo Grota. O evento é a primeira homenagem na cidade pela data de 400 anos da morte de William Shakespeare; Autor que inspira uma verdadeira legião de ídolos, devido sua importância tanto no teatro quanto na poesia. Shakespeare faleceu em abril de 1616 e deixou um acervo de 38 peças, mais de 150 sonetos além de dois longos poemas narrativos.

Público acompanha a exibição de Otelo (Orson Wells) na última terça - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Público acompanha a exibição de Otelo (Orson Wells) na última terça – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Nos séculos XX e XXI seus trabalhos foram repetidamente adaptados e redescobertos por novos movimentos artísticos e performances. Atualmente, sua obra continua ainda popular e frequentemente é tema de espetáculos e apresentações em diversos contextos culturais e políticos. “Tem um crítico que fala que o Shakespeare foi responsável pela invenção do humano como nós conhecemos hoje, ele tem um livro sobre as obras e os arquétipos que ele criou a partir dos personagens… O que eu acho que ele consegue fazer com maestria é mostrar tanto dramas históricos, mas também, consegue mergulhar na profundidade dessa alma humana, sem explicação tão racional. Ele faz esse mergulho de uma forma muito poética. Naquele período (Século XVI) a língua inglesa estava ainda em formação, então dizem que ele foi responsável pelo registro de muitos vocábulos da língua inglesa. Ele conta uma história, cria uma linguagem poética e ainda emociona o público de uma forma muito forte”, contou o cineasta à reportagem do RubroSom.

Segundo Grota, o critério artístico, e, sobretudo, a qualidade das produções foi um fator determinante para a escolha da programação. Produções muito comerciais ou mesmo que não tivessem uma qualidade estética interessante foram desconsiderados. “Tentei pegar esses filmes, com temas, que pudéssemos ver hoje e pensar no ser humano de 2016, se existe uma semelhança entre esse personagem do Shakespeare e as pessoas do século XXI, quais seriam as semelhantes né ?”, enfatiza Grota.


Filmando Shakespeare
De 28 de junho a 1º de julho
Anfiteatro do Sesi – Praça Primeiro de Maio, 130, em frente à Concha Acústica
Entrada franca
Realização: Kinopus, com apoio cultural do Sesi

Programação


Dia 29/06, Quarta
14h Hamlet (1996, 242 min), de Kenneth Branagh
19h Hamlet (1964, 140 min), de Grigori Kozintsev
Neste dia, Heloisa Bauab, professora de Artes Cênicas da UEL, conversa com o público

Dia 30/06, Quinta
14h Macbeth (1948, 92 min), de Orson Welles
16h30 Macbeth: Ambição e Guerra (2015, 113 min) , de Justin Kurzel
19h Macbeth (1971, 140 min), de Roman Polanski
Neste dia, Mauro Rodrigues, professor de Artes Cênicas da UEL, conversa com o público

Dia 01/07, Sexta
14h Falstaff (1965, 113 min), de Orson Welles
16h30 Ricardo III – Um Ensaio (1996, 112 min), de Al Pacino
19h Rei Lear (1971, 139 min), de Grigori Kozintsev
Neste dia, o dramaturgo e poeta Maurício Arruda Mendonça conversa com o público

Festival Varilux exibirá 15 filmes franceses em Londrina

O Festival Varilux de Cinema Francês exibirá 15 filmes em Londrina durante sua edição de 2016, a ser realizada entre 8 e 22 de junho. Londrina é uma das 50 cidades (Em mais de 20 estados) que sediará o festival neste ano. No Paraná, o evento também acontece em Ponta Grossa, Curitiba e Maringá. Por aqui, os eventos acontecem em dois espaços: Cineflix Aurora Shopping e o Lumiére Royal Plaza Shopping (Clique no respectivo cinema para conferir a programação). A identidade visual do festival é assinada pelo Dínamo Design e foi inspirada no cartaz do filme “Flórida”, de Philippe Le Guay.

“Flórida” é um dos filmes confirmados na programação deste ano do festival. Além dos aguardados “Chocolate”, de Rochsdy Zem, e “Meu Rei”, de Maïwenn, filmes de abertura do Festival de Cannes de 2015. Outros confirmados de destaque são “Um Doce Refúgio”, de Bruno Podalydes; “A Corte”, de Christian Vincent, “Lolo”, de Julie Delpy, e a premiada animação “Abril e o Mundo Extraordinário”, de Franck Ekinci e Christian Desmares, vencedor do troféu Cristal no Festival de Annecy.

Os diretores Rochsdy Zem, Bruno Podalydes, Christian Vincent e Philippe Le Guay, ao lado dos atores expoentes Lou de Laage e Vincent Lacoste, estarão no Brasil como convidados do festival para algumas exibições (E até debates) em cidades como Rio e São Paulo.

Cartaz de divulgação - Arte: Dínamo Design.
Cartaz de divulgação – Arte: Dínamo Design

O Festival Varilux já trouxe ao Brasil atrizes do peso de Catherine Deneuve e Isabelle Huppert, mas o evento também aposta na nova geração, como neste ano com a presença de nomes de destaque recente. Laage e Lacoste acabam de vencer os prêmios Romy-Schneider e Patrick-Deaware, um dos mais importantes oferecidos aos jovens atores em ascensão.

Eles são os protagonistas de dois filmes apresentados no Varilux 2016: ela interpreta uma freira no fim da Segunda Guerra Mundial em Agnus Dei, enquanto ele vive um garoto mimado que pretende destruir o namoro da mãe na comédia Lolo: O Filho da Minha Namorada.

Confira a programação completa no Site do Festival 


Serviço

Festival Varilux de Cinema Francês
Quando:
De 8 a 22 de Junho (Exibições a partir das 14h)
Onde: Cinfelix Aurora (Av. Ayrton Senna da Silva, 400) e Lumiére Royal Plaza Shopping (Rua Mato Grosso, 310)
Preço: Os valores para sessões do festival na cidade não foram divulgados