Garotas Suecas lança disco na festa Barbada

Um dos eventos mais tradicionais de Londrina, a Festa Barbada recebe no domingo, a banda paulista Garotas Suecas que traz em primeira mão o lançamento do seu terceiro disco ‘Futuro do Pretérito’. O show acontece no Bar Valentino e a programação da festa, que começa às 18h traz ainda o DJ residente Ed Groove e DJ Dbeat. Os dois animam a pista antes e depois do show. E também o Bazar Barbada na casinha, cheio de novidades em arte, moda e gastronomia.

Atualmente, a banda é formada por Irina Bertolucci, Fernando Freire, Tomaz Paoliello e Nico Paoliello - Foto: Marcelo Vogelaar
Atualmente, a banda é formada por Irina Bertolucci, Fernando Freire, Tomaz Paoliello e Nico Paoliello – Foto: Marcelo Vogelaar

O ‘Futuro do Pretérito’ é um tempo verbal da nossa língua, o que “faria”, “iria”, “poderia”, isso diz muito sobre o terceiro álbum de estúdio do Garotas Suecas e provavelmente por isso foi escolhido como título do trabalho mais inspirado e bem executado do quarteto paulista. A banda que em 2014 perdeu seu vocalista Guilherme Saldanha, ganhou em participação dos outros 4 integrantes, que cantam, criam e tocam com a competência em emular influências de rock sessenta e setentistas, black music e todos os tipos de cores da música brasileira, se juntam a uma clareza de discurso, sendo certeiros no trato de questões políticas e humanas, canções maduras retratando nosso tempo, nossas mazelas e questionamentos.

Se trata de um dos lançamentos mais notáveis do ano, a sequência “Objeto Opaco”, “Não tem Conversa” e “Todos os Policiais”, são socos de informação e critica conduzidas por arranjos incríveis e trabalho de estúdio maduro, na mesma linha da excelente “Angola, Luisiana”. A tropical “Ananás” e a delicada “Captei Você”, além de versatilidade também mostram um pouco das virtudes nos primeiros registros. “Quarto”, “Psicodélico” e “Morrer Azul” são as porções melancólicas do álbum, cada uma a sua forma.

A banda de Irina Bertolucci, Fernando Freire, Tomaz Paoliello, Nico Paoliello está no rol de grupos relevantes que o rock nacional produziu nos últimos tempos, com qualidade e singularidade comparáveis hoje aos também paulistas do O Terno. As mudanças na banda, o tempo de maturação da nova formação e do novo conceito foram perfeitos.

FESTA BARBADA – Projeto independente produzido pela BARBADA e realizado mensalmente no Bar Valentino desde março de 2010. Trata-se de uma caravana que integra várias linguagens em um único lugar. Inicialmente realizada na casinha do bar – estrutura mais antiga -, atualmente ocupada todo espaço que recebe toques precisos na decoração, principalmente no palco das apresentações. O horário e preço da entrada destoam do padrão da noite londrinense fazendo jus ao nome. A festa se pauta pela diversidade, integrando música, moda, literatura, gastronomia, quadrinhos, artes plásticas e artesanato atraindo um público de jovens formadores de opinião. Hoje é uma das principais vitrines da nova música, recebendo também artistas de destaque no cenário independente local e nacional.


Barbada | Edição #119
Show com Garotas Suecas (SP)
Lançamento do disco ‘Futuro do Pretérito’
+ DJ Ed Groove + DJ Dbeat 
+ Bazar Barbada
18 horas
Couvert R$ 12,00
Classificação: 18 anos

Artes – Grafatório promove festa para manutenção do espaço

Como se sabe, desde o início do ano, as Vilas Culturais de Londrina estão lutando para se manter. Com o cancelamento do edital do PROMIC pela Secretaria de Cultura, a maioria desses espaços culturais ficou sem qualquer tipo de financiamento. Muitos deles estão se articulando como podem para não precisarem fechar. E este também é o caso do Grafatório, que nesta quarta-feira (31) realiza uma festa no Bar Valentino com o objetivo de levantar fundos para sua manutenção.

Ao longo de 2016, o espaço foi cenário de várias exposições artísticas - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Ao longo de 2016, o espaço foi cenário de várias exposições artísticas – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

A Festa DOBRA de Arte Impressa está marcada para as 20h e vai contar com uma leilão de obras gráficas a preços acessíveis, feira de impressos com produtores locais, show da banda Telecopters e discotecagem de Caio D’Andréa. Todo o dinheiro arrecadado pelo leilão e pela bilheteria será revertido para o Grafatório. O ingresso custa dez reais.

O Grafatório é uma associação cultural sem fins lucrativos que desde 2012 se dedica às artes gráficas organizando eventos, cursos, exposições, disponibilizando um ateliê de uso público e promovendo outras atividades na área. Para saber mais sobre o Grafatório acesse o site www.grafatorio.com.


Serviço:
Festa DOBRA de Arte Impressa
Leilão de obras gráficas + feira de impressos + show com Telecopters + discotecagem
Entrada: R$10
Bar Valentino (Rua Prefeito Faria Lima, 486)

Evento – Usina Cultural promove evento pela manutenção do espaço

No ano em que completa 15 anos de existência, a Usina Cultural passa por dificuldades para manter o espaço aberto. Assim como as demais Vilas Culturais de Londrina e vários outros projetos, a Usina está se movimentando para prover despesas básicas sem a verba do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). Com esse intuito, seus coletivos artísticos organizam a festa “Usina a todo vapor”, com uma programação especial. O evento acontece neste sábado (13 de maio), das 14 às 22 horas, na Avenida Duque de Caxias, 4159/4169 (esquina com a Rua São Salvador). Até às 16 horas, a entrada custa R$ 5,00 e, depois desse horário, R$ 10,00.

O músico Mau Werner se apresentará com seu projeto 'One Mau Band' - Foto: Divulgação
O músico Mau Werner se apresentará com seu projeto ‘One Mau Band’ – Foto: Divulgação

Todos os artistas se apresentarão voluntariamente. A programação inclui o grupo de choro Regional Maria Boa, o grupo Acará, a One Mau Band, o músico Bernardo Pellegrini, além do coletivo cênico-musical Ôdcasa e Vanessa Nakadomari. No encerramento, uma roda de canções com a Cia Boi Voador e o Núcleo Ás de Paus (grade completa de atrações abaixo). A festa também vai oferecer um cardápio variado de guloseimas, incluindo opções vegetarianas e veganas.

Até o ano passado, a Usina Cultural contava com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Prefeitura de Londrina, por meio do edital de Vilas Culturais. O processo foi suspenso no início do ano e um novo edital foi aberto. Na semana passada, terminou o prazo de entrega das novas propostas e agora é necessário aguardar o período de avaliação, para só então serem anunciados os projetos contemplados.

Apresentações cênicas serão feitas pela Cia Boi Voador e pelo Núcleo Ás de Paus - Foto: Divulgação
Apresentações cênicas serão feitas pela Cia Boi Voador e pelo Núcleo Ás de Paus – Foto: Divulgação

O edital de Vilas Culturais prevê um incentivo para custeio de locação do espaço e despesas como água, energia elétrica, telefone/internet, além de pequenos reparos, vigilância, pagamento de produtor administrativo e programador. Os demais gastos de manutenção eram custeados pela Usina e grupos parceiros. Na atual situação, as despesas vêm se acumulando desde o início do ano, e parte tem sido paga por meio de eventos e contribuições.
A festa deste sábado é a primeira ação comemorativa dos 15 anos da Usina Cultural. Nos próximos meses, acontecem outros eventos como uma feijoada colaborativa e um arraiá julino.

Em 2016 a Usina Cultural foi espaço de diversas apresentações artísticas e eventos como a festa junina organizada por vários coletivos - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Em 2016 a Usina Cultural foi espaço de diversas apresentações artísticas e eventos como a festa junina organizada por vários coletivos – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

História – Fundada em 2002 por artistas independentes da cidade, a Usina Cultural se tornou um espaço significativo para Londrina. Carregado de memória, o local tem sido palco de grandes eventos e importantes processos artísticos ao longo de sua trajetória. Foi a primeira Vila Cultural do programa, criado em 2005.
Em 15 anos de história, a Usina tem colaborado para atender a uma importante demanda de Londrina por espaços culturais. Ponto de apoio para projetos independentes, grandes eventos, atividades comunitárias e outras ações voltadas aos moradores de toda a cidade, a Usina também trabalha a formação de público.
Um projeto de ocupação anual proporciona espaço para que grupos/artistas tenham um local fixo para ensaios, pesquisas, apresentações, intercâmbios, processos de formação/aperfeiçoamento e demais atividades na área de artes cênicas e em outras linguagens.


Programação – Usina a todo vapor
Sábado, 13 de maio, a partir das 14 horas (entrada: R$10 | R$5 até às 16 horas)
15h: “Regional Maria Boa” – Grupo de Choro
16h: “De Mala e Cuia, Corpo e Alma” – Grupo Ôdcasa (teatro)
16h30: “Aguaceiro” – Vanessa Nakadomari (teatro)
17h: One Mau Band – projeto solo do músico Mau Werner
18h30: “Acará” – Música brasileira (Ale Donioli, Robson Ganeo e Vinincius Lordelos)
19h30: Bernardo Pellegrini
21h: Roda de Canções – Cia. Boi Voador e Núcleo Ás de Paus.

Chapeleiros – Grupos de folk e blues se apresentam nesta sexta

Acontece nesta sexta-feira (13) em Londrina a 3ª edição da festa chapeleiros. Evento voltado à música autoral, no Bar Valentino, e que reúne em uma mesma noite artistas oriundos de gêneros como o folk, blues, rock e pop. Nesta terceira edição se apresentam os músicos Vitor Connor, Bona Trio e Gabriel Souza e Harmonica Trio. O show começa a partir das 21h.

Entre os artistas, alguns apresentaram versões de clássicos do rock e blues, mas também, dando enfoque à composições autorais. Como o caso do Bona Trio formada por Bruno Bonafini (voz e guitarra), Douglas Shoiti (contrabaixo) e Max Santos (bateria). O grupo tem um total de 4 músicas autorais sendo tocadas nos shows, e segue compondo. A ideia do grupo é lançar um EP ainda neste ano de 2017.

Grupos autorais de folk e blues se apresentam nesta sexta
Bona Trio ao vivo durante o InBlues Festival em Londrina – Foto: Divulgação

Já com um EP na bagagem (intitulado ‘Híbrido’, lançado em 2016) o músico londrinense Vitor Conor é outro nome que se apresenta no Chapeleiros. Com suas composições englobando gêneros como o folk, pop e rock o músico, o cantor faz um trabalho que flerta com nomes mais ‘contemporâneos’ da música e com um tom mais introspectivo em algumas faixas. Já na ativa há alguns anos, tem já um extenso número de faixas compostas. Além do trabalho autoral em seus shows, Vitor, costuma tocar versões de Legião Urbana, Cazuza e Nando Reis.

Prestes a lançar também o primeiro EP, fecha a programação da noite o Gabriel Souza & Harmonica Trio, de Londrina. O grupo faz um som altamente inspirado influenciado pelo folk e blues americanos, mas, com nuances e letras (em português) influenciadas pela MPB e a música brasileira em geral. O som é cheio de groove e variações, mas, com uma preocupação especial com a parte lírica.

Bruno Bonifani (Bona Trio) Gabriel Souza e Vitor Conor ao vivo durante a última edição da festa 'Chapeleiros' - Foto:  Anne Conor
Bruno Bonifani (Bona Trio) Gabriel Souza e Vitor Conor ao vivo durante a última edição da festa ‘Chapeleiros’ – Foto: Anne Conor

O grupo tem circulado por eventos e festivais de Londrina e, em 2017 se prepara para o lançamento do primeiro registro de estúdio. O show desta sexta começa a partir das 21h. Ingressos antecipados podem ser adquiridos com os membros das bandas por R$ 15.


SERVIÇO
Chapeleiros – Com Bona Trio, Vitor Conor e Gabriel Souza & Harmonica Trio
Quando:
Sexta-feira (13)
Onde: Bar Valentino
Entrada: R$ 15 (Antecipado)

Terça Tilt – Há 13 anos evento reúne fãs de música no Valentino

Aqueles hits de sempre aliados à ilustres faixas desconhecidas, longas filas e eventuais surpresas que fazem uma noite toda valer a pena. Neste mês, a Terça Tilt, uma das festas mais conhecidas e notórias realizadas em Londrina, está completando 13 anos de existência. O projeto que inicialmente começou como uma reunião entre amigos jornalistas – Que tinham a ideia de tocar rock alternativo, indie e outros estilos populares no início dos anos 2000 – acabou resistindo ao tempo e se tornando um dos eventos mais celebrados e duradouros da cidade. Realizado sempre no meio de semana, em um dia totalmente improvável para que o grande público compareça e fique até tarde, o evento acabou contrariando diversas expectativas e resistindo! Mesmo após mudanças (Veja a seguir) acabou perdurando como um dos eventos mais emblemáticos da cidade.

Raridade! Fotos de uma Terça Tilt de Dezembro de 2004, uma das primeiras nas quais Vanessa 'Gummo' Virginia discotecou, ainda no antigo endereço do Bar Valentino - Foto: Acervo Vanessa Virgínia
Raridade! Fotos de uma Terça Tilt de Dezembro de 2004, uma das primeiras nas quais Vanessa ‘Gummo’ Virginia discotecou, ainda no antigo endereço do Bar Valentino – Foto: Acervo Vanessa Virgínia

Segundo o fundador da festa, Nelson Sato, a ideia do evento ocorreu após uma bem sucedida festa realizada ainda no ano de 2003, na Usina Cultural em Londrina, com discotecagem alternativa. “A festa surgiu em Dezembro daquele ano, a partir de um evento, feito apenas com jornalistas na Usina, na época compareceram muitas pessoas que trabalhavam na Folha de Londrina, no antigo JL, na RPC e etc… Na época tocaram pessoas como a Janaína Ávila, o Fábio Galão, e quem foi acabou gostando muito. Depois disso, tive a ideia de fazer um evento parecido, em algum espaço da cidade, chamando o Galão para ser o DJ residente, tocando o tipo de som que a gente curtia, nessa praia mais de rock, indie, alternativo – Era um som que estava bastante em alta na época, com nomes como Killers, Strokes – e não tinha lugar em Londrina onde isso tocava. Eu na época ia bastante ao Valentino e sugeri ao pessoal a ideia… O único dia possível seria nas terças! De início, eu achei que ia ser complicado, mas, como não tinha outro dia fizemos, e acabou comparecendo um público bem legal, gente que gostava desse estilo de som.Divulgamos os cartazes em várias lojas e espaços da cidade e seguimos…Só tempos depois, quando fizemos a Tilt de um ano, em 2004, notamos como o negócio tinha sido fenômeno de público mesmo. Além do bar lotado, ficou gente pra fora”, relembra Sato, que até hoje sempre inicia as discotecagens no primeiro horário. Neste dia, além da tradicional discotecagem, houve também show com a banda Mudcracks.

Na foto de cima, Gi Bedendo (Uma das djs populares dos primórdios da tilt) em uma tilt de 2004 e ao lado uma foto cle uma das tilts realizadas no mesmo ano - Foto: Acervo Vanessa Virginia.
Na foto de cima, Gi Bedendo (Uma das djs populares dos primórdios da tilt) em uma tilt de 2004 e ao lado uma foto tirada no mesmo ano (Vanessa Virginia é a de cinza) – Foto: Acervo Vanessa Virginia.

Com o tempo, a festa acabou ganhando alguns detalhes que se tornariam marca com o passar do tempo, como a rotatividade de djs, sempre com pessoas novatas comandando o som do bar. Dessa fase inicial, (e que também acabou tocando na festa durante muitos anos) Vanessa ‘Gummo’ Virgínia relembra algumas histórias da época “Encontrei por acaso o Sato na rua, eu havia voltado para a cidade há poucos meses, e foi quando ele falou da festa. Fui com algumas amigas e de cara adorei o clima intimista de terça, no velho Valentino. Fumaça, cerveja gelada, muita conversa e ao fundo uma gama de musicas interessantes tocando. No meio da noite, veio o primeiro convite: O Sato dizendo que queria muito ter uma noite só com meninas discotecando. Deu medo, claro. Mas eu já havia trabalhado uma loja de discos, então, dar play em sons que o povo gostava, para mim, era razoavelmente fácil. Em 13 dezembro 2004 fiz a primeira discotecagem na noite. A tal menina não apareceu, e tive que me virar umas duas horas e meia, até que ela desse o ar da graça. O ambiente ali, atras do balcão, com os garçons passando a toda hora de um lado para outro, pedindo licença ou não; o publico gritando que o som tava baixo, ou muito bom, ou até me confundindo com alguma atendente e pedindo cerveja; os papeis surgindo do nada com nome de musica ou nome de banda para rolar; Era o mais comum que tínhamos nas primeiras festas Tilt”, relembra Vanessa. Ela, aliás, cedeu algumas fotos do acervo pessoal para a matéria.

Fotos de duas terça-tilts no ano de 2006, já no novo endereço do Bar Valentino - Foto: Acervo Vanessa Virginia
Fotos de duas terça-tilts no ano de 2006, já no novo endereço do Bar Valentino – Foto: Acervo Vanessa Virginia

Segundo Vanessa, nessa época, a música era ainda o grande atrativo da festa. O público que, inicialmente, comparecia era muito ligado ao estilo de som que tocava, talvez, pela raridade de espaços dedicados ao gênero até então. “A festa celebrava essencialmente os bons sons. Estávamos num mundo onde Strokes, Killers, White Stripes ainda era bandas novas. A internet não era tão rápida para termos todos os discos dos anos 90’s baixados. E o que tínhamos era ouvido exaustivamente, tornando-se clássicos, só por esta razão. E continuou assim. Quase dez anos depois, eu ainda me sentia bem tocando na festa…” contou Virginia à nossa reportagem.

Mudanças –  O evento seguiu em alta durante a era do ‘antigo endereço’ do Bar, até que, em 2005, o espaço foi transferido para a Avenida Faria Lima. A mudança, segundo Sato, impactou também no público que frequentava o local. “Ali mudou muito, ampliou demais o público. Com o tempo, essa plateia (Da Tilt) foi mudando, notamos que não era mais gente só que ia pra ouvir o indie rock, aos poucos, fomos mudando o estilo. No início não tinha espaço pra nenhum pancadão, funk e outros estilos, era radical o negócio, e ai, com a mudança de perfil das pessoas, quem comparecia passou a exigir outro tipo de música….” contou Sato que, com o passar dos anos viu a Tilt abraçando novas vertentes musicais como o eletro, o pop e até eventuais funks brasileiros.

Imagens de Terças Tilt realizadas entre 2006/2008 já no novo endereço do bar (Detalhe para o CDj ainda sem a 'bancada' de apoio) - Foto: Acervo Vanessa Virginia
Imagens de Terças Tilt realizadas entre 2006/2008 já no novo endereço do bar (Detalhe para o CDj ainda sem a ‘bancada’ de apoio) – Foto: Acervo Vanessa Virginia

A solução, veio exatamente com a rotatividade dos Djs. Depois do indie rock, a saída foi buscar novas pessoas para tocar e nomes que fossem mais ligados á novas músicas que o público gostava de ouvir. “Como a festa é predominantemente universitária, foca no pessoal de 18 a 30 anos, elas tem um período na vida em que saem mais para os bares. Hoje o estilo mudou muito, esse som rock do início dos anos 2000 não é mais hegemônico, não é mais a música que todo mundo curte, logo, a festa mudou bastante, o repertório ficou bem eclético…” contou Nelson.

Uma imagem mais recente da Terça Tilt (de 2010) já com o Bar Valentino após a reforma - Foto: Acervo Londripost
Uma imagem mais recente da Terça Tilt (de 2010) já com o Bar Valentino após a reforma – Foto: Acervo Londripost

Longevidade – Em meio a um contexto (E cidade) onde bares e projetos musicais não costumam ter uma longevidade, para Sato, o fato da Tilt ter durado já por tantos anos tem a ver muito com a adaptação da proposta a novos públicos “Sempre buscamos também colocar pessoas novas para tocar, o próprio pessoal que frequenta a festa sempre pede pra tocar e isso vai movimentando o espaço. Muita gente começou a tocar na Tilt e, isso acabou formando Djs para outros espaços, gente que hoje em dia trabalha com isso tocando em outras casas noturnas”, contou Sato. Segundo ele, dar continuidade à proposta da Tilt é a principal meta para o futuro. “Em cinco anos, gente que estava nascendo quando fizemos a primeira festa em 2003 vai estar completando 18 anos, e indo ao bar, é muito louco isso”, brinca Sato.

Londrina – Mucambo de Bantu toca na última Barbada do ano

A banda londrinense Mucambo de Bantu, que recentemente se apresentou também no Festival Demosul, aqui na cidade, toca neste domingo na Festa Barbada em Londrina. O som começa a partir das 17h, além do show, o evento conta ainda o residente, DJ Ed Groove e mais uma participação do DJ ÁRIDO GROOVE. A festa ainda conta com novidades no ramo da arte, moda e gastronomia.

Mucambo de Bantu toca na última Barbada do ano

A banda – O sexteto londrinense tem um som fortemente influenciado pela black music e encabeçado pela voz da cantora Ana Paula da Costa. Num estilo dinâmico e com certo ecletismo, o repertório de músicas, sobretudo autorais, traz temas variados, crítica social, exaltação à negritude e a cultura brasileira afro-originada. Sob a influência rítmica, da poesia e da filosofia do negro brasileiro, a ideia do grupo nasceu do reconhecimento da riqueza da africanidade da música brasileira, que perdura a gerações e merece ser mantida, valorizada e posterizada nos repertórios das atuais composições.

O nome é uma referência dada pelo grupo a “casas de pretos”. Entre as diversas utilizações, a palavra “mucambo” ou “mocambo” é atribuída às moradias construídas artesanalmente; local de refúgio e residência dos escravos e negros. Já Banto ou bantus faz referência aos primeiros povos africanos escravizados a chegarem no Brasil. Os bantos contribuiriam grandemente na formação do plano cultural do país.


SERVIÇO
Data:
14 de dezembro
Local:
Bar Valentino (Rua Prefeito Faria Lima, 486)
Horário: 17h
Preço:
R$10

Entrevista com o músico Curumin

Uma percussão cheia de ‘ginga’ aliada a instrumentos de corda, junto de várias camadas eletrônicas que até deixam dúvidas sobre o número de pessoas que está tocando… O resultado é uma verdadeira parede de sons. Ao vivo, a banda tem apenas três músicos, mas é impossível não ficar em dúvida se o que estamos ouvindo não é obra de uma fanfarra inteira.

Assim é o som do músico paulistano Luciano Nakata Albuquerque (Curumin) que mistura elementos de reggae, dub, rap e outras vertentes. Possuidor de uma veia eclética, o cantor – Que também é baterista e ‘sampleador’ durante o show – Chama a atenção, desde 2005, tanto pela originalidade mostrada em seus discos autorais, como também pela colaboração como músico de apoio de outros artistas (Paula Lima, Arnaldo Antunes, Vanessa da Matta e outros).

Acho que entre abril e junho devemos nos reunir para trabalhar em mais algumas, talvez com alguma previsão de lançamento para o ano que vem... (Curumim sobre o próximo trabalho) - Foto: Divulgação/Rafael Kent
“Até junho devemos nos reunir para trabalhar em mais faixas, com alguma previsão de lançamento para 2017” (Curumin sobre o próximo disco) – Foto: Divulgação/Rafael Kent

Divulgando seu disco mais recente, ‘Arrocha’ (2012) – O Quarto disco de inéditas de sua carreira – O músico esteve em Londrina no último dia 13 de março, onde se apresentou durante o aniversário de 6 anos da festa Barbada, no Bar Valentino, e conversou com o RubroSom sobre o processo de criação, suas influências, além das vantagens de ser um artista independente.

Confira a conversa:

Um aspecto do teu trabalho que é muito marcante é a forma como você mistura ritmos musicais diferentes; Dub, reggae, música eletrônica…. Desde sempre você se interessou por diferentes estilos musicais?
Não sempre, quando eu era moleque já teve época em que eu gostava de Gretchen, Sidney Magal (risos) bom, eu passei por muitas fases, mas, acho que agora, apesar das várias vertentes, tem uma coisa que é mais específica pra mim que é a música negra ou as coisas que vêm dela… Então como baterista eu gosto das coisas com ritmo, do ‘swingado’ dançante, tudo isso me interessa. Esses estilos que você falou, reggae, soul, rap, boa parte da música eletrônica, isso vem tudo dessa área…

Você falou em uma entrevista que, desde pequeno, o seu irmão foi um cara que te influenciou muito, ele sempre te mostrava discos… O que você ouviu na época que te fez querer tocar e fazer sua própria música?
Foi ele quem me apresentou Stevie Wonder né? Depois disso foi meio que um clique sabe? Comecei a ouvir muito o Wonder, depois daquilo eu saquei o caminho que eu queria seguir, ele foi o artista principal, lembro até hoje quando ele chegou em casa com o disco Innervisions (Tamla) de 1973. Eu conheci o cantor porque ele fez muito sucesso com ‘I Just Called To Say I Love You’ (1984), mas não tinha uma excelente impressão dele, apesar de ser boa era muito pop, tocou muito no rádio então ah… Nem gostava tanto. Mas, quando ele chegou com o Innervisions, pô, achei louca a capa e quando ouvi deu uma mudança de chaves na cabeça… (risos). Na escola eu já fazia algumas músicas de brincadeira, sempre brinquei com isso.

E hoje em dia, o que você tem ouvido de artistas?
Tava até comentando outro dia, tem muita coisa legal de som hoje ligada a gênero, vindo desse pessoal ligado á movimentos trans, gays… Minha mulher tem feito muita pesquisa nesse sentido, tenho acompanhado e vejo muita coisa legal, tem um frescor interessante ai. Além disso tem a Ava Rocha (Filha do cineasta Glauber Rocha) gosto muito do rapper Kendrick Lammar, cada vez aparece mais música boa…

Você é um músico que se destacou tanto no trabalho autoral como também tocando com outros músicos – Essa coisa de circular nos dois meios acrescenta mais ao trabalho?
Acrescenta muito…. Principalmente porque nessa estrada da vida eu sempre toquei com gente muito legal. Ir pra outros lugares, tentar entender outras ideias é sempre muito importante, muito legal.

Seu disco mais recente ‘Arrocha’ (2012) foi gravado em uma produção feita em casa, sem um estúdio enorme, pagando por hora. Como foi experimentar com essa forma?
Foi bem gostoso…. Isso ocorreu bem na época que minha esposa estava grávida, a casa estava em um clima bem legal e, havia uma paz mesmo em fazer ali. Tinha uma atmosfera de se sentir bem, havia um clima de trabalho ótimo, todo mundo fazendo o que gostava, feliz em estar fazendo, empolgado em estar experimentando sons… Estar em casa dá muito mais margem para testar coisas também, no estúdio é sempre mais ‘certeiro’, você não tem muito espaço para elucubrar e nem tentar e errar, tem que acertar mais. Em casa eu podia errar (risos).

O ‘Arrocha’ ficou mais eletrônico em comparação aos discos anteriores, tem mais samples (Sons gravados)… Foi também um resultado da forma de gravação?
Foi sim…. Uma coisa puxou a outra. Havia também o interesse meu, pessoal, pela programação e, na época, também pelo Hip-hop, todo o Hip-hop experimental que vinha ocorrendo, foi todo esse casamento de tentar pesquisar e fazer em um baixo custo. A gravação foi rápida, menos de três meses, o que demorou foi mais o processo de arte final, fechar a capa e o resto.

Hoje no Brasil, qual você acha que é a maior vantagem e a desvantagem em ser um artista independente?
Olha, a primeira vantagem é você não responder sua música para ninguém, quando tinha uma gravadora você precisava responder para o dono do investimento, ele precisava replicar aquele dinheiro que entrou, não tinha uma visão muito musical, a visão era muito ‘Isso vai vender ou isso não vai’, e a gente não tem essa preocupação. Essa conquista é maravilhosa, por outro lado, tem todo o trabalho que é ser você mesmo S/A. Você tem que estar presente em todas as etapas do processo, não dá para ficar só focado só criando…. Quer dizer, para alguns dá né? Para os gênios rola (risos) mas para mim, ainda tenho que ralar um pouco e correr atrás.

Você teve um contato com o selo Quannum Projects (EUA) que ajudou o seu trabalho a ter uma projeção fora do Brasil, você teve contato com o Chief Xcel do Blackalicious (Dupla de rap dos EUA) – Como é que foi a recepção do seu trabalho lá fora? O pessoal viu seu som como algo muito exótico?
Eles tem um mercado que se auto consome muito, principalmente, em relação à cultura americana (Que foi onde fui mais com o Blackalicious) a cultura nos E.U.A sempre foi muito mais de exportar do que de importar coisas… O que eles importavam era com essa ideia de música exótica, acabamos entrando um pouco com essa categoria, mas, acho que hoje mudou um pouco mais. Na época (por volta de 2005), isso era mais restrito, mas assim, foi bom do mesmo jeito… A gente percorreu aí um trilho legal, passaram pra gente muita coisa do hip-hop, fizemos vários shows, foi uma fase muito importante pra gente. Por enquanto não temos projetos de ir pra fora. Ser independente tem isso, de ser mais difícil…

E o próximo disco? Já estão trabalhando em algum material?
Estamos pensando sim, temos já algumas músicas novas feitas. Acho que entre abril e junho devemos nos reunir para trabalhar em mais algumas, talvez com alguma previsão de lançamento para o ano que vem… Esse ano ainda é todo ‘cagado’ né? (risos), tem olimpíadas, eleição e tudo… A gente nem começou essa segunda parte ainda, não precisa correr, iremos fazer no prazo em que for, para fazer bem feito.

Qual sua opinião sobre essa coisa de “música livre”? A coisa do compartilhamento gratuito, isso ajuda a circular mais? Ou prejudica o artista?
Isso é meio inevitável né? E é uma mudança da economia do mercado de música…. Eu não sei, acho que é importante o artista receber pela execução do trabalho dele. Mas hoje em dia a tecnologia permitiu tanta velocidade de informação que, se você burocratizar o acesso para as pessoas você sai perdendo, então, não tem muito para onde ir. O Mp3 é um formato ótimo, me possibilitou conhecer muita coisa que eu tinha dificuldade de pesquisar, mas, como artista eu sei que o problema é esse, de gastar dinheiro pra gravar algo, tem todo um custo emocional para produzir (Embora tenha pouco retorno) …. Mas a gente não deixa de trabalhar também, isso ajuda as pessoas a conhecerem mais e de repente viajar mais com o show.