SESC – Escritor Dennis Radünz realiza oficina em Londrina

Nesta semana, Londrina receberá mais uma  etapa do projeto Arte da Palavra – Rede SESC de Leituras. Com foco na circulação de escritores pelo Brasil e no incentivo à leitura e à produção literária, o projeto já trouxe para a cidade os escritores Marcelo Maluf (SP) e Jacques Fux (MG), para debate literário, e completará a programação com a oficina “Poéticas de Prosa”, focada em práticas de escrita.

Integrante do projeto Rede Sesc de Leituras, o Arte da Palavra é direcionado a diversos públicos e faixas etárias. Seu eixo é composto pelo formato em três circuitos. O de Autores, que valoriza e divulga escritores por diferentes comunidades literárias - Foto: Divulgação
Integrante do projeto Rede Sesc de Leituras, o Arte da Palavra é direcionado a diversos públicos e faixas etárias. Seu eixo é composto pelo formato em três circuitos. O de Autores, que valoriza e divulga escritores por diferentes comunidades literárias – Foto: Divulgação

Entre os dias 8 e 12 de agosto (terça a sábado), o escritor catarinense Dennis Radünz ministra oficina de escrita “Poéticas da Prosa”. A oficina é focada nos procedimentos de escrita literária e se destina ao público geral, maior de 14 anos.

Programação:

Em 5 encontros teórico-práticos, o escritor se utiliza de técnicas de colecionismo e montagem para orientar a escrita presencial de prosas breves, individuais e coletivas.  O objetivo é levar a escritores, jornalistas, professores e estudantes de língua portuguesa e literatura, e toda a comunidade interessada, técnicas variadas que alimentem a produção de narrativas literárias.

Cartografias potenciais, o factum vs. o fictum, o argumento, a composição de cena, a descrição, o relato e o diálogo, além do ritmo e dos personagens, são elementos que fazem parte do conteúdo abordado durante a oficina, que tem vagas limitadas. Os encontros começam no dia 8 de agosto e vão até o dia 12, sendo que de terça à sexta (8 a 11) acontecem entre às 19h e 22h e no sábado (13) das 8h às 18h.

Ainda há vagas disponíveis para todos os interessados. As inscrições podem ser feitas até terça-feira, no horário de funcionamento do SESC Cadeião e devem ser realizadas no SAC da unidade. O investimento é de R$20,00 (para comerciários e dependentes) e R$40,00 (para público geral). Essas e outras informações estão disponíveis pelo telefone (43) 3572-7700.


CIRCUITO DE CRIAÇÃO LITERÁRIA
LOCAL: Londrina/PR
NOME DO OFICINEIRO: Dennis Radünz (SC)
DIA: 08 a 12 de agosto
HORÁRIO: terça a sexta 19h às 22h e sábado 8h às 18h
ENDEREÇO: Sesc Londrina Cadeião Cultural – Rua Sergipe, 52
NÚMERO DE VAGAS: 25
TAXA DE INSCRIÇÃO: R$20,00 com/dep e R$40,00 usuário
TELEFONE: (43) 3572 -7700

No Butequim – Escritor Felipe Pauluk lança livro hoje

Reunindo textos publicados na internet ao longo de anos (Através de blogs e no facebook) o escritor Felipe Pauluk lança hoje (13) em Londrina seu quarto livro intitulado ‘Comida Di Butequim’ durante a terceira edição do Carnasarau, no Bar Brasil (Rua hugo cabral, 757) no centro da cidade.

Além do lançamento do livro, o evento contará com um varal de ilustrações e poesia, venda de livros e um concurso de declamações de poesias – Nesta sexta feira 13, o tema das declamações terá um tema ‘Mórbido’ (Com direito a premiação). A cada edição, o evento se firma como um importante espaço para troca de ideias e de circulação de novos nomes da literatura da cidade. Na última edição, a londrinense Vivian Campos lançou seu primeiro livro ‘O Gato Comeu Sua Lua’ cuja tiragem inicial esgotou no dia do lançamento, no evento então realizado em março deste ano.  O Carnasarau tem organização de Manuela Pérgola, Felipe Pauluk, Rafael Silvaro e da Editora Madrepérola (Quem assina a publicação do livro).

Felipe Pauluk coleciona passagens por poesia-breve, fragmentos e roteiros de clipe (Ao fundo o famigerado varal de poesias) - Foto: Talia S. Antoniolli.
Felipe Pauluk coleciona passagens por poesia-breve, fragmentos e roteiros de clipe (Ao fundo o famigerado varal de poesias) – Foto: Talia S. Antoniolli.

De uma escrita rápida, e às vezes até incisiva, os micro poemas de Pauluk sensibilizam, impressionam e chamam atenção. Os pequenos textos são já conhecidos na cidade de Londrina. Circulando por eventos com da cidade, não é raro topar com os ‘varais’ de poesia, onde são expostos textos impressos do escritor. Ali, eles ficam pendurados, até que alguém os leia, se identifique e leve para casa, de forma totalmente gratuita, em uma forma criativa e talvez mais ‘orgânica’ de levar à literatura à cada vez mais lugares e pessoas. Vários destes textos, agora já “não-inéditos’ foram compilados e reunidos no livro lançado nesta sexta. A quarta capa do trabalho vem com um texto de Diego Moraes – Considerado um dos escritores contemporâneos de mais destaque na atualidade, e que, já  publicou seis livros no Brasil e em Portugal.  – Pauluk também é autor dos livros ‘Town’ (2015) “Hit the Road, jack” (ED. FAces 2012) e Meu tempo de Carne e Osso (ED. Multifoco 2011).

Sobre o processo de criação, a circulação da poesia em varais e o trabalho neste novo livro, o RubroSom entrevistou o escritor. Confira:

Como surgiu a ideia de criar a página do ‘Comida de Butiquim’?? Além da associação mais óbvia (A coisa da boemia, do ambiente de bar) tem alguma outra explicação para o nome?
Pauluk: O Comida era um blog antigo meu. Escrevia crônicas e poemas lá, tinha alguns seguidores legais. Quando surgiu o facebook na minha vida, eu quis migrar o blog, foi então que fiz a página, mas estava enjoadão de escrever coisas grande e tal. Já publicava micro poemas no meu perfil pessoal e aí surgiu a ideia de publicá-los na página. Assim tudo foi virando estética e minimalismo. Sobre o nome, não sei ao certo de onde veio. Tem sim relação com boemia, boteco e tal, no entanto acho que é mais por como soa, eu gosto do barulho dele.

O livro lançado nesta semana leva para o ‘impresso’ textos que já haviam sido publicados na internet … Como autor da obra, você acha que em ‘canais’ diferentes esses mesmos textos podem ‘acertar’ o leitor de maneiras diferentes? No impresso fica sendo algo mais orgânico talvez?
Cara.. desde que eu comecei a publicar, mais e mais, uma galera me pergunta se eu tinha livro disto. Não adianta abafar, o povo gosta da coisa impressa, do cheiro do livro. Tanto, que nem o varal sustenta ou substitui o livrinho ali impresso. É claro que é pelo fato de ficar mais orgânico, o livro e tal… Acho que é um fetichismo literário. Sobre acertar o leitor de maneiras diferentes, não sei, acho que vai ter muita gente que não está nas redes e vai conhecer este trampo só agora.

Esse formato, aliás, de compilar os textos assim… Partiu de uma inquietação sua, ou foi mais devido a pedidos de leitores que te acompanham?
Acho que é um misto disto. Eu sempre tive a inquietação de ver isto em livro, aquele rolê de perpetuar fora das redes sociais, fora da nuvem, fazer ter tato, sabe? E aí o povo sempre cobrava e foi acontecendo. O Rafael Silvaro é um grande apoiador disto tbm, ele quem editou e sempre me pedia para fazer isto.

Qual você diria que é a melhor, e a pior coisa de usar a internet para publicação/circulação de literatura??
O melhor é o de praxe; que você atinge lugares jamais alcançados. Através da internet eu já tive textos meus publicados em Portugal, coisa que sem ela, não conseguiria tal contato. O pior é que como a internet ‘individualizou’ a opinião, isto acaba inconscientemente moldando seu jeito de escrever, você acaba se influenciando por alguma opinião, que às vezes é única, mas que é muito forte, atinge o peito igual uma doze. Estraga o velório da vida.

O que te incomodava mais, como escritor (No sentido de incomodar/inspirar), na fase do início do ‘comida’ e o que te incomoda hoje?
 Sou dois caras bem diferentes do início até hoje, sério mesmo. Lembro que no começo me incomodava ou inspirava a questão de manter o parnasianismo mesmo sendo minimalista. Hoje é bem ao contrário, é tentar ser o mais urbano, ‘cotidiánico’ possível. Quero escrever para se identificarem, para entenderem. Quero incomodar ao ponto dos leitores dizerem: Caralho! como eu não pensei nisto antes?”

Seu trabalho é muito notório, especialmente, por circular em espaços acessíveis e levar a poesia para varais, eventos e espaços que normalmente não tem tanta literatura acontecendo… Alguma ala mais ‘conservadora’ de escritores já criticou isso?
Sim. Vixi, isto acontece de monte, principalmente em Londrina, que tem uma área conservadora “congeladaça”. Que acha que pra ser escritor tem que ter canudo, tem que ter cabelos brancos, falar do passado como se fala das fotos de bebês dos filhos. Londrina tem um abismo.  Os velhos artistas não se misturam com os jovens, pois querem estar com bustos em praças e serem venerados, principalmente na literatura. Alguns tem tesão em ignorar a nova geração. Adoram dar um “visualizado” e não responder. É por isto que eu gosto de dar espaço, é por isto que eu jamais quero quebrar esta ponte. Eu já ouvi casos de professor da Uel que, ao passar algum trabalho aos alunos de Letras, disse: ‘Só não vão atrás do Pauluk, pois o que ele faz não é poesia”… Bullshit! Como diz o rap: “só faz peso na terra”.

Além da literatura, você trabalha também com outros meios (Publicidade, roteiros…) , você diria que leva mais a poesia pra esses outros ‘formatos’ ou essas outros ‘formatos’ acabam interferindo na sua poesia?
Tá tudo meio que misturado dentro de mim. Quando eu comecei a trabalhar com roteiro, creio que minha escrita ficou visual. Quando a minha escrita fica visual eu chego a imaginá-la como roteiro. Então é uma coisa embolada na outra. Tem gente de publicidade que me procura por causa da poesia. Tem gente de cinema que me procura também por causa da poesia. é uma salada de fruta aqui dentro de mim.

Vale uma só – Qual você acha que foi a coisa mais importante que a literatura já te deu? (Se puder explicar sobre)
A facilidade de canalizar o que sinto e não explodir todos os dias.

Desses textos do ‘Comida’ tem algum preferido? 


Sem sombra de duvidas

ela duvidava

até da própria sombra

 

…Eu sou muito desconfiado na vida, difícil de confiar em alguém. Acho que eu gosto pelo motivo de me identificar muito com ela.