Cinema – Edital contempla seis curtas de Londrina

A produção audiovisual de Londrina vem ganhando destaque em circuitos cada vez mais amplos. O edital finalizado em dezembro de 2017 pela Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) em parceria com a Agência Nacional de Cinema (ANCINE), contemplou, na categoria curtas-metragens, sete produções, das quais seis são de Londrina. Cada curta-metragem receberá o recurso de R$ 60 mil e as produções devem ser finalizadas até dezembro deste ano (Confira abaixo a lista dos curtas-metragens).

Produções em Londrina vêm conquistando cada vez mais espaço. A imagem é da gravação da série "Super Família" (2017) - Foto: Renata Cabrera
Produções em Londrina vêm conquistando cada vez mais espaço. A imagem é da gravação da série “Super Família” (2017) – Foto: Renata Cabrera

Ao todo, o edital destinou no estado R$ 3,75 milhões para a produção de curtas e longas-metragens, telefilmes e projetos de distribuição de obras cinematográficas em geral. Além dos curtas-metragens, também foram contemplados com recursos outros dois projetos de Londrina: uma produção de telefilme – O Bispo e o Comunista – a incrível herança cultural dos irmãos Sigaud, da Produtora do Leste, no valor de R$ 180 mil; e uma distribuição de longa-metragem, com o longa Leste-Oeste, da Kinopus Audiovisual, no valor de R$ 125 mil.

O secretário de Estado da Cultura, João Luiz Fiani, comemorou o resultado do edital, que conseguiu descentralizar os recursos e incentivar a produção audiovisual em outros municípios do Paraná. “Nossa intenção era a de fomentar o setor em todo o Estado e para isso destinamos a categoria de curta-metragem apenas para proponentes do interior. Foi muito bacana porque recebemos projetos de pequenas a grandes cidades. E nos surpreendemos ao notar que as cidades do interior também se destacaram nas demais categorias. Estamos muito satisfeitos com este resultado”, comenta.

De acordo com Guilherme Peraro, representante do Arranjo Produtivo Local (APL) Audiovisual de Londrina e Região e de uma das produtoras contempladas, o edital é uma conquista, resultado de uma luta de produtoras, entidades e apoiadores que batalharam juntos pela descentralização do recurso. “Nós como APL vemos isso com bons olhos. É uma grande conquista para Londrina e para todo o interior do Paraná. E isso tudo vem a somar com outras iniciativas que estão acontecendo na cidade, pela valorização do audiovisual”, considera.

Peraro reforça que devido ao potencial do setor na cidade, agora também é o momento em que entidades e instituições de ensino vem buscando unir forças para a profissionalização. “Com a quantidade grande de projetos, a tendência é a necessidade de mão de obra capacitada para trabalhar nesses filmes. As produtoras e cada vez mais e instituições de ensino passam a pensar em cursos, palestras e capacitação mais específicos para atender ao setor e isso será ótimo, podemos ter grandes resultados”.

Sobre o APL – O Arranjo Produtivo Local (APL) do Audiovisual de Londrina e Região foi criado em junho de 2017 e contou com o apoio das prefeituras de Londrina e Cornélio Procópio, representantes da política local, regional e federal, Agência Nacional de Cinema – ANCINE, Governo do Estado do Paraná – Secretaria de Cultura e das instituições SEBRAE, ACIL, CODEL, SENAI, FIEP e SERCOMTEL, empresas do setor audiovisual, núcleos e associações empresariais, e instituições de ensino e pesquisa.

O APL tem como meta a aproximação de produtores independentes, assim como ampliar as ações de capacitação, conquistar investimentos para a produção, pós produção e distribuição de conteúdos audiovisuais e criar um polo fílmico para produções de TV, filmes, games e tecnologias inovadoras. O arranjo busca assim criar na cidade de Londrina e região ambientes  propícios para profissionais criativos, contribuir para a geração de empregos e fortalecer a Economia Criativa por meio da Indústria Limpa  do Audiovisual.


*Confira a lista das produções aprovadas no edital 004/2017 (SEEC)

Curta-metragem

Roberta Shizuko Takamatsu – Pequenos Delitos (Londrina)
Artur Ianckievicz Filho Cleo – A Rainha Negra das Passarelas (Londrina)
Gustavo Minho Nakao – Astro Negro (Londrina)
NTV CINE VIDEO SS LTDA  – Inventário (Londrina)
Alessandra Dalva de Souza Pajolla – Redenção (Londrina)
Auber Silva Pereira Filho – Nigredo (Londrina)
André Luiz Bett Batista –  O Padre e o Bento (Maringá)


Informações
Confira mais detalhes do Edital

Cultura divulga Projetos Estratégicos selecionados pelo Promic 2017

A Secretaria Municipal de Cultura (SMC) divulgou na última semana a lista dos projetos culturais que foram aprovados e selecionados, no segmento Projetos Estratégicos, para receber o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). O Edital de Convocação nº 002/2017 foi publicado no Jornal Oficial do Município, edição 3.295, e está disponível para acesso no Jornal Oficial (a partir da página 3).

Parte do time de colaboradores, jornalistas e produtores da Alma Londrina Rádio Web. No dia alguns músicos que tocaram no 3º Palco alma realizado em 2016 - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Parte do time de colaboradores, jornalistas e produtores da Alma Londrina Rádio Web em 2016. O projeto foi um dos aprovados no edital de 2017  – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O edital também traz o resultado das decisões quanto aos recursos apresentados, que podem ser visualizados na íntegra no Anexo I da publicação. Ao todo, estão selecionados 21 Projetos Estratégicos, do total de 41 projetos culturais inicialmente inscritos nessa categoria na edição 2017 do Promic. A lista contempla projetos nas áreas de Música, Dança, Cultura Integrada e Popular, Artes de Rua, Circo, Literatura, Artes Visuais e Patrimônio Cultural e Natural. Há projetos ligados à canais de mídia como a Alma Londrina.

Foram aprovados e selecionados seis projetos na linha Estratégicos Livres, três na linha Carnaval, quatro na de Ações Formativas, seis na categoria Festivais e outros dois no segmento Preservação da Memória Histórica de Londrina. Os projetos avançam para a próxima etapa, quando os proponentes deverão apresentar a documentação prevista pelo Edital 002/2017. Após o recebimento da documentação, os processos serão submetidos a parecer jurídico, atendendo à Lei 13.019/2014.

Em Londrina, no ano passado, Ignácio de Loyola Brandão participou de um bate-papo durante o Festival Literário (Londrix) realizado no Museu Histórico. O Festival foi novamente aprovado neste ano - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Em Londrina, no ano passado, Ignácio de Loyola Brandão participou de um bate-papo durante o Festival Literário (Londrix) realizado no Museu Histórico. O Festival foi novamente aprovado neste ano – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Outros 15 projetos, que não foram selecionados por falta de disponibilidade orçamentária, aparecem no certame como suplentes. Caso algum dos selecionados neste edital ainda seja inabilitado em decorrência de problemas na documentação ou assinatura do termo, o projeto que aparecer logo na sequência, respeitando a ordem de pontuação e a linha atendida, deve ser convocado. Nessa situação, porém, o projeto selecionado apenas poderá receber recursos em compatibilidade com a capacidade de orçamento da Cultura prevista especificamente para suprir este segmento do Promic.

Para essa edição do Promic, o Município investirá o montante de R$ 1.480.000,00 nos projetos que integram a linha de Projetos Estratégicos, em suas cinco áreas de atuação. O investimento total do Promic, em 2017, será de R$ 4,3 milhões.

Recursos – Os proponentes poderão apresentar recursos, no prazo de cinco dias, contados a partir da publicação do edital de aprovação e seleção dos projetos. Para ter vistas de seus projetos e interpor recurso, os interessados devem comparecer à Secretaria Municipal de Cultura, de segunda a sexta-feira, das 12 às 18 horas, na sede localizada na Praça Primeiro de Maio, 110, centro.

Os recursos serão analisados pela Comissão de Análise de Programas e Projetos Estratégicos (Cappe), que irá deliberar sobre a reconsideração ou manutenção da decisão. Se a decisão for mantida, o recurso será encaminhado à autoridade superior para uma decisão final.

Eu faço cultura – Projeto viabiliza peças de teatro gratuitas em Londrina

Três peças teatrais de grupos londrinenses foram contempladas recentemente com recursos do projeto ‘Eu Faço Cultura’ realizado pelo Ministério da Cultura com recursos da Lei Rouanet. As peças ‘Fim de Partida’ e ‘Obrigado’ (Realizadas pelo Teatro Kaos de Londrina) e a peça ‘Antes do Grito’ (do Rubra cia. de Teatro) serão apresentadas gratuitamente para estudantes do ensino médio de três escolas da cidade, em apresentações viabilizadas com recursos do programa.

Rafaela Martins (Azul) e Carol Alves atuam em 'Antes do Grito' - Foto: Allan Ferreira.
Rafaela Martins (Azul) e Carol Alves atuam em ‘Antes do Grito’ – Foto: Allan Ferreira.

No projeto, produtores culturais podem se cadastrar através do site http://www.eufacocultura.com.br e após passarem por uma curadoria simples tem a possibilidade de ser contemplados. O projeto é uma realização da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal.

Após a contemplação, os ingressos são comprados, dentro do regulamento do projeto, pelo valor negociado entre a equipe do Programa e os produtores culturais. As entradas podem ser repassadas à entidades de sua região (Escolas, ongs, etc…). Logo, a entrada é gratuita para o público e custeada com verbas do projeto (O valor é negociado direto com cada produtor). “Eu tenho incentivado produtores aqui da cidade a participar do ‘Eu Faço Cultura’, se cadastrar no site e apresentar produtos (peças, etc, projetos) para escolas de Londrina. A ideia assim é gerar mais demandas para produtores que podem ser contemplados”, contou o ator e diretor Edward Fão do Teatro Kaos.

A peça ‘Fim de Partida’ apresentada pelo coletivo viabilizou pelo menos 3 apresentações, dentro do projeto, que terão um público total de 400 alunos do ensino médio de Londrina – Os ingressos são comprados, dentro do regulamento do projeto, pelo valor negociado entre a equipe do Programa e os produtores culturais. Neste espetáculo o valor padrão é de R$ 10 (Meia) e R$ 20 inteira (Totalizando perto de R$ 4 mil inseridos pelo projeto).

Antes do Grito – Uma das peças contemplada pelo ‘Eu Faço Cultura’ foi o espetáculo produzido pelo Rubra Cia de teatro de Londrina, que estreou em 2016 após ter sido produzida durante um ciclo de dramaturgia realizado pelo Sesi. A peça inicialmente teria algumas apresentações viabilizadas com recursos do Promic (Programa Municipal de Incentivo á Cultura), mas, o cancelamento do edital – Anunciado no mês de fevereiro deste ano – fez com que o grupo ‘Rubras’ buscasse outras formas de viabilizas apresentações em 2017. “Após o anúncio do corte, nós já buscamos outros estados e editais fora de Londrina inclusive. A peça fala sobre abuso, é um tema relevante, e logo, sempre buscamos a propagação desta discussão, queremos sempre trazer  para o teatro temas ligados à opressão, vinculando isso à uma preocupação estética feminina”, contou Mayara Dionzio, diretora do Rubra Cia de Teatro quem assina a produção da peça. Segundo ela, só em 2016 cerca de 900 pessoas já assistiram a peça.

Fim de Partida e Obrigado – Duas peças do grupo ‘Teatro kaos’ de Londrina (‘Fim de Partida’ e ‘Obrigado) foram contempladas dentro do ‘Eu Faço Cultura’. A ‘Fim de Partida’, que é apresentada na cidade desde 2011, viabilizou pelo menos 3 apresentações, dentro do projeto, que atingiram um público total de 400 alunos do ensino médio de Londrina – Neste espetáculo, os ingressos foram comprados, pelo valor padrão de R$ 10 (Meia) e R$ 20 inteira (Totalizando perto de R$ 4 mil inseridos no projeto via-edital) – Cada projeto, e cada produtor, tem a possibilidade de negociar o valor da respectiva entrada.

Na peça 'Fim de Partida', personagens atuam em um cenário hospitalar, simulando uma situação de grande dor e sofrimento. A peça dialoga com autores como Bertold Brecht e - Foto: Divulgação
Na peça ‘Fim de Partida’, personagens atuam em um cenário hospitalar, simulando uma situação de grande dor e sofrimento. A peça dialoga com autores como  Samuel Beckett – Foto: Divulgação

Segundo Edward, embora o ‘Eu faço cultura’ ainda ainda não seja amplamente divulgado entre escolas, a aceitação foi positiva em todos os colégios com os quais ele teve contato. “As vezes escolas pensam que você está oferecendo a venda de um espetáculo, e não, na verdade são entradas gratuitas para alunos da rede pública. Fui a três escolas e todas aceitaram. Atualmente já listei outras várias escolas da cidade e, até o fim do mês a gente tem a possibilidade de cadastrar cerca de 20 mil alunos para assistirem espetáculos dentro deste mesmo sistema”, contou o diretor.

A imagem de um homem a beira da morte numa sala hospitalar de tratamento intensivo (UTI.) assistido por espectadores/médicos (responsáveis em evitar que ele deixe de sofrer física e existencialmente), foi o ponto de partida para a criação da montagem final. A peça contemplada  é notória pela temática existencialista e densa. “Essas iniciativas dão muito mais possibilidade para o artista continuar produzindo, circular com espetáculos, neste ano ainda trabalhamos muito em cima da hora, no próximo ano espero poder contar com mais projetos e ter uma programação bastante plural para oferecer”, contou o diretor. “O Teatro tem que confrontar questionamentos do seu dia a dia, da sua vida, se você puder levar incomodação para o teatro, enquanto confronto, é importantíssimo! No caso deste projeto, se mais companhias conseguissem ter acesso ao benefício, se mais gente pudesse ter acesso, o coletivo todo ganha, é muito mais legítimo para que você continue trabalhando”, pontuou Edward durante a entrevista.


SERVIÇO
Teatro – Antes do Grito (Rubra Cia de Teatro)
Dias 5, 6 e 7 de Maio (20 horas)
Usina Cultural
Produção Cia Teatro Kaos Patrocínio Eu Faço Cultura
Ingressos: http://www.eufacocultura.com.br
//
Teatro – Fim de Partida
Dias 2, 3 e 4 de junho (20 horas)
Usina Cultural
Produção Cia Teatro Kaos
Ingressos: http://www.eufacocultura.com.br

Promic cancelado – Vilas culturais consideram encerrar atividades

Todos os projetos aprovados pelo edital do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC) com execução prevista para este ano foram cancelados. A informação foi confirmada durante uma entrevista coletiva realizada na Prefeitura de Londrina durante a tarde desta segunda-feira (20). Ao todo 81 projetos haviam sido selecionados, para serem aplicados este ano utilizando um orçamento próximo de R$ 4 milhões, incluindo Festival de Música, Filo, Vilas Culturais e pelo menos quatro projetos relacionados ao Carnaval (Que iniciaria nesta semana).

Vilas culturais consideram encerrar atividades
Em 2016 o PROMIC foi responsável pela manutenção de vários espaços culturais como o Cemitério de Automóveis – Foto: Arquivo Bruno Leonel/Rubrosom.

Sem o repasse do recurso referente ao programa, espaços culturais da cidade consideram a possibilidade de encerrar suas atividades. “No caso de projetos mais urgentes, como o carnaval e as vilas culturais (Que tem despesas fixas) precismos cuidar muito deles. Desde que entregamos a documentação toda do edital temos conversado com a diretoria de incentivo, e em nenhum momento foi mencionado que isso (Cancelamento) poderia ocorrer. Estamos inclusive reunidos aqui hoje para definir medidas para a vila, inclusive, considerando que a mesma pode precisar encerrar as atividades. Não temos como arcar com os custos do local por agora… Mesmo com a possibilidade de um novo chamamento, poderia levar um prazo de pelo menos 90 dias para termos novos recursos”, contou Alexandre Simioni, gestor da Vila Cultural Triolé (Região Oeste) ao Rubrosom.

Segundo Simioni, atualmente a vila cultural tem um custo mensal próximo de R$ 6 mil. “Houve uma falta de respeito com proponentes que foram contemplados, nós participamos das reuniões do conselho e em nenhum momento foi levantada essa possibilidade para que, ao menos, pudéssemos ajudar a secretaria ou buscar alternativas, foi simplesmente colocado direto na coletiva e acabou… Não houve um diálogo do secretário com a área cultural, foi direto para a imprensa, de maneira geral todo mundo tem interesse nisso, e é muito estranho esse tipo de atitude de alguém que inicialmente veio para propôr o diálogo com produtores”, pontuou o gestor.

Na região leste o Triolé Cultural, recentemente, havia aberto chamado para artistas que desejassem realizar espetáculos no local - Foto: DIvulgação
Na região leste o Triolé Cultural, recentemente, havia aberto chamado para artistas que desejassem realizar espetáculos no local – Foto: DIvulgação

Na região norte de Londrina, o projeto do Carnaval das Marchinhas (Realizado pela Vila Cultural Flapt) foi outro projeto afetado pelo cancelamento. A Vila Cultural Flapt! não participou do edital neste ano, mas, aguardava três projetos que seriam realizados na sede da vila no bairro Luis de Sá. Alguns músicos que participariam do projeto carnaval, inclusive, deixaram de fechar outras datas de apresentações para poder se comprometer a tocar no dia do evento. “O grande problema é que a lei (responsável pela alteração) é de 2014, e desde o ano passado havia essa previsão na alteração, mas, não entendemos porque o edital foi lançado mesmo com essa mudança em vista. Se soubéssemos, poderíamos ter nos planejado melhor com isso, a banda do carnaval das marchinhas tem músicos que optaram por participar do evento na região especialmente pelo vínculo com a cidade e a visibilidade que o mesmo oferece, e agora ficou todo mundo perdido. Haverá um carnaval manifesto no aterro do lago na próxima terça (28) realizado pela união dos coletivos e, nossa ideia é buscar novas atividades que substituam as que o PROMIC não irá custear… “, afirmou Douglas Pinheiro, presidente da ONG Flapt,

Na região norte, a 'Flapt!' realiza atividades diversas voltadas para a contação de histórias, teatro e também tradições de matriz afro - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Na região norte, a ‘Flapt!’ realiza atividades diversas voltadas para a contação de histórias, teatro e também tradições de matriz afro – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Na região central, a Usina Cultural foi outro espaço surpreendido pelo súbito anúncio do cancelamento. “Essa mudança dificulta de maneira ampla o funcionamento e atendimento da vila cultural, sem dinheiro não é possível manter despesas rotineiras do local, assim como os funcionários que mantém a coisa toda… O que mais abateu todo mundo foi o ‘silêncio’ da coisa, não tínhamos nem noção de que poderia ocorrer essa possibilidade do cancelamento. Ficamos desde a aprovação do projeto (No fim de 2016) aguardando e chegamos a receber o documento de aprovação do projeto. Agora com essa notícia quase um mês e 20 dias do começo do ano, estamos sem capacidade de reação, temos todas as contas que caminharam neste período, é uma situação complicada…”, contou Gustavo Garcia, prestador de serviços da Usina Cultural e membro do Conselho Municipal de Políticas Culturais. “Como membro do Conselho, eu acompanhei a chegada dessa lei, e todo mundo no poder público tinha noção dessa alteração mudança, a Prefeitura tem funcionários e departamento suficientes para avaliar essa questão e, juridicamente, não sei se foi o melhor caminho o cancelamento, poderia ser avaliado uma outra possibilidade”, pontuou Garcia.

A Usina Cultural (Região Central) é mais um dos espaços contemplados pelo edital de Vilas Culturais para este ano - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
A Usina Cultural (Região Central) é mais um dos espaços contemplados pelo edital de Vilas Culturais para este ano – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Mudança na lei – Segundo divulgado, a suspensão do processo seletivo se dá com todos os projetos selecionados porque entrou em vigor a Lei Federal 13019/14 (Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil), que faz alteração dos requisitos para a contratação e portanto esse chamamento público que foi feito não serve para que sejam feitas a contratação dos projetos. “O parecer da controladoria jurídica é para que se faça um novo procedimento de seleção pública que esteja adequado a essa lei”, contou o secretário Caio Cesaro durante coletiva feita ontem. De acordo com Cesaro, a suspensão do processo seletivo vale para todos os projetos que foram aprovados, uma vez que o chamamento público realizado com base na lei municipal perdeu efeito para a contratação e, no âmbito da nova lei, um novo chamamento público é necessário.

Informação foi confirmada na tarde desta segunda-feira (20) durante entrevista coletiva - Foto; Vitor Struck
Informação foi confirmada na tarde desta segunda-feira (20) durante entrevista coletiva – Foto; Vitor Struck

Por conta dessas mudanças, a Lei Municipal 8.984 (Promic), pela qual os proponentes foram escolhidos, fica inviabilizada de promover a seleção e contratação de projetos. Os projetos culturais aprovados e anunciados em 2016, não tinham sido assinados até então, sendo deixados para ocorrer apenas neste ano, quando entrou em vigor a nova lei, o que acabou sendo impedido por conflitos nas legislações.

Dívida com INSS – Outra situação relacionada ao Promic diz respeito ao fato de a Receita Federal estar cobrando do Município de Londrina o recolhimento sobre a contribuição patronal dos projetos direcionados a pessoas físicas. A autuação feita pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), envolve a cobrança da cota-parte patronal relativa ao INSS desses projetos culturais. A Receita Federal fez uma fiscalização no Município e apontou que, no período de 2005 a 2008, houve um valor de ausência de repasse na ordem de R$ 4,6 milhões.  “Por cautela e prudência é necessário revisar os valores do edital, adequando os projetos e colocando isso em um plano de aplicação deste custo com o INSS. Trata-se de uma exigência da Receita, temos a possibilidade de defesa na esfera judicial, mas nesse momento já temos decisões administrativas julgadas pelo CARF que são desfavoráveis à Prefeitura. Com isso, os editais teriam que ser reformulados para atender a essa demanda da Receita Federal”, disse o Controlador-Geral do Município, João Carlos Perez.

Nesta terça-feira (21) haverá uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Políticas Culturais para debater questões ligadas ao cancelamento dos projetos. Uma reunião com proponentes e agentes culturais também acontece no Canto do Marl por volta das 17h.


PROMIC – Para os Projetos Independentes, o valor total de recursos aprovado para 2017 é de R$ 1.719.491,76, com 59 projetos convocados em cinco linhas: Livres, Descentralizados, Distritos, Transversais e Atividades Formativas. E são considerados suplentes os projetos que não foram selecionados por falta de disponibilidade orçamentária. No programa de Vilas Culturais, os recursos aprovados são no total de R$ 277.133,00, para as seguintes Vilas Culturais: Triolé Cultural, Cemitério de Automóveis, Grafatório e Usina Cultural. Para este edital, não houve projetos suplentes.

Promic abre inscrições para seleção de projetos de Vilas Culturais

A Secretaria Municipal de Cultura iniciou nesta semana o prazo de inscrições para a seleção de projetos de implantação de Vilas Culturais que serão beneficiadas pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), no exercício de 2017. O Edital nº 03, contendo todos os detalhes sobre o processo seletivo, está disponível no Jornal Oficial do Município, edição nº 3.110, pelo endereço www.londrina.pr.gov.br.

Eventos literários durante o festival acontecem na Vila Cultural Cemitério de Automóveis - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Atualmente Londrina possui oito Vilas Culturais que abrangem diferentes regiões da cidade. Na imagem o Cemitério de Automóveis (Região Central) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Os interessados em apresentar projetos devem se inscrever até o dia 23 de novembro de 2016, presencialmente, na Diretoria de Incentivo à Cultura da Secretaria Municipal de Cultura, localizada na Praça Primeiro de Maio, 110, Centro. O atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 12 às 18 horas. O edital de aprovação dos projetos está previsto para ser publicado em dezembro, no portal da Prefeitura de Londrina (acessando Secretaria Municipal de Cultura ou Jornal Oficial do Município). Todos os projetos serão analisados pela Comissão de Análise de Programas e Projetos Estratégicos (CAPPE), de forma autônoma e independente. A comissão é composta por membros indicados pelo Conselho Municipal de Política Cultural e pela Secretaria Municipal de Cultura. Após a fase inicial de análise das propostas, será publicado um edital com os projetos habilitados e inabilitados.

Na região norte, a 'Flapt!' é também uma das oito vilas contempladas pelo PROMIC - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Na região norte, a ‘Flapt!’ é também uma das oito vilas contempladas pelo PROMIC – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A secretária municipal de Cultura, Solange Batigliana, destacou que o Programa Vilas Culturais, existente desde 2004, se mantém até hoje com a proposta de ofertar espaços para que os produtores culturais possam se reunir e desenvolver suas atividades, abrangendo diferentes linguagens para criar uma vasta programação cultural. “O mais importante dessa linha de projetos é fazer com que a comunidade tenha a oportunidade de frequentar espaços em diversas regiões da cidade, usufruindo das atividades e eventos que integram as agendas culturais”, disse.

Áreas contempladas – O edital de Vilas Culturais disponibiliza 15 tipos de segmentos para a inscrição de projetos, sendo eles: Artes de Rua, Artes Gráficas, Artesanato, Cultura Integrada e Popular, Circo, Dança, Música, Teatro, Cinema, Videografia, Fotografia, Literatura, Mídia, Patrimônio Cultural e Natural e Hip Hop. Para a realização dos projetos de Vilas Culturais em 2017, serão disponibilizados, via Promic, R$ 500 mil reais. O montante financeiro provém do Fundo Especial de Apoio a Projetos Culturais (Feproc). O teto de incentivo para cada projeto cultural é de R$ 70 mil reais. Os projetos culturais selecionados serão executados de janeiro a dezembro de 2017.

Na Vila Brasil, a Vila Cultural 'Alma Brasil' realiza atividades diversas, além de sediar a Alma Londrina Rádio Web - Foto: Bruno Leonel/RubroSom.
Na Vila Brasil, a Vila Cultural ‘Alma Brasil’ realiza atividades diversas, além de sediar a Alma Londrina Rádio Web – Foto: Bruno Leonel/RubroSom.

Categorias – A apresentação de projetos pelos proponentes pode ser feita dentro de duas linhas: Vilas Culturais Consolidadas e Vilas Culturais em consolidação ou novas. A primeira inclui as propostas para vilas culturais que já estejam em atividade há pelo menos quatro anos consecutivos. Estas propostas tem prazo de execução de três anos. Já a segunda linha agrega os projetos que estejam em consolidação, com menos de quatro anos consecutivos de existência ou novas. Estas propostas terão prazo de execução de um ano.

Investimento – Para a execução dos projetos culturais patrocinados pelo Promic no ano de 2017, a Prefeitura de Londrina irá investir um total de R$4,3 milhões. Dessa quantia, R$3,7 milhões serão destinados para a realização de três editas, sendo eles Projetos Culturais Independentes, Estratégicos e Vilas Culturais. O restante do recurso, R$600 mil, será repassado para a realização do Festival Internacional de Música de Londrina (FIML) e do Festival de Teatro (Filo).

Promic – O Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) foi criado pela Lei Municipal nº 8.984, de 6 de dezembro de 2002, com o objetivo de propiciar os recursos financeiros necessários à execução da política cultural do município.


SERVIÇO
Promic – Edital para Inscrição de Vilas Culturais
Até o dia 23 de novembro
Informações: www.londrina.pr.gov.br.