Convulsão – Banda de Londrina lança minidocumentário e cerveja

Nesta quinta(16), a banda londrinense Convulsão, que depois de 20 anos de hiato retornou aos palcos no ano passado, lança no Barbearia um minidocumentário que conta a trajetória da banda. O filme tem 8 minutos de duração e retrata a carreira da banda entre os anos de 1988 a 1997, na cidade de Londrina. No mesmo evento será lançada a ‘Convulsão Lager Puro Malte’, da Cervejaria Amadeus de Londrina, quem é patrocinadora do documentário.

Banda Convulsão durante show de 'reunião' em 2016 - Foto: Cesar Segundinho
Banda Convulsão durante show de ‘reunião’ em 2016 – Foto: Cesar Segundinho

Além da exibição, a festa ainda vai lançar a Convulsão Lager Puro Malte, cerveja leve com aroma de biscoito e tons de mel, produzida pela cervejaria londrinense Amadeus em homenagem à Convulsão. A noite ainda tem discotecagem com músicas dos anos 80, 90 e 2000, preparada pelos integrantes da banda.”Na realidade eu sou meio que um acumulador de coisas, tenho muito arquivo de matéria de jornal, VHS, gravações da MTV daquela época, vídeos como por exemplo da abertura do show do Sepultura em 1991 (No Moringão), e partes do show do ‘Londrina Underground Scream’ em 1995… Um dos primeiros festivais que organizei. Tenho vários cartazes de shows da década de 90, acho que na banda o único que fazia isso era eu… “, contou Marcelo Domingues, baixista e vocalista da banda, além de ser quem possuia boa parte do ‘material’ usado no documentário.


O filme foi editado e montado pelo produtor Carlos ‘Fofaun’ Fortes (Cine Guerrilha) que assina a produção junto com Matheus ‘Merp’ Pacheco. Após o retorno da banda, em um show de 2016, e depois, se apresentando no Festival Demosul, o convite para produzir o documentário partiu da própria empresa que se interessou em produzir a cerveja ‘tributo’ ao grupo. “Perguntaram dos materiais arquivados que eu tinha e surgiu a ideia de fazer o registro. Voltamos no ano passado de uma forma bem espontânea, encontrei com o Luis Bocão (Percussão)e voltamos a conversar sobre. Tínhamos uma questão de que, 2 0 anos depois, cada um está fazendo uma coisa, nem foi muito difícil, na primeira conversa todo mundo já aceitou… Eu gostei muito do filme, os caras conseguiram sintetizar tudo em 8 minutos, conta de tudo de 1988/1997, pega desde a primeira formação da banda até essa que voltou, achei bacana o resultado, tem takes de 2017 e imagens da década de 90”, contou Marcelo Domingues.

Convulsão – O quarteto registrou cinco demos durante seu tempo de atividade. Em 1995 ia registrar algumas faixas em uma coletânea, mas, de acordo com Marcelo o projeto não se concretizou.”Estamos com uma ideia de registrar novas músicas esse ano, nada pretensioso, a gente quer ter o registro pra gente e disponibilizar pela internet, no fim das contas, temos muitas músicas que não foram gravadas na época… “, contou Domingues.

Banda convulsão em foto de divulgação da 'volta' em Agosto de 2016 - Foto: Divulgação
Banda convulsão em foto de divulgação da ‘volta’ em Agosto de 2016 – Foto: Rei Santos

Convulsão Lager Puro Malte – Com produção da cervejaria Amadeus, A Convulsão Lager Puro Malte é uma cerveja leve com aroma de biscoito e agradáveis tons de mel, seu sabor traz uma personalidade marcante à uma bebida leve e dourada. Sua receita é totalmente livre de conservantes e obedece à lei de pureza alemã, contando com os mais nobres ingredientes. Tem 5,0%VOL.


Serviço
Lançamento do Documentário e Cerveja Convulsão + discotecagem.
Onde: Barbearia (R. Quintino Bocaiuva, 875)
Quando: 16/02 (quinta-feira) – às 20h00
Entrada: gratuita

Festival Kinoarte – Estranhos na Noite é uma das atrações desta quarta

Dando continuidade à programação do 18º Festival Kinoarte, nesta quarta-feira (23) um dos destaques fica por conta do documentário Estranhos na noite – Mordaça no Estadão em Tempos de Censura, dirigido por Camilo Tavares e com roteiro do jornalista José Maria Mayrink – veterano do jornal O Estado de S. Paulo. Mayrink estará em Londrina para participar de debate junto com o público após a sessão (21h00 no Cineflix Aurora), juntamente com o jornalista José Maschio (Ganchão) e a jornalista e professora na UEL, Dra. Márcia Neme Buzalaf.
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Às 19h00, também no Cineflix Aurora, o documentário Gaga – Amor pela Dança, que retrata o processo criativo e a trajetória da Companhia de Dança Batsheva, de Israel. Trata-se de um olhar fascinante sobre o trabalho do coerógrafo e diretor artístico do grupo, conhecido como Mr. Gaga.

Mudança – A programação no Cine Com-tour foi alterada. O filme Felizes Juntos foi retirado de cartaz (em razão de problemas com a cópia). Em seu lugar, será exibido, de hoje até o próximo domingo o clássico Um Dia Muito Especial, com direção de Éttore Scola e participação de Marcello Mastroiani. O filme se passa no período da 2ª Guerra Mundial, retrata um encontro entre Hitler e Mussolini em Roma e seu impacto entre a população local e a história mundial. As sessões acontecem 16h00 e 20h30 e são gratuitas.


SERVIÇO
18º Festival Kinoarte de Cinema – Confira Programação: 
http://www.kinoarte.org/festival/

Clube do choro inicia campanha para financiar documentário

Foi iniciada na última quarta-feira (20) uma campanha de arrecadação coletiva para financiar a edição e a finalização do documentário ‘Londrina Sorri para o Choro’ cujas filmagens foram concluídas no ano de 2015.

Há décadas o coletivo desenvolve suas atividades na cidade, sempre levando o choro para diversas regiões e se apresentando em espaços públicos. Integrado por músicos de várias idades e formações, a trajetória do grupo agora terá um registro em imagens. O lançamento do documentário, ocorrido no Restaurante Dona Menina, também contou com uma roda de choro, e ocorreu como parte da programação da ‘Semana do Choro de Londrina’.

Durante o lançamento da campanha, músicos de Londrina participaram de uma roda no restaurante 'Dona Menina' - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Durante o lançamento da campanha, músicos de Londrina participaram de uma roda no restaurante ‘Dona Menina’ – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O registro foi feito por uma produtora de Curitiba. Uma equipe de cinegrafistas e técnicos passou cerca de nove dias na cidade acompanhando rodas de choro e realizando entrevistas com pessoas que participaram da história do grupo. “Teve dia que foi bem corrido, a gente usou uma kombi para levar os equipamentos, visitamos várias rodas de choro. O veículo quebrou no primeiro dia aliás (risos) – Mas o resultado foi muito legal, contamos com a ajuda de várias pessoas, acho que foi o diferencial na gravação. O resultado final foi muito coletivo… A gente teve a ideia mas realizar isso dependeu de muito mais gente” comenta Francielly Camilo, diretora e produtora do documentário.

Músicos de várias fases do Choro na cidade participaram do registro. “Foram filmadas 11 rodas e fizeram mais de 20 entrevistas, gravaram com um amigo nosso que ficou mais de sete anos na Alemanha, falou do choro na europa… O Baldy falou, o Roberto Guerra que é um dos pioneiros do choro na cidade, teve muita gente legal falando. Para finalizar o filme vai ainda cerca de 2 meses de trabalho, temos também outros editais que estamos vendo para levar o documentário para outros canais, talvez até no cinema também” comenta Osório Perez do Clube do Choro de Londrina. A campanha começada pela plataforma Kickante espera arrecadar cerca de R$ 15 mil até o dia 19 de Junho.

Mais informações
Documentário Londrina Sorri para o Choro
Campanha de financiamento pela plataforma Kickante

Semana do Choro de Londrina terá apresentações grátis

A partir desta segunda-feira (18) a cidade de Londrina será o palco de destaque da música brasileira instrumental. Até o dia 24, acontece na cidade a 6ª edição da Semana do Choro da cidade. O evento contará com a participação de pelo menos três grupos da região, especializados na pesquisa e estudo do estilo, além de artistas e interessados de toda a cidade que participarão de apresentações gratuitas, oficinas e entrevistas em diversos pontos do município, inclusive em espaços públicos.

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Regional ‘Futuca Migué’ é um dos grupos que se apresentará durante eventos da ‘Semana do Choro’ – Foto: Divulgação

O evento acontece de forma independente, sem nenhum tipo de patrocínio ou apoio externo. “Uma coisa interessante deste ano é que, praticamente, todos os lugares em que tocaremos são novos para a gente. Estamos abrindo espaço para o choro através dessas rodas de choro que irão acontecer em bares” comenta Osório Peres, coordenador e membro do Clube do Choro de Londrina que se apresentará durante alguns eventos da semana..

Clube do Choro, que se apresenta durante a semana, também será tema de documentário - Foto: Divulgação
Clube do Choro, que se apresenta durante a semana, também será tema de documentário – Foto: Divulgação

Além do ‘Clube’ os grupos ‘Futuca Migué’ e o ‘Regional Maria Boa’ também participarão ativamente da semana se apresentando em bares e também em espaços como escolas de música, colégios e até em estabelecimentos localizados na região da ‘Comunidade 12 Tribos’ próximo à Estrada do Limoeiro (Veja a programação). A partir de oficinas realizadas no colégio Marcelino Champagnat, no ano passado, foi formado um novo grupo de estudos para reforçar a prática do choro. “O regional foi formado por Renato Stecca, Wellington Filho, Odair Pereira, Joaquim André, João Gabriel, Silvia Borba e Igao de Nadai, mas sempre está aberto para novos músicos praticarem o choro. Eu que ministrava as oficinas de cavaco e bandolim, comecei a participar e auxiliar em interpretação, teoria e harmonia.” cita o músico e jornalista Lucas Fiuza, integrante do grupo. “O ‘Maria Boa’ se tornou a alternativa para quem quer continuar praticando o gênero já que além das oficinas semanais, faz a verdadeira roda de choro onde todos tocam com o intuito de se divertir e perpetuar o estilo na cidade. O regional se apresenta em bares da cidade, todo mês participa do forró do aluguel e já marcou presença no Quizomba.” acrescenta o músico.

Integrantes do Regional Maria Boa, formado após encontros em oficinas pela cidade - Foto: Divulgação
Integrantes do Regional Maria Boa, formado após encontros em oficinas pela cidade – Foto: Divulgação

Eventos em espaços públicos também marcam a programação: Uma oficina de prática de conjunto acontece no dia 23 (Dia Nacional do Choro) na sede recém reformada da Secretaria de Cultura (Em frente à Concha Acústica). “Em edições anteriores, quando a semana anterior era organizada pela Rosana Moraes, havia um caráter (Que eu considero mais difícil) de sempre trazer artistas de fora da cidade. Após a saída dela, começamos a fazer o que era mais fácil, rodas mesmo com artistas daqui em bares da cidade e chegamos ao formato de agora. Acho muito positivo ver outros grupos fortalecendo esse movimento do choro na cidade, grupos que começaram depois da gente estão firmes e fazendo rodas direto. Ficamos felizes em ver isso” acrescenta Osório..

Documentário

Entre os eventos mais notáveis, há também o Lançamento da campanha de financiamento coletivo (Crowdfunding) para o documentário “Londrina Sorri para o Choro” no restaurante Dona Menina no dia 20. A captação das imagens para a longa-metragem ocorreu no mês de julho de 2015. O documentário conta com depoimentos, imagens das apresentações e das rodas. Entre os entrevistados, está Roberto Souza, músico do Clube do Choro; Alberto Barroso, que foi membro do grupo por mais de 30 anos e outras figuras importantes do grupo. Em dois meses a meta é arrecadas R$ 15 mil para custos de finalização e edição do documentário..

O Evento

O núcleo central da Semana do Choro é comemorar o aniversário de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, que nasceu em 23 de abril de 1897. Foi estabelecido o dia 23 como Dia Nacional do Choro que é comemorado com muita alegria e autêntica música brasileira em todas as capitais e grandes cidades do pais..


Programação

18/04 Entrevista com o regional “Fucuta Migué” no programa “Modos de Vida”, da Radio Uel, às 15h.
19/04 Apresentação/Concerto Didático do regional “Fucuta Migué” na Escola Dôminos, av. Pres. Castelo Branco, 1577, às 10h30,
20/04 “O Choro vai à Escola” no Colégio Ubedulha C. Oliveira, rua Júlio Farináceo, 110, às 10h.
20/04 Entrevista com o “Regional Maria Boa” no programa “Modos de Vida”, da Radio Uel, às 15h.
20/04 Apresentações/Concertos Didáticos com regional “Futuca Migué” na escola Dôminos, av. Pres. Castelo Branco, 1577. Duas seções: às 16h15 e 17h.
20/04 Lançamento da campanha de financiamento coletivo para o documentário “Londrina Sorri para o Choro” e roda no restaurante Dona Menina, rua Guararapes, 177, às 19h.
21/04 Roda de Choro no Restaurante Chão Comum (comunidade 12 Tribos), na estrada do Limoeiro, às 12h.
21/04 Roda de Choro no Bar Palito, avenida Aniceto Espiga, s/n (rotatória em frente ao Santarena), às 18h.
22/04 Choro na Pizzaria Ravenna, av. João Cândido esq. com av. J.K, às 19h.
22/04 Roda com Regional Maria Boa no Bar Araras, av. João Cândido esq. com Pará, às 20h.
23/04 Oficina de prática de conjunto de Choro na sede recém reformada da Secretaria de Cultura, em frente à Concha Acústica, às 9h.
23/04 Choro no Restaurante Comidaria, rua Jorge Velho, 404, às 12h.
23/04 Roda no Boteco do Alemão, rua Mato Grosso esq. com Paes Leme, às 19h.
24/04 Choro na Pizzaria Ravenna, av. João Cândido esq. com av. J.K. às 12h.

Documentário sobre Caio F. Abreu será exibido em Londrina

Será exibido em Londrina no próximo dia 16 de Abril o filme ‘Para Sempre Teu Caio F.’ (2014) sobre a vida do escritor brasileiro Caio F. Abreu. O filme é dirigido por Candé Salles e baseado no livro homônimo escrito por Paula Dip, amiga pessoal do escritor, e que trás diversas cartas, relatos e impressões bastante humanizadas de uma convivência de quase 20 anos dos dois. Durante a exibição em Londrina, no Centro Cultural SESI, Salles e Dip também estarão presentes para uma conversa com a plateia.

O diretor conheceu Caio Fernando Abreu quando, em 1994, foi convidado a criar o roteiro da peça’ À Beira do Mar Aberto’. O filme apresenta uma estrutura pouco usual se comparado a outros documentários do gênero. Imagens de arquivo como entrevistas, reportagens e depoimentos do próprio escritor (Algumas delas filmadas na época pelo próprio Candé), se misturam à falas de figuras importantes da literatura (Como Mário Prata e João Gilberto), além disso, atores convidados, que usam de diferentes linguagens, dão novas leituras e dramatizações para contos e citações conhecidas do escritor. Entre os atores convidados participam do filme Camila Pitanga, Mariana Ximenes, Cauã Reymond, Alexandre Borges, Caco Ciocler, Fábio Assunção, Du Moscovis, Thiago Lacerda, Paolla Oliveira e outros… O documentário ainda trás trechos de diários pessoais e anotações do escritor gaúcho.

A exibição do filme na cidade foi viabilizada através de uma parceria entre os músicos Igor Diniz & Rafa Vella (Integrantes do grupo Iggy & Rafa) e o SESI da cidade. A exibição acontecerá no Centro Cultural, situado na região central (Próximo à Concha Acústica) às 19h do dia 16 (Sábado)

O Escritor

Caio Fernando Abreu começou a publicar seus livros no início dos anos 70 sendo “Inventário do irremediável” (1970) um dos primeiros trabalhos do qual se tem registro. Tido como um dos escritores mais influentes de sua geração, sua prosa muitas vezes é apresentada em um estilo econômico e bem pessoal. Na maioria das vezes Caio fala de histórias ocorridas em cenários urbanos, mas que trazem personagens imersos em solidão e agonia. Seus contos, frequentemente, apresentam uma visão dramática do mundo moderno e de situações de perda e trauma, muitas vezes, motivadas por repressão, isolamento e situações de preconceito – Em especial, alguns contos do livro ‘Morangos Mofados’ (1982), dialogam muito com essas características.

Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em Santiago-RS em 1948 - Foto: Divulgação
Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu em Santiago-RS em 1948 – Foto: Divulgação

Durante sua vida, chegou a cursar Letras e Artes Cênicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), onde foi colega de João Gilberto Noll. Não chegou a terminar o curso, abandonou a faculdade para trabalhar como jornalista de revistas de entretenimento, tais como Nova, Manchete, Veja e Pop, além de colaborar com os jornais Correio do Povo, Zero Hora, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.

Em 1968, perseguido pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), Caio refugiou-se no sítio de uma amiga, a escritora Hilda Hilst, em Campinas, São Paulo. No início da década de 1970, ele se exilou por um ano na Europa, morando, respectivamente, na Espanha, na Suécia, nos Países Baixos, na Inglaterra e na França.

Em 1974, Caio Fernando Abreu retornou a Porto Alegre. Em 1983, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1985, para São Paulo. Em 1994 descobriu-se soropositivo. Um ano depois, Caio Fernando Abreu voltou a viver novamente com seus pais, tempo durante o qual se dedicaria à jardinagem. Faleceu em 25 de fevereiro de 1996, no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, no mesmo dia em que Mário de Andrade (Que morreu na mesma data em 1945). Entre alguns de seus livros mais notáveis estão trabalhos como ‘Os Dragões não conhecem o Paraíso’, ‘Onde Andará Dulce Veiga?’, ‘Morangos Mofados’ e ‘Triângulo das águas’ que foi vencedor do Prêmio Jabuti de literatura.


Serviço
Exibição ‘Para sempre teu Caio F.’ de Candé Salles
Dia 16/04 às 19h30
No Centro Cultural Sesi – (Associação Médica De Londrina)
Rua Maestro Egídio Camargo Do Amaral, 130
Entrada: R$ 16 e R$ 8 (meia)

Documentário – Meu nome é Capão

Um grupo de estudantes que se uniu pela afinidade e pelo objetivo de desenvolver projetos jornalísticos com um olhar oposto ao que a mídia convencional muitas vezes apresenta. Realizar registros, contar histórias e mostrar um lado da sociedade pouco destacado pela grande massa são algumas das atividades do coletivo Jornalismo Periférico de Londrina.

Desde 2014 o grupo produz vídeos, fotos e reportagens sempre com este mote. No Facebook do coletivo, vários perfis de moradores de rua e também histórias de figuras de Londrina (E as vezes também de outras cidades) mostram um olhar mais próximo e sensível que permeia as produções do grupo. “Nossa meta principal é fazer o J.P chegar com essas informações em todos os lugares onde as pessoas possam se reconhecer ou também, que essas histórias possam ser reproduzidas para inspirar outras pessoas também”, conta Gabriel Siqueira Lopes, um dos integrantes do ‘quinteto’ que também conta com os estudantes Bruno Amaral, Ariádne Mussato, Juliana Pereira e André Costa Branco.

No ano de 2015, o grupo visitou o Distrito do Capão Redondo em São Paulo, na região sudoeste do município, com a ideia de filmar um documentário mostrando a efervescência cultural do local. O resultado foi o filme ‘Meu nome é Capão’ registrado durante um dia inteiro no mês de agosto.

Grafite em rua próxima à entrada do Capão Redondo - Foto: Jornalismo Periférico
Grafite em rua próxima à entrada do Capão Redondo – Foto: Jornalismo Periférico

O bairro com uma população de mais de 260 mil habitantes (Dados de 2010), é notável pela intensa proliferação de atividades culturais – com grupos musicais e também coletivos ligados à dança e a Capoeira – No entanto, a escassez de políticas públicas, ou ainda, a imagem estereotipada ligada à violência no local, muitas vezes, ofuscam tal aspecto do bairro.

Rua capão
Vista geral de rua do Capão – Foto: Jornalismo Periférico

Com a ideia de trazer a tona outro olhar sobre a região, e também influenciados por algumas figuras notáveis que de lá vieram (Como o escritor Ferréz, os rappers Levi de Souza e também Mano Brown)o grupo passou um dia todo captando imagens e entrevistando pessoas no local. Desde professoras, artistas e também moradores mais antigos, são vários os olhares sobre a movimentação do local. A narrativa final é quase como um mosaico, que parte por parte, compõem um grande emaranhado de ideias e impressões. Em suas três exibições realizadas em Londrina (Somando mais uma realizada no próprio Capão) o filme tem rendido comentários positivos ao grupo.

A fim de saber mais sobre a ideia do documentário e o trabalho do coletivo, o Rubrosom conversou com o grupo:

O Capão Redondo foi a primeira ideia de local pra produzir o documentário?
Gabriel – Lá foi a primeira ideia sim… Pra mim, o local é historicamente uma das duas grandes comunidades famosas do Brasil (Sendo a Rocinha a outra), locais que todo mundo conhece. São Paulo tem o Capão… Você vai ter outros lugares, mas, pra nós lá é uma referência, desde muito tempo sempre ouvia histórias de lá. Rocinha algum dia seria legal também (Risos), lá é um local também com bastante história…

Quanto tempo de gravação vocês fizeram por lá?
Gabriel – Bastante coisa… Saindo da estação do capão, já encontramos a Vila Fundão, na entrada já tem o grafite de um artista chamado Kobra (Que já colaborou com os Racionais Mc’s) ele faz um trabalho muito bom, naquele trecho ali já começamos a gravar, depois rodamos durante muito tempo. Chegamos lá por volta das 9h e começamos a gravar já umas 10 da manhã… A gravação terminou por volta das 18h… Foram quase umas 7 horas de material bruto.

Desse tempo para chegar em um documentário de 20 min, imagino que vocês tenham tido que enxugar muita coisa…
Gabriel – A gente tinha bastante material, mas, o legal foi reunir as melhores falas e fazer um quebra-cabeça com isso realmente. Você tinha o enfoque na efervescência cultural e ai eu acho que chegou em um ponto que está no ótimo… Para não ficar forçado sabe? Não teve nenhuma enrolação, nenhuma fala que repetiu muito, esses 20 minutos rendeu bem, é o suficiente!
Bruno – A gente filmou muita coisa no mesmo lugar, as falas que a gente selecionou foram bem objetivas, deu pra todo mundo expor ideias…

Bastidores da filmagem do documentário - Foto: Jornalismo Periférico
Bastidores da filmagem do documentário – Foto: Jornalismo Periférico

O pessoal que conversa com vocês no filme, falou numa boa? Houve algum tipo de resistência?
Gabriel – Não, todo mundo falou de peito aberto, foi bem legal! As diretoras da escola (Que aparecem no filme) estavam cuidando de outros eventos, e ainda, separaram um tempo para falar com a gente. Os professores de capoeira que estavam na aula, também falaram com a gente, foi bem interessante…

O que mais chamou a atenção de cada um durante a produção?
Gabriel – Duas estações antes da do Capão tem a ponte citada na música dos Racionais (Da ponte pra cá) isso já me chamou muito a atenção, comecei a me empolgar, ‘Nossa, já passei da ponte’ (Risos) ai pra entrar já tem o grafite que eu havia mencionado…. O que mais me marcou foi a Capoeira também, eu tenho uma história com a modalidade, eu já treinei também. Ver aquilo ao vivo, o valor que a comunidade dá, é muito marcante.

Bruno – O que mais me marcou, foi o fato de conhecer o Capão, estar lá já foi uma realização muito legal. Desde pequeno mesmo, eu sempre quis conhecer o lugar… Não tinha internet, nem imagens mesmo do bairro eu cheguei a ver, o fato de poder ir até lá, caminhar pelo local, foi bem marcante, a coisa de conhecer as vielas….

André – Eu lembro muito da arquitetura do local, São Paulo já é uma cidade impossível em vários aspectos, e o Capão também…. Você vê uma comunidade inteira levantada naqueles morros, é muito impressionante isso. Dá pra sentir bem melhor o lugar quando você está por lá. Você mensura bem melhor quando está por lá. Os personagens me marcaram muito também. Tanto os que apareceram no doc, como também, os que você troca poucas frases…. O Gabriel e o Bruno foram fazer outras entrevistas, e eu fiquei gravando imagens da capoeira. Logo que eu terminei, vi um garoto sozinho por lá, super tímido sentado e comecei a conversar muito com ele, foi um amor de pessoa. Ele não aparece no filme, mas, fizemos algumas fotos.

E esse material todo que foi gravado, não pensam em fazer nada com os registros?
Não, a gente ta gravando e fazendo bem melhor agora…. (Gabriel) Eu particularmente não imagino, o que pode render mais é talvez voltar lá e gravarmos outras coisas, produzirmos outros materiais. O ‘Meu nome é Capão’ foi registrado em um momento específico, no qual a edição foi bem rápida também…. Passou essa fase.

André – estamos hoje bem melhor em várias coisas, até no equipamento…

Juliana – Nossa, você vê os takes de hoje e esse doc, a gente melhorou muito…

Bruno – eu acho que alguns dos piores takes da minha vida estão neste documentário (risos), eu nunca havia filmado uma entrevista antes até então.
Gabriel – A gente fez o melhor que podíamos ter feito naquela época. Acho que não tem que ficar lembrando também. Todo mundo deu o máximo, hoje, seja melhor ou pior, seria outro documentário, seriam outras histórias, eu não gostaria de mexer em nada neste documentário porque eu sei que, naquele momento, foi o que eu pude e todo mundo pode fazer de melhor. Mudar ou alterar algo tiraria um pouco a essência.

Bruno – Nosso canal do youtube foi lançado em junho (2015) e a gente fez este documentário só dois meses depois…. Isso é uma coisa marcante para o Jornalismo Periférico. Essa coisa de ver o documentário e, talvez, comparar com as produções futuras é mais para ter essa referência; olha o quando a gente tá melhor, olha o quanto a gente cresceu… Nós evoluímos muito neste tempo. Usar as imagens pra fazer outro, acho que não. É muito mais desafiador ir até lá e produzir outra coisa.

O Jornalismo Periférico; Bruno Amaral, Ariádne Mussato, Gabriel Siqueira, Juliana Pereira e André Costa - Foto: Pedro Hoam
O Jornalismo Periférico; Bruno Amaral, Ariádne Mussato, Gabriel Siqueira, Juliana Pereira e André Costa – Foto: Pedro Hoam

E sobre a função do Jornalismo Periférico, qual é?
Bruno – Nossa meta principal é fazer ele chegar com essas informações em todos os lugares onde as pessoas possam se reconhecer ou também, essas histórias possam ser reproduzidas para inspirar outras pessoas também. Essa questão dos perfis de morador de rua (Que o grupo faz no facebook), muita gente vem falar pra mim que não conseguia antes falar com um morador de rua depois de começar a ler as histórias que viu nesta página. Então, o objetivo é mais fazer chegar, conseguimos pautar a cidade com um documentário lá de São Paulo…. Acho que é isso.

Gabriel – Uma menina contou uma parte do capão que não foi retratada, um pouco da violência – Ela tinha 16 anos e havia sido vítima de violência. Enfrentou umas situações bem terríveis… Mas hoje ela falou disso, superou! A ideia era trazer a tona outra coisa, mostrar como, mesmo com todos os problemas, no caso do Capão mesmo, o bairro consegue sobreviver e fomentar bastante cultura né?

Juliana – Dar um novo enfoque, mostras coisas que as pessoas não estão acostumadas a ver….

Mostrando esse doc aqui, você falou da efervescência, isso pode refletir para o pessoal que enfrenta as dificuldades daqui?
Eu acho que sim, dificuldade de grana, passar fome, é meio que universal… É verdade, quando o problema é periferia, o retrato é o mesmo, as pessoas vão ter o mesmo receio, receio das pessoas, a mídia convencional tem aquele olhar já restrito, moradores de lá quando procuram emprego não colocam onde moram, citam o endereço de um amigo… As limitações são as mesmas.

Documentário: ‘Ouro Verde – Memórias da cidade do Café’

Uma montagem dinâmica, apoiada em uma narrativa envolvente e, em vários momentos, bastante emotiva são alguns dos recursos usados pelo diretor Fábio Cavazotti no filme “Ouro Verde – Memórias da Cidade do Café” – Documentário lançado no finalzinho de 2015, e que buscou recuperar, através de depoimentos e registros de época, um pouco da história do grande ciclo da cafeicultura na região, assim como sua interferência na fundação e desenvolvimento de Londrina. O filme contou com produção executiva de Bruno Gehring (Filmes do Leste) além de roteiro assinado por Rodrigo Grota.

Membros da Companhia de Terras Norte do Paraná durante as primeiras excursões pela região (Anos 30) – Reprodução

Concluído após a produção de mais de 30 horas de gravação, o filme retrata desde o início das atividades da ‘Companhia de Terras Norte do Paraná’ na região, passando pela baixa dos preços em meados de 40 (Durante a 2ª Guerra Mundial) pelo crescimento da cidade com a urbanização nos anos 50 e, em seguida, o grande auge a partir de 1960. Com uma delimitação bastante clara entre todas as suas fases, a narrativa chega até o início dos problemas originados pelas questões climáticas (Anos 70) e com a grande geada de 1975 que, para centenas de famílias, representou o fim de uma era, e também de muitas esperanças. O apelo das imagens chama a atenção; vários planos de lavouras e de colheitas de café preenchem um espaço importante do registro e dão um tom ora épico, ora até bucólico ao documentário.

Benedito e Inês Signori relembram histórias da ‘Época de ouro’ do Café – Foto: Reprodução

A quantidade de imagens de acervo das décadas de 1930 e 40 – Cortesia dos registros do Museu Histórico de Londrina – também impressiona e reforça o caráter histórico da produção. O filme todo, especialmente nos depoimentos de pessoas mais velhas, corretores e agrônomos é permeado por uma certa nostalgia que, não raramente, foca mais em pontos positivos do período. “Hoje não pode trabalhar até ter uma certa idade né? Mas na época já com 5 ou 6 anos a gente trabalhava, o pessoal limpava pés de café…. Este era nosso mundo, a gente gostava de fazer isso. Trabalhávamos felizes”, contam Orides e Maria Inês Festti durante um trecho em que explicam sobre o dia a dia na lavoura.

Imagem 4 - Lavouras
Segundo o diretor, várias horas de material bruto, com registro das excursões da época, foram encontrados durante a pesquisa – Foto: Reprodução.

Sobram histórias na fala de pessoas mais velhas que contam com bastante entusiasmo sobre como era uma ‘Época de ouro’ e sobre como pessoas de todas as idades e famílias eram envolvidas com o trabalho, apesar das dificuldades. Em um dos trechos mais bonitos do filme, o casal Benedito e Inês Signori, cantam ‘à capela’ da canção ‘Paraná do Norte’(Do compositor Palmeira) cuja letra cita várias cidades da região – Arapongas, Cambé, Apucarana – Assim como o roteiro que muitos trabalhadores do período faziam durante o transporte e venda do produto.

Em entrevista ao Rubrosom, o diretor contou mais sobre a produção do material:

RS: Como surgiu a ideia de fazer esse filme?
Fábio Cavazotti: Eu sou londrinense…. Nasci um ano antes da grande geada de 1975 – Minha avó tinha uma fazenda de café, perto da cidade, e desde criança o café fez parte da minha vida. Recentemente fiz o passeio da rota do café, aquilo me fez retomar algumas lembranças e acabou despertando em mim a ideia de contar essa história através do café, sabendo também sobre a importância do produto para nossa história.

Quanto tempo de produção para concluir o projeto?
O documentário foi produzido de março até dezembro de 2015 – Neste tempo fizemos trabalho de campo, pesquisa, entrevista, edição, finalização, trilha sonora e conclusão. Há uns meses antes que é o tempo de maturação, mas a parte prática foi neste período. Ao todo foram mais de 30 entrevistados…. Mais ou menos 22 ou 23 fizeram parte do documentário. Mesmo os que acabaram ficando de fora, acrescentaram muito à pesquisa toda.

Algo que te surpreendeu na pesquisa?
O que realmente me chamou a atenção foram as imagens em vídeo dos primeiros momentos da região…. Lá no começo da década de 30. Achamos imagens da Companhia (de Terras) andando pelas matas, coisas que eu só havia visto em fotos. Encontramos um vídeo institucional dos 50 anos da companhia de terras, com quase 2 horas de imagens brutas daquela época.

E o material extra que não entrou no documentário…. Pensam em fazer algo com ele?
É muita sorte ter tanto material porque assim podemos contar de fato a história. O que ficou de fora pode render outras histórias. Não sei ainda o que seria, mas, certamente a partir da recepção maravilhosa que o trabalho vem tendo, a ideia é, cada vez mais, continuar contando a história da cidade. É uma coisa que me move, um assunto que me toca profundamente e foi um prazer muito grande fazer esse documentário. Fico já pensando no próximo… Foram produzidas cerca de 40h de filmagem, só com as gravações feitas pela equipe do documentário. O museu pediu uma cópia bruta dos registros. Iremos tentar formatar isso e fechar um material para os próximos meses. Em breve, outras exibições do documentário devem ser feitas.