Araca – Usina Vila Cultural apresenta comemoração ao 1º samba gravado

Nesta sexta-feira (25), às 20 horas, o projeto “Araca: arquiduquesa do encantado” realizará uma comemoração aos 100 anos do samba “Pelo Telefone”. A canção foi a primeira gravada nesse estilo, em 1916, e poderá ser ouvida gratuitamente na Usina Vila Cultural, na Avenida Duque de Caxias, 4.159.

Da esquerda para a direita: André Mattos (clarineta), Lucas Dias (pandeiro), o ator Leonardo Capeletti, Silvia Borba (Voz), Guilherme Araujo (Bandolim dez cordas) e Osório Perez (violão sete cordas) – Foto: Anderson Coelho.
Da esquerda para a direita: André Mattos (clarineta), Lucas Dias (pandeiro), o ator Leonardo Capeletti, Silvia Borba (Voz), Guilherme Araujo (Bandolim dez cordas) e Osório Perez (violão sete cordas) – Foto: Anderson Coelho.

Durante uma hora, o show pretende ser uma homenagem aos pioneiros dessa arte popular, por isso será dedicado aos compositores que lutaram pelo reconhecimento do samba como gênero musical. Por meio do formato de um programa de rádio, a apresentação narra a trajetória de Aracy de Almeida, que foi uma das vozes femininas mais emblemáticas da música brasileira.

O primeiro samba foi registrado em 1916, no Departamento de Direitos Autorais da Biblioteca Nacional, por Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, em parceria com o jornalista Mauro de Almeida. Segundo Silvia Borba, integrante do projeto, o trabalho do “Araca” é fruto de uma extensa pesquisa e também de um período de preparação e ensaio que levou cerca de um ano. A ideia é mostrar ao público londrinense a obra de Aracy através de um espetáculo cênico/musical nos moldes de um programa de rádio, há até o personagem de um locutor de rádio durante a apresentação. “Desde o início de 2015 começamos a estudar, lá pelo meio do ano houve a separação do repertório. Recebemos toda a discografia da cantora (Aracy) do colecionador Gilberto Inácio Gonçalves (De São Paulo que trabalha como cirurgião dentista), tudo no digital (centenas de faixas) e então fizemos uma seleção disso tudo. Inscrevemos o projeto no PROMIC, foi aprovado… e agora, até o final do ano cerca de 10 apresentações irão acontecer”, comentou Silvia Borba à reportagem do RubroSom.

Para acompanhar a atriz e cantora Sílvia Borba, que interpreta “Araca”, o show conta com os músicos Osório Perez, no violão sete cordas, André Mattos, na clarineta, Guilherme Araújo, no bandolim e Lucas Dias no pandeiro. A direção musical e os arranjos são de Paulo Vitor Poloni. O ator Leonardo Capeletti contracena com Sílvia, sob a direção de Sílvio Ribeiro, também autor do roteiro. Os figurinos são assinados por Alex Lima.

O projeto estreou em julho, com patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), da Prefeitura de Londrina, e desde então já fez oito apresentações em várias regiões da cidade.


SERVIÇO
Araca:
Arquiduquesa do Encantado
Quando:
Nesta Sexta-feira (25) – 20h
Onde:
Usina Cultural – Av. Duque de Caxias, 4159
(Entrada gratuita)

Show e bate papo – Clube do Choro toca hoje no Sesc

Acontece nesta quinta-feira (10) em Londrina a apresentação do show “Tradição e Renovação” feito pelo Clube do Choro de Londrina no Sesc Cadeião. Após a apresentação, marcada para as 19h30, o grupo participará de um bate-papo com o público sobre o tema “A Cultura do Choro em Londrina”, a entrada é a partir de R$2, veja a seguir.

Show e bate papo - Clube do Choro toca hoje no Sesc
Durante a conversa, músicos do Clube do Choro falaram sobre projetos atuais do estilo na cidade – Foto: Divulgação

Segundo Osório Perez, membro do coletivo, o bate-papo irá tratar sobre assuntos ligados à história do gênero na cidade, assim como alguns dos projetos atuais que estão em andamento. “Acho que hoje a cidade reconhece mais o gênero, tudo o que tem sido feito, há muitas rodas acontecendo em diversos lugares, o negócio ta ‘fora do controle’ de forma muito positiva”, contou o músico em entrevista ao Rubrosom.


A formação atual do Clube do Choro de Londrina celebra nessa quinta-feira uma apresentação incluindo composições de autores da cidade, bem como de músicos atuantes no cenário nacional. O repertório visa trazer visibilidade aos intérpretes do Choro londrinense, homenageando mestres do passado como Luperce Miranda e compositores emergentes como Hamilton de Holanda, Rogério Caetano, Alessandro Penezzi e Luis Barcelos. A apresentação contará com participações especiais de “chorões” e amigos que estão sempre presentes nas queridas rodas londrineneses. Atualmente há também planos para registrar um disco com choros de músicos da cidade. ˜Montamos um projeto para o edital do Promic que envolveria cerca de 20 composições  para gravação de um cd só de compositores de Londrina. Nossas diretrizes são bem voltadas para o Londrinense, o ouvinte daqui ta sempre acostumado a ver choro em vários tipos de espaços, há alguns anos temos um planejamento para levar o choro para escolas também”, conta Osório.


SERVIÇO
Show e conversa com Clube do Choro de Londrina
Quando:
Hoje às 19h30 no Sesc Cadeião (A conversa é a partir das 20h30)
Entrada: A partir de R$ 2 – Inteira R$ 10/ Estudante R$ 5

Projeto sobre Aracy de Almeida fará turnê Estadual

O projeto londrinense “Araca: Arquiduquesa do Encantado” está entre as iniciativas contempladas no 1º edital do Prêmio Arte Paraná. O prêmio é faz parte do programa estadual de fomento e incentivo à cultura, e selecionou 24 espetáculos de Circo, Dança, Música e Teatro, para circulação e apresentação em todo o Estado. O projeto sobre Aracy de Almeida está entre os 7 selecionados na área de Música, e fará 8 apresentações nos meses de novembro e dezembro, nas cidades de Ibiporã, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa, Cornélio Procópio e Apucarana. As datas e locais dos shows estão em fase de definição.

Da esquerda para a direita: André Mattos (clarineta), Lucas Dias (pandeiro), o ator Leonardo Capeletti, Silvia Borba (Voz), Guilherme Araujo (Bandolim dez cordas) e Osório Perez (violão sete cordas) – Foto: Anderson Coelho.
Da esquerda para a direita: André Mattos (clarineta), Lucas Dias (pandeiro), o ator Leonardo Capeletti, Silvia Borba (Voz), Guilherme Araujo (Bandolim dez cordas) e Osório Perez (violão sete cordas) – Foto: Anderson Coelho.

Para a cantora Sílvia Borba, idealizadora do projeto, a turnê estadual será uma oportunidade de levar ao conhecimento do público a trajetória de uma das vozes femininas mais emblemáticas do mundo do samba. “Aracy foi considerada a melhor intérprete de Noel Rosa e sua maneira de cantar foi elogiada por Mário de Andrade. Apesar de ser uma referência mítica na classe artística, o grande público muitas vezes desconhece sua importância na música brasileira. E o nosso projeto quer dar à Aracy o tratamento merecido como artista”, comenta a cantora.

Com uma hora de duração, o espetáculo tem o formato de um programa de rádio, um dos principais veículos da época. A montagem é resultado de mais de um ano de pesquisa dos músicos e a estreia aconteceu em julho deste ano. Desde então o grupo já fez 7 shows na cidade, através do patrocínio do Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura. “Eu conhecia a Aracy de Almeida como jurada de programa de TV, e à medida que fui conhecendo a obra desta mulher, fiquei encantada com a vida e a importância dela para a Música Brasileira”, destaca Sílvia Borba. “Desde o início de 2015 começamos a estudar, lá pelo meio do ano houve a separação do repertório. Recebemos toda a discografia da cantora do colecionador Gilberto Inácio Gonçalves (De São Paulo que trabalha como cirurgião dentista), tudo no digital (centenas de faixas) e então fizemos uma seleção disso tudo. Inscrevemos o projeto no PROMIC, foi aprovado… e agora, até o final do ano cerca de 10 apresentações irão acontecer”, comentou a cantora à reportagem do RubroSom.

O retorno do público tem sido bastante positivo. “As pessoas ficam encantadas com a riqueza do repertório e com a beleza dos arranjos musicais. A história de Aracy, retratada no roteiro, também surpreende os espectadores”, comenta Sílvia. Para ela, a apresentação no Centro de Convivência do Idoso, no mês de outubro, foi a mais emocionante. “Dois casais se levantaram para dançar e depois fomos presenteados com um artesanato produzido pelos próprios idosos. Foi um show difícil de encerrar”, admite a cantora.

Em Londrina, a próxima apresentação acontece neste sábado (12), às 20 horas, no SESC Cadeião, com entrada gratuita. No palco, a cantora Sílvia Borba interpreta Aracy de Almeida, acompanhada pelos músicos Osório Perez, no violão sete cordas, André Mattos, na clarineta, Guilherme Araújo, no bandolim e Lucas Dias no pandeiro. A direção musical e os arranjos são de Paulo Vitor Poloni. O ator Leonardo Capeletti contracena com Sílvia Borba, sob a direção de Sílvio Ribeiro, também autor do roteiro. Os figurinos são assinados por Alex Lima. O projeto é patrocinado pelo Promic – Programa Municipal de Incentivo à Cultura, da Prefeitura de Londrina, e tem mais duas apresentações em Londrina até o final do ano.


Espetáculo:
12.11 (sábado) às 20 horas no SESC Cadeião – Rua Sergipe, 52. Entrada gratuita

Ná Ozzeti – Estamos vivendo um momento especial na música

Pluralidade é um termo que condiz muito com a carreira da cantora e compositora paulista Ná Ozetti (Batizada, Maria Cristina Ozzetti). Do início de carreira na década de 70, passando pelo grupo Rumo, pelas participações como interprete de vários compositores importantes, até o lançamento do primeiro disco solo – Ná Ozetti, de 1988, vencedor do prêmio Sharp (Como Revelação feminina na categoria MPB), a artista chegou à terceira década de carreira.

A cantora e compositora Ná Ozzetti entrevistada em sua casa em 2008. Foto: Jefferson Dias/Gafieiras
A cantora e compositora Ná Ozzetti entrevistada em sua casa em 2008. Foto: Jefferson Dias/Gafieiras

Mais recentemente, Ozetti lançou em 2009 o álbum BALANGANDÃS, que traz canções de Assis Valente, Synval Silva, Ary Barroso, Dorival Caymmi e Braguinha, eternizadas na voz de Carmem Miranda. O trabalho conquistou o primeiro lugar da categoria de “melhor disco popular” no 5º Prêmio Bravo! Foi com o show deste trabalho que a interprete veio a Londrina no mês de Junho, quando conversou com o Rubrosom (Veja a seguir). “Fiquei impressionada com o canto dela, ao analisar profundamente a forma como ela interpretava e o domínio musical que ela tinha ao cantar (Além da coisa cênica na voz), tinha um humor…”, contou Ná durante a conversa.

Um pouco de sua trajetória, o trabalho recente no disco do pessoal do ‘Passo Torto’ (Que foi bastante elogiado) além da atual fase da música brasileira, que segundo Ná ‘É uma das grandes épocas da música brasileira’, foram alguns dos assuntos citados durante a conversa, realizada durante a passagem da cantora por Londrina. Confira a entrevista:

Pessoalmente a Carmem Miranda foi uma cantora que sempre te influenciou? Sua relação com a obra dela é antiga já?
Totalmente… Eu me aprofundei no conhecimento da Carmem quando entrei no grupo Rumo (Em 1979), porque o grupo tinha dois trabalhos; Um de canções inéditas, baseadas no canto falado, e um baseado no ‘rumo aos antigos’ em que fazíamos pesquisa de repertórios menos conhecidos de autores muito importante, para este processo todo, de onde se desenvolveu a música brasileira… Então pesquisamos Noel Rosa, Lamartine Babo, e na época tínhamos que fazer pesquisas com colecionadores, que tinham os discos, hoje em dia é mais fácil (Há coletâneas, internet) e naquela época era complicado, foi um processo muito interessante. Acabei encontrando muita coisa da Carmem e fiquei impressionada com o canto dela, ao analisar profundamente a forma como ela interpretava e o domínio musical que ela tinha ao cantar (Além da coisa cênica na voz), tinha um humor… Fiquei muito ligada nisso, sofri um monte de influências dessa forma de olhar a música

E a ideia de registrar esse repertório em estúdio? Começou com uma ideia sua? (O disco foi lançado em 2009)
Eu já cantava algumas coisas do repertório dela, antes disso, teve um produtor (Da gravadora MCD lá de São Paulo) que viu um show meu, e ao final do show, ele sugeriu que eu fizesse um registro com o repertório da Carmem. Fiquei até assustada né, seria até um pouco de pretensão…, Mas depois eu pensei, poxa, minha relação com ela é tão antiga né, tem tanto a ver com a minha forma de cantar que, eu posso contar sim, minha história pessoal com ela… Eu propús o show (Através do edital da Caixa Cultural), acabou passando no edital, fiz shows (Com essa mesma banda que me acompanha hoje) durante o ano todo de 2008, ai no ano seguinte gravamos…

O repertório do disco passa por autores como Ary Barroso, Sinval Silva, Assis Valente… Algum destes em especial te marcou como compositor?
Ah vários, né, eu gosto de todos… Tem um que tenho carinho é o Sinval Silva, ele não é tão conhecido quanto os outros, como Caymi, mas o Sinval tem umas músicas lindos (Adeus Batucada) que é um dos sambas mais lindos, de todos os tempos, e tem uma no show ‘Ao Voltar do Samba’, do Sinval, que é um espetáculo! É uma coisa maravilhosa, todos eles eu gosto, Braguinha, Ary Barroso…

Nos anos 90, você gravou um disco tributo  à Rita Lee… Essa coisa de releituras, tem alguma cantora que, no futuro, você gostaria de fazer um disco tributo, regravar o repertório?
No momento não tenho nenhum plano de pegar outros artistas para regravar. Esses tributos geralmente sempre partem de algum convite de produtores, ou da ideia que alguém me dá… Esse disco ‘Love Rita Lee’ foi a partir do convite do Costa Neto (Gravadora Dabliú) e, ele sugeriu que eu fizesse o disco, na época ‘Os Mutantes’ completaram 30 anos de carreira e ele sabia que eu gostava muito da Rita… Aí, ele me fez esse convite, mas, não sei, no momento não tenho nenhum plano de pegar outros cantores.

Falando da fase mais recente do seu trabalho, teve os dois discos mais recentes que foi o ‘Ná e Zé’ e também o disco com o pessoal do ‘Passo Torto‘, que foi bem elogiado pela crítica, como é seu contato com esse pessoal novo, considerado meio ‘vanguarda’ atual…
Maravilhosa né? Eu os conheci por volta de 2012 e, de lá pra cá, eu me identifiquei demais com isso, me identifiquei com a produção em grupo (Passo Torto) e comecei a frequentar demais todas as formações deles, e os trabalhos individuais e foi isso mesmo… Foi imediato! Adoro o trabalho deles, e me convidaram para fazer esse disco, de tanto eu segui-los nos shows (Risos), e foi uma delícia, nos damos muito bem…

E nomes atuais, tanto brasileiros como de fora, o que você tem ouvido?
Só desse ano já teve muita coisa legal; Uma cantora de Curitiba, Juliana Curtis, que está lançando um disco maravilhoso (Produzido pelo meu irmão) é um disco lindo… Tem a Juliana Perdigão (de MG) que está lançando um disco incrível, atualmente morando em SP, ela toca vários instrumentos! Uma cantora que tem um futuro brilhante também, muito jovem ainda, é a Lívia Nestrovski, projetada pelo Arrigo Barnabé… Lançou um grande disco há uns dois anos. Este ano lançou um com o Artur Nestrovski (Pai dela…), o próprio Metá Metá também, é o máximo. Acho que estamos vivendo um momento muito especial na música Brasileira, há coisas muito interessantes vindo, trabalhos de personalidades fortes.

Eu vi um crítico, recentemente, ‘cravando’ que hoje era o melhor momento da história da música brasileira… Em questão tanto da pluralidade, quanto, também mais gente produzindo e circulando com seus trabalhos, você acha que é um pouco de presunção afirmar isso?
Eu acho assim… A gente vive uma grande época, mas, tivemos muitas grandes épocas e é tão bom isso né? Mesmo essa época da Carmem Miranda, se você for pensar só nos compositores que ela interpretou, só tem gigantes… E tem vários! Compositores que foram gravamos por outrsa como Aracy de Almeida, Marília Batista. Tivemos depois, a época do samba canção, com grandes figures; Teve ainda a Bossa-Nova, em seguida, anos 60 e 70 com a Tropicália, o surgimento do Clube da Esquina. Nessa época ainda surgiu Edu Lobo, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, além de Chico e Caetano, Gil. E ainda as cantoras né? Elis Regina, Gal Costa, que até hoje são grandes! Na década de 80 a Vanguarda paulista… etc. Acho que, de tempos em tempos, a gente vive momentos importantes.

O que acontece hoje é que, a produção independente passou a ser uma opção geral, até os artistas do ‘mainstream’ fazem produções independentes. E, ao mesmo tempo, esse processo de produzir de forma independente amadureceu, se profissionalizou, os artistas aprenderam a divulga-los, todo mundo faz o trabalho que quer fazer. Não existe bem um padrão mercadológico, existe para uma música mais de massa, mas acho que há um espaço grande para o experimentalismo, que não havia antes… Também não sei se afirmo isso que acabei de dizer (risos), sempre se experimentou isso. Nos anos 80 era mais fechado, ou você fazia parte de algo que era esperado, daquele padrão estético, ou você era alternativo… Essa coisa de experimentar linguagens está tranquilo para os artistas.

Entrevista – Estrela Leminski e Téo Ruiz

A noite foi de música e literatura na última terça-feira (13) em Londrina, durante a  abertura da 35ª Semana Literária Sesc & Feira do Livro, realizada no Sesc Cadeião Cultural. Em uma noite chuvosa e fresca (Mas nem tanto) a dupla curitibana Téo Ruiz e Estrela Leminski (Filha do escritor Paulo Leminski) realizaram uma apresentação intimista e envolvente para uma platéia bastante empolgada.

Estrela Leminski e Téo Ruiz durante abertura da 35ª Semana Literária do Sesc em Londrina - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
Estrela Leminski e Téo Ruiz durante abertura da 35ª Semana Literária do Sesc em Londrina – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Baseados apenas pelas vozes, e pelo violão, o casal apresentou canções de sua autoria e de demais compositores, como Itamar Assumpção, grande referência da dupla que, em décadas passadas, chegou a ficar preso no mesmo prédio do Sesc Cadeião, quando este era ainda um presídio nos anos 80. Em rítmo descontraído e com direito à várias ‘estreias mundiais’ de novas músicas, o casal de artistas relembrou essas e outras histórias aos espectadores que, hora aplaudiram, e em outros momentos cantavam juntos com a dupla. As faixas estarão em um próximo disco do duo, com previsão de lançamento para 2017.

A estreia ‘mundial’ faz referências também à excursões da dupla já feitas por regiões como Estados Unidos e Europa, para onde irão novamente no próximo mês de outubro “Mas não tocamos samba!’, explicou Téo Ruiz ao comentar sobre a recepção do trabalho lá fora. “A gente já quebrava o gelo na hora. Não temos nada contra o samba, mas, não fez parte da nossa formação. A receptividade foi legal, talvez, porque nos propusemos a fazer algo diferente”, contou Téo em um momento da entrevista ao Rubrosom.

Além das óbvias referências musicais (Veja a seguir) o casal tem uma relação muito forte com a literatura. Em parceria, os dois assinaram o livro ‘Contra Indústria’ (de 2006) onde examinam um pouco sobre a atual situação da produção musical independente no país, na qual, muitas vezes, artistas precisam lidar com questões empresariais e burocráticas, além do lado artístico (Veja a seguir).  Após o espetáculo, Téo Ruiz fez o lançamento do livro A Autoprodução Musical (Editora Iluminuras), que apresenta uma série de conceitos e reflexões acerca das produções contemporâneas, baseando-se numa linguagem dinâmica e livre de formatações acadêmicas.O Rubrosom aproveitou a ocasião para uma conversa com o duo. Confira:


Vocês tem essa parceria já há 15 anos, com a mescla tanto da literatura com a parte musical… Qual das duas formas de arte ‘influenciou primeiro’ cada um de vocês?
Estrela: Comecei com a literatura mesmo, desde pequena sempre escrevi. Mas, na verdade, quando fui para a música era uma tentativa ‘vã’ de fugir um pouco da coisa dos meus pais… Quando conheci o Téo, tudo aconteceu através da música. A gente flertou através das músicas, um mostrou as composições para o outro, e a coisa engrenou…

Téo: Eu comecei mais com a música…. Comecei a compor, fazendo letras de música, e depois escrevi outros formatos. Até tenho um livro de poesia guardado, mas, eu nem me considero muito um poeta. Sempre fui mais da música, depois a literatura passou a ser incorporada, já musiquei alguns poemas e passei a entrar mais nesse universo.

O duo tocou canções inéditas e outras, já conhecidas, em cerca de uma hora de apresentação - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.
O duo tocou canções inéditas e outras, já conhecidas, em cerca de uma hora de apresentação – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom.

Além das referências óbvias na parte literária (Leminski, etc), sobre a o lado musical, quais são outros artistas e cantores que influenciaram vocês?
Téo: Itamar Assunção (relembrado hoje) é grande referência, tanto para mim quando para a Estrela. Algumas outras são nomes como Lenine, Vitor Ramil, Maurício Pereira… Muita coisa de rock inglês, a islandesa Bjork, com essa parte maluca, experimental, além disso The Clash, Smiths (ingleses).

Estrela: Sempre gostei de bandas de rock muito esquisitas que, de alguma forma sempre influenciaram (Como ‘Ninho com Bombas’), Graforréia Xilarmônica me influenciou muito, um nome que meio que conectou meus dois mundos; A canção e o rock, foi uma banda que ouvi muito.

Falando um pouco do trabalho de produção em livros, vocês assinaram juntos o ‘Contra-Indústria’ (De 2006, sobre o mercado atual da produção musical que, frequentemente, exige que o artista trabalhe também como empresário e vendedor do próprio material), imagino que tem muito ali da experiência de vocês m. esmo com os shows e produções do duo… Hoje em dia, há uma exigência maior do artista nesse lado do ‘business’ ??
Estrela: Muita coisa desse livro já mudou, algumas para melhor (Outras não) e a gente acabou ramificando um pouco essa parte da pesquisa – Eu fui na parte musical, nas origens disso com o pessoal da Vanguarda Paulista, fiz esse mergulho, e o Téo foi mais na parte histórica, em como isso havia mudado através da internet…. Isso gerou tanto o livro, como também, a  FIMS (Feira Internacional da Música do Sul). Muita coisa se originou disso, o Téo tem uma atuação muito forte nessa coisa da política dos ‘auto produtores’ e pensar nessa cadeia. Isso também influencia nossa forma de trabalhar e compor. Estamos pensando já em um novo disco e, já querendo englobar o conceito que a gente sempre fala de trazer pequenas industrias em torno dos independentes, então, nosso próximo disco será absurdamente englobador … Teremos vários produtores, diretores de música, pessoas que influenciam nossa produção musical.

Estrela: Para fazer nossas músicas mesmo, pensamos sempre em arranjos cada vez mais minimalistas. Enxutos, em duas pessoas, o difícil é conceber coisas muito grandiosas e transportar isso para os lugares.

Téo: Eu sempre digo que hoje em dia, infelizmente, e também felizmente, o músico não tem mais como ser ‘só genial’, ser só artista… O cara ser descoberto. Não existe mais esse cenário. Muita gente, especialmente de gerações anteriores, tem dificuldade em escrever um projeto, montar um site, gerenciar uma rede social e, efetivamente, tem uma parte muito chata nisso. Eu adoraria poder só tocar e aguardar as coisas acontecerem ao redor, mas, não é assim… Falo felizmente também porque, quem percebeu isso, já sai na frente, arregaça as mangas e vai para o mercado. Já parte do pressuposto que não existe quem faça tudo isso por você.

Temos já um próximo trabalho em vista, mas, estamos pensando nele em uma forma já ‘empreendedora’, ele vai estar ligado por exemplo à vídeo clipes, cada música terá essa coisa visual, a gente está pré-produzindo por enquanto e a previsão ficará para o segundo semestre do ano que vem.

Vocês tem uma viagem, para fora do Brasil, planejada para outubro, como foi em outras experiências?
Estrela: Ano passado tocamos nos EUA, em Março, e em outubro estivemos na Europa. Teve uma receptividade interessante. O que notamos é que as pessoas não estão mais buscando aquela coisa ‘brasileira’, com versões bossa nova… Pelo contrário. Eles querem ver o que temos por trás disso, já há outros sambistas e grupos ‘tradicionais’ assim por lá.

Téo: A gente sempre explicava que vínhamos de uma cidade no Sul do país, onde faz muito frio e, falamos que não tocamos samba também… A gente já quebrava o gelo na hora. Não temos nada contra o samba, mas, não fez parte da nossa formação. A receptividade foi legal, talvez, porque nos propusemos a fazer algo diferente.


35ª Semana Literária do Sesc: De 13 a 18 de setembro
Mais informações pelo Facebook da dupla e no Sitehttp://www.leminskieruiz.com.br/

 

André Siqueira e quarteto apresentam choro em Londrina

O compositor, arranjador e multi-instrumentista André Siqueira (violão) e seu quarteto sobem, ao palco do Teatro Crystal Palace nesta quarta-feira (15) para um concerto dedicado ao choro e seus compositores mais emblemáticos. Juntamente com Siqueira, participam da apresentação os músicos Bruno Cotrim (bateria), Gabriel Zara (contrabaixo), Júlio Erthal (flauta e saxofone), além da participação especial de Pedro Bronzatti (bandolim).

André Siqueira (O terceiro da esquerda para a direita) com seu quarteto - Foto: Divulgação.
André Siqueira (O terceiro da esquerda para a direita) com seu quarteto – Foto: Divulgação.

No repertório uma breve história do choro, contando com canções famosas como Flor amorosa (Joaquim Callado), Carinhoso (Pixinguinha e João de Barro), Lamentos (Pixinguinha e Vinícius de Moraes), Sons de carrilhões (João Pernambuco), além de vários outros clássicos. Músicas como Frevo, do próprio André Siqueira também aparecerão na sequência.“A ideia é ampliar o conhecimento sobre música popular brasileira através de algumas discussões envolvendo o surgimento do gênero Choro. Meu trabalho é todo focado em música instrumental brasileira, é natural que o choro esteja presente. O que estamos propondo é uma aula show, com explicações sobre os compositores e comentários estéticos, até mesmo para aproximar o público e outros músicos que estejam ali vendo”, contou o músico André Siqueira à reportagem do RubroSom. Segundo ele, há todo um propósito de investigar as influências, os principais compositores e traçar um fio histórico, mesmo que sucinto, apresentando desde músicas compostas no século XIX até composições atuais.

A apresentação é parte da série Palcos Musicais (Realizada desde 2013 em Londrina) e que todos os anos proporciona apresentações de música clássica e de câmara em espaços variados de Londrina. A Temporada da Série Palcos Musicais é organizada pela Artis Colégium e tem o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (PROMIC), Unimed e John Deere/ Horizon. Conta com o apoio da Rádio UEL FM, CBN, Hotel Crystal, Londrina Convention, Brasiliano e Livraria da Silvia. “É um projeto que se consolidou muito rápido em Londrina, não havia antes um projeto na cidade que trouxesse uma serie, tanto com artistas de fora, assim como artistas londrinenses… Ela abrange grupos menores, camerísticos, fizemos já concertos com quartetos, trios, duos, e estamos mantendo esse perfil”, disse Irina Ratchev, coordenadora de palcos da serie, à reportagem do RubroSom.

De acordo com Siqueira, o repertório apresentado dentro da serie ‘Palcos Musicais’ é já executado pelo grupo há algum tempo, no entanto, quem comparecer ao Teatro Crystal Palace  presenciará uma performance diferenciada, contando com novos arranjos, assim como, novas formas de tocar de todos os músicos.

Aula show
Além do concerto no Teatro Crystal Palace, a organização da Série Palcos Musicais preparou uma surpresa: os músicos André Siqueira e Pedro Bronzatti irão ministrar uma aula-show no dia 22 às 20h, no auditório do IEEL, Instituto de Educação Estadual de Londrina. Os estudantes do colégio assistirão a uma aula didática sobre a história do choro com a apresentação musical ao vivo e também através de trechos de áudios e vídeos. A aula será gratuita e destinada a toda a comunidade escolar.“O show foi pensado para traçar um paralelo entre discussões de cunho estético, mas também com foco no terreno social. Não podemos pensar arte como algo desconectado do chão social. O que pretendemos é que as indagações realizadas durante o espetáculo sirvam como força motriz para novos questionamentos a respeito da nossa música popular brasileira e sobre o processo de assimilação de influências diversas.”, citou André Siqueira. Ele conta que, a pesar da identificação com o estilo, não se considera um ‘chorão’ (Jargão pelo qual são conhecidos músicos participantes frequentes de rodas do estilo) embora considere o gênero como um estilo muito importante e que tem uma ligação especial com a cidade (Através dos vários grupos de choro por aqui) “Gosto muito do gênero, vou nas rodas mas não me considero um, toco outros estilos (Como o Jazz), o choro pra mim é um gênero que deve ser pesquisado e tocado. Acho muito bacana esse movimento em Londrina, é uma forma de educação musical muito importante”, conclui o músico.

"Nossa ideia não é apresentar o repertório de modo convencional, não somos um regional de choro, tradicional, mas sim um grupo que dialoga com músicas do mundo todo, incluindo jazz, música erudita, músicas de origem rural etc.”, comenta André Siqueira - Foto: Niéps Fotografia.
“Nossa ideia não é apresentar o repertório de modo convencional, não somos um regional de choro, tradicional, mas sim um grupo que dialoga com músicas do mundo todo, incluindo jazz, música erudita, músicas de origem rural etc.”, comenta André Siqueira – Foto: Niéps Fotografia.

Apesar de ser um gênero musical centenário, a expectativa é que o choro conquiste o interesse dos alunos. “O Choro é um estilo que tem seu início no século XIX, porém apresenta aspectos em sua constituição que o fazem uma música perene. Não há limites de idade ou classe social. Nossa ideia não é apresentar o repertório de modo convencional, não somos um regional de choro, tradicional, mas sim um grupo que dialoga com músicas do mundo todo, incluindo jazz, música erudita, músicas de origem rural etc.”, conclui André Siqueira.

André Siqueira
Compositor, arranjador e multi-instrumentista, é doutor em Ciências Sociais pela UNESP com a tese “A sonata de Deus e o diabolus: nacionalismo, música e o pensamento social no cinema de Glauber Rocha” e mestre em música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) onde desenvolveu pesquisa sobre os procedimentos composicionais do italiano Giacinto Scelsi. Formado em música pela Universidade Estadual de Londrina – PR, atualmente é docente da instituição, sendo responsável pelas disciplinas de harmonia e contraponto, arranjo e percepção. Foi coordenador da pós-graduação em música (2008- 2010) e professor na habilitação de arranjo musical. É autor do livro “Giacinto Scelsi: improvisação, orientalismo e escritura”, lançado pela EDUEL em 2011, no qual discute os procedimentos composicionais e a biografia do compositor italiano.


SERVIÇO
Quando:
Quarta-feira (15)
Horário:
20h30
Local:
Teatro Crystal Palace (Rua Quintino Bocaiúva, 15)
Ingressos:
R$20 (inteira) R$10 (meia)
Local de venda:
Brasiliano Bar e Cozinha (Rua Espírito Santo, 655 – 3322-9211); Livraria da Silvia (Rua Belo Horizonte, 900, Loja 19 – 3026-9339); e no Teatro Crystal Palace, somente no dia do evento, após as 18h.

Cantor Márcio Lugó se apresenta em Londrina em Junho

O cantor e compositor paulistano Márcio Lugó se apresentará em Londrina no próximo dia 16 de junho no Sesc Cadeião Cultural em Londrina. O show é ainda parte da turnê de seu segundo disco “Liberdade Aparente”, lançado em 2013. O lirismo das letras, assim como os arranjos (Pontuado por guitarras sutis, aliadas aos violões carácterísticos da MPB) chamam a atenção para o trabalho do jovem cantor.

O músico, que aponta como suas principais influências artistas como Lenine, Pedro Luís e a Parede e John Mayer, sobe ao palco do Sesc acompanhado por sua banda, formada por Rafa Moraes (guitarra), Diego Aquino (contrabaixo) e Bruninho Marques (bateria, pandeiro, conduíte e moringa), para apresentar suas músicas que passeiam pela diversidade dos ritmos brasileiros como nas composições Sou assim, Cinco sentidos e Trégua.

O cantor Márcio Lugó se apresenta no próximo dia 16 - Foto: Divulgação
O cantor Márcio Lugó se apresenta no próximo dia 16 – Foto: Divulgação

As composições giram em torno de temas como egoísmo e caos (decorrentes do cotidiano urbano). As letras das canções evidenciam a atenção de Lugó para a contemporaneidade e refletem a sociedade, sem deixar de lado as críticas sociais.


SERVIÇO

Márcio Lugó em Londrina
Quando: 16 de Junho às 20h
Onde: Sesc Cadeião Cultural (Rua Sergipe, 52 – Centro)
Ingressos:
R$ 10 (Inteira) R$ 5 (Meia) e R$ 2 (Comerciário)
Ingressos começam a ser vendidos uma semana antes