Garotas Suecas lança disco na festa Barbada

Um dos eventos mais tradicionais de Londrina, a Festa Barbada recebe no domingo, a banda paulista Garotas Suecas que traz em primeira mão o lançamento do seu terceiro disco ‘Futuro do Pretérito’. O show acontece no Bar Valentino e a programação da festa, que começa às 18h traz ainda o DJ residente Ed Groove e DJ Dbeat. Os dois animam a pista antes e depois do show. E também o Bazar Barbada na casinha, cheio de novidades em arte, moda e gastronomia.

Atualmente, a banda é formada por Irina Bertolucci, Fernando Freire, Tomaz Paoliello e Nico Paoliello - Foto: Marcelo Vogelaar
Atualmente, a banda é formada por Irina Bertolucci, Fernando Freire, Tomaz Paoliello e Nico Paoliello – Foto: Marcelo Vogelaar

O ‘Futuro do Pretérito’ é um tempo verbal da nossa língua, o que “faria”, “iria”, “poderia”, isso diz muito sobre o terceiro álbum de estúdio do Garotas Suecas e provavelmente por isso foi escolhido como título do trabalho mais inspirado e bem executado do quarteto paulista. A banda que em 2014 perdeu seu vocalista Guilherme Saldanha, ganhou em participação dos outros 4 integrantes, que cantam, criam e tocam com a competência em emular influências de rock sessenta e setentistas, black music e todos os tipos de cores da música brasileira, se juntam a uma clareza de discurso, sendo certeiros no trato de questões políticas e humanas, canções maduras retratando nosso tempo, nossas mazelas e questionamentos.

Se trata de um dos lançamentos mais notáveis do ano, a sequência “Objeto Opaco”, “Não tem Conversa” e “Todos os Policiais”, são socos de informação e critica conduzidas por arranjos incríveis e trabalho de estúdio maduro, na mesma linha da excelente “Angola, Luisiana”. A tropical “Ananás” e a delicada “Captei Você”, além de versatilidade também mostram um pouco das virtudes nos primeiros registros. “Quarto”, “Psicodélico” e “Morrer Azul” são as porções melancólicas do álbum, cada uma a sua forma.

A banda de Irina Bertolucci, Fernando Freire, Tomaz Paoliello, Nico Paoliello está no rol de grupos relevantes que o rock nacional produziu nos últimos tempos, com qualidade e singularidade comparáveis hoje aos também paulistas do O Terno. As mudanças na banda, o tempo de maturação da nova formação e do novo conceito foram perfeitos.

FESTA BARBADA – Projeto independente produzido pela BARBADA e realizado mensalmente no Bar Valentino desde março de 2010. Trata-se de uma caravana que integra várias linguagens em um único lugar. Inicialmente realizada na casinha do bar – estrutura mais antiga -, atualmente ocupada todo espaço que recebe toques precisos na decoração, principalmente no palco das apresentações. O horário e preço da entrada destoam do padrão da noite londrinense fazendo jus ao nome. A festa se pauta pela diversidade, integrando música, moda, literatura, gastronomia, quadrinhos, artes plásticas e artesanato atraindo um público de jovens formadores de opinião. Hoje é uma das principais vitrines da nova música, recebendo também artistas de destaque no cenário independente local e nacional.


Barbada | Edição #119
Show com Garotas Suecas (SP)
Lançamento do disco ‘Futuro do Pretérito’
+ DJ Ed Groove + DJ Dbeat 
+ Bazar Barbada
18 horas
Couvert R$ 12,00
Classificação: 18 anos

Londrina – Mucambo de Bantu toca na última Barbada do ano

A banda londrinense Mucambo de Bantu, que recentemente se apresentou também no Festival Demosul, aqui na cidade, toca neste domingo na Festa Barbada em Londrina. O som começa a partir das 17h, além do show, o evento conta ainda o residente, DJ Ed Groove e mais uma participação do DJ ÁRIDO GROOVE. A festa ainda conta com novidades no ramo da arte, moda e gastronomia.

Mucambo de Bantu toca na última Barbada do ano

A banda – O sexteto londrinense tem um som fortemente influenciado pela black music e encabeçado pela voz da cantora Ana Paula da Costa. Num estilo dinâmico e com certo ecletismo, o repertório de músicas, sobretudo autorais, traz temas variados, crítica social, exaltação à negritude e a cultura brasileira afro-originada. Sob a influência rítmica, da poesia e da filosofia do negro brasileiro, a ideia do grupo nasceu do reconhecimento da riqueza da africanidade da música brasileira, que perdura a gerações e merece ser mantida, valorizada e posterizada nos repertórios das atuais composições.

O nome é uma referência dada pelo grupo a “casas de pretos”. Entre as diversas utilizações, a palavra “mucambo” ou “mocambo” é atribuída às moradias construídas artesanalmente; local de refúgio e residência dos escravos e negros. Já Banto ou bantus faz referência aos primeiros povos africanos escravizados a chegarem no Brasil. Os bantos contribuiriam grandemente na formação do plano cultural do país.


SERVIÇO
Data:
14 de dezembro
Local:
Bar Valentino (Rua Prefeito Faria Lima, 486)
Horário: 17h
Preço:
R$10

Barbada – Charlie e os Marretas lança disco Morro do Chapéu em Londrina

Dezembro chegou e com ele mais duas Barbadas. A primeira de dezembro, que acontece no dia 11 recebe pela primeira vez em Londrina, Charlie e os Marretas que apresentam seu Funk Psicológico no lançamento do segundo disco da banda, “Morro do Chapéu”. O repertório do novo trabalho é um giro descontraído por vários balanços, uma viagem astral pelo universo pop.

Charlie e os Marretas lança disco Morro do Chapéu em Londrina
Foto: Jonas Tucci

O álbum vem ao mundo pelo selo RISCO, com produção de Charles Tixier e Gui Jesus Toledo, no formato inusitado de discobjeto. “Morro do Chapéu” introduz uma faceta apaixonada e enigmática, sem perder a essência bem humorada e dançante da banda.

A Barbada conta ainda o residente, o mestre DJ Ed Groove e o grande fera, DJ Dbeat. Os dois animam a pista antes e depois do show. A programação sempre tem início antes do sol se pôr – com o Bazar Barbada, cheio de novidades em arte, moda e gastronomia. O material gráfico é do artista Arthur Duarte.  Couvert R$ 15 na hora ou R$ 10 com bônus retirado na loja Natural One.

O ingresso custa R$ 15, mas quem tiver bônus paga apenas R$ 10. Os bônus são limitados e serão distribuídos na loja Natural One (Shopping Catuaí Londrina – Loja 412). Os pontos estão autorizados a entregar um bônus por pessoa. (A partir do dia 02/12) O bônus garante desconto no valor da entrada, desde que a mesma seja permitida de acordo com a lotação da casa.


SERVIÇO
Barbada apresenta ‘Charlie e os Marretas (SP)’
Quando:
Domingo 11 de Dezembro
Lançamento do disco ‘Morro do Chapéu’
+ DJ Ed Groove
+ DJ Dbeat
+ Bazar Barbada
18 horas Bar Valentino

Entrevista com a Trupe Chá de Boldo

Completando onze anos de carreira, e com um notável gosto pela mistura variada de referências (Que vão desde rock, música brasileira, latina, Ska, Carimbó e até ritmos regionais) a ‘Trupe Chá de Boldo’ segue sua trajetória como um dos nomes da atualidade que mais busca experimentação e ousadia no seu método compor e criar. Com um time de 13 integrantes (!!), e já três discos de estúdio na bagagem, a banda segue inquieta em um caminho próprio, quase como se essa experimentação toda, algumas vezes até pareça ignorar maiores possibilidades comerciais que seus discos possam ter. Em tempos difíceis para a música independente do Brasil, o grupo assim mantém uma postura mais voltada à liberdade artística. Para a ‘Trupe’ a mistura não é meta, mas ponto de partida para a invenção de sonoridades… Essa experimentação toda já encontrou algumas parcerias de peso como o músico Tom Zé (O grupo participou dos discos “Tribunal do Feicebuqui” (2013) e “Vira Lata na Via Láctea” (2014), do compositor baiano).

A 'Trupe' completa, em imagem de promocional de 'Presente' (2015) - Foto: Divulgação
A ‘Trupe’ completa, em imagem promocional de ‘Presente’ (2015) – Foto: Divulgação

O show que trouxe a banda à Londrina, no último dia 10 foi mais baseado no último disco do grupo, o disco ‘Presente’ de 2015. Assim como o trabalho anterior “Nave Manha” (2012), a produção do trabalho é assinada por Gustavo Ruiz (produtor e guitarrista de Tulipa Ruiz), com mixagem feita por Victor Rice e masterização de Fernando Sanches (estúdio El Rocha). O disco traz 11 faixas inéditas – entre elas parcerias com Marcelo Segreto (Filarmônica de Pasárgada), Tatá Aeroplano e Iara Rennó – e uma releitura de “Jovem-Tirano-Príncipe-Besta”, de Negro Leo. Aproveitando a passagem da banda pela cidade, aproveitamos para falar com a banda sobre um pouco do trabalho que eles tem feito nesse tempo todo de carreira.

Sobre o processo de criação, as influências e o som da trupe, o RubroSom conversou por e-mail com Julia Valiengo, uma das vocalistas da trupe. Confira:

Como foi o processo de composição/gravação do disco mais recente “Presente”? Rolou muito diferente do que havia sido feito no disco anterior?
O álbum “Nave Manha” teve as composições mais concentradas nas mãos do nosso vocalista Gustavo Galo. Já o álbum “Presente” contou também com composições de outros integrantes, parcerias entre pessoas da banda e também com músicos próximos da gente como Tatá Aeroplano e Iara Rennó. Mas tão importante quanto as composições, a criação de arranjos é sempre algo que fazemos de forma bastante coletiva e nesse disco a gente quis dar mais atenção pra esse som com cara de banda. Gustavo Ruiz, nosso amigão querido que produziu o disco (o Presente e o Nave Manha) ajudou muito pra dar essa cara.

Vocês entraram no estúdio com as músicas todas prontas ou foram criando coisas no estúdio?
Quando entramos em estúdio a maior parte dos arranjos já estava criada, mas como nos outros discos, rolaram também algumas idéias novas no calor da gravação, o que é sempre muito gostoso. O processo do disco como um todo durou cerca de um ano, desde as primeiras imersões no repertório, viagens para criação de arranjos, ensaios, gravação, concepção de capa e nome do disco e enfim o lançamento!

A banda tem um número grande de integrantes, qual é a principal dificuldade em conciliar ideias de uma banda com tantas pessoas? Alguma parte disso se torna mais ‘fácil’ também?
Claro! Tem a dor e a delicia de ser banda grande. A gente gostaria de viajar mais e a circulação às vezes fica comprometida pelo custo de viajar e hospedar tanta gente, mas além da gente conseguir dividir a parte burocrática mais chata que tem que ser feita, a parte boa mesmo é que quando você briga com alguém e fica de bode, é só dar um tempo com alguns dos outros 13. As decisões as vezes são mais lentas e raramente unânimes, mas é muito gostoso viver e produzir coletivamente.

Vocês são sempre lembrados por terem influencias consideradas um tanto exóticas (Vi uma vez que o Marcos Mumu falava sobre admiração pela música dos Balcãs), o que vocês tem ouvido de diferente por esses tempos?
Como a banda tem muitos integrantes, as influências que chegam são bastante variadas e se diluem muito no nosso som. O Remi, nosso saxofonista disse que tá ouvindo a rádio Yande, a primeira rádio indígena online do Brasil. Tem os amigos mineiros do Porcas Borboletas, Juliana Perdigão e os KURVA, Graveola e o Lixo Polifônico, os três terminado discos novos em breve. O Negro Leo que é um maluco maravilhoso. Mas na banda tem desde uns que ouvem muito samba e choro até outros que curtem mesmo a Beyoncé.

Vocês tiveram uma experiência de gravar com o Tom Zé… Como foi trabalhar com ele? Teve um pouco essa ‘piração’ de trabalhar com um ‘ídolo’?
Esses encontros com artistas de outra geração são sempre muito frutíferos. Tom Zé nos mostrou diversas músicas antigas dele que nunca tinham sido gravadas. ele é demais! muito figura, ensinou a gente um ponto de ‘reflexologia’ pra perder o nervosismo pré palco. Acabamos gravando algumas musicas pro EP Tribunal do Feicebuqui e fizemos o arranjo para a música Salva Humanidade, que entrou no seu último álbum Vira Lata na Via Láctea.

Como a ‘Trupe’ encara essa coisa de compartilhar as músicas gratuitamente na internet? Vocês defendem esse ‘livre compartilhamento’ das músicas também?
Defendemos sim, tudo que a gente produz está disponível gratuitamente no nosso site www.trupechadeboldo.com . Lá também você tem a possibilidade de comprar nossos discos físicos, que a gente também curte como um tipo de expressão. Costumamos ter um cuidado bem especial com eles.

E sobre os shows dessa turnê? Pessoal pode esperar um repertório de sons mais novos ou haverão músicas de todos os trabalhos mesmo?
Temos circulado mais com as músicas do trabalho do “Presente”, mas claro que o repertório também segue a vibe das arenas, de repente, vai que rolam surpresas nesses dias né?!


Serviço

Trupe Chá de Boldo em Londrina
Domingo 10 de abril às 18:00
Discotecagens: DJ ED GROOVE e DJ dbeat
Couvert: R$15

Entrevista com o músico Curumin

Uma percussão cheia de ‘ginga’ aliada a instrumentos de corda, junto de várias camadas eletrônicas que até deixam dúvidas sobre o número de pessoas que está tocando… O resultado é uma verdadeira parede de sons. Ao vivo, a banda tem apenas três músicos, mas é impossível não ficar em dúvida se o que estamos ouvindo não é obra de uma fanfarra inteira.

Assim é o som do músico paulistano Luciano Nakata Albuquerque (Curumin) que mistura elementos de reggae, dub, rap e outras vertentes. Possuidor de uma veia eclética, o cantor – Que também é baterista e ‘sampleador’ durante o show – Chama a atenção, desde 2005, tanto pela originalidade mostrada em seus discos autorais, como também pela colaboração como músico de apoio de outros artistas (Paula Lima, Arnaldo Antunes, Vanessa da Matta e outros).

Acho que entre abril e junho devemos nos reunir para trabalhar em mais algumas, talvez com alguma previsão de lançamento para o ano que vem... (Curumim sobre o próximo trabalho) - Foto: Divulgação/Rafael Kent
“Até junho devemos nos reunir para trabalhar em mais faixas, com alguma previsão de lançamento para 2017” (Curumin sobre o próximo disco) – Foto: Divulgação/Rafael Kent

Divulgando seu disco mais recente, ‘Arrocha’ (2012) – O Quarto disco de inéditas de sua carreira – O músico esteve em Londrina no último dia 13 de março, onde se apresentou durante o aniversário de 6 anos da festa Barbada, no Bar Valentino, e conversou com o RubroSom sobre o processo de criação, suas influências, além das vantagens de ser um artista independente.

Confira a conversa:

Um aspecto do teu trabalho que é muito marcante é a forma como você mistura ritmos musicais diferentes; Dub, reggae, música eletrônica…. Desde sempre você se interessou por diferentes estilos musicais?
Não sempre, quando eu era moleque já teve época em que eu gostava de Gretchen, Sidney Magal (risos) bom, eu passei por muitas fases, mas, acho que agora, apesar das várias vertentes, tem uma coisa que é mais específica pra mim que é a música negra ou as coisas que vêm dela… Então como baterista eu gosto das coisas com ritmo, do ‘swingado’ dançante, tudo isso me interessa. Esses estilos que você falou, reggae, soul, rap, boa parte da música eletrônica, isso vem tudo dessa área…

Você falou em uma entrevista que, desde pequeno, o seu irmão foi um cara que te influenciou muito, ele sempre te mostrava discos… O que você ouviu na época que te fez querer tocar e fazer sua própria música?
Foi ele quem me apresentou Stevie Wonder né? Depois disso foi meio que um clique sabe? Comecei a ouvir muito o Wonder, depois daquilo eu saquei o caminho que eu queria seguir, ele foi o artista principal, lembro até hoje quando ele chegou em casa com o disco Innervisions (Tamla) de 1973. Eu conheci o cantor porque ele fez muito sucesso com ‘I Just Called To Say I Love You’ (1984), mas não tinha uma excelente impressão dele, apesar de ser boa era muito pop, tocou muito no rádio então ah… Nem gostava tanto. Mas, quando ele chegou com o Innervisions, pô, achei louca a capa e quando ouvi deu uma mudança de chaves na cabeça… (risos). Na escola eu já fazia algumas músicas de brincadeira, sempre brinquei com isso.

E hoje em dia, o que você tem ouvido de artistas?
Tava até comentando outro dia, tem muita coisa legal de som hoje ligada a gênero, vindo desse pessoal ligado á movimentos trans, gays… Minha mulher tem feito muita pesquisa nesse sentido, tenho acompanhado e vejo muita coisa legal, tem um frescor interessante ai. Além disso tem a Ava Rocha (Filha do cineasta Glauber Rocha) gosto muito do rapper Kendrick Lammar, cada vez aparece mais música boa…

Você é um músico que se destacou tanto no trabalho autoral como também tocando com outros músicos – Essa coisa de circular nos dois meios acrescenta mais ao trabalho?
Acrescenta muito…. Principalmente porque nessa estrada da vida eu sempre toquei com gente muito legal. Ir pra outros lugares, tentar entender outras ideias é sempre muito importante, muito legal.

Seu disco mais recente ‘Arrocha’ (2012) foi gravado em uma produção feita em casa, sem um estúdio enorme, pagando por hora. Como foi experimentar com essa forma?
Foi bem gostoso…. Isso ocorreu bem na época que minha esposa estava grávida, a casa estava em um clima bem legal e, havia uma paz mesmo em fazer ali. Tinha uma atmosfera de se sentir bem, havia um clima de trabalho ótimo, todo mundo fazendo o que gostava, feliz em estar fazendo, empolgado em estar experimentando sons… Estar em casa dá muito mais margem para testar coisas também, no estúdio é sempre mais ‘certeiro’, você não tem muito espaço para elucubrar e nem tentar e errar, tem que acertar mais. Em casa eu podia errar (risos).

O ‘Arrocha’ ficou mais eletrônico em comparação aos discos anteriores, tem mais samples (Sons gravados)… Foi também um resultado da forma de gravação?
Foi sim…. Uma coisa puxou a outra. Havia também o interesse meu, pessoal, pela programação e, na época, também pelo Hip-hop, todo o Hip-hop experimental que vinha ocorrendo, foi todo esse casamento de tentar pesquisar e fazer em um baixo custo. A gravação foi rápida, menos de três meses, o que demorou foi mais o processo de arte final, fechar a capa e o resto.

Hoje no Brasil, qual você acha que é a maior vantagem e a desvantagem em ser um artista independente?
Olha, a primeira vantagem é você não responder sua música para ninguém, quando tinha uma gravadora você precisava responder para o dono do investimento, ele precisava replicar aquele dinheiro que entrou, não tinha uma visão muito musical, a visão era muito ‘Isso vai vender ou isso não vai’, e a gente não tem essa preocupação. Essa conquista é maravilhosa, por outro lado, tem todo o trabalho que é ser você mesmo S/A. Você tem que estar presente em todas as etapas do processo, não dá para ficar só focado só criando…. Quer dizer, para alguns dá né? Para os gênios rola (risos) mas para mim, ainda tenho que ralar um pouco e correr atrás.

Você teve um contato com o selo Quannum Projects (EUA) que ajudou o seu trabalho a ter uma projeção fora do Brasil, você teve contato com o Chief Xcel do Blackalicious (Dupla de rap dos EUA) – Como é que foi a recepção do seu trabalho lá fora? O pessoal viu seu som como algo muito exótico?
Eles tem um mercado que se auto consome muito, principalmente, em relação à cultura americana (Que foi onde fui mais com o Blackalicious) a cultura nos E.U.A sempre foi muito mais de exportar do que de importar coisas… O que eles importavam era com essa ideia de música exótica, acabamos entrando um pouco com essa categoria, mas, acho que hoje mudou um pouco mais. Na época (por volta de 2005), isso era mais restrito, mas assim, foi bom do mesmo jeito… A gente percorreu aí um trilho legal, passaram pra gente muita coisa do hip-hop, fizemos vários shows, foi uma fase muito importante pra gente. Por enquanto não temos projetos de ir pra fora. Ser independente tem isso, de ser mais difícil…

E o próximo disco? Já estão trabalhando em algum material?
Estamos pensando sim, temos já algumas músicas novas feitas. Acho que entre abril e junho devemos nos reunir para trabalhar em mais algumas, talvez com alguma previsão de lançamento para o ano que vem… Esse ano ainda é todo ‘cagado’ né? (risos), tem olimpíadas, eleição e tudo… A gente nem começou essa segunda parte ainda, não precisa correr, iremos fazer no prazo em que for, para fazer bem feito.

Qual sua opinião sobre essa coisa de “música livre”? A coisa do compartilhamento gratuito, isso ajuda a circular mais? Ou prejudica o artista?
Isso é meio inevitável né? E é uma mudança da economia do mercado de música…. Eu não sei, acho que é importante o artista receber pela execução do trabalho dele. Mas hoje em dia a tecnologia permitiu tanta velocidade de informação que, se você burocratizar o acesso para as pessoas você sai perdendo, então, não tem muito para onde ir. O Mp3 é um formato ótimo, me possibilitou conhecer muita coisa que eu tinha dificuldade de pesquisar, mas, como artista eu sei que o problema é esse, de gastar dinheiro pra gravar algo, tem todo um custo emocional para produzir (Embora tenha pouco retorno) …. Mas a gente não deixa de trabalhar também, isso ajuda as pessoas a conhecerem mais e de repente viajar mais com o show.