Londrina – Jornalista lança livro infantil interativo

Um livro de poemas interativo, que convida a criança a participar da obra! Essa é a proposta do trabalho “Na casa amarela do vovô, Joaninja come jujubas” (Curitiba: Mercadolivros, 72 p), que a jornalista e especialista em Economia Criativa e Colaborativa, Jaqueline Conte, lança no próximo dia 11 de março, em Londrina.
Capa - Na casa amarela do vovo joaninja come jujubas (1)

O trabalho é o primeiro livro infanto-juvenil da jornalista, que também é mestranda em Linguagens e Tecnologia pela UTFPR. A obra tem uma proposta diferente. Ao lado de cada poema há espaço para que a criança o desenhe, dando ao texto escrito sua própria interpretação visual, numa brincadeira entre diferentes linguagens.

A autora Jaqueline Conte lançará o livro no próximo dia 11 - Foto: Divulgação
A autora Jaqueline Conte lançará o livro no próximo dia 11 – Foto: Divulgação

Também há, no topo da página, um local para que se registre o nome e a idade da criança que fez o desenho. Assim, a imagem fica catalogada e pode ser preservada para o futuro. “Sempre gostei de brincar com diferentes linguagens. E é essa a proposta deste livro. A criança lê o poema, reelabora em sua cabeça e traz de volta a ideia em forma de imagem ou mesmo de um novo texto”, afirma a autora. “É muito bom ver os desenhos produzidos e perceber a leitura que as crianças fazem de cada poema”. O lançamento, em Londrina, será no dia 11 de março, na loja Ciranda (Rua Jorge Velho, 48, Vila Larsem), a partir das 10 horas.


SERVIÇO
Lançamento do livro “Na casa amarela do vovô, Joaninja come jujubas”

Quando: Sábado (11 de Março)
Onde: Loja Ciranda (Rua Jorge Velho, 48, Vila Larsem)
Entrada Gratuita

DOXA – Exposição visual com temática sobre opinião é aberta no SESC

Trabalhos que utilizam tanto técnicas quanto referências variadas (Ilustração, composição, esculturas) e que, cada uma a sua forma, dialoga com temáticas como a subjetividade e a opinião. Estas são algumas características da mostra do artista londrinense Mow Armstrong (Pseudônimo de Érick Costa) que foi inaugurada na última terça-feira (17) no Sesc Cadeião, na região central de Londrina.

Exposição visual com temática sobre opinião é aberta no SESC
Público acompanhou a abertura da exposição e ainda fez perguntas ao artista – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

A exposição, intitulada DOXA (Na língua grega algo como verdade óbvia ou natural) possui um tema comum ligado à questão da subjetividade e da opinião. Embora em um primeiro momento a relação do tema com as imagens expostas pareça nebulosa – Com peças até minimalistas, molduras e também arranjos de fios de cobre formando figuras – Um pouco mais do processo artístico e do tema da mostra são explicados pelo artista durante uma troca de ideias com o público presente na abertura.

O artista Érick Souza ao lado de algumas instalações expostas no Sesc - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
O artista Érick Costa ao lado de algumas instalações expostas no Sesc – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O tema aqui não se manifesta de forma literal, mas sim, por abstração da própria forma como algumas das obras são montadas, assim como, os materiais predominantes; Cobre (Visto como um material de propriedade transmissora, segundo o artista) e madeira (Condutora). “Eu sempre fui uma pessoa peculiar (Nos meios em que circulei, frequentei), tendia a chamar a atenção e, logo, era alvo de opiniões, acabei sendo alvo de opiniões alheias… Logo, eu tive que aprender a lidar com isso, quis retratar uma parte da minha realidade e um pouco do que eu sou”, pontuou o artista durante entrevista com o Rubrosom. Peças expostas como as molduras com ‘espelhos’ quebrados talvez sejam as peças que melhor representam isso, uma vez que elas ‘devolvem’ fazem o observador ter de volta o olhar ‘lançado’ para as mesmas.

Molduras, algumas delas com espelhos, e um desenho formado inteiramente por triângulos (Na parede oposta) são algumas das obras expostas na mostra Doxa - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Molduras, algumas delas com espelhos, e um desenho formado inteiramente por triângulos (Na parede oposta) são algumas das obras expostas na mostra DOXA – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

O jovem artista, de apenas 22 anos, recebeu um convite para realizar a mostra através artista Viviane Feitosa, (curadora no Sesc Cadeião Cultural) que já havia tido contado com Mow durante uma de trabalhos artísticos feitos há alguns meses. “Os trabalhos foram todos feitos em um período de seis meses (Entre Agosto e Janeiro de 2017), mas as ideias já estavam prontas há algum tempo… Iniciei trabalhos em 2012, mas muita coisa foi descartada durante o processo” ele conta. Segundo Mow, o tema da ‘opinião’ apenas ganha força no atual contexto em que a opinião é muito priorizada. “As pessoas, a sociedade cobra muito que você tenha opinião e se posicione sobre tudo, não se pode mais ter dúvidas, ser isento… A opinião é tão presente, a ponto de você ter que escolher um lado em situações nas quais você nem precisaria inicialmente”, contou o artista. A exposição fica ainda no espaço por cerca de um mês.


SERVIÇO
Exposição DOXA – Sesc Cadeião
Quando:
Segunda à sexta-feira: 10h ás 21h
Endereço:
Rua Sergipe, 52

Partilha: Evento com exposições e oficinas acontece neste sábado

Acontece neste sábado sábado (10) em Londrina, o Partilha com mostras artísticas e troca de ideias com foco no público feminino. Feito por mulheres e para mulheres, o espaço pretende estimular e promover diálogo, mudança, mistura e transformação – tudo isso em um espaço colaborativo que já se destaca no cenário londrinense: a Casa Madá.
Evento com exposições e oficinas acontece neste sábado

Na programação, que vai das 14h às 22h haverá desde brechós, comes e bebes, mostras de artistas, conversa com empreendedoras londrinenses e vivências para as mulheres, como yoga e oficinas de bordado e bonecas articuladas – tudo isso ao som de boa música, com discotecagem de Iakyma Lima e Carol Dutra. “A ideia é criar um espaço que propicie e estimule o trabalho de mulheres, não importa a natureza dele – artística, gastronômica, musical… O Partilha viabiliza um espaço em que as mulheres sejam as protagonistas e possam mostrar para o mundo aquilo que fazem”, conta a organizadora, Layse Moraes.

Evento com mostras artísticas e oficinas acontece neste sábado
Em junho o mesmo espaço sediiu a primeira edição do Slam Teba, com declamações de poesia – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Apesar de o evento ter foco nas mulheres, homens também são bem-vindos. Como entrada, serão arrecadados produtos de higiene pessoal – absorventes, desodorante, shampoos, condicionadores etc. -, que serão distribuídos para mulheres em situação de rua. As oficinas são pagas e dependem de inscrição e disponibilidade de vagas.

Oferecimento: Coração Nonsense/ Apoio: Casa Madá


Programação:

BRECHÓS:
– Acervo de Camila Dervelam
– Acervo Thais Beckert + Jessica Koyama
– Vanilla Bazar com acervo de Manuela Manhães Slonski
– Velharia
– Acervo Luana Fernanda e Luana Soares

EXPOSITORAS:
– Astronave de Papel
– La resistencia gráfica
– Adri & Ana
– Studio La Bella Mafia Tattoo

VIVÊNCIAS:
– Microfone aberto
– #leiamulheres
– Varal de ilustrações, com Sarah Barbosa aka O que eu não digo
– Oficina de bordado em bandeirinhas, com Mariana C. Fernandes
– Yoga + bate-papo sobre a prática, com Lucélia Canassa
– Oficina de bonecas articuladas, com Thaís Arcangelo, do Astronave de Papel

COMIDINHAS:
– Edi – Doces finos e Bolos caseiros
– SUR pães artesanais e empanadas chilenas
– Yes, Sugar
– Brigadeiros & outras delícias, por Suzany Shiraischi, Amanda Ramos e Camila Barbosa

E MAIS:
Arara do desapego com trocas de roupas e acessórios. Pegue uma peça e deixe outra – simples assim!


SERVIÇO
Quando:
10 de dezembro, das 14h às 22h
Onde:
Casa Madá – Rua Jorge Velho, 678
Entrada: Produtos de higiene pessoal, absorventes, desodorante, shampoos, condicionadores – A serem entregues a mulheres em situação de vulnerabilidade

Grafatório: abertas as inscrições para a feira DOBRA

Em Londrina, estão abertas as inscrições para a feira DOBRA de arte impressa na Vila Cultural Grafatório.  Editores independentes, artistas gráficos, quadrinistas, zineiros, fotógrafos, gravuristas e outros habitantes do papel impresso – inscrevam-se até dia 11 de outubro na feira mais excêntrica do sertão do Tibagi! O formulário para inscrição pode ser acessado pelo link: www.grafatorio.com/dobra.

Grafatório: abertas as inscrições para a feira DOBRA
Foto: Divulgação/Grafatório

Neste ano a feira acontece no dia 29/10 no ilustre MAL – Museu de Arte de Londrina, e a lista dos selecionados será divulgada no dia 13/10.

A DOBRA faz parte da programação do IV Ciclografias, evento que vai contar com oficinas, exposições e outras atividades durante toda uma semana. A programação completa será divulgada em breve. O IV Ciclografias é uma realização do Grafatório com o patrocínio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura. Dúvidas? Mais informações? contato@grafatorio.com ou (43) 3024-3533

Demo Sul irá premiar banda londrinense com videoclipe

E tem premiação em forma de clipes no festival Londrinense Demo Sul. Até o dia 10 de outubro, o público londrinense vai poder escolher qual das bandas locais escaladas para o Festival Demo Sul vai levar para casa um videoclipe assinado pela Clareira Filmes. A ação é uma iniciativa do Festival Demo Sul e da Clareira, que vão ofertar a “oficina de videoclipe” dentro da programação do Festival. O videoclipe em questão será produzido durante oficina e vai premiar uma das 14 bandas londrinenses escaladas para a 16ª edição do Demo Sul. A banda será escolhida pelo público, em votação online, AQUI.

Motorocker vem de Curitiba e traz toda a atmosfera do hard rock para o palco do Iate Clube. A banda, que ficou conhecida pelo título de “melhor cover de AC/DC de todo o mundo”, aposta desde 2004, quando lançou “Igreja Universal do Reino do Rock”, em um trabalho autoral que tem garantido shows lotados e muitos quilômetros rodados pelo Brasil - Foto: Divulgação
Motorocker, de Curitiba, é uma das bandas que tocará no palco do Iate Clube. A banda, que ficou conhecida pelo título de “melhor cover de AC/DC de todo o mundo”, aposta desde 2004, quando lançou “Igreja Universal do Reino do Rock”, em um trabalho autoral – Foto: Divulgação

Quem ministra a oficina esse ano é o diretor de cinema Anderson Craveiro, que já trabalhou na produção de clipes de bandas como Subtera, Rodrigo Garcia Lopez, Bruno Morais, entre outras. Além do trabalho musical, a Clareira também assina o “Rubras Mariposas”, filme indicado a prêmios em diversos Festivais de cinema no Brasil, México, Chile, Argentina, Espanha, Itália, Índia e Estados Unidos.

Para votar, o público precisa acessar o site do festival Demo Sul (demosulfestival.tumblr.com) e escolher qual banda, em sua opinião, merece levar o clipe para a casa. As concorrentes são: Abacate Contemporâneo, Convulsão, Etnyah, Hellpath, Imagery, Loladéli, Luke The Held and the Lucky Band, Montauk, Mucambo de Bantu, Octopus Trio, Red Mess, Sarara Criolo , The Greengrass Brothers e The Weird Family.

Já as inscrições para a oficina serão abertas no próximo mês, também no site do Demo Sul. A votação vai até o dia 10 de outubro.

(Com informações da Assessoria de Imprensa)


SERVIÇO

Festival Demo Sul
de 04 à 12 de novembro
(Mais informações em breve)
Site: http://demosulfestival.tumblr.com/

Artistas de Londrina, RJ e SP abrem exposição no sábado

Com oito obras inéditas, que foram pensadas exclusivamente para o Museu de Arte de Londrina (MAL), a exposição coletiva PASSAGEIRA 16 será aberta às 10h do próximo sábado (13). Os trabalhos ocuparão o edifício projetado por Vilanova Artigas até 30 de setembro. A entrada é franca.

Cartaz de divulgação da mostra - Foto: Divulgação.
Cartaz de divulgação da mostra – Foto: Divulgação.

De acordo com a diretora do evento, Louisa Savignon, a intenção da exposição é propor reflexões que abordem a existência e os vários papéis desempenhados pelo Museu de Arte, em cujo prédio funcionou, até 1988, a antiga rodoviária da cidade. “São oito propostas diferentes, que entenderam a proposta site specific do projeto, e que, juntas, propõem uma interessante reflexão sobre aquele espaço tão particular e caro a todos os londrinenses”, diz. As propostas artísticas escolhidas pela comissão de seleção representam variadas formas de expressão, da performance à vídeo-arte, passando pela arte sonora e pela instalação.

Estudantes, artistas e pesquisadores participaram em maio do evento de apresentação do edital - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Estudantes, artistas e pesquisadores participaram em maio do evento de apresentação do edital – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

O edital da Passageira 16 foi aberto a artistas residentes em Londrina e demais cidades do Brasil. Segundo Louisa Savignon, o nome do edital oferece já uma multiplicidade, como a relação que ele possibilita com as mostras que não são permanentes (Passarão pelo museu), o cronograma curto já reflete isso. “Brincamos também com essa coisa do local da exposição ser a antiga rodoviária, por onde passavam muitos passageiros. É um espaço que já existe (O museu como um todo) e nele você projetar algo artístico que vai dialogar com o ambiente, como um condutor. O museu está lá, cercado por grades, mas muitas vezes não é visto, tem uma ideia também de chamar ‘Olhem para o museu’…”, contou Savignon à reportagem do RubroSom.

Site specific

Este conceito artístico é destinado a obras criadas de acordo com um determinado ambiente ou espaço. Seus elementos estéticos buscam o diálogo com o meio para o qual o trabalho é elaborado. Neste sentido, o site specific liga-se à ideia de arte ambiente, que sinaliza uma tendência de produção contemporânea de se voltar para as características daquele local e seu entorno, incorporando-os e/ou transformando-os. Nesta busca, além do próprio espaço físico, também podem ser abordados aspectos como sua função pública, seu estado de conservação e sua utilização social.

A mostra PASSAGEIRA 16 tem patrocínio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).
ARTISTAS SELECIONADOS
// Coletivo barafunda, de londrina/PR com o trabalho “barafunda”
// mabu (marisa bueno), de são paulo/SP com o trabalho “canto 180”
// felipe cidade, de são paulo/SP com o trabalho “zona de desconforto”
// márcio diegues, do rio de janeiro/RJ com o trabalho “monumento de vento”
// jean yoshimura, de londrina/PR com o trabalho “passageiro”
// romulo milanese, de bauru/SP com o trabalho “demolição do museu”
// vanessa s., do rio de janeiro/RJ com o trabalho “o silêncio no ruído”
// william zarella*, de são paulo/SP com o trabalho “1.650,809 km²”

*convocado após informada a desistência do artista marcelo zocchio


Mostra ‘Passageira 16’

Inscrições gratuitas: Até 29 de Junho, apenas por e-mail – contato@passageira16.com
Facebook.com/passageira16
Twitter
Instagram.com/passageira16

Cores urbanas – Entrevista com o coletivo Cãosemplumas

Traços duros, cores vivas e um apelo bastante rústico no traço. Os desenhos inusitados, às vezes, vêm acompanhados de palavras soltas que em meio à paisagem urbana, são capazes de gerar momentos de reflexão, ou até estranheza em quem às observa. Estas são algumas das características do trabalho desenvolvido pelo coletivo CãoSemPlumas de Londrina que em seus projetos busca propagar um pouco de arte pelas ruas da cidade, algumas vezes, monocromáticas demais.

Desde 2013 o grupo desenvolve trabalhos ligados às artes visuais envolvendo técnicas como, pintura mural e até painéis que colorem um pouco as paisagens urbanas como os cartazes lambe-lambe. Além da pintura, influências do grupo passam também por linguagens como música, o cinema e até a literatura, que inspirou o nome do coletivo. “Sem Plumas é um cachorro que sente falta até do que não teve, um cão tem pelos e não plumas. A gente fazia até ligação disso com a cidade, a coisa do abandono de não reconhecimento do sujeito da cidade, a cidade como um meio hostil….” comenta Anderson Monteiro, bacharel em artes e integrante do grupo, quando cita algumas das referências do coletivo (Veja a seguir).

Da esquerda para a direita; Elias, Rafael Pereira, Anderson e Rafael Garcia "Sem Plumas é um cachorro que sente falta até do que não teve" cita o grupo - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Da esquerda para a direita; Elias, Rafael Pereira, Anderson e Rafael Garcia – O grupo está à frente de um painel de ‘lambe-lambe’ montado por eles mesmos em um dos prédios do Departamento de Artes na UEL  – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Além das afinidades, o quarteto se uniu com a ideia de ‘coletivizar’ um processo que inicialmente é apenas individual (O desenho) tornando assim o processo mais rico, segundo eles mesmos. Afim de entender mais os bastidores criativo do grupo, além da peculiar linguagem usada em seus painéis o RubroSom encontrou com o grupo em uma das salas do departamento de artes da UEL e conversou com, além de Monteiro, pelos bacharéis em arte Elias de Andrade, Rafael Pereira, Rafael Garcia.

Confira:

Como foi o começo do coletivo? Se uniram mais pelas afinidades?
Anderson – Foi em 2013. Teve um dia, bem próximo ao fechamento do tcc, (meu e do Elias), em que encontrei com o Rafael Pereira aqui no departamento e começamos a conversar sobre algumas coisas ligadas ao trabalho, a gente comentou sobre como as coisas andavam meio ‘paradas’, a gente mesmo andava desenhando e criando pouco e a gente começou com essa discussão, o Elias já estava junto nesse dia, eu gostava dos trabalhos que ele fazia… Ai os três começaram a pensar em produzir algo juntos. Tava começando a conhecer o Rafa Garcia de um outro trabalho, o Pereira já era amigo dele, e tudo iniciou com essa junção de ideias…

Rafa Garcia – Na época eu estava afim de colar uns ‘lambes’ também pela cidade, conversei com o Pereira sobre isso e ele me chamou pra fazer essa colagem juntos, e logo mais teve uma reunião do coletivo em que acabaram me chamando e foi quando conheci todo mundo.

Rafa Pereira – Inicialmente a gente nem pensava em um coletivo, nós pensamos mais em juntar uma galera pra continuar trabalhando junto. Desenhar já é um processo muito solitário sabe? Ai quando você faz isso junto, você consegue ver o que o outro está fazendo e já multiplica as ideias… Mas depois, vimos que tínhamos bastante coisa em comum e foi surgindo o coletivo.

Arte feita no diretório central dos estudantes (DCE) - Foto: Facebook do CãoSemPlumas.
Arte ‘que acompanhava a arquitetura do espaço’ feita no diretório central dos estudantes (DCE) – Foto: Facebook do CãoSemPlumas.

Neste primeiro encontro, como rolou a discussão? Alguma coisa foi definida por ali?
Elias – Na verdade, com dessa ideia do fim da faculdade, de todos terem passado pelo curso de artes  e estarem acostumados a trabalhar juntos, acabamos pensamos em fazer algo pra manter isso… Houve meio que uma ‘Nostalgia antes mesmo de sair da UEL’ com o fim do curso, daí começaram as reuniões… (Segundo os próprios a primeira reunião foi em um bar chamado Madalena, no centro da cidade).

Anderson – Isso do coletivo tem a ver também com o clima do departamento (UEL) há alguns anos atrás, era comum no departamento juntar alunos que já haviam se formado, com pessoas que estavam no 3º ano, no 2º ano… Isso fora de horário, bem informal e era um grupo de pessoas que tinha trabalhos muito marcantes, o pessoal se dedicava por conta. Com a mudança do departamento (Em 2012 o mesmo mudou para um prédio vertical) , o pessoal parecia que não interagiam. Com o grupo nós tentamos meio que retomar um pouco para a época desses climas, com mais integração…

Cores vivas e texturas 'brutas' são algumas das características do trabalho do coletivo - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Cores vivas e texturas ‘brutas’ são algumas das características do trabalho do coletivo – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

E o nome do coletivo como veio?
Anderson – A gente tinha lido João Cabral de Melo Neto, um poema dele que se chama ‘Cão Sem Plumas’ no qual ele fala do Nordeste, do Rio Capibaribe, é um poema bem árido, ele é bonito mas alcança a beleza por um tipo de dor, é um tipo de beleza dura… Acho que percebia isso um pouco no que eu faço, nos trabalhos do Elias, do Rafael também, acabou sendo uma expressão que fez muito sentido com o trabalho dos três. Era bastante por causa disso também. Além dessa coisa do ‘Sem Plumas’, é um cachorro que sente falta até do que não teve, um cão tem pelos e não plumas. A gente fazia até ligação disso com a cidade, a coisa do abandono de não reconhecimento do sujeito da cidade, a cidade como um meio hostil…. Era um pouco por causa da aura do poema.

Elias – Pensamos nisso também por causa da cidade, uma coisa que unia a gente, além da arte que tinha relação. Essa coisa do nosso desenho acabava sendo mais ‘cru’, talvez até mais ‘pobre’ (Termo que tem conotação negativa) em alguns aspectos, mas é rico em outro… A palavra é pejorativa, mas por que algo rico não pode ser pejorativo também né? A gente acaba criando esses paralelos ai que, as vezes, nem existam. O Rafael entrou nessas também pela afinidade com os ‘lambes’ e tem essa coisa dos desenhos do ‘Cachorro’ que atravessa a cidade, aí, talvez a gente se coloque um pouco nisso… Um cão que está atravessando a cidade, sai e volta para ela.

Rafa Garcia – A poesia fala também algo como ‘Não existe rua sem cachorro’, o cão é meio que um personagem da própria rua, e também fala da precariedade, do rio por exemplo, de uma ausência de água no próprio rio. Nosso trabalho fala muito da precariedade, a gente usa muitos materiais baratos e faz essa relação com o cachorro como o ser urbano, que dialoga muito com o que a gente faz. Nosso desenho tem um quê de precário.

Detalhe do painel montado no Departamento de Artes da UEL em Março/2016 (Ainda incompleto) - Foto: Bruno LeonelRubroSom
Detalhe do painel montado no Departamento de Artes da UEL em Março/2016 (Ainda incompleto) – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Vocês falaram um pouco do coletivo, mas, individualmente cada um carrega referências muito diferentes?

Anderson – No meu caso faço mais desenhos, com linha, óleo em barra, fuligem e até pó de chaminé, misturo esses materiais para o resultado final. Pintura também, no coletivo me encontro mais através da pintura moral.

Rafa Pereira – Eu trabalhei bastante com lambe e pintura mural, não faço muita distinção acho elas muito próximas. Tenho usado nos meus trabalhos muitas palavras também, não são exatamente textos, mas como legendas. Não tanto como literatura, mas, as vezes a palavra também é um desenho sabe?

Rafa Garcia – Eu faço muitos trabalhos em lambe também, desenho e pintura mural. Gosto bastante de lápis aquarelado, pigmento, nanquim…

Elias – Dos quatro eu sou mais ligado á gravura, metal, xilogravura…. Mas o que une todos é mais o desenho mesmo. A gente fala muito sobre o limite entre desenho e pintura, essa dualidade as vezes nem existe, mas é o que acaba juntando todo mundo como coletivo, de repente, como um trabalho pode virar instalação também. Acho que é o desenho que nós mais investigamos como coletivo, nem é específico da pintura mural, do lambe, mas é o desenho. A gente até já teve umas fases de ideias diferentes, na fase mais recente é o ‘lambe’ que tem pego mais.

Painéis de 'Lambe-Lambe' expostos durante a festa SɅNɅTØRIUM II no RƩDUTO DOS DƩLÍRIOS em Londrina - Foto: Lírica Aragão
Painéis de ‘Lambe-Lambe’ expostos durante a festa SɅNɅTØRIUM II no RƩDUTO DOS DƩLÍRIOS em Londrina – Foto: Lírica Aragão

Vocês falaram um pouco, sobre o surgimento do coletivo ligado à cidade como ‘ambiente infértil’ em relação à arte, daria pra pensar sobre uma certa militância no trabalho que vocês fazem?
Anderson – Acho que sim, surgiu meio que assim também né? Quatro caras que se juntam para desenhar e, a princípio, como não dá retorno financeiro então é uma forma de ‘nadar contra a maré’, são quatro rotinas que não oferecem espaço para isso, no meio de semana todo mundo precisa se reunir para fazer um trabalho em conjunto, ainda assim, a gente tenta e consegue fazer isso.

Rafa Pereira – A gente conversa bastante sobre política, mas, não temos nenhuma bandeira, ou, cada um tem uma, ainda que não fique evidente (risos). Acho que tudo o que a gente faz é político, desde a coisa mais inocente até algum trabalho mais explícito, a gente pensa muito na arte como força política, como ferramenta para que as pessoas parem e observem algo diferente, o mundo está muito corrido né? É um jeito de falar para as pessoas ‘desacelerem!’.

Rafa Garcia – Tem a relação com o entorno da obra também. Quando você vai fazer algum trabalho, você conversar com as pessoas próximas de onde a obra vai ser feita. Recentemente teve um lava-rápido, onde fomos fazer um trabalho e conversamos com o dono, isso tudo é um pouco político. Geralmente o pessoal entende numa boa, teve uma vez que colamos uns lambes em um muro, mas o dono não gostou muito não, a gente também não tinha pedido permissão… Mas muita gente gosta também, a pintura mural mesmo muita gente vem perguntar sobre o trabalho, sobre quanto custa para fazer, e essas coisas…

Anderson – A gente pensa muito onde irá colocar o trabalho, onde um desenho será feito, como as pessoas verão isso. Teve um trabalho legal que fizemos uma vez no DCE que foi feito seguindo a arquitetura do local, as posições foram pensadas conforme a estrutura do espaço.

Elias – Além do trabalho nas ruas e espaços fazemos algumas oficinas também. A gente acredita muito nessa educação ‘informal’, que contribui de alguma forma.

Anderson – No trabalho do DCE nós abrimos para algumas pessoas participarem e colaborarem com a gente, no formato de oficina, aproveitando que iríamos fazer lá no espaço do DCE.

Pereira – Temas que a gente conversa bastante sobre o afeto e troca. Dos três anos que o coletivo existe a gente ganhou pouco dinheiro com os trabalhos, mas, isso não é algo que atrapalhe tanto. A gente fica feliz em ver pessoas interessadas no nosso trabalho, em pessoas chamarem a gente para colaborar, sempre que somos chamamos vemos como tem valido a pena.

Pintura feita no encontro das Avenidas Dez de Dezembro e Inglaterra em Londrina - Foto: Facebook do Coletivo.
Pintura feita no encontro das Avenidas Dez de Dezembro e Inglaterra em Londrina – Foto: Facebook do Coletivo.

E para o futuro do coletivo? Mais projetos ou ações a vista?
Pereira – Acho que a ideia é continuar os trabalhos, a gente escreveu pouco sobre o que fazemos ainda, não temos registros escritos. Não mandamos muitos trabalhos para editais ainda, mandamos duas vezes para o PROMIC e não conseguimos… É um pouco burocrático o processo. Manter isso já é um proejto… As coisas são tão difíceis de fazer, o tempo acaba sendo tão complicado, a rotina tem exigido muito de todo mundo, é importante não desanimar.

Anderson – A gente quer compartilhar algumas leituras que todos temos também, conversar entre a gente sobre como isso pode melhorar a produção, divulgar referências e essas questões.


Mais informações

E-mail: Coletivocaosemplumas@gmail.com
Mais fotos de Lírica Aragão: Lírica Aragão Fotografia

Londrina Cultura – Plataforma promete melhorar a divulgação de artistas e projetos

Em Londrina, apesar das relativas divergências de ideias e, algumas vezes, das várias realidades que grupos culturais diferentes enfrentam, há um certo consenso sobre a necessidade de uma plataforma ‘unificada’ para divulgar melhor eventos e apresentações artísticas feitas pela cidade. Apesar de ferramentas como a internet e as redes sociais, eventualmente, há dificuldades em saber sobre eventos de Londrina, especialmente quando acontecem mais afastados da região central. Pensando nisso, uma nova facilidade, lançada nesta quarta-feira (06) promete oferecer soluções à produtores culturais e grupos que, por diversas razões, encontram problemas para ter visibilidade com suas realizações. Trata-se da plataforma ‘Londrina Cultura’.

Uma ferramenta de busca aliada a um 'mapa' permitem localizar eventos em toda a cidade - Foto: Divulgação
Uma ferramenta de busca aliada a um ‘mapa’ permitem localizar eventos em toda a cidade – Foto: Divulgação

A Prefeitura de Londrina, por meio da Secretaria de Cultura, disponibiliza a partir desta quarta-feira o sistema, que poderá ser acessada no endereço londrinacultura.londrina.pr.gov.br. O evento será às 19 horas, na Biblioteca Pública Municipal Pedro Viriato Parigot de Souza, na avenida Rio de Janeiro, 413. É uma plataforma livre, colaborativa e gratuita que permite localizar agentes, espaços, projetos e eventos culturais de Londrina. Ele funciona + ou menos como uma mistura de rede social (Onde artistas individuais e grupos podem criar perfis) com um aplicativo de mapa, permitindo assim, marcar o local e data de eventos em toda a cidade.

A plataforma permite ainda criar eventos, inclusive, em pontos como praças ou vias públicas que normalmente não são considerados ‘localidades usuais’ por outros tipos de ferramentas. A medida deve favorecer também grupos que se apresentam em locais públicos, ou ainda, realizações itinerantes da cidade.

O software foi elaborado para aprimorar a gestão e contribuir com a difusão da produção e da diversidade cultural e artística. De acordo com a secretária municipal de Cultura, Solange Batigliana, o “Londrina Cultura” é um novo recurso que apresenta uma interface colaborativa na qual os usuários poderão inserir e consultar informações georreferenciadas sobre agentes, espaços, projetos e eventos culturais. “É uma plataforma dinâmica que reunirá estas informações, fornecendo ao poder público uma radiografia da área de cultura e ao cidadão um mapa com agentes, espaços e eventos culturais da região”, ressaltou.

Solange destacou ainda que na plataforma é possível encontrar agentes culturais, produtores, artistas e grupos de diversas áreas culturais.  “Será possível saber o que está acontecendo no cenário cultural, quais, quando e onde serão os shows, peças, apresentações, exposições, e demais eventos que agitam a cidade. Também será possível localizar os espaços que recebem estas atividades, horário de funcionamento, fotos e agenda de cada espaço, além de festivais, ciclos, mostras, e  muito mais  do que acontece no cenário cultural num só lugar.”

O “Londrina Cultura” foi criado a partir do software livre Mapas Culturais desenvolvido pelo Instituto TIM, faz parte do Sistema Municipal de Informações e Indicadores Culturais – SMIIC e Sistema de Informações Geográficas de Londrina– SIGLON.

Capacitação – Desde o início de março estão sendo realizadas oficinas para que agentes culturais e servidores do Município aprendam a utilizar todo o potencial da plataforma “Londrina Cultura”.  Até o momento 30 pessoas foram capacitadas.
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Serviço
Lançamento ‘Londrina Cultura’
Quarta-feira 06/04/2016
19h, – Biblioteca Pública Municipal (Av. Rio de Janeiro, 413)