Por Bruno Leonel

Começando bem o ano para a literatura,  mais uma autora da cidade começa a se destacar no circuito, desta vez com um foco no gênero do terror. A escritora e jornalista curitibana Susan Cruz, hoje radicada em Londrina, acaba de ter um de seus contos de horror selecionado para a antologia “King ‘ Poe ‘ Lovecraft – do Terror ao Horror”.  O volume é organizado pela escritora Rô Mierling, autora de Diário de uma Escrava (Ed. DarkSide). O livro terá laçamento duplo: no Brasil e na Argentina com destaque na 43° Feira Internacional do livro de Buenos Aires, previsto para abril de 2018 pela Editora Illuminare.

Além do conto, a autora Susan Cruz (foto) concluiu recentemente seu primeiro livro de poesia de horror, além de ter já alguns projetos para 2018, ela comemora - Foto: Divulgação
Além do conto, a autora Susan Cruz (foto) concluiu recentemente seu primeiro livro de poesia de horror, além de ter já alguns projetos para 2018  – Foto: Divulgação

A antologia contará ainda com contos inéditos de escritores convidados como Cesar Bravo, autor de Ultra Carnem (DarkSide), de Marcus Barcelos, autor de Horror na Colina de Darrington (Faro Editorial) e de Jhefferson Passos, autor de 100 Gotas de Sangue (Illuminare). O livro trará 35 contos inéditos inspirados por seus autores em obras dos três grandes nomes da literatura mundial do terror: Stephen King, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft. O conto de Susan, intitulado “Tique-Taque”, foi inspirado no famoso conto o Enterro Prematuro de Poe. “O interesse pelo terror surgiu quando, aos nove anos, comecei a me aventurar por clássicos infantis com essa temática como ‘A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça’, eu leio quase de tudo nesse gênero, mas sou mesmo fã dos clássicos de horror. Como Mary Shelley, Edgar Allan poe, Ann Radcliff e Emily Brontë para citar alguns”, contou a autora em entrevista ao Rubrosom (veja mais a seguir).

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Para Rô Mierling, organizadora da antologia esse projeto é significativo na literatura de terror nacional. “Acredito que os escritores brasileiros possuem uma criatividade imensa aliada a admiração por grandes nomes da literatura sombria. Logo um livro como esse pode, simultaneamente, mostrar o talento nacional literário no cenário do terror e horror e também homenagear grandes nomes da literatura como Edgar A. Poe.”, completa Mierling.

Ano passado, a jornalista escreveu o romance gótico de horror, Post Mortem, sua obra de estreia, publicada em ebook e disponível na Amazon. E recentemente terminou seu primeiro livro de poesia de horror, além de outros projetos para 2018, ela comemora. “O grande desafio para esse projeto foi, justamente, abstrair do processo criativo a época em que ele se passa. O que eu posso dizer é que o conto traz o uso da tecnologia e é um tanto claustrofóbico”, pontua Susan. Confira entrevista:

(Rubrosom) Em pleno ano de 2018, a literatura ligada a temática do terror/suspense ainda cativa leitores de várias idades (no Brasil e fora), porque você acha que este tema ainda é tão impressionante para várias gerações de leitores?
No cerne dos mistérios que cercam a nossa existência como o sobrenatural, o oculto e o inexplicável podemos (ir) além dos estereótipos já criados e metaforizar os mais profundos sentimentos. Acho que é por isso que o gênero atrai leitores desde sempre. Externar nossos medos é uma fórmula que os precursores do terror e do horror já ofereciam no século passado e que ainda funciona justamente por ser um gênero que acompanha seus leitores através do tempo. Como escritora, acredito que o horror é libertador, principalmente para nós mulheres. É através dele que nós podemos explorar nossos maiores medos e as mais difíceis questões. Claro que a morte o permeia , mas o usamos para mais do que isso. O horror é uma porta de entrada para inúmeras possibilidades e nesse corredor sombrio nosso grito pode ser ouvido. O Brasil sempre teve interesse no mercado de terror e possui gerações de leitores ávidos. O movimento que eu percebo está no interesse em terror nacional que vem ganhando força. Livros com qualidade que chamam a atenção para talentos nacionais e, por consequência, um novo olhar por parte das editoras para investir no mercado nacional.

Como foi seu interesse pelo gênero, começou cedo? Quais foram suas principais influências?
Cresci em uma casa cercada por livros e tive a oportunidade de ser uma criança leitora. Apreço que influenciou diretamente a minha escolha na profissão, como jornalista e mais tarde como escritora.

Falando sobre o conto selecionado, pode falar um pouco sobre o processo criativo dele?
O conto “Tique-Taque”, inspirado no conto “O Enterro Prematuro”de Poe. Eu o escrevi exclusivamente para essa seletiva e foi durante uma madrugada bastante chuvosa de Londrina. Eu estava relendo um livro de contos do Poe e assistindo a série Dark da Netflix. O grande desafio para esse projeto foi, justamente, abstrair do processo criativo a época em que ele se passa. A maioria dos meus trabalhos são ambientados em épocas remotas e esse precisava ser escrito na época atual (uma exigência da editora). O que eu posso dizer é que o conto traz o uso da tecnologia e é um tanto claustrofóbico.

Você mencionou a conclusão recente de uma obra de poesia de horror correto? Na sua opinião, há eixos semelhantes ao conto selecionado para a antologia? 
Eu já havia escrito um poema chamado “Claustrofobia” que faz alusão a sensação de ser enterrado vivo. Mas o universo sombrio de “O Livro Preto” explora todas as nuances do horror inerente a condição humana. Transitando entre a lírica clássica e contemporânea os poemas compõem uma antologia única. Porque o horror também habita a alma das coisas belas. Ainda não há uma previsão para o seu lançamento, apesar de já ter propostas para publicação, ainda aguardo a reposta de algumas editoras. Minha vontade é que esse projeto possa se concretizar da maneira que ele merece.


Informações
Poemas e textos da autora podem ser lidos em seu blog: https://susancruz.wordpress.com/