Por Bruno Leonel

Está em exposição na Vila Cultural Grafatório (Avenida Paul Harris 1575 – Próximo á Região Leste) a mostra “PERTINAZ: questão de tempo”, com trabalhos de Felipe Vieira, Marcela Novaes e Fercho Marquéz. Os trabalhos foram todos selecionados pelo edital ‘Expografias 2016’ e utilizando cada um uma linguagem específica (Veja a seguir), dialogam na mostra com questões ligadas ao tempo – Como a passagem do mesmo, registro, memória e outros temas.

A artista Marcela Novaes demonstra sua obra baseada em sobreposições de fotos - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
A artista Marcela Novaes demonstra sua obra baseada em sobreposições de fotos. A ideia é que os visitantes combinem camadas montando suas próprias combinações – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

A obra de Felipe Vieira (SP) relata, por meio de objetos, a vivência de uma experiência pessoal: o convite que fez, a vários de seus conhecidos, a vivenciarem com intensidade o “instante decisivo”. Ela foi desenvolvida a partir de monóculos (Presentes – Como ele mesmo explica) dados à algumas pessoas, seguidos de um registro em foto feitos das mesmas (As imagens em questão foram expostas no Grafatório.

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O artista Felipe Vieira e o detalhe das fotos (Em miniatura) expostos em sua obra – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Um monóculo, com um espelho dentro, também era disponibilizado como parte do trabalho – Além de sugerir um ‘olhar para si mesmo’, segundo o próprio artista, o trabalho era aberto à outras interpretações. “Eu criei essa relação com a escolha. Ela precisa ter uma certa distância para poder ver com clareza. Eu acabo trabalhando com a afetividade, ela tem um pouco disso de ‘aprender a olhar para si’… Eu tento trazer um pouco disso (Afetividade) através desses presentes dados. Eu contava à elas sobre essa leitura de olhar o monóculo e ver com nitidez. O monóculo geralmente guarda a foto, misturava essa coisa do tempo, momento afetivo… Eu tentei achar isso no meu trabalho de modo que ele ficasse fique menos frio” contou o artista à reportagem do RubroSom. Felipe é também integrante de uma editora, a Norte, e levou para o grafatório alguns materiais produzidos pelo grupo.

Visitantes observam as 'Vértebras tripartidas do Leviatã' na obra de Fercho Márquez - Foto: Bruno Leonel - RubroSom
Visitantes observam as ‘Vértebras tripartidas do Leviatã’ na obra de Fercho Márquez – Foto: Bruno Leonel – RubroSom

Representando Londrina, o artista Fercho Marquéz representa fantásticas vértebras tripartidas de um mítico monstro: o Leviatã. O tema e os materiais utilizados fazem refletir sobre perecividade e permanência, vida e morte, longas colunas verticais foram montadas com peças de glicerina (Com textura semelhante à sabonetes). Também da cidade, Marcela Novaes (Que também é licenciada em artes Visuais) investiga o tema da Casa para tratar de familiaridade, estranheza, cotidiano e enigma. São casas vistas à distância (Reproduções de casas pintadas pelo artista Edward Hopper), da perspectiva de alguém que parece ter superado àquela antiga paisagem, mas que se
voltou para mirar o que ficou.

Detalhe da obra 'Incêndios (Para Hopper) de Marcela Novaes - Foto: Bruno Leonel/RubroSom
Detalhe da obra ‘Incêndios (Para Hopper) de Marcela Novaes – Foto: Bruno Leonel/RubroSom

Intervenções digitais foram feitas, como nos murais e detalhes da casa que aparecem danificadas por fogo, quase como se um incêndio tivesse ocorrido. O tema aparece nos dois trabalhos que a artista levou para a mostra. “Ambos foram feitos em 2015, eu já pensava em pegar trabalhos do Hopper e fazer intervenções em cima. Esse foi o resultado de colocar as ideias para fora”, relatou Marcela. Em um outro trabalho, diversas fotos em transparência (No estilo de ‘slides’ antigos) foram colocadas junto a um projetor, de modo que o espectador ao se deparar com o trabalho pode organizar as transparências da forma que achar mais adequado e montar sua própria ‘sobreposição’ de texturas. “As pessoas podem montar suas próprias paisagens, a partir de uma paisagem que já é do artista. É um ‘Site Specifc’onde o artista constrói casas, em espaços (Florestas, campos) e aí, cada um pode criar sua paisagem” acrescenta a artista. O resultado da sobreposição é projetado em uma parede próxima, onde as cores e texturas ganham um tom mais ‘espectral’.

Expografias é um projeto realizado de forma independente pelo Grafatório em parceria com os artistas selecionados. A iniciativa irá montar mais duas exposições ainda neste ano. A exposição ‘Pertinaz’ deve ficar ainda cerca de duas semanas no espaço.


Serviço

Exposição”PERTINAZ: questão de tempo”
Onde:
Vila Cultural Grafatório (Avenida Paul Harris 1575)
Horário: Segunda à Sexta – 13h30 às 18h30
Entrada gratuita