Por Bruno Leonel

Pelo segundo ano consecutivo, a companhia ‘Os Palhaços de Rua’, de Londrina, foi premiada no 6º Festival  Nacional de Teatro do Piauí. O espetáculo intitulado ‘Vikings e o Reino Saqueado’ levou os prêmios de melhor ator, para Adriano Gouvella e Lucas Turino (Adriano foi o ganhador desse mesmo prêmio na edição passada do festival).

A peça também foi premiada na categoria de melhor maquiagem, e ainda, teve indicações nas categorias de de melhor Dramaturgia, Direção e Figurino. “O processo de concepção do espetáculo veio da ideia de fazer algo diferente dentro do universo do palhaço, e como artistas sentimos a necessidade do nosso trabalho refletir, dialogar, provocar e indagar o nosso tempo, os dias em que estamos vivendo, ainda mais a figura do palhaço que é por si só provocadora, crítica, sarcástica, reflexiva e ao mesmo tempo…” contou o ator Adriano Gouvella, integrante da companhia.

Segundo os atores, a serie "Vikings" do History Channel, foi uma inspiração para a peça que mistura referências históricas com a ideia de ironia e crítica típica de espetáculos com palhaços - Foto: Daniele DiasSegundo os atores, a serie “Vikings” do History Channel, foi uma inspiração para a peça que mistura referências históricas com a ideia de ironia e crítica típica de espetáculos com palhaços – Foto: Daniele Dias

Foi a segunda participação do grupo londrinense, no evento que ocorreu na cidade de Floriano, e é um dos mais importantes da região. Ao todo, 31 grupos de teatro participaram do festival totalizando mais de 150 artistas de todas as regiões do país. Em um ano turbulento para coletivos e grupos de Londrina, Adriano contou à reportagem que tais prêmios reforçam a importância da pesquisa e trabalho feitos com o coletivo. E fique ligado, a peça estreia em Londrina, no dia 23/12 às 11h na Praça Floriano Peixoto, ao lado da Catedral, com entrada gratuita.

Veja entrevista a seguir:

Vocês estrearam um novo espetáculo ‘Vikings e o Reino Saqueado” e foram premiados, no 6° Festival Nacional de Teatro do Piauí… Quantas vezes já estiveram no festival?
Sim, estreamos o espetáculo lá, mas não éramos os únicos do Paraná, havia mais um grupo de Foz do Iguaçu. Essa foi nossa segunda participação no festival.

A peça em questão, cruza elementos da cultura nórdica viking e a arte do palhaço como proposta estética e base para discutir relações humanas… Como surgiu a ideia de misturar essas referências, aparentemente, tão distantes?? Tem algum autor ou coletivo que influenciou o trabalho de vocês nessas misturas?
A ideia de misturar essas referências surgiu quando começamos a nos questionar sobre a situação atual do país e como poderíamos trabalhar isso sendo palhaços, nessa mesma época estávamos assistindo ao seriado “Vikings” do History Channel, que gostamos muito e a partir daí começamos a relacionar um tema com o outro e ir mais a fundo na pesquisa. Esta mistura partiu de nós mesmos, não teve algum autor ou alguém que influenciou, mas a pesquisa se pauta no autor “James Graham-Campbell” e alguns dos seus livros sobre a cultura viking, além da atual situação do Brasil que acaba de passar por um golpe de estado.

Falando de Londrina especificamente, foi um ano um pouco complicado para produtores culturais em geral (houve o cancelamento do Promic e uma serie de outras questões)… A Cia Palhaços de Rua também se viu prejudicada em meio à tantas dificuldades?
Sim, foi um ano bem turbulento para a cultura no país todo e em Londrina não foi diferente; a Cia. foi prejudicada em seus projetos assim como vários produtores culturais da cidade. O PROMIC sempre foi um exemplo de incentivo a cultura, mas vem sendo ameaçado ultimamente e isso faz com que pensemos quais as pessoas que realmente estão ao lado do povo? Quais são os interesses destas pessoas? Quem de fato apoia a cultura? E quem quer desmonta-la?

Foi o segundo ano consecutivo premiado (e com nomeações no festival), do ponto de vista da pesquisa/estudo que vocês fazem, em tempos de recessão pra cultura, esses festivais ganham ainda mais importância talvez? (no sentido de promover a circulação dos espetáculos, etc…). Pode comentar sobre?
Sim, foi o segundo ano consecutivo no festival e com premiações e indicações importantes, isso para nós é uma felicidade muito grande e reforça ainda mais a qualidade dos trabalhos artísticos que são produzidos em Londrina. Em tempos sombrios em que a cultura vem sofrendo um desmonte em nível nacional, esses festivais são um respiro de sobrevivência e resistência! Com certeza ganham ainda mais importância nestes tempos de recessão; eles promovem o encontro entre artistas e, entre artistas e público, promove debates de ideias, trocas artísticas, políticas, culturais, sociais e novas perspectivas.

Como foi o processo de concepção da ideia toda? – Lembro que no fim de 2016 vocês já estavam desenvolvendo a montagem toda…
O processo de concepção veio da ideia de fazer algo diferente dentro do universo do palhaço, e como artistas sentimos a necessidade do nosso trabalho refletir, dialogar, provocar e indagar o nosso tempo, os dias em que estamos vivendo, ainda mais a figura do palhaço que é por si só provocadora, crítica, sarcástica, reflexiva e ao mesmo tempo poética. Sim, realmente no fim do ano passado já conversávamos sobre esse projeto e aí colocamos a mão na massa de fato em janeiro desse ano até o presente momento, foi um ano de trabalho até a estreia. Chamamos alguns profissionais para se juntar ao nosso time e assim veio a parceria por exemplo, com o figurinista Alex Lima, que fez um trabalho extraordinário em conjunto com nossa pesquisa, não só ele mas o marceneiro Caio Blanco e muitas outras pessoas talentosas que estão envolvidas em todo processo.

Pelo segundo ano consecutivo, a Cia. Os Palhaços foi premiada no Festival Nacional do Piauí - Foto: Divulgação
Pelo segundo ano consecutivo, a Cia. Os Palhaços foi premiada no Festival Nacional de Teatro do Piauí – Foto: Nayara Fabrícia

E os projetos para o próximo ano? Além dos ‘Vikings e o Reino Saqueado”, vocês seguem circulando com outros espetáculos ainda certo?
Além dos “Vikings e o Reino Saqueado” seguimos apresentando nosso primeiro espetáculo o “Números” e a contação de história “O Coronel e o Barbeiro”, também ministramos algumas oficinas como: circo, palhaço, acrobacias, parada de mão, malabares e capoeira. Recentemente chegamos de Campina Grande na Paraíba e de Bauru-SP onde fizemos seis apresentações do espetáculo “Números” que teve grande aceitação por parte do público e atendeu várias comunidades carentes e distritos destas duas cidades.

Só pra concluir, quanto tempo tem já a companhia?  Daria pra citar estados (ou até outros países) por onde já se apresentaram??
A Cia. Os Palhaços de Rua completou 4 anos de existência, já realizamos 95 apresentações do espetáculo “Números” e já apresentamos nos estados do: Acre, Rondônia, Pernambuco, Piauí, Paraíba, Ceará, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo e Paraná. Para ano que vem tem novidade internacional surgindo por aí…