Por Bruno Leonel

Com um nome que reflete paradoxos retratados na arte e cultura da atualidade, o quinteto londrinense Abacate Contemporâneo fará nesta semana o show de lançamento do seu primeiro EP no Bar Valentino em Londrina. Após uma temporada movimentada de shows e apresentações bastante envolventes pela cidade – Incluindo uma performance no Demosul, no ano passado – o quinteto registrou seis faixas com produção de Rafael Fuca e Júlio Anizelli (Terra Celta, Trilöbit, Cluster Sisters) e agora lança o trabalho feito com o apoio de um financiamento coletivo. O quinteto faz uma criativa mistura de referências que passeia pela vanguarda paulista dos anos 800 e por nomes como Itamar Assumção, Jards Macalé e até tropicália. O show acontece neste sábado (24).

Abacate Contemporâneo durante apresentação no 3º Palco Alma, realizado pela Web Rádio - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Abacate Contemporâneo durante apresentação no 3º Palco Alma, realizado pela Web Rádio – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Segundo o guitarrista e produtor Rafael Fuca, as faixas foram todas registradas em um período de um mês e meio, sendo que o material foi escrito ao longo de 2015/2016, reunindo composições de vários integrantes da banda. “A gente tem faixas do Fábio Farinha (baterista), do Éber Prado (Guitarra e voz), tem composições minhas também, a gente faz os arranjos básicos e coletivamente vamos construindo tudo, muita coisa vai sendo testada ao vivo”, contou o músico em entrevista.

O Abacate Contemporâneo foi formado em 2015 em Londrina. Além de Fuca a banda é formada por Raquel Palma (Voz), Eber Prado (Guitarra e voz), Marcos Kirchheim (Baixo e voz) e Fábio Farinha (Bateria). O trabalho foi registrado no estúdio Plugue, aqui da cidade, e com a identidade visual feita pelo estúdio Lasca. Além do show, a festa contará com a discotecagem do DJ Fábio Indígena do Axé, que promete esquentar a pista com a “malemolência” característica dos shows do Abacate Contemporâneo. A festa começa às 2h e a entrada custa R$15,00. Confira entrevista

Como foi o processo de criação dessas faixas do EP? São faixas que já estavam feitas antes ou muita coisa foi feita durante a gravação, como rolou isso?
Fuca
: A gente começou a compor este material já no fim de 2015, ao longo de 2016 trabalhamos algumas músicas , e seguimos escrevendo mais coisas. No meio de 2016 tivemos a ideia de fazer uma pré-produção, pensar em como poderíamos gravar o trabalho e logo surgiu a ideia do financiamento coletivo – Tínhamos já 10 faixas. Pensamos em gravar 6 faixas, e também ter mais duas ao vivo, gravadas em estúdio, pro pessoal que quer ver um pouco de como é um show nosso.

Fizemos dai o financiamento. Boa parte do dinheiro conseguimos arrecadar com o pessoal, colocamos também dinheiro de cachês de show pra complementar. Entramos pra gravar em novembro de 2016, foi feito no estúdio Plugue (Londrina), que a gente considera um estúdio muito bom , levamos um mês e meio de captação. As etapas a seguir foram todas feitas com calma, veio ai a pós-produção, com edição, mixagem, ai lançamos pela internet mesmo. Ainda iremos atrás de prensar em vinil e fazer um material físico.

Rubro – E sobre as referências do trabalho? Eu vi alguns shows de vocês já, vi que tem influência deste pessoal da Vanguarda Paulista, tem uns caras antigos também como Jards Macalé…
Hoje em dia é tudo mistura né? Temos influências de gente como Itamar Assunção, todos estes nomes ai, mas, eu mesmo tenho acompanhado rock contemporâneo no Brasil, tem feito coisas misturadas com ritmos latinos, bem legal, conheci coisas como Francisco El Hombre, Luiz Elian, Metá Metá, Kiko Dinucci, então é essa galera que soa como referência pra gente.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Vocês fizeram bastante coisa em um intervalo curto de tempo, tocaram fora da cidade, rolou uma apresentação legal no demosul (Que até rendeu críticas no site Scream & Yell de São Paulo). Vocês pensam muito na repercussão deste tipo de coisa? Por exemplo em como o trabalho de vocês repercute pra novos públicos?
Tudo acaba influenciando. Eu tento ver pelo lado positivo de, quanto mais gente diferente ver a banda e falar a respeito, temos um termômetro da coisa. Nós mesmos estamos descobrindo o trabalho, é legal refletirmos sobre e, podendo amadurecer a respeito do que é o Abacate Contemporâneo, a coisa da teatralidade, a Raquel, vocalista, traz isso nas performances. Aos poucos vamos incorporando isso e descobrindo melhor o que é o nosso show, aos poucos vamos mudando o repertório, pensando em um roteiro mesmo, e tudo mais. Conforme forem aparecendo outros convites de lugares pra tocar, precisamos dai estar com uma ideia bem definida do nosso trabalho para chegarmos com uma identidade bem definida.

E para o futuro, a ideia é girar com o material e tocar em novos espaços?

Sim, a ideia é circular em espaços como o SESC, buscar especialmente festivais e outros lugares que tenham a ver com o nosso som. Tem o Psicodália (SC) e lugares mais alternativos em São Paulo e Curitiba.


Serviço:
Lançamento do EP “Abacate Contemporâneo”
Local: Bar Valentino – Prefeito Faria Lima, 486.
Sábado (24) – às 22h
Entrada: R$ 15