Por Bruno Leonel

O quarteto londrinense de rock alternativo Telecopters lançou no último dia 18 de fevereiro, seu primeiro EP de faixas inéditas. A banda, composta por Glauber Pessusqui (vocal e guitarra), Edmarlon Semprebon (Guitarra), José Vinicius Frossard (baixo e backing vocals) e Leandro Brun (bateria), iniciou sua trajetória com covers de bandas de indie rock dos anos 2000, e, passado algum tempo da trajetória passaram também a investir nas faixas próprias. Segundo divulgado, o EP nasceu como forma de deixar um registro dessa fase inicial de composições do quarteto.

O quarteto Telecopters: José Vinicius Frossard (Baixo e voz), Edmarlon Semprebon (Guitarra), Glauber Pessuqui (Vocal e guitarra) e Leandro Brun (Bateria) - Foto: Divulgação
O quarteto Telecopters: José Vinicius Frossard (Baixo e voz), Edmarlon Semprebon (Guitarra), Glauber Pessuqui (Vocal e guitarra) e Leandro Brun (Bateria) – Foto: Divulgação

O processo de criação do trabalho, que leva o mesmo nome da banda, se iniciou com a exploração de riffs e timbres até chegar nos ensaios com todos os integrantes para complementar e aprimorar as melodias. As letras buscam contar histórias, em um misto de ficção e realidade. Esta primeira experiência da banda em estúdio, gravando profissionalmente. A forma despretensiosa de tocar é uma característica da Telecopters, que se reflete nas composições e nos dez minutos do EP. As influências, que são muito variadas e vão do post-punk ao indie rock, traduzem um pouco da atmosfera que envolve o primeiro trabalho autoral da banda. Referências como Velvet Underground, Yo la Tengo, Interpol, Smashing Pumpkins, The National, Editors, Spoon, Tokyo Police Club, The XX, Ryan Adams e o trabalho solo de Thurston Moore, da banda Sonic Youth, estão entre as influências para a composição do EP. O trabalho pode ser ouvido no Google Play, Spotify, Deezer e Soundcloud.

Produzido pela própria banda, o EP foi captado, mixado e masterizado no Estúdio Toque Grave em Londrina. O trabalho foi disponibilizado em plataformas como Spotify, Google Play, Deezer, Soundcloud e Youtube. A seguir, confira uma entrevista com a banda, na qual, os músicos falam sobre a expectativa com o material e o atual espaço para o estilo de som que fazem, cantando em inglês, na região:

Rubrosom – Em quanto tempo foram feitas as faixas do EP? São todas da mesma época ou teve um ‘tempo’ ai de maturação entre uma e outra?
Telecopters: Em 2015 começamos com o projeto de compor músicas autorais após as primeiras apresentações em bares, festas e casas de show. As músicas foram compostas e levadas quase prontas até os demais da banda, com todos os instrumentos e letra. Neste momento, todos sugerem melhorias, seja na letra, nos riffs, solos, que são discutidas e implementadas, sempre buscando um ambiente de construção coletiva e democrática. As três músicas foram apresentadas na mesma época (primeiro semestre de 2015), porém houve uma descontinuidade. Voltamos a trabalhar nelas em 2016, até que resolvemos entrar no estúdio e gravá-las. O resultado superou nossas expectativas e estamos muito contentes!

Quanto tempo tem já a banda? Desde o início já começaram a pensar no trabalho autoral ou foi algo que pintou ‘posteriormente’ no trabalho de vocês??
A banda iniciou  em 2014 com Edmarlon (guitarra), Leandro (bateria) e João Paulo (baixo), que já tinham tocado juntos em uma outra banda. A ideia inicial era apenas ensaiar, tocando músicas que gostávamos de ouvir. Surgiu a ideia então de chamar um vocalista que também tocasse guitarra. O Glauber entrou na banda e a identificação foi imediata. Após algum tempo, por motivos pessoais, João Paulo se afastou. Já conhecíamos o José Vinicius de amigos em comum, que aceitou o convite com a responsabilidade de aprender todo o repertório e fazer shows num curto espaço de tempo.

A vontade de produzir algo autoral veio assim que começamos a fazer os primeiros shows. Tocar música autoral é uma forma de chegar mais longe, contribuir com a produção cultural, estando disponível para qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo através da internet. O caminho do autoral, ao nosso ver, é mais interessante – poder tocar algo que foi feito por você e ter o reconhecimento é algo impagável. Ser reconhecido pelo o que se faz, e não pelo o que os outros fazem: é isso que buscamos! Queremos tocar em festivais, conhecer outras bandas e com isso contribuir com a cena autoral londrinense, que está cada vez melhor. Até pouco tempo atrás, só se tocava em alguns lugares se fosse banda cover. Isso tem mudado de forma rápida com o surgimento de bares novos na cidade que abrem suas portas para bandas de trabalho autoral. Ultimamente temos preferido frequentar este tipo de ambiente onde podemos conhecer músicas novas sempre.

De Londrina, banda Telecopters fala sobre o primeiro EP

Eu vi algo sobre as influências musicais de vocês, mas, e sobre as letras? São baseadas mais em impressões pessoais da banda ou buscam falar de temas variados que achem mais pertinentes? Alguém da literatura (Por exemplo) influenciou vocês?
As letras nada mais são do que aquilo que faz sentido para nós. Acreditamos que sejam mais impressões pessoais. Não há um escritor ou romance literal que tenha inspirado nas letras. “A letra de End Of The Line fala de uma série de frustrações que estamos sujeitos a enfrentar. Coisas que só acreditamos que são possíveis de acontecer quando acontecem com você, mas não deixa de ser uma reflexão. O título foi uma homenagem a uma música do The Cure que escutava na época, The end of the world”, comenta José Vinícius.

A Hey You e Face The Truth, compostas por Edmarlon, buscam uma inspiração experiencial. “Quero que quem escute as músicas tenha a sensação de estar viajando para um lugar que ainda não visitou. A música é o motorista, o ouvinte o passageiro, que deve estar aberto às experiências e sensações”, comenta Edmarlon. “Não me interesso por temas românticos, o mais importante é a contemplação do roteiro, que não precisa necessariamente ter um começo, meio ou fim. As letras são obscuras e melancólicas, características da minha personalidade. Quero com isso que as pessoas sintam a mesma vibração que sinto. Acredito que a maior inspiração seja Sonic Youth”, complementa o guitarrista.

Comparado há uns 4 anos atrás (Quando bandas como Arctic Monkeys, ‘Franz’ e outras fizeram grandes turnês) muita gente considera hoje que o tal do ‘novo indie rock’ não está numa fase mais tão popular… Vocês vêem um pouco isso na cena (Aqui e no Brasil em geral?) acham que esse tipo de coisa influencia no trabalho de bandas novas nesse ‘segmento’ ??
A popularidade muitas vezes é um limitador no trabalho artístico. Quando se cria essa dependência, é comum que as bandas tentem seguir um caminho mais seguro para manter seu público. Nós não temos essa preocupação de seguir um estilo popular. Gostamos de muita coisa que é considerada indie, mas não buscamos inspiração em determinados estilos, visto que a música é uma linguagem universal. Escutamos de Som Nosso De Cada Dia à Pharoah Sanders. A forma que estes artistas nos influenciam não está visível em nossa sonoridade, mas nos inspiram na forma de pensar e sentir. Sobre a cena local e nacional, independente do estilo, estamos vendo surgir e se consolidar uma diversidade muito grande de bandas com som de qualidade, como Boogarins, Red Mess, Vulgar Gods, Carne Doce, Single Parents, Soundscapes…

E além da divulgação do EP ‘Telecopters’ já pensam nos próximos passos? Shows fora, arriscar novas gravações e um álbum completo??
Como nesse início de divulgação a receptividade foi muito boa, a intenção é sim realizar shows e participar de festivais em Londrina e fora. Para isso, estamos sempre em contato com veículos de imprensa, casas de show, bares e bandas que admiramos, além de estarmos atentos às inscrições de festivais. Como temos um repertório curto de músicas próprias, queremos adaptar e estender nosso repertório de versões para que ele dialogue com a identidade do EP, sempre tentando colocar um toque autoral.

Atualmente, estamos trabalhando em novas composições, mas sem pressa. Queremos absorver o máximo de conhecimento dessa primeira experiência para aplicar nos próximos trabalhos. Como temos estilos de vida muito ativos, a idéia de um novo EP parece mais provável, porque assim conseguiríamos produzir em um tempo menor. Por outro lado, gravar um álbum sem dúvida é um objetivo a ser alcançado…


EP Telecopters

Ouça:
Spotify: https://goo.gl/DH1dTO
Google Play:https://goo.gl/PiYrWS
Deezer:https://goo.gl/S8pTEJ
SoundCloud: https://goo.gl/LK7oRz