Passageira 16 – Museu de Arte sedia lançamento do catálogo

O Museu de Arte de Londrina recebe nesta quarta-feira (18), a partir das 19 horas, o lançamento do catálogo da exposição “Passageira 16”, realizada no local entre agosto e setembro do ano passado. O catálogo, que contém fotos dos trabalhos e da própria exposição, acompanhadas de textos, será distribuído gratuitamente ao público. O museu está localizado na Rua Sergipe, 640, no centro.

As obras '1.650,809 km²' (fundo) e "A passageira" (Caixas de som a frente dialogaram com luz e também a sonoridade do local - (na 'passageira' um áudio em looping, com gravações da atual rodoviária, era reproduzida ao público) - Foto: Bruno Leonel.
As obras ‘1.650,809 km²’ (fundo) e “A passageira” (Caixas de som a frente dialogaram com luz e também a sonoridade do local – (na ‘passageira’ um áudio em looping, com gravações da atual rodoviária, era reproduzida ao público) – Foto: Bruno Leonel.

A exposição “Passageira” é um projeto independente e pioneiro na cidade, que em 2016 selecionou oito artistas para exporem seus trabalhos no museu. “A proposta do projeto era que os artistas enviassem trabalhos site specific, para ocupar e ressignificar o espaço do Museu, que é um local muito forte. Recebemos mais de 100 inscrições, e os artistas selecionados trouxeram trabalhos dos mais variados tipos, criando uma exposição com bastante interação do público”, contou a organizadora do projeto, Louisa Savignon. O catálogo conta com as fotos da exposição e textos da comissão, artistas e demais envolvidos. Fotos de Angelita Niedziejko, Auber Silva e Carlos Oliveira; arte do Pianofuzz Studio; editoração de Louisa Savignon.

A obra 'Demolição do museu', exposta durante a mostra Passageira 16, com elementos de uma suposta reforma, cria um contraste peculiar com a paisagem da cidade - Foto: Bruno Leonel.
A obra ‘Demolição do museu’, exposta durante a mostra Passageira 16, com elementos de uma suposta reforma, cria um contraste peculiar com a paisagem da cidade – Foto: Bruno Leonel.

De acordo com Louisa, a intenção é tornar o projeto bienal, com uma edição a cada dois anos, sendo a próxima em 2018. “Passageira 2016” contou com apoio da Secretaria Municipal de Cultura, através do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic).


SERVIÇO
Lançamento do catálogo da exposição Passageira 16
Q
uando: 18/10/2017
Onde: Museu de Arte de Londrina – Rua Sergipe, 640
Entrada gratuita

Música – Bandas de Londrina e SP tocam hoje no Heretic Manifesto

Neste sábado (14) ocorre em Londrina a segunda edição do Heretic Manifesto. As bandas Hereticae, Terrorsphere, Acid Brigade e Inverted Cross Cult serão as atrações do festival, que ocorrerá a partir das 20h na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103).

Na ativa desde 2014 o Hereticae já tocou em eventos de música pesada em Londrina e região - Foto: Lucas Klepa
Na ativa desde 2014 o Hereticae já tocou em eventos de música pesada em Londrina e região – Foto: Lucas Klepa

O evento, que tem como principal intuito a união de bandas autorais de metal extremo de Londrina e do Brasil afora, contará também com a discotecagem de Guilherme Corazza Pires, e seu projeto Sinfonias da Destruição. Participaram da última edição do Manifesto as bandas Guro (Grindcore/Londrina) e Talrak (Melodic Death Metal/Sorocaba-SP).

O quarteto Acid Brigade: Trash clássico mas buscando uma identidade - Foto: Amanda Corazza
O quarteto Acid Brigade: Trash clássico mas buscando uma identidade – Foto: Amanda Corazza

Os ingressos antecipados são R$10,00 e estão a venda no Bar.Bearia (Rua Quintino Bocaiúva, 875) e na Spotter Estilo Rock (Royal Plaza Shopping, piso 1). Na portaria, a entrada será R$15,00.

Sobre as bandas:

Terrorsphere – Em atividade desde Fevereiro de 2014, o Terrorsphere retrata com seu Death Metal o cotidiano que acerca o mundo contemporâneo; como guerras, controle mental e comportamental. Formado pelos irmãos Werner (vocais/guitarra) e Udo Lauer (guitarra), Francisco Neves (guitarra/backing vocals) e Victor Oliveira, a banda tem marcado presença nos mais importantes eventos de metal extremo da região, tocando ao lado de nomes como Claustrofobia, Warrel Dane e Nervochaos!

O quarteto apresenta no dia 14 as músicas de seu recém-lançado álbum, Blood Path - Foto: Divulgação
O quarteto apresenta no dia 14 as músicas de seu recém-lançado álbum, Blood Path – Foto: Divulgação

SERVIÇO
14/10/2017 || À Partir das 20h na Vila Cultural Cemitério de Automóveis – R. João Pessoa, 103 – Centro
Ingressos antecipados: R$10,00 || Na portaria: R$15,00

|| PONTOS DE VENDA ||
• Barbearia Londrina (Rua Quintino Bocaiúva, 875)
• Spotter Estilo Rock (Royal Plaza Shopping, Centro)
• Estúdio Caverna (Rua Pará, 2113)

Rafael Castro toca hoje em Londrina com Hermano Electrix

O músico Rafael Castro (SP) se apresenta nesta sexta-feira (13), em Londrina, juntamente com a banda londrinense Hermano Electrix na Vila Cultural Cemitério de Automóveis a partir das 21h. A noite conta também com a discotecagem em vinil do DJ Gustavo Veiga. A entrada antecipada custa R$ 10. O evento é uma ação entre amigos para manutenção da Vila.

O músico paulista é considerado uma das maiores revelações da música independente do Brasil nos últimos anos. O show de Castro foi eleito o melhor de 2012 no Guia do Jornal Folha de S. Paulo. Tem cinco clipes, considerados inusitados lançados e exibidos em emissoras de TV como MTV, Vh1 e Multishow, e na internet já conta com centenas de milhares de visualizações. Devido ao seu estilo camaleônico Rafael Castro é constantemente comparado a nomes que não tem nada a ver entre si como Jards Macalé, Caetano Veloso, Adam Green, Os Mutantes, Dirty Projectors e já foi chamado até de “David Bowie Tupiniquim”. Tudo culpa da crítica especializada. Neste show contará com sua banda completa: Luna França – teclado / vocais, Gui Amaral – Bateria, Eristhal Luz – Baixo / Vocais e Rafael Castro – Guitarra / Cantor.

Hermano Electrix é uma banda de rock'n'roll autoral, formada em 2015, com letras em português e influências do Punk, Soul, Funk e Blues - Foto: Divulgação
Hermano Electrix é uma banda de rock’n’roll autoral, formada em 2015, com letras em português e influências do Punk, Soul, Funk e Blues – Foto: Divulgação

HERMANO ELECTRIX – Banda de rock’n’roll autoral, formada em 2015, com letras em português e influências do Punk, Soul, Funk e Blues. Marcado pelas patadas grossas do baixista Alvarenga, pela batera garageira e ritmada de Pedrão e a guitarra cheia de estilo de Matt Dinamite, Hermano Electrix transa com a guitarra enquanto canta, rebola e faz a energia correr no palco com suas letras que grudam feito chiclete. Punk Funk e Blues intenso. Som pra dançar até o sol raiar e depois de umas horas de sono acordar cantando.


SERVIÇO
Rafael Castro (SP) e Hermano Electrix + DJ Gustavo Veiga
13 de outubro de 2017 (sexta-feira) | 21h
Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103 – Centro, Londrina/PR)
Entrada: R$ 10 antecipado / R$ 15 portaria
Ponto de venda: Casa Madá (Rua Gumercindo Saraiva, 74 – de segunda à sexta das 12h às 19h)

Cantora Mariana Degani canta hoje em Londrina

O sábado é de música ao vivo no Cemitério de Automóveis!  A cantora, compositora e artista visual paulistana, Mariana Degani vem a Londrina pela primeira vez apresentar show do seu disco solo – FURTACOR (2016). A festa começa às 21h com discotecagem da DJ Natália Monaco e continua depois do show noite a dentro.

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Mariana Degani – Furtacor (2016) – www.marianadegani.com
Como é característica de alguns materiais que “se transformam” de acordo com a luz, o movimento e o ângulo de visão, FURTACOR põe em interação canções e vídeo projeções. As imagens produzidas para cada música, entram em cena como luz e cenário, abrindo urna enorme janela que leva o público a uma viagem, com temáticas e climas que se contrapõe de forma inusitada.

O projeto estreou em São Paulo em 2014 e logo saiu em turnê pela França e Portugal, repetindo a dose no ano seguinte. No início de 2016, acompanhada do parceiro e produtor musical Remi Chatain, reformaram uma Kombi amarela, a AMARilda, e percorreram – a três – o interior do Brasil, fazendo dezenas de shows em mais 20 cidades, num total de 8000 km de estrada.

Gravado entre 2014 e 2015, em São Paulo, o disco FURTACOR (2016) tem produção musical e arranjos de Remi Chatain, e conta com a participação de músicos parceiros, integrantes da Trupe Chá de Boldo, Araticum e Loungetude46 (banda na qual Mariana fez sua estreia como cantora em 2007). A mix é de Victor Rice. A fotografia da capa é do fotógrafo carioca Jorge Bispo e o encarte é urna compilação de camadas de desenhos, fotos, tintas, bordados e texturas – o caderno da própria artista -, que também assina o projeto gráfico. O show de lançamento aconteceu no Auditório Ibirapuera, com músicos que participaram da gravação do disco e convidados. Furtacor é cor antropofágica; movimento em eterna transformação.

DJ Natália Monaco – Buscando mesclar a diversidade que o universo do vinil representa e a necessidade de reforçar a importância das mulheres e da música brasileira na construção de uma boa trilha sonora para a vida e de valorizar nossa cultura musical, Nati Monaco se aventura no Axé, Olodum, Samba e os vastos tesouros na música brasileira que botam o corpo pra funcionar no ritmo e no remexer incessante do funkgroovesoul. A questão é se deixar entregue às batidas numa troca de energia entre a atmosfera musical que se cria e os mais diversos benefícios que a música traz!

Ingresso antecipado a $10 na Casa Madá – Ateliê Coletivo de segunda a sexta das 12h às 19h. Na portaria $15.

Apoio Estúdio MeyerBodega S/ABaile do LP e Casa Madá – Ateliê Coletivo


SERVIÇO
Mariana Degani (SP) – Furtacor
Discotecagem com DJ Nati Monaco
Dia: 30 de setembro de 2017
Horário: 21h
Local: Vila Cultural Cemitério de Automóveis.
Entrada: R$ 10 convite / R$ 15 portaria *só dinheiro! No bar aceitaremos cartão!
Ponto de venda: Casa Madá (Rua Gumercindo Saraiva, 74 – Londrina/PR) de segunda a sexta das 12h às 19h
Cantora Mariana Degani canta hoje em Londrina

Festival de Dança abre inscrições para oficinas e mostra

Do balé clássico à dança africana, dos passos contemporâneos às celebrações indianas. O Festival de Dança de Londrina divulgou a lista de oficinas que traz à cidade no mês de outubro, todas gratuitas ou a preços populares. São cinco cursos com profissionais do Brasil e do exterior em diversas vertentes da dança e voltados para os mais variados públicos – dos iniciantes aos artistas com experiência. As inscrições já podem ser feitas na secretaria da Funcart (Rua Souza Naves, 2380) ou acessando o site www.festivaldedancadelondrina.art.br, onde constam informações detalhadas sobre cada atividade e os procedimentos para obter as vagas.

A oficina “Bollywood Cosmic Dance”, com Thiago Amaral (Coletivo Cosmic Dance, de São Paulo-SP) é uma das atrações do festival - Foto: Ligia Jardim
A oficina “Bollywood Cosmic Dance”, com Thiago Amaral (Coletivo Cosmic Dance, de São Paulo-SP) é uma das atrações do festival – Foto: Ligia Jardim

Na página oficinal do evento, também estão disponíveis informações para os artistas amadores ou profissionais de Londrina e região que queiram apresentar pequenos trabalhos cênicos (de até dez minutos) na mostra local, que será realizada dia 9 de outubro no Teatro Ouro Verde. Podem participar do “Dança Londrina” grupos amadores, academias, escolas, projetos socioeducativos, dentre outros. O Festival acontece de 7 a 15 de outubro e conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal e da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, por meio do PROMIC – Programa Municipal de Incentivo à Cultura.

Programação didática – Este ano, estão programadas as seguintes oficinas: “Balé Clássico”, com Gilmar Sampaio (BTCA – Balé Teatro Castro Alves, de Salvador-BA); “Contemporâneo – A Tua Ação na Dança”, com Tutto Gomes (BTCA – Balé Teatro Castro Alves, de Salvador-BA); “Bollywood Cosmic Dance”, com Thiago Amaral (Coletivo Cosmic Dance, de São Paulo-SP); “O Círculo da Dança”, com Faustin Linyekula (Studios Kabako, da República Democrática do Congo), e “Dança Africana”, com Fanta Konatê (Instituto África Viva, da Guiné Conacri/Brasil).

Um dos workshops que deve mobilizar maior número de participantes é o “Bollywood Cosmic Dance”, que será gratuito e terá como objetivo preparar um grande flash mob, com interação do público, para dar boas-vindas à 15ª edição do Festival de Dança. Conduzido pelo ator e dançarino paulista Thiago Amaral, o curso apresenta a “Bollywood”, dança indiana moderna que é verdadeira febre no cinema e na televisão em Mumbai, antiga Bombaim. Ele também percorre outras danças étnicas do mundo e incentiva os alunos a criarem um ritual próprio, com grande liberdade, para ser apresentado durante a performance. A oficina, com 4 horas de duração, será repetida em três ocasiões, em diferentes regiões da cidade, para abarcar o maior número de pessoas.

Outra das oficinas é “Dança Africana”, com Fanta Konatê (Instituto África Viva, da Guiné Conacri/Brasil). - Foto: Victor Barão
Outra das oficinas é “Dança Africana”, com Fanta Konatê (Instituto África Viva, da Guiné Conacri/Brasil). – Foto: Victor Barão

Além da indiana, outra tradição que estará presente com particular destaque na programação do Festival 2017 será a africana. Dois bailarinos naturais do Continente trazem a Londrina oficinas que apresentam a importância e a força da arte do movimento para esta cultura. Com um trabalho de relevância estética e social na República Democrática do Congo, Faustin Linyekula ministra um workshop gratuito sobre o “círculo” – tanto aquele no qual se dança em conjunto, quanto o que se origina como energia que envolve artista e público no ato da performance. A oficina é um oferecimento do Institut Français. Já a bailarina e cantora Fanta Konatê, de uma tradicional família de artistas da Guiné Conacri, leva os participantes a um mergulho nos ritmos da África Oeste, mais especificamente da sociedade Mandinga, cujas danças ligam-se a todas as atividades cotidianas, como o trabalho, o casamento, etc.

Completando a grade, o Festival oferece os aguardados cursos de Balé Clássico e Dança Contemporâneo, mais procurados por estudantes ou por pessoas com experiência na área. Ambos serão conduzidos por bailarinos do Balé Teatro Castro Alves (BTCA), de Salvador (BA). No primeiro, Gilmar Sampaio propõe sequências na barra e no centro para aprimorar a capacidade técnica de bailarinos, com foco em aspectos como postura, flexibilidade e fortalecimento. Já Tutto Gomes, na oficina denominada “Contemporâneo – A Tua Ação na Dança”, trabalha elementos do movimento e jogos teatrais com pessoas oriundas de diversas artes para desenvolver a criação e a presença cênica a partir do repertório pessoal dos participantes.

O Festival de Dança de Londrina tem patrocínio da Caixa Econômica Federal e da Prefeitura Municipal de Londrina, por meio do PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). O evento é uma realização da APD (Associação dos Profissionais de Dança de Londrina e Região Norte do Paraná), com apoio institucional da Funcart.


Serviço:
Oficinas e Mostra Local – 15º Festival de Dança de Londrina
Inscrições abertas
Programação detalhada e fichas de inscrição no site:

www.festivaldedancadelondrina.art.br ou na secretaria da Funcart (Rua Senador Souza Naves, 2380)
Informações: (43) 3342-2362

Empresas locais ainda não veem o potencial de retorno de projetos culturais – Cita coordenador do Demo Sul

Realizado há 17 anos em Londrina, o Festival Demosul iniciou recentemente uma campanha de financiamento coletivo para arrecadar fundos para a edição deste ano. Com data prevista para ocorrer de 19 a 22 de outubro de 2017 (em diferentes palcos pela cidade), neste ano o evento será produzido sem nenhum tipo de apoio público ou privado. Segundo campanha iniciada pela plataforma kickante, a meta é arrecadar pelo menos R$ 8 mil por contribuições que variam entre R$ 20 e R$ 200.

Em 2016 a Concha foi palco de eventos como a abertura do Demosul (Na imagem Patife Band se apresenta no local) - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Em 2016 a Concha foi palco de eventos como a abertura do Demosul (Na imagem Patife Band se apresenta no local) – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Segundo divulgado, ao longo de todos os anos em que ocorreu, o Festival recebeu apoio do Programa Municipal de Incentivo a Cultura, o que permitiu que o evento oferecesse ao público uma programação acessível, composta por oficinas, palestras, rodadas de negócios, feira e shows de diversos gêneros. “Dificuldades de fazer um festival de música independente são varias; pouca gente conhece, tem pouco público e você tem que pensar em todas as etapas, desde formar o público até fazê-lo ou ensiná-lo a valorizar isso”, contou Marcelo Domingues, produtor do festival ao longo de todas as edições.

Músicos, jornalistas e produtores trocam informações durante a rodada de negócios do Demosul 2016 - Foto: Bruno Leonel
Músicos, jornalistas e produtores trocam informações durante a rodada de negócios do Demosul 2016 – Foto: Bruno Leonel

Emblemático para a cena independente brasileira, e sobretudo referência dentre festivais realizados no sul do país, o evento trouxe na última edição artistas internacionais como Rosário Smowing (Argentina), e bandas de destaque no Brasil como Macaco Bong, e o artista pernambucano Siba. Confira a seguir uma entrevista com Marcelo, na qual ele comenta sobre a campanha:

Rubrosom  – O Demosul é um evento já com história na cidade (acontece há mais de 15 anos), quais foram as maiores dificuldades em realizar todos os anos o festival? Tem algum ano que você destaca como o mais ‘difícil’ ??
O Demo Sul completou em agosto 17 anos e a impressão que tenho é que todo ano parece que é sempre a 1ª vez que estamos realizando o festival. Dificuldades de fazer um festival de música independente são varias; pouca gente conhece, tem pouco público e você tem que pensar em todas as etapas, desde formar o público até fazê-lo ou ensiná-lo a valorizar isso. Além disso, há a questão financeira, em Londrina o patrocínio continua sendo uma questão difícil para a cultura de uma forma geral. Em produções como o Demo Sul, os patrocinadores privados ainda não conseguem enxergar o potencial e o retorno de público, por isso saber como manejar o pouco dinheiro é, muitas vezes, o maior desafio.

Eis que em 2017, agora com a campanha de crowdfunding, vocês citam que não há nenhum patrocínio envolvido (até agora), no evento, mesmo com tantas edições e realizações positivas, porque você acha que há ainda essa dificuldade em angariar recursos para o evento?
Os festivais além de desenhar um extenso mapa musical da cidade, com eventos ricos em oportunidade e criatividade, entende que Cultura e a Arte, além de manifestações de talento e criatividade, são hoje importantes atividades econômicas, que produzem qualificações, criam e exploram novos espaços sociais, promovendo reurbanização e induzindo o desenvolvimento de outras atividades.

Infelizmente como citei, as empresas em Londrina em sua grande maioria ainda não conseguem visualizar este potencial, o retorno social e de mídia que projetos culturais podem produzir e ofertar as suas marcas. Quanto mais as pessoas se identificam com a arte, mais perceberão a importância da cultura em suas vidas, como algo não só da esfera do lazer, mas da necessidade. Isso, só é possível se o público notar que sua cultura regional tem representação em nível nacional. Em momentos de extrema desvalorização da arte, ter esse apoio (crowdfunding) das pessoas é fundamental.

Você que viaja muito, circula por outros festivais, acha que este problema é meio geral nos tempos atuais? (Tem a ver com o momento político do país, etc… )
Sim, o país está atravessando o momento politico mais complicado da história, este momento traz insegurança principalmente para o setor cultural. Este ano, por exemplo, muitos festivais de música com décadas de realização perderam seus principais patrocinadores. A crise afetou todos os setores da economia do país, hoje, os cortes são generalizados. Antes, eu achava que o problema dos recursos para a cultura era de má gestão. Hoje, falta tudo.

Ao longo dessas edições todas, qual você acha que foi o maior legado já feito durante esses shows/simpósios já realizados por aqui?
O Demo Sul, colocou Londrina na rota dos festivais de musica independente do Brasil, tornando a cidade um polo turístico e de atração para público, artistas, bandas, músicos, produtores culturais e jornalistas atrelados ao cenário da música brasileira. A cidade consolidou-se como peça importante na rota de festivais nacionais e internacionais de música, sendo incorporada de forma definitiva como referência às bandas e músicos de todas as regiões do Brasil e do exterior. Além dos shows, o Demo Sul sempre pautou discussões no âmbito da produção e do fomento à música assumindo a responsabilidade de estruturar e solidificar o rico cenário musical londrinense. Acreditamos no potencial pedagógico da ação cultural, por isso o festival sempre promoveu simpósios, palestras, feiras, oficinas, workshops, rodadas de negócios e diversas atividades de formação gratuitas para sociedade de Londrina. Isso sem citar as dezenas de bandas que saíram da cidade impulsionada pelo festival.

Bandas de várias regiões do país como o duo 'Phantom Powers' (De Porto Alegre) se apresentaram no último Demo Sul - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Bandas de várias regiões do país como o duo ‘Phantom Powers’ (De Porto Alegre) se apresentaram no último Demo Sul – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Neste ano tivemos a situação toda envolvendo o cancelamento do PROMIC e impactando vários projetos da cidade (em outros anos o Demosul contou com o programa inclusive), como você vê este tipo de situação para os produtores culturais? Na sua opinião, há um ‘desmonte’ organizado para enfraquecer produções e grupos artísticos??
A politica cultural em Londrina vive uma situação de limbo, algo como se fosse um purgatório das políticas públicas. O PROMIC teve seu auge entre 2003 a 2012, foi um momento onde a direção do programa vivia e respirava as manifestações culturais produzida em Londrina. Hoje o excesso de tecnocracia instalado fala mais alto do que a sensibilidade artística, e isso cria um enorme obstáculo para os trabalhadores da cultura. Não sei se há um desmonte organizado por algumas pessoas. Mas acredito que o exagero burocrático é que está afastando os produtores culturais e enfraquecendo os grupos artísticos. Também acredito que remanejar servidores de setores que não são da cultura, ou que não tenham sensibilidade para trabalhar nesta área, mais engessa e prejudica do que ajuda no desenvolvimento do programa e da politica cultural da cidade.


Informações
Acesse a campanha de financiamento coletivo do demosul no Kickante!

Barbada – Francisco El Hombre toca hoje em Londrina

Francisco El Hombre toca hoje em Londrina. Neste domingo (10), a edição 115 da Barbada terá apresentação da banda Francisco, El Hombre no palco do Bar Valentino. A festa recebe ainda o residente DJ Ed Groove e o DJ Fabio Indígena do Axé para esquentar ainda mais a festa. Os dois animam a pista antes e depois do show. A programação tem início às 18h com o Bazar Barbada, cheio de novidades em arte, moda e gastronomia. Com o Apoio Cultural do Pastel Mel! O cartaz e seus desdobramentos são produzidos com todo carinho pelo Lasca Studio!

Um acontecimento tomado por explosões rítmicas, o show da franciso, el hombre passou por importantes festivais e palcos. Entre 2015 e 2016, por exemplo, a banda fez mais de 600 apresentações - Foto: Divulgação
Um acontecimento tomado por explosões rítmicas, o show da franciso, el hombre passou por importantes festivais e palcos. Entre 2015 e 2016, por exemplo, a banda fez mais de 600 apresentações – Foto: Divulgação

O segundo semestre promete bons shows para Londrina. Depois de uma breve pesquisa na página festa, a produção da Barbada selecionou algumas bandas e agora promete surpreender o público. A banda Francisco El Hombre já era muito aguardada pelos londrinenses, ainda mais depois de uma grande apresentação no Psicodália, Festival muito frequentado e admirado pelo público da cidade. E a Barbada está de olho! Então fique ligado!

“Somos as fronteiras que cruzei”, diz um dos versos da música intitulada “Francisco, el Hombre”, que está no EP de estreia La Pachanga (2015), da banda francisco, el hombre. Talvez tal frase seja a que melhor representa o grupo formado pelos irmãos mexicanos Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte e pelos brasileiros Juliana Strassacapa, Andrei Kozyreff e Rafael Gomes. Isso porque o quinteto encontra na estrada (e na vida cotidiana) as suas grandes inspirações, mas não só. Com letras em português e em espanhol, a banda se tornou uma peça fundamental na conexão latino-americana. Em seus shows, coloca o público de língua portuguesa para cantar em espanhol e as pessoas de idioma latino para entoar as canções em português. Para eles, não há fronteira que não possa ser cruzada.

Com o lançamento do primeiro disco da carreira, SOLTASBRUXA (2016), que tem produção assinada por Zé Nigro e participação especial de Liniker e do grupo Apanhador Só, a francisco, el hombre alcançou uma maturidade musical e ampliou o seu público, que é formado por pessoas ávidas por descobrimentos musicais. As letras do álbum abordam o momento político e social do Brasil: “Em vez de tentar dar uma cara atemporal ao CD, decidimos encarar o agora. Política faz parte de quem somos, mas no La Pachanga! isso ficou escondido”, diz Sebastián, que toca bateria e canta na francisco, el hombre.

Outro ponto-chave para o crescimento da banda foi o lançamento do clipe de “triste, louca ou má”, que já contabiliza mais de 1 milhão de views no canal do YouTube e cuja canção se tornou um hino feminista. A gravação do vídeo, inclusive, foi feita durante uma turnê por Cuba (em breve, um documentário da passagem do quinteto pela Ilha será lançado).

Um acontecimento tomado por explosões rítmicas, o show da franciso, el hombre passou por importantes festivais e palcos. Entre 2015 e 2016, por exemplo, a banda fez mais de 600 apresentações. Destaque para os festivais latino-americanos América x Su Musica (Havana – Cuba), Imesur (Santiago – Chile) e FimPro (Guadalajara – México). Também passou pela Argentina e pelo Uruguai. Em território nacional, tocou no Rec Beat (Recife – PE), Virada Cultural de São Paulo (Municipal e Estadual), Festival DoSol (Natal – RN), El Mapa de Todos (Porto Alegre – RS), Fora de Noca (Florianópolis – SC), Psicodália (Rio Negrinho – SC), Bananada e Vaca Amarela (Goiânia – GO) e Festival Tenho Mais Discos que Amigos! (Brasília – DF).

BARBADA – Projeto produzido pela BARBADA realizado mensalmente no Bar Valentino desde março de 2010. Trata-se de uma caravana que integra várias linguagens em um único lugar. Inicialmente realizada na casinha do bar – estrutura mais antiga -, atualmente ocupada todo espaço que recebe toques precisos na decoração, principalmente no palco das apresentações. O horário e preço da entrada destoam do padrão da noite londrinense fazendo jus ao nome. A festa se pauta pela diversidade, integrando música, moda, literatura, gastronomia, quadrinhos, artes plásticas e artesanato atraindo um público de jovens formadores de opinião. Hoje é uma das principais vitrines da nova música, recebendo também artistas de destaque no cenário independente local e nacional.


SERVIÇO
Festa Barbada com Francisco, el Hombre
+ DJ Ed Groove + DJ Fábio Indígena do Axé
+ Bazar Barbada
18 horas
Couvert R$ 15,00
Classificação 18 anos

7º Encontro de Contadores de Histórias abre inscrições

Com apresentações, atividades lúdicas e formativas, o ECOH se consolida como um importante espaço no cenário nacional da arte ancestral de contar histórias. Ao longo dos seus sete anos, trouxe para Londrina apresentações de várias partes do Brasil. Nesse ano, artistas tem até o dia 20 de setembro para inscrever suas apresentações e oficinas. O festival será realizada entre os dias 23 de outubro e 8 de novembro de 2017.

Encontro de Contadores de Histórias abre inscrições
Em 2016 dezenas de companhias participaram, do evento, entre elas, a apresentação de “Historietas e Assombretas”, da Cia. Arte Negus – Foto: Divulgação

As inscrições podem ser feitas pela página do festival no facebook. Organizado pelo Instituto Cidadania, com a coordenação geral de Claudia Silva, o ECOH tem o patrocínio do Programa Municipal de Incentivo a Cultura, o PROMIC. “O público é bastante diverso. Tem muitas atividades para crianças, mas são histórias que costumam encantar pessoas de várias idades. Tem muitas atividades, como as oficinas e aula pública, que são voltadas para adultos, gente interessada em aprender a contar histórias, educadores e outros”, contou a coordenadora Claudia Silva, durante a realização do evento no ano passado.


Informações
Página do Facebook do ECOH

Sou humanista, com todos os defeitos e acertos, eu falo de todos – José Maschio, autor de Tempos de Cigarro sem Filtro

O jornalista José Maschio, mais conhecido como Ganchão, lançou recentemente seu primeiro intitulado “Tempos de Cigarro sem Filtro” em Londrina. Com 152 páginas, o romance retrata o Brasil da década de 1970, quando a ditadura militar está instalada no país. Com referências de sua vasta experiência como repórter, Ganchão narra a história de Jaso e Maria, um casal unido pela miséria.

Segundo José Maschio, o livro foi escrito em um processo de aproximadamente 4 meses - Foto: Anibal Vieira
Segundo José Maschio, o livro foi escrito em um processo de aproximadamente 4 meses – Foto: Anibal Vieira

Eles vivem na periferia de uma típica cidade brasileira dividida por desigualdades sociais e econômicas. Jaso é um peão para qualquer trabalho braçal e Maria, uma lavadeira de roupas. “Eu sou humanista, com todos os defeitos e acertos, eu falo de todos… Eu tento refletir sobre valores, não sobre posições políticas, não canonizei ninguém”, quando cita sobre a preferência pela forma de contar a trama sem tentar ‘idealizar’ demais a polarização entre direita e esquerda que acontecia na época.

Jaso emprega dois garotos em sua empreitada de abrir valetas, roçar capoeiras e erguer cercas: Ruço e Lozinho. Realizando trabalhos de adultos, os meninos rapidamente abandonam a infância e passam a experimentar as crueldades do mundo e de suas condições sociais. A vida empurra Ruço e Lozinho para caminhos completamente diferentes. Ruço torna-se um militante na luta contra a ditadura e passa a levar uma vida na clandestinidade. Lozinho torna-se um boêmio da malandragem, um jogador de sinuca que passa a viver no mundo da jogatina. Segundo o próprio autor, escritores como Graciliano Ramos e Lima Barreto foram algumas das suas influências, sobretudo por mostrarem um ‘novo Brasil’, em comparação à outras literaturas que eram mais populares.

Em “Tempos de Cigarro Sem Filtro”, Ganchão oferece um retrato do período da ditadura militar a partir de visões de pessoas que não estavam conscientes dos acontecimentos. E mesmo alheios aos fatos históricos, em algum momento trombavam com o abuso de poder e com violência. Com uma escrita pautada pela oralidade, a literatura desenvolvida por José Maschio dá prosseguimento aquela iniciada pelo escritor João Antônio (1937 – 1996), onde a língua falada nas ruas, dentro do cotidiano das pessoas, é revelada com arte. Confira a seguir uma entrevista com o escritor:

Você já tinha publicado outros livros – Como ‘“Crônica de Uma Grande Farsa” , escrito com Luis Tasques – mas é a primeira vez que você assina um romance. Quanto tempo ai de produção, leitura e pesquisa pra concluir o trabalho?
Olha, escrever foi rápido, em menos de quatro meses tava pronto, lógico que você lê ele de novo e tudo mais, o problema maior foi com uma editora de São Paulo, acabei ficando dois anos disputando a possibilidade de transferir para cá, para a Kan editora, o processo todo foi bem agradável… Eu gostei do processo de escrever este romance.
E o processo de pesquisa, elaboração da trama, como foi?
É um romance baseado em fatos reais, e baseado em coisas que eu vivi enquanto militante de esquerda, contra a ditadura, durante minha adolescência, e baseado ainda na minha experiência de repórter, investigativo e tudo mais. Não foi feita uma pesquisa propriamente, lógico, uns e outros dados eu tive que checar, por exemplo falando dos anos 70, mas foi ok. Os personagens são todos fictícios, eles foram feitos pra alinhavar a história de acontecimentos reais… Por exemplo, uma hora falamos do Delegado torturador, se alguém pegar a memória da Folha de Londrina, vai saber que havia um Delegado na época que torturava e era do MDB. Eu não vou citar o nome do Delegado, porque não é o interesse, mas é tudo inspirado na realidade.  Foi bom ter ‘guardado’ o livro um tempo, ele fala sobre um período sombrio, e hoje, vivemos em outro período sombrio, tem gente pedindo intervenção militar, nem sabem o que foi a ditadura, o livro hoje, eu espero que sirva de alerta.

Hoje vivemos realmente este levante conservador, como você mesmo comentou, há um certo esquecimento da parte histórica… Esquecem o que foi.
É, o Brasil é um país sem memória, e eu como jornalista, independente do que estiver fazendo, sempre fui repórter, fico mais assustado ainda com estes países sem memória. No fim, talvez seja um alerta, o pessoal acha que pedir intervenção é a coisa certa, e coisa resolvida, e não é, trata-se de uma briga onde nós temos que lutar pela democracia.

Você que viveu as duas épocas, antes e hoje, você acha que hoje em dia há ainda um sentimento que é mantido, daquela época, de gente que defendia o conservadorismo, o regime militar…
Sim, naquela época havia uma classe média que era contrária ao regime, por isso que foi combatido e acabou definhando, hoje não, hoje nós temos uma classe média desinformada e que apoia, hoje é muito mais grave em termos civis, a sociedade civil está achando natural ser de direita, essa direita crescendo, com o golpe, estamos perdendo direitos sociais todos os dias, é quase um retrocesso próximo de 70 anos.

Vendo teu histórico, tanto profissional, como de formação, não houve preocupação em ser isento? Você deixa claro um posicionamento na obra…
Eu sou humanista, com todos os defeitos e acertos, eu falo de todos… Eu tento refletir sobre valores, não sobre posições políticas, não canonizei ninguém.

Teve seu livro de 2013, com o Taques, livro reportagem… Pra quem produz, exige muito mais trabalho realizar uma reportagem do que um romance, ou não?
O livro reportagem é jornalístico, você não pode inventar fatos, mas se você retratar algo, você precisa ser fiel… Não sou escritor, sou um repórter contador de histórias, agora, minha origem, minha vida é toda orientada pela reportagem investigativa.

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O autor: Formado em Jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina, José Maschio trabalhou como repórter em jornais como Paraná Norte e Folha de S. Paulo. Como jornalista atuou ainda em diversos jornais alternativos, imprensa sindical e emissoras de TV. Atuou também como professor de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina. É autor do livro-reportagem “Crônica de Uma Grande Farsa” (2013), escrito em parceria com Luiz Taques. Atualmente, vive em Cambé (PR).

Entrevista – Lucas Fiuza e Regional Maria Boa lançam CD

No começo de agosto, foi lançado em Londrina o álbum intitulado ‘Lucas Fiuza e Regional Maria Boa’, composto por 10 músicas, assinadas por Fiuza. São músicas que vem sendo compostas ao longo dos anos, utilizando como fio condutor o choro, seus subgêneros como polca, maxixe, valsa brasileira, mas também traz as diversas influências que o compositor teve em sua vida. Acompanhando o compositor, o coletivo Regional Maria Boa,  na atividade há pouco mais de 2 anos e vem estudando, divulgando o choro em bares, eventos e restaurantes da cidade de Londrina. O grupo é formado por Thiago Marinho na percussão, Wellington Ramos no cavaco e João Gabriel Alves no violão.

O coletivo Regional Maria Boa (com Lucas Fiuza do lado esquerdo), lançou recentemente o primeiro disco - Foto: Divulgação
O coletivo Regional Maria Boa (com Lucas Fiuza do lado esquerdo), lançou recentemente o primeiro disco – Foto: Divulgação

Participaram do álbum três convidados especiais, Miguel Santos com seu acordeom na música “Perseverança”, uma polca misturada com maxixe; Annalisa Powell, australiana que já pegou nosso swing, tocando flauta na música “Delicadeza”, um choro tradicional; e Wag Collins no violino, fazendo a valsa “Girassol”. O Cd conta com algumas particularidades, além das misturas de estilos dentro do gênero choro, citadas em “Perseverança”, há também choros com influência de música latina em “Guasca” e pitadas da música espanhola em “Céu de Espanha”.

Lucas Fiuza se formou em violão erudito com o prof° Ricardo Grion no Conservatório de Tatuí. Na cidade, participou de projetos como arranjos para orquestra de violões da obra dos Beatles, além das aulas individuais e de grupos com repertório variado. Posteriormente iniciou na sua terra natal, Itapetininga, os estudos na Escola Livre de Música Municipal, com o professor Alexandre Bauab com quem fez aulas de violão, harmonia e de regional. Mudando para Londrina em busca de novas oportunidades, toma contato com chorões da cidade, do Clube do Choro de Londrina, participa do Regional Vila Brasil, grupo que se conheceu no contato que teve no Festival de Música de Londrina e neste momento participa do Regional Maria Boa.

Fez parte da formação musical de Lucas Fiuza, a Bossa Nova que sua mãe escutava e isso é possível observar hora ou outra no encadeamento que aprendeu com Tom Jobim através dos discos. Outra referência que fez parte da adolescência foi o Rock, que pode ser observada em “Guasca”, que tem intenção parecida com os dois andamentos que são utilizados em “L’via Viaquez”, do The Mars Volta. A música “Braga” tem influência da música “Então Chora Bandolim”, do carioca Luiz Otávio Braga, principalmente no final dela que tem um clima interessante e que na minha composição é sentida mais em sua introdução. O gosto pelo humor está presente no maxixe “Curiosa”, em que o nome foi dado por causa de uma menina de 9 anos, a Bia, amiga de sua família, que um dia estava em sua casa e após várias brincadeiras, o músico resolveu ficar no seu canto para finalizar as composições que entrariam para esse álbum. Ela ficava interrompendo enquanto Lucas estava terminando de escrever em seu caderno de música e perguntava: “O que você está fazendo tio?”, ele respondia, “Estou compondo Bia.”, ela saia e voltava de cinco em cinco minutos e perguntava o mesmo e eu respondia novamente a mesma coisa.

Como o maxixe ainda estava sem nome, a intromissão da menina me fez intitular a música de “Curiosa”. O choro “Simpatia” foi feito em homenagem ao cavaquinista brasiliense, Léo Benon, que esteve em uma edição do festival em Londrina e ao final daquela semana intensa com os chorões brasilienses, acabei compondo este choro de forma intensa em menos de dois dias e resolvi homenageá-lo. A seguir, confira uma entrevista com o músico, que assina as faixas, onde ele fala mais sobre o processo de produção do trabalho:

É seu primeiro registro de estúdio certo? Depois de tantos estudos e projetos, qual a sensação de finalmente apresentar este trabalho pro público?
Sim, é meu primeiro registro com músicas autorais…  A sensação é espetacular, sentir as reações das pessoas, que ficam surpresas com a qualidade do material, desde as sensações que as músicas causam nas pessoas como alegria, entusiasmo e também as palavras de incentivo que estou recebendo de todos!

Vi no relise as referências que vão desde compositores brasileiros até nomes do rock (Como a referência ao Mars Volta), você sempre se interessou pela mistura de estilos assim? Tinha uma preocupação em inserir essas linguagens no trabalho do regional?
Minha formação veio do violão erudito, mas por uma questão de amizades e acredito até de geração, escutei rock durante minha adolescência toda, passando por variadas vertentes. Um dia vi o clipe de “Blunt of Judah”, do Nação Zumbi e pirei naquele som, era a coisa mais contemporânea que tinha ouvido desde então. Estava nesse processo de começar a ouvir novamente bandas nacionais e que cantassem em português também. Aquelas misturas de estilos dentro dessa banda também me influenciaram a fazer misturas dentro das minhas músicas, como por exemplo, “12 Nuvens”, que começa com choro na primeira parte e depois viram polca tanto na parte B, quanto na C. Posteriormente entrei no universo do choro porque me interessei demais com aqueles encadeamentos, rítmica e foi uma evolução na minha forma de pensar a música como um todo. Não havia preocupação em colocar estas influências, tudo surgiu naturalmente e foi colocado sem fazer restrições se isso podia ou não dentro do gênero.

Ao longo de quanto tempo foram feitas as faixas? São todas da mesma época?
Já tinha feito alguns rabiscos na pauta ao longo do tempo, mas o primeiro que fiz e que considerei relevante foi “Delicadeza”, depois do Festival de Música de Ourinhos de 2008, saiu em praticamente três dias a composição. Depois, fui escrevendo pedaços de música e guardando para serem finalizados posteriormente. Os festivais que tem essa intensidade na vida do músico que pratica manhã e tarde durante uma semana, me fez compor o choro “Simpatia” e dedica-lo ao brilhante cavaquinista de Brasília, Léo Benon, que foi professor durante duas edições do Festival de Música de Londrina. E continuei compondo até que cheguei a esse número de 10 músicas que considerei relevante para fazer um álbum, sendo que as últimas três, “Curiosa”, “12 Nuvens” e “Girassol” foram finalizadas no final do ano passado. Queria fazer um álbum completo até para ficar como um registro histórico dentro da música de Londrina, brasileira e contribuir mesmo que de forma ainda diminuta com a nossa música!

Regional Maria Boa durante apresentação na Casa da Vila em Londrina - Foto: Bruno Leonel/Rubrosom
Regional Maria Boa durante apresentação na Casa da Vila em Londrina – Foto: Bruno Leonel/Rubrosom

Sei das influências de vocês, dos trabalhos que o ‘Maria Boa’ tem feito… Mas pra este disco, tem algum compositor ou referência nova que inspirou vocês para o registro?
Minha maior influência do choro é o Pixinguinha, compositor que mais estudei. O Guinga é responsável por me influenciar nas minhas experimentações com dissonâncias, um dos maiores compositores em todos os tempos. Mas tem muita gente nova fazendo trabalho interessante atualmente, como o Luís Barcelos, Rogério Caetano e o duo que ele fez com o Eduardo Neves. Não necessariamente me inspiraram a compor essa ou aquela música, mas merecem a atenção do público. Novamente no festival, os professores do Rio de Janeiro Jayme Vignoli, Marcílio Lopes e Paulo Aragão, este último arranjador de trabalhos do Guinga,vieram em Londrina ano passado e empolgaram principalmente o Wellington e João Gabriel, mostrando uma forma como os chorões cariocas faziam a rítmica do choro.

E os próximos passos? Pretendem divulgar o trabalho nas redes apenas? Participar de festivais, etc?
O objetivo é fazer apresentações nos mais variados lugares. Além dos que a gente já faz, participar de editais de cultura, festivais, prêmios da música brasileira, etc; divulgando ao maior número de pessoas. E também em breve colocarei nas plataformas digitais.


Informações:
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